Meus cabelos castanhos e compridos caíam sobre meus ombros e suas mãos acariciavam minha cabeça. A brisa morna e macia tocava nossos rostos calmamente. Abri meus olhos para encontrar os dele. Sorri. Sua boca se aproximou devagar de meu ouvido e cochichou segredos doces e cor-de-rosa seguidos por um beijo em minha bochecha.

Sabia o que falavam sobre nós. Ele era mais velho, como uma figura paterna para mim, mas eu o amava. Muitos pensavam que eu procurava dinheiro fácil e prazer a disposição, mas as lágrimas que rolaram dos meus olhos eram verdadeiras. Eu o amava e tinha certeza.

Sabia das consequências de amar um homem assim, mas nada me impedia de viver a vida boêmia que ele me proporcionava. Bebidas, bailes, viagens de carro para a praia, e tudo isso com o amor da minha vida. Sabia das outras, mas eu tinha certeza que poderia concertá-lo de alguma maneira. Ele me levava para os bailes nas noites quentes da cidade e dançávamos como se fosse proibido viver. As noites no bar também eram especiais. Com garrafas nas mãos, Saíamos nas ruas e apenas conversávamos. Eram nessas festas que percebia que de todas as outras, eu era sua preferida. O problema era quando voltávamos para casa, onde as palavras "Não" e "Pare" eram como pecados imperdoáveis.

Eu o amaria para sempre, até mesmo depois de sua morte. Sabia que nenhuma das outras garotas tinham os mesmos sentimentos que eu.

Eu era uma menina complicada. Um passado difícil e quebrado e sentimentos de solidão me consumiam, mas quando o conheci, tudo mudou. Meu coração estava cheio e completo. Se apertava quando saía e também quando voltava, sabendo do que aconteceria em seguida.

Sabia o que fazia e sabia que não era certo, mas mesmo assim o amava. Um dia ouvi um barulho vindo da cozinha. Desci correndo. Era a polícia. Estavam o prendendo. Tentei detê-los, mas não obtive sucesso. Me seguraram pelos braços e me arrastaram para o carro com ele. Sabia que seria a última vez que nos veríamos. Segurei sua mão e a apertei. No tribunal, ouvi a sentença. Abaixei a cabeça e deixei algumas lágrimas descerem pelas minhas bochechas. Minha vida voltaria ao mesmo inferno de antes. Preferia morrer. Ele me fazia tão mal mas tão bem...

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