Meu novo amanhecer
14 Visão
Notas iniciais
Assim que desencostamos nossos lábios foi impossível não sorrir e ao abrir os olhos pude constatar que Jacob também sorria, tornando o momento ainda mais bonito.
–Você não sabe a quanto tempo eu espero por esse beijo.- disse ele suspirando.
–Não sei você, mas eu o quero desde que te conheci e como você não tomava nenhuma atitude resolvi te dar alguns incentivos.
–Você quase me enlouqueceu.
–E tinha outro jeito de conseguir um beijo seu?
Ele sorriu e como resposta colou nossos lábios novamente.
...
Olhando as árvores a nossa volta aquele sentimento de lar voltou e de tempo em tempo eu escutava algumas risadas de criança e outras de adultos, mas antes de me aprofundar nesses flash os dedos de Jacob pressionaram os meus me fazendo olhar para ele.
–Tudo bem?- ele perguntou.
–Sim, só estava lembrando de algumas coisas e pensando no nosso beijo.
Ele sorriu.
–Que bom que gostou, mas eu queria ter sido o primeiro a te beijar.
–M-mas v-você... foi- disse corando.
–Fui? Então por que disse que sentia falta?
–Para provocar horas!
Ele riu e eu acompanhei.
–Só você mesmo.
Continuamos caminhando de mãos dadas pela floresta quase enegrecida -pois é, estamos aqui a horas-, sabia que Luke iria me olhar daquele jeito "to sabendo" e que o Edward com aquele jeito seu iria implicar, mas era melhor ouvir por chegar tarde do que ouvir por aparecer em casa com a lingerie molhada.
Não demorou muito para ver as luzes da casa e o Edward parado na varanda de braços cruzados e com uma carranca de dar medo.
Ihhh vai começar! pensei tirando os dedos de Jake dos meus.
–Vou mesmo! -gritou Edward. -Aonde você estava mocinha?
–Tendo a melhor tarde desde que cheguei aqui.- e com isso subi para meu quarto e deixando ele ainda mais carrancudo.
...
A semana passou voando e cada dia mais eu me sentia mais atraída e mais envolvida com os Cullen. Era engraçado fazer mil e uma apostas com o Emmett, implicar com o Jasper, fugir dos banhos de moda de Rosalie e Alice, decorar e redecorar coisas com a Esme, falar sobre saúde e a vida de um médico com Carlisle, jogar e trapacear com o Edward, conversar com Bella -que agora estava contando mais de sua filha desaparecida- e é claro, dar uma escapulidas com Jacob para beijar.
Jacob.
Só de pensar nesse nome um sorriso se formava em meus lábios. Era estranho e ao mesmo tempo exitante o fato de que quanto mais eu o beijar, mais eu queria repetir a dose.
Os nossos encontros se davam sempre em lugares lindos e vazios, tendo somente o céu como testemunha desses momentos maravilhosos. A sensação de paz que vinha dos beijos era muito mais eficaz que qualquer meditação já feita e só perdia para o fogo que se acendia toda vez que ele me tocava juntamente com um outro sentimento que eu não sabia identificar.
Amor? pensei sorrindo com a ideia. Edward ficaria louco.
E por falar em Edward, ele cumpriu sua promessa e agora ele estava me ensinando a tocar piano. Ele era super paciente e eu me dedicava para atingir as expectativas impostas por ele, eu conseguia na maioria das vezes mas as coisas entre nós ficavam tensas quando por impulso, ou sei lá qual outro sentimento, eu quase o chamava de pai. Com Bella também não era diferente, sempre que ela contava histórias de sua filha e se emocionava muito eu segurava sua mão e dizendo que tudo iria ficar bem e logo em seguida quase a chamava de mãe.
Acho que estou mais carente do que acredito penso quando ocorre essas situações. pensei respirando fundo.
–Está pronta?- perguntou Edward segurando minha mão e tirando-me dos devaneios.
Eu assenti em resposta.
Hoje nós iríamos fazer um pequeno recital de piano para todos os presentes -ideia de Esme- e mostrar o quanto eu aprendi nessa última semana.
Nem preciso mencionar que depois que a sugestão fora levantada e aceita -até porque quem conseguiria negar algo a Esme?- Rosalie e Alice, ou loira psicopata e anã de jardim como diz Jacob, me fizeram de gato e sapato de mim achando que eu era uma versão gigante da Barbie só deixando o cabelo que eu tanto presava para eu mesma cuidar -que acabou como o mesmo coque de sempre- e Esme arranjou um motivo para redecorar a sala onde ficava o piano para "o grande espetáculo" como dizia ela.
Antes de irmos olhei Edward de cima a baixo e perguntei:
–Smoking? É sério?
–Acredite, eu não tive escolha.- fez uma careta. -Era smoking ou ficar sem cabelo e piano.
–Alice?
–Alice- ele respondeu exasperado.
Fomos para a sala do piano e eu quase não pude segurar a gargalhada que se formou ao ver todos ali vestidos a caráter e emburrados olhando mortalmente para a baixinha que praticamente saltitava no lugar, a mais engraçada era a Bella que parecia estar jogando algum tipo de praga na anã.
Sentamos no banquinho e começamos a tocar todas as músicas que aprendi a semana inteira. Foi divertido a forma que eles aplaudiam de vez em quando e era interessante a conexão que eu tinha com o Edward quando nós tocávamos, era como se fossemos velhos conhecidos que se perderam no caminho.
Chegamos ao final da última música e todos começaram a aplaudir freneticamente como se tivesse sido grande coisa e gritando coisas como "arrasaram", "vocês são demais", "quero bis", "vou chorar" claro que essa só poderia vir do Emmett. Mas antes que pudêssemos responder alguma coisa um grito agudo e aterrorizado invadiu a sala, a silenciando.
Todos olharam para Alice em expectativa, esperando ela falar. Jasper foi para o lado dela e segurou fortemente em sua mão pedindo para ela se acalmar, mas de nada adiantava então eu olhei para Edward em busca de explicação e me surpreendi em ver seu rosto mais pálido que o normal. Ele também não falaria nada.
O que será? Meredith está vindo? Haveria uma guerra? Perderíamos? Ganharíamos?
Ao invés de pedir respostas como todos, eu simplesmente abri as portas da minha mente e comecei a ver a cena que a chocou tanto e em poucos segundos senti o sangue se esvair de meu rosto e meus músculos ficarem rígidos da mesma forma que Edward e Alice estavam.
A cena não poderia ser mais aterrorizadora.
Edward estava deitado sobre o solo de algum lugar da floresta, sua pele estava com um tom levemente arroxeado e totalmente rachada por toda a extensão de seu corpo, seus olhos estavam fechados e sua respiração lenta e inconstante. Uma cena terrível, mas o pior de tudo foi que com um suspiro sofrido se dava a real situação.
Edward estava morto.
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