Meu novo amanhecer
19 Pedido
Notas iniciais
Demorou pelo menos cinco minutos até alguém falar algo.
–Como...
–Eu descobri?- perguntei. -Ouvi a conversa deles e fiquei sabendo.
Não esperei qualquer outro tipo de pergunta e caminhei até a casa deles. Não estava a fim de conversar com ninguém, não estava a fim de ver ninguém depois de tudo o que tinha acontecido naquele dia. Tudo estava uma confusão! Não conseguia colocar meus pensamentos em ordem e muito menos acalmar meu coração, não estava pronta para encarar ninguém e as lágriamas que desciam pelo meu rosto só confirmaram isso.
Entretanto, antes que eu pudesse cogitar a possibilidade de extravasar ouvi passos vindo em minha direção -é claro que ele não se tocariam do recado mudo e viriam atrás de mim se beneficiando do ótimo olfato deles– e por isso enxuguei as lágrimas que haviam caído e segurei aquelas que queriam sair direcionando meu olhar para a janela.
–Oi.- disse Bella cautelosamente, mas nem me dei ao trabalho de responder.
–Olha eu sei que você-
–Não sei se você percebeu, mas eu não quero conversar.- cortei-a secamente. -Se eu quisesse que isso acontecesse teria ficado lá.
–Eu sei que você está triste e-
–Você já se esqueceu de quem realmente era e rodou o mundo atrás de seus pais?
–Não, mas-
–Então você não sabe como eu me sinto.
–Não, eu não sei o que você está sentindo agora mas eu sei o que eu sinto! Eu sei o que eu sofri quando a minha única filha foi tirada de mim e o quanto eu sofri sem ter ela do meu lado. Então não diga que eu não tenho ideia do que você sentiu nesses anos.
–Eu quero ficar sozinha agora.
–Por favor, vamos nos sentar e conversar?
–Agora não.
–Me deixe explicar!- gritou. -Você confiava em mim!
–Você disse certo, confiava. Antes de descobrir que você mentiu pra mim!- gritei também. -Será que você não enetende? ME DEIXE EM PAZ!
Ela me olhou com os olhos banhados em lágrimas e eu pude ver a mágoa crescendo ali.
–O que está acontecendo aqui?- ouvi Carlisle perguntar.
Ignorei-o e continuei encarando Bella até que sai com passos firmes sem olhar para ninguém rezando para que a torrente de lágrimas esperassem para cair pelo menos até que eu chegasse a floresta para eu não ser ouvida.
***
Já fazia quatro dias que eu não voltava a casa dos Cullen e não via ninguém -até porque quem tentava se aproximar eu fazia questão de expulsar sem nenhuma delicadeza, até Carlisle entrou na lista dos expulsos. E agora estava deitada em um tronco caído, pensando.
Uma parte de mim que eu não conhecia direito pedia para voltar e não desgrudar nunca mais da minha mãe enquanto a outra parte revoltada não queria ver eles nunca mais e até achava o sequestro de Edward um castigo providencial dos céus. E era completamente atordoante ter os dois duelando entre si dentro de mim.
Ouvi passos se aproximando de mim impedindo-me de continuar minhas lamentações internas e pelo jeito que eram leves suas passadas pude perceber que era Esme, a única que tinha vindo falar comigo até agora.
Eu estava pronta para expulsá-la com toda a arrogância que eu possuía quando vi seu rosto em forma de coração e sua expressão doce que fez-me perder toda a pose e aguardar o que viria com expectativa.
–Posso me sentar?- perguntou. Mas ao invés de uma resposta eu simplesmente encolhi minhas pernas e sentei.
Ela sentou com mais elegância que qualquer outro vampiro tinha. -Obrigado.
Ela me encarou por algum tempo para logo depois desviar seu olhar para a copa das árvores e me deixou sem entender nada quando começou a rir.
–Sabe o que é engraçado?- eu neguei. -Esse é o lugar favorito do seu pai quando está estressado, ele diz que o lugar tem poder de acalmar. Depois que ele conheceu sua mãe só faltou montar uma casa aqui.- riu de novo. -Esse tronco que nós estamos sentadas ele mesmo derrubou quando estava com ciúmes dela.
Me encarou novamente.
–Você é tão parecida com ele que eu tinha certeza que estava aqui mesmo sem saber o que esse lugar representa.
Fechei a cara.
–Não quero falar sobre isso.- desviei o olhar.
–Mas é o que vamos fazer .- disse firme e eu bufei. -E pode parar com isso!
A encarei atentamente.
–Eu sei que nós erramos por não te contar a verdade logo de cara, mas os pais erram tentando acertar.
–O que você quer?- suspirei.
–Que você volte para casa e fique junto com sua mãe e sua família que é o seu lugar. Pense na sua mãe! Ela está sofrendo por causa do seu pai e porque está sendo rejeitada pela filha que ela tanto lutou para ter.
–Eu não posso fazer isso.
–Eu sei que você não pode fazer isso porque está revoltada. Mas quer saber o por quê de você se sentir tão revoltada assim? É porque você não é adulta!
–Eu sou adulta sim!- revoltei-me.
–Não, você não é. Você tem corpo de adulta, você entende coisas que só um adulto entende e até se comporta como uma... mas aí dentro- apontou para meu coração. -dentro de todas essas coisas você é só uma garotinha de sete anos que esteve esse tempo todo sem os pais enquanto enfrentava o mundo do jeito que ele é. Uma criança que quer tanto o carinho dos pais que se assusta e se retrai.
Não demorou nem um minuto para eu me acabar em lágrimas depois que ela acabou de falar e o choro só aumentou quando ela me envolveu em seus braços.
Assim que acabei ela enxugou minhas lágrimas, beijou-me a testa e se levantou estendendo a mão para mim.
–Vamos!- disse quando a olhei interrogativamente. -Sua mãe precisa de você.
Com um suspiro segurei em sua mão e assim fomos até a mansão. Enquanto ela entrava pela porta da frente, eu subia na janela do quarto que era do meu pai -e meu também-, encontrando minha mãe chorando deitada na cama.
Eu pigarreei para chamar sua atenção e ela se sentou na cama me olhando com um misto de surpresa, expectativa e esperança. Me encorajei com seu silêncio, eu andei até a cama e sentei de frente para ela analisando seu rosto.
Ficamos assim por um tempo até que ela -com medo transbordando em seus olhos- levou sua mão para meu rosto fazendo carinho enquanto eu simplesmente fechei os olhos e inclinei minha cabeça na direção de sua mão. Esme estava certa. Eu estava mesmo precisando disso!
Quando abri meus olhos vi que várias lágrimas haviam rolado por seu rosto mas agora um brilho tomava conta de seus olhos; e sem pensar duas vezes eu estiquei minha mão e enxuguei seu rosto fazendo-a sorrir e depois me puxar para um abraço forte que durou até que nossas saudades fossem diminuídas.
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