Meu noivo perfeito
16 Encontro às claras
Notas iniciais
Estar de volta à CIT nunca foi tão... Enervante. Eu sabia que a partir de hoje, pelo menos aqui dentro da empresa, as coisas nunca mais seriam tão 'pacíficas' quanto antes. Quero dizer, além de ter que cumprir com meu cargo de chefe e minhas futuras obrigações, eu ainda teria que me ver responsável pelas outras centenas de cabeças que trabalhavam no meu setor, agora... Para mim. Meus subordinados, digamos. Passei a mão em meus cabelos, indignada com o rumo dos meus pensamentos.
A notícia já devia ter sido lançada a um bom tempo, creio. Não que muitos denunciassem isso. Dizendo melhor, nada de olhares e cochichos, pelo menos não muitos. Fui bem recebida na recepção, como sempre, algumas das recepcionistas a quem eu tinha mais afeição foram bastante simpáticas e me parabenizaram pelo cargo. Eu estava tão constrangida, muito mesmo. Sendo a primeira vez que eu voltava a por meus pés aqui dentro desde o incidente com Karin. Coitada de mim que pensava que nunca mais voltaria a ver aquela construção magnífica, sentia saudade do aroma climático, e por mais incrível que pareça, até das pessoas de queixo erguido daquele lugar.
Respirei fundo, por sorte a maioria das pessoas estavam tão compenetradas que não fizeram mais do que trocar um olhar comigo. Consegui passar por uma multidão até em fim entrar com tudo no elevador 2. Mais quatro pessoas fizeram-me companhia, uma delas justo era a entregadora de bolinhos do meu setor, segundo minhas recordações. Cumprimentei-a com um discreto aceno e recebi um sorriso gentil em troca. Não era uma má pessoa. Isso me fez pensar como seria minha recepção.
E foi afogada em receios, que ouvi o mover de portas do elevador, indicando que eu havia chegado. A entregadora de guloseimas indicou-me com a mão para ir à frente, sai do elevador e com passos nervosos, passei pela porta de vidro e percebi que o silêncio fez-se presente de acordo com minha entrada. Não sei exatamente o que senti ao ver a expressão de Tayuya, a antiga perseguidora leal de Karin. Eu não gostava de guardar mágoas ou qualquer coisa do tipo, mas quem não sentiria o pouco de superioridade que eu estou sentindo?
Todos levantaram os seus rostos e sorridentes desejaram um bom dia e boas-vindas. Lembro-me da última vez que os vi, eu estava fugindo de uma Karin furiosa e todos me cumprimentavam com uma enxurrada de palmas e assobios. Aquele deve ter sido um dos dias mais movimentados da CIT, sem dúvidas. Saber que teria que trabalhar com aquelas pessoas me animava, no fundo cada um dali tinha qualidades, e eu faria de tudo para trabalha-las o bastante.
Sorri e acenei, olhando para o rosto daquelas pessoas, dezenas. E pensar que teria que me responsabilizar por cada uma. Medindo o peso de igual para igual em meus saltos, cheguei, enfim, a sala que antes tanto me aterrorizava. Empurrei-a pela maçaneta vertical e entrei, sentindo um cheiro de novo, por sorte tinha as cortinas, também diferentes que cobriam todas as grandes vidraças, que impediam de dar às outras pessoas a visão do meu rosto bestificado.
A sala era tão grande que não havia como não se sentir confortável. Quase corri até a cadeira de couro e fiquei energética fitando a mesa de mármore e o computador em cima dela. Dois armários ficavam atrás da minha cadeira, e estavam completamente vagos. A ideia de por ali qualquer coisa me animou. Não achei que eu estava exagerando, além do mais não é todo dia que se consegue uma sala daquela categoria só para você. Um sorriso sapeca surgiu no meu rosto.
Liguei o computador e tirei metade de meus pés de dentro dos saltos, permanecendo com eles abaixo da mesa, prontos para qualquer infortuno. Pus minha bolsa logo ao meu lado, e estalei os dedos, assim como fazem nos filmes quando estão se preparando, o que é bem dramático, mas não resisti.
Concentrada no computador eu olhei minha lista de e-mails, nada que eu não tenha visto ontem à tarde pelo celular. Mas acho que as coisas hoje mudariam, até porque tenho a impressão de que logo eu estarei abarrotada de assuntos empresariais aqui. Então, aproveitando o instante vago, recolhi os perfis de todos os funcionários do setor de engenharia e quase engasgo com a própria saliva. Onde estava o resto desse setor que eu nunca tinha visto? Onde eles se escondiam? Era algum tipo de grupo secreto? Como assim 97 funcionários?
Com o coração acelerado, fui para a área de trabalho e percebi que mais ao canto tinha a imagem de uma câmera. Cliquei nela e instantaneamente, vários quadrados se abriram, revelando várias partes de todo o setor e de ângulos diferentes. Recordei-me que Karin não sabia da existência das câmeras, então suponho que Sasuke tenha deixando-as acessível provavelmente para todos os diretores. Agora nada mais podia ser escondido, lembro-me de haver uma câmera no mesmo lugar da iluminaria central. Meu Deus, e se alguém tiver visto minha reação ao entrar aqui?
Olhei de esguelha ao redor e agradeci por não ter tirado completamente meus saltos do pé. Voltei a minha função inicial e passei a avaliar detalhadamente o perfil de cada um dos funcionários, aquilo levaria uma eternidade, concluí no quadragésimo, impressionada com as qualidades e desempenho de cada um que eu tinha visto até agora, e até animada de trabalhar com pessoas tão competentes. No mesmo instante em uma mensagem apitou em meu Gmail. Ótimo; trabalho.
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Bom-dia Sakura,
Estou enviando-lhe o perfil dos outros profissionais que também trabalharão de frente com o planejamento das outras filiais, sinta-se à vontade para contatar qualquer um ou esclarecer ademais dúvidas em relação a ambos.
Atenciosamente,
Sabaku no Temari,
Assistente Pessoal
Sasuke Uchiha, CEO
Diretoria Presidencial
CIT Inc.
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Eu fiquei logo empolgada. Muito empolgada, vou admitir. Surpreendi-me ao encontrar mais de 14 pessoas reunidas no projeto. Toda uma equipe completa de engenheiros. Um orgulho enorme de mim mesma veio com tudo em meu peito. Espantei-o sabendo que teria outras horas para pensar nisso. Analisei a finco os perfis de cada, descobrindo suas especialidades, trabalhos já realizados e muitos que até trabalharam em grandes projetos reconhecidos mundialmente.
Sasuke parece ter escolhido a dedo quais as pessoas se encarregariam. Ele não perdoaria falhas e não hesitou um só momento em chamar pessoas renomadas. E pensar que eu estava incluída, sendo depositava em cima de mim um trabalho tão grandioso.
O telefone fixo perto do computador tocou e prontamente pus-me a atende-lo.
– Sakura Haruno.
– Sakura! – era uma voz feminina familiar. – Sou eu, Temari. – sorri. – Por favor, estou apenas transmitindo um recado do Sr. Uchiha. – meu coração acelerou ao simples soar do seu nome. – No momento ele está ocupado, mas pediu que eu a informasse para que às duas horas esteja no refeitório do quinquagésimo andar. Tudo bem?
– Ah! Certo obrigada, Temari. – agradeci contendo um sorriso bobo no rosto.
– Ah, depois quero saber... – ela sussurrou. – Até logo, querida.
– Até. – e desligou.
Sasuke queria me encontrar publicamente. Certo que era bem após o horário de refeição da maioria dos funcionários, mas isso não significa que não esbarraríamos com alguns. Ainda eram apenas 11:30hr. Fiquei as próximas horas remoendo meu futuro encontro com Sasuke e recebendo mais algumas ligações, muitas por parte dos funcionários que me informavam sobre alguns assuntos pendentes que Karin deixou. Aquela mulher era irresponsável e quem paga o papo sou eu. Estranhamente não tive nenhum indício de Hinata por hoje.
Minhas mãos suaram quando o relógio apontou dez para as duas. Desliguei o computador e peguei minha bolsa, ajustei os saltos em meus pés e andei para fora da sala, quando puxei a porta e senti o aroma climatizado, menos forte que o de minha sala. Todos já estavam de volta aos seus postos, trabalhando com dedicação e tive que olhar em volta, procurando o final daquelas cabines. Eu nem ao menos conseguia ver. 97 pessoas.
Fui em direção à saída do setor e entrei no elevador 1. Eu nunca havia ido até o quinquagésimo andar, então fiquei meio perdida ao chegar lá e me deparar com alguns corredores. Segui as placas que indicavam o refeitório e segui até lá, sentindo um quase ausente cheiro familiar de comida. Minha barriga deu sinal de vida com um horrendo barulho e me apressei em ir para trás da coluna, com as mãos na barriga e torcendo para que ninguém tenha notado.
Que tortura. Passei pelas mesas quase vazias, e quando enfim cheguei ao balcão e pedi o prato da casa quase desesperada, dava de notar só pelo tom da minha voz. Uma das vantagens dos refeitórios da CIT era a comida maravilhosa e gratuita. Nem sei por que algumas pessoas se dão ao trabalho de sair para algum restaurante ou coisa parecida, no mínimo pairar a cabeça do ambiente de trabalho.
Enquanto eu esperava a atendente voltar com meu pedido, virei nos calcanhares assim que ouvi um alguém exclamar algo próximo a mim. Nem tive tempo de vê-la, tudo que eu conseguia perceber era Sasuke, o meu éhh... Tão poderoso Uchiha andando calmamente e virando a cabeça para me fitar. Ele deu aquele sorriso de canto, nem ligando muito para as pessoas petrificadas em seus lugares. Precisei do apoio do balcão com aquela cena.
Lógico que ele não ia muito ali, lógico! As pessoas pareciam chocadas, eu mesma até certo ponto. Sei lá, achei que ele fosse preferir algo mais discreto quando viesse me encontrar, imagina o tamanho da minha surpresa ao vê-lo parar com uma mão no bolso da calça e a outra a caminha da minha bochecha, percorrendo-a com o polegar. Um toque gentil e afetuoso. Nada melhor para conseguir me derreter. Infelizmente minhas intenções de roubar-lhe um beijo deviam ficar para outra hora.
– Boa tarde. – ele estava se divertindo muito. Dava de notar.
– Boa tarde. – falei corando e sorrindo.
– Você já almoçou?
– Hum, ainda não. – no mesmo instante a atendente apareceu com meu prato, ela parecia abobada com a presença do homem ao meu lado. Não a culpo. Seu rosto estava pálido.
– Eu gostaria do mesmo, por favor. – Sasuke falou indicando meu prato.
A mulher sorriu e acenou prontamente. Ela com certeza estava achando aquela uma oportunidade única na vida. Saiu apressada da nossa vista.
– Eu a fiz esperar tanto assim? – acenei negativamente com a cabeça, dispensando as desculpas.
– Hum, tudo bem. – peguei o prato.
– Com pressa? – ele perguntou. – Eu estava com planos de convidá-la para almoçar em outro local.
– Mas estou realmente desesperada. – respondi com um sorriso e pus a mão sobre a barriga. Ele acompanhou meus movimentos. – A última vez que comi o sol nem havia aparecido por completo no céu.
Ele desencostou-se do balcão vindo para mais perto de mim, parecia surpreso e preocupado.
– Como ainda está de pé? Venha. – ele conduziu-me entre as mesas após ter pego o seu prato também.
Por trás dele eu andava hipnotizada. As pessoas sem dúvida não se constrangiam ao olhar para nós. Curiosas e surpresas. Sentei-me ao seu lado na mesa e sem hesitação pus a primeira garfada na boca. Era um pequeno pedaço de frango assado acompanhado de salada de vegetais e purê. Uma combinação nova para mim. Sasuke não se conteve e riu da minha cara de prazer depois que engoli. Fez uma piadinha sobre eu me engasgar e revirei os olhos, nem ligando mais tanto para a imponência da presença dele.
– Gostou do primeiro dia? – seu tom. Ah! Aquele tom manso que eu tanto amava.
– Sim, bem, achei que seria mais corriqueiro. Tipo, lotada de coisas, mas... Até agora estou conseguindo lidar bem.
Ele inclinou-se sobre a cadeira e passou a comer a própria refeição.
– Hum... – resmungou mastigando.
Era engraçado vê-lo tão à vontade em um ambiente desses, fazia-me sentir confortável também.
– Como foi o seu dia? – perguntei.
– Acho que comecei com o pé direito, por sorte. – mexi mais umas garfadas na minha refeição. – Você recebeu os perfis dos outros encarregados do projeto?
– Sim.
– E sobre a viagem, ainda está de pé quanto a isso? – ele parecia apreensivo, ou não sei, mas como se estivesse com medo que eu recusasse.
– Haha, falando nisso... – ele levantou uma sobrancelha. – Que dia vai ser?
– Depois de amanhã. – franzi o cenho, incrédula com a informação.
– Como assim, tão... Rápido? – engoli em seco.
Mudei de posição na cadeira, desconcertada.
– Ah, err, desculpe por isso... Hehe, eu devia ter lhe avisado antes. Mas isso foi muito repentino. – aquilo era muito pra mim, um momento do Sasuke sorrindo e desajeitado ultrapassava a linha da fofura. – Confirmamos a data somente hoje, por isso não falei nada.
– Okay... Vou precisar falar com minha tia. – soltei. Pus minha mão na testa, depositei os talheres no prato e olhei em volta.
Sem dúvida alguma, a quantidade de pessoas vagando no refeitório havia aumentado. Consideravelmente. Nem preciso apontar os olhares todos direcionados a nós. Não resisti e perguntei:
– Não está desconfortável? – tive de inclinar minha cabeça discretamente na sua direção. Uma mecha de cabelo caiu em cima do meu olho, assoprei para que ela saísse, mas foi em vão.
Enquanto mantínhamos em silêncio, ficava mais fácil ouvir e sentir a agitação ao redor. Obriguei-me a seguir os movimentos de Sasuke com cautela, vê-lo levar a mão até a gravata e folga-la um pouco me tirou meio que de foco. Consegui ver a camisa social branca abaixo do terno, cuja teve os dois primeiros botões desabotoados por Sasuke. Meus olhos estavam pregados nele, o que ele estava fazendo?
– Não acha estranho? – ele sussurrou. Olhei-o esperando que continuasse. – Se sentir desconfortável dentro da própria empresa?
– Você está? – em resposta ele sorriu de lado, me levando a loucura outra vez, e passou a mão deliberadamente no cabelo, assanhando-o e encostou-se nas costas da cadeira.
Meu Deus. O que ele estava aprontando? Ele esticou o pescoço e fitou os outros funcionários, ele estava tão sexy e fazia parecer ridícula minha admiração com uma coisa bastante casual pra ele. Suspirei me recusando a desviar o olhar.
Alguns funcionários curiosos logo desviaram suas atenções quando perceberam o olhar penetrante do chefão. Sasuke finalmente voltou seu olhar para mim e senti meus músculos retesarem diante de tamanha beleza. Engoli um suspiro.
– Não. – ele soltou um riso com direito a todos os dentes e ergueu as sobrancelhas. – Eu deveria?
Dei de ombros sem saber o que responder.
– Hum... Não sei. – pus minha mecha rebelde atrás da orelha. – Onde está Hinata?
O assunto o pegou se surpresa. Sasuke desistiu de perguntar-me algo com a sobrancelha erguida, a boca aberta.
– Provavelmente com Naruto. – pisquei.
– Ah! Não sabia, bem que pensei que ela não havia vindo.
– Devem ter reatado.
Concordei silenciosa. Lembrei-me da noite do coquetel. Tanta coisa havia acontecido. Repassando-a na minha cabeça mais parecia um conto de fadas, hum, quase isso. Um flash bastante desagradável passou de repente nas minhas lembranças. Inconsciente de meus atos, eu só despertei ao ouvir o toque de uma ligação, que vinha do celular de Sasuke. Me perguntei quantas vezes ele recebia ligações por dia.
– Se importa? – neguei com a cabeça, um pouco desapontada com a interrupção da minha iniciativa. Eu estava prestes a perguntar algo bem incomodante. – Uchiha.
Não estava interessada em ouvir as conversas de Sasuke, mas não pude me segurar quando ele pronunciou aquele nome.
– Maya.
Um enorme letreiro de Vegas piscou dentro de mim, alertando PERIGO. Apertei com um pouco de força as laterais da mesa, deixando minha mão por completa tensa. Segurei minha respiração pesada e não me contive, fitei-o com intensidade.
– Isso está fora de cogitação. – sua voz endureceu assim que terminou de ouvi-la falar. – Por que estarei ocupado amanhã. – ele deu mais uma pausa, sua voz grave se tornou mais latente – Sim, é um encontro... – mais uma pausa e ele parecia estar se... Exaltando? Meu pescoço coçava de irritação com a bendita Maya. Que mulher mais intrometida.
Mas a melhor pergunta: porque Sasuke se dava ao trabalho de respondê-la? Qual a relação deles? Cheguei a pensar o pior.
– Não, não é de negócios. Maya, preciso desligar.
Antes que ele finalmente realizasse tal feito, a benfeitora do outro lado da linha ainda fez questão de falar algo que atiçou outro lado de Sasuke.
– Com minha namorada. Tsc, pode crer que a conhece sim... – uma pausa mais longa, eu estava à flor da pele escutando tudo aquilo e encarando o semblante sorridente de Sasuke. – Sakura Haruno... – eu quase morro quando ouço isso, perdi a cadeira abaixo de mim, o chão sob meus pés sem mais nem menos sumiu e meus olhos petrificaram. – Boa tarde, Maya. – ele desliga e me olha consternado.
Sasuke, Sasuke, se ele continuar a olhar-me desse jeito... Engoli um bolo de saliva e estalei a língua. Vamos, Sakura, reaja. Ofereci-o um sorriso para ele, tentando demonstrar que essa ligação me afetou. Sasuke guardava sem pressa o celular no bolso e depois me olha sorrindo, ah meu Deus.
– Tudo bem? – perguntei controlada, tentando firmar minha voz.
– Sim, tudo bem – a voz gentil voltou, um simples gesto dele, como por a mão na mesa e pegar a minha são demais para meu fraco emocional. – Desculpe essa interrupção, Sakura, mas as vezes esses infortúnios acontecem.
Esse foi o modo dele me dizer que ficou incomodado com a ligação da Maya. Pelo menos era assim que eu preferia traduzir. Com benevolência Sasuke acariciava as juntas dos meus dedos. Eu apenas observava-o, calada e quieta, sentindo sua mão na minha, sem conseguir ignorar que os outros a nossa volta também. Então sorri e perguntei:
– Eu ouvi o que falou no telefone... – minhas bochechas me condenam demais. – Nós somos namorados?
– Espero que não se importe, sabe, em ser minha namorada. – ele dá uma ênfase no minha. – Então, o que acha de ter um encontro comigo?
Parem o mundo, precisava dar um replay naquilo quantas vezes fosse necessário.
– Proposta tentadora, Sasuke. – falei meio que tentando dar um de difícil, mas por dentro me batia ao mesmo tempo que dava pulos de alegria.
– Mas infelizmente hoje não poderei lavá-la a um encontro, tenho uma reunião com os japoneses. Que tal amanhã?
– Sim, amanhã está ótimo pra mim.
Ele se levanta e contorna a mesa, me beija a testa e se ergue de novo:
– Te pego em casa depois do trabalho, as 19:30 hrs. Agora tenho que ir, tenho uma reunião. Até mais, Sakura.
– Até, Sasuke. – me despedi perdida.
As pessoas abriam espaço enquanto meu DIGNÍSSIMO NAMORADO passava a caminho do elevador. Quando fui pegar minha bolsa percebi que minha mão estava tremendo. Eu suava frio. Qual a caminho as coisas estavam tomando meu Senhor? Eu mal pisquei os olhos e já estava namorando... Sasuke Uchiha. Aquele Uchiha. Aquele Sasuke que me tirava dos eixos.
Esperei dez segundos antes de me levantar da cadeira, chamando a atenção de todos. Assim que eu chegasse ao elevador desabaria, isso era comprovado cientificamente com os movimentos bambos que minhas pernas faziam.
Corri com aqueles saltos esmagadores de dedos até em fim, estar a sós dentro do elevador e escorreguei até o chão, notando meu rosto corado no espelho ali dentro. Passei a mão pelos meus cabelos desgrenhados e olhei para cima, percebendo que em algum lugar havia câmeras. Pus-me de pé em um salto e torci com todas as forças do meu ser que quem quer que fosse o responsável pelas gravações que não estivesse rindo da minha cara agora. Deus é pai.
Uma empresa que se preze, com certeza sabe divulgar informações importantes na velocidade de um estalar de dedos. Foi difícil, mas consegui manter minha mente passiva pelo restante da tarde. Eu sentia o olhar de todos através das paredes de vidro, muitos cochichos e insinuações. Mas eu não ligava, eu só conseguia ver um jardim de borboletas na minha frente.
Três horas se passaram, e para mim não parecem mais do que meia hora. Meus pobres dedos, mais uma vez torturados com a ousadia de passarem todo esse tempo digitando, relaxaram aliviados quando empurrei a cadeira para trás. Meu celular tocou dentro do bolso, e sem hesitação atendi.
– Alô. – fiz uma voz suave, vai que podia ser ele.
– Saky! – ouvi uma eufórica Hinata do outro da linha.
– Hina, oi... – falei indo embora da sala. Eu estava saindo antes das outras pessoas, só pra variar.
– Já está indo embora?
– Sim, estou a caminho do térreo, por que?
– Fique em frente à terceira linha, estarei te esperando, beijos.
– Tudo bem, beijos.
Passei pelos guardas e cumprimentei-os. Já havia virado um ritual. Andei mais alguns passos a tempo de ver um Aston Martin prateado se aproximando aos poucos de mim. O vidro do motorista abaixou e não me surpreendi ao ver Hinata ostentando um sorriso de orelha a orelha.
– Sakura! – e no banco do passageiro residia minha tia com o mesmo sorriso.
– O que...
– Entre logo, Saky, temos muito o que conversar. – Hinata mal falou e ouvi um som de portas sendo destravadas. Rendi-me, não havia como evitar.
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