Meu noivo perfeito

13 A reconciliação - Preliminares


Notas iniciais
Oie, leitores que conseguiram chegar até aqui na fanfic - eu sou eternamente grata! Olha só, heuheue, creio que eu não demorei tanto assim pra atualizar, não foi nem uma semana e... Bem, não demorou, eu acho. Eu só queria avisar que todo domingo tem capítulo novo, ok? E SE eu conseguir, somente SE eu conseguir, terão alguns no meio da semana. Boa leitura! :) Esse é o primeiro refrão da música "For my Hepl - Hayden Calnin" Amo!

– Ajudá-lo?

– Sim, Sakura. – não resisti ao impulso de franzir o cenho. A minha ignorância fez-se percebida por Naruto. – Quero que me ajude em minha reaproximação com Hinata.

A face com a aparência cansada dele parecia bastante realista, e seus ombros curvados faziam com que tudo parecesse ainda mais sincero sobre o que ele falava. Porém, eu ainda não podia dar o braço a torcer, por mais que um lado meu estivesse querendo.

– Naruto... – respirei fundo olhando para o chão. – Sinceramente acho que não sou a pessoa mais indicada para isso, e-eu... – cortou-me.

Segurando ambos meus ombros em uma distância um pouco perigosa, e surpreendendo-me muito ao mesmo tempo, ele continuou a sua súplica ainda olhando dentro dos meus olhos.

– Por favor, Sakura. – seu tom de voz era o suficiente para partir um coração, como se o seu próprio estivesse dilacerado. – Eu imploro a você, ajude-me.

“Um dia, você vai voltar aqui...”

Eu segurei minha respiração.

– Por favor.

O que eu deveria fazer?

(...)

Seu coração palpitava raivoso. Seus punhos reclamavam da força exigida. Sua mandíbula logo começaria a ficar desconfortável. Droga! Logo era ele quem estaria ficando louco. Seus pensamentos e suas emoções tardariam a parar de incomodá-lo depois do que havia presenciado.

Continuou a andar depressa na mesma direção que havia visto Hinata indo. No presente momento ele apenas ocupou-se em demonstrar preocupação com sua irmã, o resto, o coquetel, os convidados, já não importavam mais tanto assim. Eles que o esperassem. As solas de seus sapatos afundaram em contato com a areia macia, e fitou a trilha de pegadas pesadas, soltando um suspiro frustrado. Ele não aguentaria ver Hinata sofrer, não de novo. Aquela menina/mulher que ele tanto amava não devia ser machucada, nunca mais, principalmente pelas pessoas erradas. Mas como ele poderia saber quem eram as pessoas erradas?

Andou apenas mais alguns passos, ele não precisava ser um gênio para sabe onde Hinata estava. Quando mais nova, sua principal característica era esconder-se atrás das árvores quando entristecia, e isso não era algo que mudaria. Ouvi um soluço e depois uma fungada por detrás do coqueiro. Soltou um suspiro. Não seria nada fácil.

Ela estava tão arrasada que somente um cego para não perceber isto. Sabia que a mente dela não colaboraria se ele já iniciasse um interrogatório. Com a calma que ainda não sabia de onde havia retirado, sentou-se ao lado de Hinata, em silêncio, como se tudo ao redor estivesse em harmonia. O que com certeza não era o caso.

Ela olhou dentro de seus olhos e vice versa. Ao contrário do dele, os delas estavam inundados até a metade, porém ambos refletiam o mesmo: sofrimento e decepção. Apenas eles eram capazes de entender um ao outro naquela situação.

– Por quê? – a voz dela estava tão vulnerável, um perfeito espelho dela mesma.

Não soube dizer quanto tempo ele levou para encontrar sua própria voz.

– Eu não sei. – por mais que estivesse devastado por dentro, não era motivo para demonstrar isso. Ele não precisava de apoio, sua irmã sim.

Ela encostou a cabeça em seu ombro, secando uma lágrima que teimou em escorrer. Não hesitou em deixa-la ficar ali, já havia um bastante tempo que os dois não compartilhavam de um momento tão fraternal.

– Eu não entendo... – fungou. – Eu só não entendo por quê... – a voz dela falhava sempre que falava mais. Até que a vontade de chorar voltasse e a impedia de continuar.

“Para minha ajuda...”

Se ela começava a falar, era um bom sinal. Interromper não seria uma decisão sábia. E também... O que ele falaria?

– Eu pensei que ele realmente havia retornado por minha causa... – fungou outra vez. – pensei que ele havia mudado... Por mim.

Sasuke nunca pôde entender o que realmente aconteceu entre aqueles dois no passado, mas... De uma coisa ele tinha certeza, Hinata sofreu muito por ter de suprimir seus sinceros sentimentos.

– E depois de tudo que fiz por Sakura, ela... Ainda assim... – interrompeu-se abrupta. Sua raiva era palpável, até mesmo sua decepção.

Seu coração sofreu um pequeno solavanco ao lembrar-se de Sakura, depois de tudo, era difícil, muito difícil pensar algo do tipo dela. Mas seu consciente parecia disposto a fazê-lo relembrar daquela cena ridícula a cada instante, como se fosse um aviso de alerta.

– Eu... Não sei mais o que pensar, Sasuke. O que eu devo fazer?

Essa era a pergunta que ele mais temia.

(...)

– Há quatro anos, nos conhecemos em um desastroso encontro às cegas em Cortona, na Itália. Ela tinha 18 anos e eu, 19. Em um pequeno restaurante, foi quando a vi sentada ao lado de uma amiga, toda sorridente e alegre, que senti meu coração acelerar pela primeira vez por uma mulher. Eu não conseguia parar de encará-la, e depois daquilo, quando ela me olhou, foi como se um acordo tivesse sido selado entre nós. Apenas ela e eu.

Eu ouvia atentamente o conto de Naruto, nós dois estávamos sentados no parapeito de pedra. Disse-lhe que apenas se ele contasse-me o que havia ocorrido entre ele e Hinata eu poderia ajudar. Fiquei feliz por ele não ter feito objeções, por mais que ele não aparentasse estar muito confortável quando concordou.

– Depois daquele dia nós começamos a sair, com muita exigência minha, claro. Dia após dia fomos adquirindo um conhecimento muito mais vasto de cada um de nós, e a cada vez que ela falava, eu me sentia outro homem, mais e livre e... completo. Só depois de três meses eu finalmente a pedi em namoro, ainda me lembro de como ela ficou. Era véspera do dia dos namorados, então pensei que fosse uma boa ocasião para fazer o pedido.

O suspiro dele foi tão sofrido que até me passou um ar melancólico.

– Mas eu não devia ter feito aquilo.

Arregalei os olhos. Compenetrada demais na história, não pude me segurar.

– Por... – ele levantou a mão pedindo para que eu não o interrompesse.

– Faltavam dois dias para o dia dos namorados. Eu havia organizado tudo em meu apartamento para quando Hinata viesse, preparei todo um clima para o jantar e fiquei esperando-a. Porém, quando eu abri a porta não era ela e sim Shion, uma ex-namorada da minha antiga cidade. Eu havia terminado com ela, mas Shion parecia disposta a ignorar aquilo, disse que havia vindo para surpreender-me.

– E então Hinata viu vocês dois? – perguntei como se fosse a coisa mais óbvia que tivesse acontecido. Ele acenou. – E depois?

– Nós tivemos uma discussão feia depois daquilo, ela chamou-me de traidor e milhares de outros nomes. Eu tentei convencê-la do contrário, eu juro que tentei. Passei dias tentando voltar a manter contato com ela, mas foi como se ela nem quisesse saber mais sobre a minha existência.

“Algum dia, você está convidado a me deixar...”

Abaixei a cabeça, não suportando encarar para o rosto abatido dele. Olhando tudo isso por esse lado era muito triste, mas... Como saber se ele falava a verdade? Eu deveria ajudar?

– As poucas vezes em a vi novamente depois daquilo foram em eventos importantes e só. Nunca mais houver uma sequer troca de palavras entre nós. Eu tentei, juro que tentei esquecê-la, foram tantas outras, mas... Não era o mesmo sorriso, o perfume, o carisma, a personalidade... Não era ela.

Senti um aperto no coração apenas de imaginar-me em uma situação dessas, sofrer por algo que não foi planejado, algo em que eu era inocente. Hinata tirou conclusões precipitadas de Naruto, e foi por isso que ele teve de aguentar toda a angústia. Mas e se Hinata soubesse a verdade? Melhor, algo mudaria se ela soubesse a verdade? Ela acreditaria nele?

Dentro de mim uma chama acendeu-se com a esperança de poder trazer um final feliz para aqueles dois. Estava estampado na face de Naruto o quanto ele gostava dela, e mais ainda na de Hinata. Aqueles dois precisavam apenas de um empurrãozinho. Estava na hora de retribuir tudo que Hinata fez por mim, ela merecia, aqueles dois mereciam.

Dois. Pensar neles como um casal relembrava-me meu pequeno desentendimento com Sasuke. O que ele deve ter pensado? O que eu deveria estar pensando a respeito agora?

– Sakura? – Naruto chamou-me.

Eu sorri ao olhá-lo. Deixei de lado uma vez minhas preocupações comigo mesma. Já estava decidida.

– Eu vou ajuda-lo, Naruto.

(...)

– Você vai ficar bem?

– Sim, não se preocupe comigo, volte para o coquetel. – Hinata falou sorrindo fraca enquanto Bille, a governanta da casa, colocava um casaco por cima de seus ombros. – Estou melhor, Bille está aqui comigo.

Acenou com a cabeça para Bille, que respeitosamente curvou-se e sorriu confortador para sua irmã. Depois de um pequeno afago na cabeça dela, começou a ir na direção da grande porta de entrada de sua residência, uma empregada abriu a porta para sua passagem quando ele estava perto.

– Sasuke! – Hinata chamou-o ansiosa.

Ele cessou seus passos e olhou-a por cima dos ombros, dando continuidade para a fala dela.

– O que fará com Naruto? – era uma pergunta receosa.

Suspirando, deu de ombros, sem ter muita paciência para tratar com o Uzumaki.

– Ele apenas irá embora normalmente como todos os outros no final.

Hinata acenou, não muito convencida de sua resposta.

– E Sakura?

Sasuke não se surpreendeu pela curiosidade dela. Sabia que ela perguntaria, mas nem por isso elaborou uma resposta.

– Pedirei para que a deixem em casa. – falou acompanhado de um inaudível suspiro.

– Certo. — foi tudo que obteve como resposta.

Na volta para o grande salão, ele optou por sentar em uma das mesas. Ele realmente não estava no clima para conversas ditatoriais e pessoas que apenas sabiam bajulá-lo. Não gostaria de encontrar-se com ninguém, nem Maya ou qualquer outra pessoa. O que era algo bem difícil sendo quem ele era e até mesmo porque era o anfitrião, e devia, mesmo obrigatoriamente, a continuar sendo educado e prestativo.

Precisava de um momento à sós, por suas ideias em mente. O que fazer? A imagem sua dançando com Sakura logo veio à mente. Droga! Uma hora ou outra ele precisava conversar com ela e esclarecer as coisas, e seria melhor se fosse logo, provavelmente alguns minutos a mais e ele perderia uma oportunidade. Quem sabe por ela estar fazendo outras coisas. Juntou as sobrancelhas com o pensamento desagradável.

Não. Desde pequeno ele foi ensinado a sempre agir da maneira que mais coubesse correta no momento, com lições rígidas de que um homem jamais deveria hesitar, principalmente algo tão trivial, por... Medo.

Em um salto pôs-se de pé, com passos rápidos, mas sempre mantendo a postura, foi em direção a mesa em que vira Ino antes. Ele não estava com medo, isso, jamais. Ele estava nervoso... E com raiva. Para sua sorte não houve um ser que ousou interrompê-lo no seu caminho, talvez fosse sua expressão sem um pingo de simpatia.

Aquela cabeleireira beirando ao ridículo – em sua opinião – de tão enfeitada que estava foi a primeira coisa que chamou sua atenção. Para seu descontento a mesa estava cheia de pessoas, pessoas que ele queria ignorar no momento, e também por Sakura não estar entre eles, quanto mais rápido a encontrasse mais fácil seria. Quando parou ao lado de Ino, todos da mesa cessaram suas conversas enquanto esperavam uma palavra do poderoso chefão.

– Ino, importa-se em me acompanhar? – a mulher em questão, nem um pouco incomodada com sua expressão desagradável sorriu e quase derrubou a cadeira junto quando se levantou.

Já mais afastados dos demais, ele foi direto ao ponto.

– Você viu Sakura?

Ela pôs a mão no queixo, enquanto colocava suas engrenagens para funcionar.

– Bom... onde foi a última vez que a vi... ? – para piorar sua situação ela ainda parecia gostar de enrolar.

– Seja mais eficiente. – seu tom curto e grotesco pareceu surtir efeito.

– Ah, agora lembro! – ela falou toda sorridente.

Ele a esperou falar.

– Ela estava naquele parapeito de pedras, perto da área das mesas dos convidados. – então quer dizer que ela ainda estava lá? Com Naruto? – Mas lembro dela ter mencionado de que iria dar uma pequena caminhada na praia.

– E ela estava com mais alguém?

– Não... – Ino concluiu desconfiada com todo aquele interrogatório. – Mas... por que quer saber? Aconteceu algo?

– Nada com que deva se preocupar. Obrigada pela ajuda, com licença.

O ritmo de seus passos continuava os mesmos, sempre calculados, e podia-se até dizer que eles estavam aumentando um pouco conforme chegava mais perto do seu destino. Seus olhos estavam perigosos, felinos e astutos, como um tigre pronto para dar o bote. E como esperado, Sakura não estava ali, talvez porque tenha dito que iria para a praia, segundo Ino. E foi isso que ele fez também, desceu a escadaria, indo de encontro para a verdadeira natureza da ilha. De sua ilha. Oh, como ele gostava dali, era tudo tão puro e calmo, que quando mais novo prometeu a si mesmo que iria morar ali, construir uma família e ser feliz. Antigos devaneios, que hoje, como nunca, pareciam mais distantes e fracos do que já foram.

Olhou para areia, contentando-se quando viu a fraca trilha de apenas uma pessoa. Seguiu-a, calmo e sem pressa, o mar ficava mais distante daquela área de salão, mas por estar de noite, ele já não precisaria caminhar muito para chegar até o mar. Claro que, ele também logo pôde avistar o vulto branco a frente do mar, parado e sereno. Perdido em suas próprias indagações.

Ele nem ao menos sabia o que ia falar. Quer dizer, ele gostaria de falar muitas coisas, várias que ele jamais poderia se imaginar dizendo a ela, mas o fato era que Sasuke não sabia qual ele realmente era a mais apropriada. Observou bem a silhueta feminina a poucos passos dele, o cabelo único balançando com o vento deixava-a tão linda, tão esbelta, tão... Ele não conseguia imaginá-la fazendo coisas erradas, não parecia do seu feitio.

Ficou a três passos atrás dela, que ainda não havia notado sua presença, pela distância vaga entre os dois, conseguiu sentir o aroma de Sakura. Se não estivesse tão concentrado no que estava prestes a fazer teria fechado os olhos e apreciado mais dele. Sua presença logo foi detectada quando ela virou-se em alerta, surpresa por ter companhia, graças a ela ter sentido o aroma tão único de Sasuke.

Não sabia que ele a procuraria depois do ocorrido. Ambos ficaram em silêncio, aquele era um momento tão importante para os dois, Sasuke se limitou a ficar estudando bem as palavras antes de dirigi-las àquela figura encantadora, que mais uma vez conseguia mexer consigo com toda aquela inocência irradiando dela, o que o irritava, ela não... Não merecia ser vista como tal depois do que ele presenciou. Não, não merecia. Enquanto isso, Sakura ficou apenas apreciando a visão de Sasuke com a ventania movendo sua camisa e seu cabelo, que o deixava tão belo, e ela jurava que ele havia vindo até aqui, tido todo o trabalho para pedir desculpas, era algo que ela estava acreditando fielmente, seu coração acelerava só de imaginar. Porém, falhou mais do que uma batida com os dizeres de Sasuke.

– Vou pedir para que a deixem em casa. – ele não aguentava mais, precisava expor sua nem tão grande insatisfação com a presença dela, e esse foi o único modo que pôde demonstrar tal coisa. Com ajuda do contraste da voz séria. – Nos vemos em breve, Srta. Haruno. – cordial, como um homem seria quando estivesse querendo ser educado.

O que ela havia feito? O que estava acontecendo? As perguntas inundavam os pensamentos de Sakura.

Enquanto Sasuke já virava suas costas para voltar ao seu coquetel — indo tão rápido quanto veio -, foi surpreendido, quando sentiu que uma mão pequena e delicada segurava firmemente seu antebraço apoiado na mão dentro do bolso da calça social. No mesmo instante olhou para trás, buscando a face de Sakura. Só conseguiu distinguir preocupação naqueles traços faciais. A boca um pouco aberta e as sobrancelhas unidas eram o que mais a denunciava.

Ela não resistiu, por impulso, impediu que Sasuke colocasse de uma vez uma muralha entre eles dois. Ele não podia fazer aquilo assim, do nada, sem nem ao menos falar-lhe o que diabos aconteceu para que a ele a tratasse daquela forma, e de algum modo ela tinha certeza que aquilo não era fruto da pequeníssima cena que ela fez ao deixa-lo com Maya, não era?

Não poderia ser. Algo após aquilo, ou alguém, foi o que fez agir de tal modo. E ele tinha que dizer o que era, ah, ele iria sim, nem que para isso ela tivesse que gritar com ele.

– O que aconteceu? – saiu tão fraco, ela parecia perdida. Melhor, ela estava de fato perdida naquele mar de confusões e sentimentos.

Ele suspirou, fechando os olhos apenas para voltar a fitar a sua face. Seu lado lógico o alertava que aquele jeito inocente dela agir era pura encenação, mas algo dentro de si, lá no fundo, gritava em seus ouvidos para que acreditasse. Voltou a olhar para frente, evitando ter de encarar o seu rosto, aquela mulher o confundia, perturbava suas lógicas. Argh!

Ainda um pouco perturbado pela mão dela presa ao seu braço, ele silabou:

– Não se faça de desentendida, Sakura. Já sei de tudo. – sentiu quando o pequeno aperto diminuiu até não sobrar nada, mas aquela parte ainda estava quente. Esperou que ela entendesse ao que ele referia-se, mas como esperado ela fez-se de desentendida, era tão previsível e irritante.

– Sasuke, eu não sei do que você está falan... – a interrompeu, nervoso, deixando toda aquela calmaria de lado. Ficou de frente para ela, notando quando ela andou um passo para trás após ele começar a fazer todas suas especulações.

– Por favor, Sakura, não se faça de desentendida para mim, eu não sou um cara que cai nesse tipinho. – Fechou as mãos em punhos dentro dos bolsos. – No final, eu já deveria saber que você acabaria magoando Hinata. – ela franziu o cenho, fazendo a melhor cara artística da história de quem não estava entendo. Isso o irritou. Não conseguia olhar dentro daqueles olhos, não mais, não suportaria ver mais falsidade do que ele jamais pensou ser possível.

– Eu não sei... – não queria escutar nada que viesse dela. Chega de mentiras.

– Chega de mentiras, Sakura. — ele pediu. Como resposta, ela exaltou-se, indignada.

– Que mentiras? Do que você está falando, será que poderia, por favor, me dizer? – tanto sua expressão como sua voz estava desesperada.

Passou a mão pelo cabelo, já cansado de todo aquele joguinho.

– Estou me referindo a você e Naruto.

Olhou dentro dos olhos dela, para saber mesmo se ela poderia ir tão longe ao ponto de fingir ainda mais depois disso.

– O que? Naruto e eu?

Ela estava preocupada, mas também muito indignada com o modo o qual estava sendo tratada, não era justo. Mas quando ele falou aquilo, Naruto e ela, sentiu vontade de rir da cara dele e perguntar que brincadeira era aquela. Mas resistiu a fantasia, Sasuke não era um cara de brincadeiras, principalmente com aquela expressão.

Ele realmente insinuou o que ela estava pensando? Como ele poderia fazer algo do tipo? Com quais motivos?

– O que você está insinuando?

Ele bufou, esgotado.

– Não! Espera! Você não... Não está querendo dizer que eu e ele... Não! – ela balbuciou desnorteada.

– Então vai me dizer que vocês estavam apenas conversando naquele parapeito, é isso? – ele perguntou sarcástico. – Eu os vi juntos, Sakura.

Ao contrário do que ele imaginava, ela não gaguejou ou até mesmo tentou dar explicações sobre aquilo. Sakura simplesmente apoiou suas mãos nos joelhos, enquanto continuava rindo um pouco histérica demais. E mais uma vez lá estava ela surpreendendo-o. Quando ela pararia de fazer isso? E por que ela estava rindo?

Ela riu, simplesmente riu, como se fosse a coisa mais natural, e apesar de apoiar as mãos nos joelhos para sustentar-se pudesse parecer um pouco extravagante demais, ela fez, sem ligar muito para quem estava na sua frente. Com o juízo retornando aos poucos, endireitou a coluna e esvaziou qualquer resquício de riso que pudesse ter.

Fitou-o firmemente.

– Sim, nós estávamos, de fato, somente conversando. – olhou para baixo. – Sobre Hinata. Ele estava me pedindo ajuda. – Por alguma razão desconhecida ela disse sobre os detalhes. – Não acredito que você pensou mesmo que eu... – poderia estar com outro que não fosse você. A sombra de um sorriso aberto apareceu enquanto encarava os lindos olhos ônix de Sasuke, que pareceu estar em transe. – Pudesse estar tendo algo com Naruto. Ele é só um amigo, nada demais, e... – interrompeu a si mesma antes que sua boca grande a fizesse dizer coisas que terminasse nela mesma confessando seu amor por ele.

O desânimo percorreu todos seus traços faciais, mostrando que no fundo, ela estava decepcionada por ele ter pensado tal coisa dela. Como se ela tivesse coragem de olhar para outro que não fosse ele e trair Hinata dessa maneira. Sentiu como se sua lealdade estivesse em jogo, ele não confiou nela o suficiente para desacreditar naquilo?

Sasuke, observador como sempre, notou que aquela vivacidade no rosto de Sakura, pela segunda vez na noite, foi trocado por decepção. Então, como um relâmpago cortando o céu, deu-se conta do quão idiota ele conseguia ser. Suas ideias foram clareadas, com o sorriso triste daquela boca que tanto o tentava e os magníficos olhos sem todo aquele brilho fitando a areia.

Não havia desculpas que pudessem consertar o estrago que ele havia feito, pelo menos não com ela, não com Sakura. Tinha vontade de jogar-se em frente a um ônibus em movimento só de relembrar que por alguns momentos suspeitou daquela Sakura... De sua Sakura. Ela era tão pura que tinha algum tipo de áurea própria a rodeando. Não pensou duas vezes, por que, sinceramente, não havia outra coisa mais sensata que ele deveria fazer por eles dois, não depois de tanto tempo e de todas as coisas que passaram, já estava previsto, e ele não queria lutar contra o destino, não mesmo.

Sakura sentiu seu queixo ser suspenso para cima, de imediato arregalou os olhos quando sentiu o hálito frio dele de encontro a sua boca. Seu coração parou voltando a bater furiosamente depois, o sangue fugiu do seu rosto e todas as partes de seu corpo adormeceram, deixando apenas seus lábios que agora estavam ligados ao de Sasuke como seu ponto central.

Fechou os olhos e permitiu a entrada de sua língua. Teve que ficar quase na ponta dos pés, mas isso só até ele rodear com um dos braços fortes sua cintura e suspendê-la um pouco mais para si, como algo que sempre quis fazer, pôs um braço em seu pescoço, e a medida que aquele beijo, o encontro das bocas tornava-se mais necessário tanto para um como o outro, ela tocou os fios sedosos de cabelo que faziam inveja até ao mais poderoso produto químico. Ela estava ali, não sonhando como muitas vezes, e a sensação do peitoral dele contra seu busto era uma prova disso.

A boca dele, oh, nem seu mais maravilhoso sonho poderia ser comparado àquilo. Ele era forte, demonstrava imponência. Majestoso como apenas ele sabia ser. Não havia brecha para falhas no seu beijo, não, não havia. E ao invés de sentir-se insegura com qualquer que fosse o nível de seu beijo contra o dele, ela pôde ter o sentimento de realização, ah, isso ela pôde sim. E como!

Não havia porque pararem aquele momento, mas infelizmente os pulmões de ambos negavam-se a compreenderem isso. Negavam-se! Ofegantes e descabelados, era essa a visão que ambos tiveram um do outro após tamanho ato de desespero, de paixão. Não havia como negar. Sasuke encostou sua testa a dela, e sorriu a fazendo fechar os olhos e sorrir junto. Esse era o sentimento de total satisfação e felicidade que ambos almejaram por tanto tempo, principalmente Sakura, que sentiu como se um pedaço seu que havia sido levado junto aos seus pais foi recolocado, colado com cola super-bonde na sua alma.

– Não acredito que demorei tanto tempo para finalmente fazer isso. – ele falou baixinho, em seu ouvido, ela olhou-o curiosa. – Se soubesse que seria assim acho que teria contratado você até pessoalmente na primeira vez. — Ela sorriu deliciada com aquilo, com aquele momento, aquelas palavras, aquele toque, com ele. – Acho que eu perderia a cabeça se a visse com outro homem, fazendo o que quer que fosse.

Fitando dentro dos seus olhos divertidos, completou a diversão.

– Eu acho que seria capaz de fazer alguém parar no hospital caso tentasse algo com você. – ele sorriu maravilhado, dando mais um, dois, três selinhos nelas.

– Não faça isso, Sakura. – falou contra sua boca, deixando-a totalmente embriagada. – Os custos seriam altos.

E então riram, como um perfeito casal, apaixonados no calor do momento.

“Não poderia ser mais fácil?”

(For my Help – Hayden Calnin)

Notas finais
Finalmente, depois de tanta enrolação, veio aquele beijo que todas ansiávamos. Eu sei, pode ter ficado um pouco estranho aquele final, ou fofo, não sei! Mas que ficou um final feliz, ficou! Teve algo que desagradou vocês? Qualquer coisa, falem! Beijões, flores! Até Domingo (ou antes). :D