Meu namorado é um demônio?
2 Ei! Você!
Notas iniciais

Naquela manhã de domingo, os raios de sol invadiam o quarto, Ryu abriu os olhos e encarou o relógio em cima da cômoda de madeira maciça, exatamente 9:41, sentando-se na cama, bocejou antes de se dirigir ao banheiro.
Passando em frente ao quarto de seu irmão, Mise, virá a porta entreaberta. O mesmo roncava abraçado a um travesseiro, enquanto falava nome de garotas seguido de risadinhas. Mise era aquele tipo de cara popular do qual a maioria das garotas se jogavam aos seus pés, não era nada mais esperado do capitão do time de beisebol (baseball) da escola, moreno, alto, forte e sedutor, porém, não muito inteligente. Ryu continuou o trajeto até o cômodo, pegou a escova e enfiou-a na boca enquanto olhava-se no espelho, totalmente o contrário de seu irmão, o jovem não tinha muitos amigos, mas os que tinha já eram o suficiente para o mesmo, sua pele era clara por não passar muito tempo no sol, o que seu irmão geralmente fazia. O cabelo num tom marrom claro bagunçado ainda tinha o cheiro doce do shampoo, baixo e magro, a única coisa que gostava em si eram os olhos, um marrom com traços verdes.
Quinze minutos depois, já arrumado, o garoto sairá de casa em direção ao mercadinho onde compraria as coisas para o almoço, o local era muito movimentado por ser no centro, mas Ryu não prestava atenção em nenhuma, com o fone de ouvido ele caminhava pela multidão com as mãos enfiadas no bolso da calça.
O garoto alto de cabelos brancos, com a blusa mal abotoada esbarrará propositalmente no menos.
– Cuidado. – Sussurrou ele.
Ryu parou e olhou para trás tentando localizar o rapaz, mas ele já não estava lá. Gritos se escutaram, seguido de um estrondo, o moreno olhou para frente e viu que uma roda que formava em torno de um carro. Olhando novamente ao redor, virá o rapaz, seu cabelo branco pouco acima dos ombros, balançava conforme o vento, sua pele era tão clara quanto tal, os olhos roxos estavam fixos em apenas uma coisa, Ryu.
O menor tentara se aproximar do mesmo, enquanto as pessoas passavam, dificultando o trajeto, seu coração apertará e ele tinha certeza de que o conhecia. Porque está chorando? Com as pernas tremulas, ele acreditara cegamente que era o garoto, o mesmo. O rapaz alto se afastava aos poucos.
– Akise! – Gritou Ryu.
Virando-se levemente ele olhou para Ryu e abriu um pequeno sorriso, um grupo de pessoas passará em sua frente e mesmo sumira, novamente.
– Akise... – O moreno parou e olhou para os lados ao finalmente chegar ao local. – Droga...
– Shimizu-kun! – A voz fina vinha da garota saltitante.
– Kaneko-chan. – Ryu forçou um sorriso.
Kaneko Mika, a garota mais popular dos primeiros anos, uma boneca de porcelana, tinha tudo a hora que queria, ou não. Cabelos dourados e levemente ondulados, olhos azuis e as bochechas rosadas, o corpo bem moldado e ideal para seu tamanho. Participava do clube de leitura, clube de xadrez, era a melhor confeiteira, além de ser boa em esportes.
– O-h-a-y-o. – Ela sorriu e piscou.
Ryu ainda pensava no rapaz, esfregou os braços e suspirou. Mika fez bico e se aproximou do garoto, com forme inclinava deixava a mostra seus seios e o sutiã rendado.
– Shimizu-kun? – Ela então se aproximou um pouco mais. – Tudo bem?
– Ahn? – Ryu deu um passo para trás e massageou a nuca. – A-ah, sim, claro.
Ela torceu o nariz e cruzou os braços.
– Hum... O que traz aqui?
– Vim comprar algumas coisas aqui no...
– Ótimo! Eu também vou lá, vamos juntos. – Mika sorriu e segurou o braço do garoto.
– É q-que...
– Vamos!
***
Segurando a sacola com o almoço pronto, já que percebeu que não daria tempo de preparar um, e alguns doces, Ryu caminhava ao lado de Mika, que falava do cd que havia ganhado de um garoto, que por acaso gostava dela, mas a mesma teve que “feri-lo” pois seu coração já pertencia a alguém. O garoto olhava vagamente para frente, já havia parado de ouvir a loira a algum tempo, sem prestar atenção tropeçou na quina da calçada e gelou por um momento enquanto ia em direção ao chão, fechou os olhos e sentiu um braço em torno de sua cintura. Abrindo os olhos lentamente, virou-se e seus olhos se encontraram, aqueles olhos roxos, estava tão próximo que podia sentir sua respiração calma. O rapaz sorriu enquanto soltava o moreno.
– Ai meu deus! Shimizu-kun, você está bem?! – Disse Mika segurando o braço do mesmo.
Ryu virou-se levemente para Mika e balançou a cabeça num sim, ao olhar novamente para frente, novamente o rapaz não se encontrava no local. Sentiu novamente uma pontada no peito e se despediu da garota, dizendo que não estava se sentindo muito bem.
A caminhada de volta para casa, foi longa, mais do que o normal, estava um pouco confuso e por alguns instantes achou que estava ficando louco. Chegando em casa tirou os sapatos e esquentou a comida que já não estava tão quente como antes. Olhou para os doces dentro da sacola e suspirou, pegou um daifuki e deixou a comida em cima da mesa, subiu indo em direção ao quarto de seu irmão que ainda dormia. Bateu na porta e entrou em seguida ao ouvir os roncos.
– Mise... – Ryu o balançou. – Mise.
O moreno abrirá os olhos e limpará a baba que escorrera no canto da boca.
– Que horas são? – Perguntou ele se espreguiçando.
– Onze e quarenta.
Mise torceu o nariz.
– Como você me acorda as onze da madrugada em pleno domingo?
Ryu suspirou e foi em direção a porta.
– Já está na hora do almoço.
– É... Estou com fome, já fez meu almoço?
O garoto apertou o bolinho em sua mão, evitou olhar para seu irmão.
– Você podia fazer alguma coisa de vez em quando!
O rapaz se sentou, cruzando as pernas num x.
– Você sabe que eu não sou bom nisso, mãe ensinava você, não eu. – Ele então massageou a nuca.
Ryu olhou para o chão e parou de apertar o doce, respirou fundo.
– Está na mesa.
Saindo do local, o mesmo voltou para seu quarto, trancou a porta e se jogou na cama enquanto abraçava o travesseiro, olhou para o doce e o soltou, seus olhos se encheram, com ou sem um motivo, apenas estava mal, a frase passou inúmeras vezes pela sua cabeça e ele tentou, tentou mesmo, não chorar. Porque está chorando?
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