Notas iniciais
Bem, nada a declarar hj ;-; boa leitura meus podins ♥

"Me disseram que tudo tem um fim, mas todo fim tem uma razão, assim como todo começo. Me disseram que quando a morte canta sua canção devemos parar para ouvir, até que não se possa mais.

– Kio Akise."

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– Você tem certeza que é isso que quer Akise? – O ancião o encarou.

O rapaz parou por um momento, respirou fundo e sorriu.

– Tenho.

* * *

9 hours ago.

Akise se sentou no ultimo galho da arvore e observou o sol cortar o horizonte, o cheiro de terra úmida se misturava ao aroma de café fresco que vinha, certamente, da pousada. O frio percorreu seu corpo, algo estava errado, algo ficaria errado.

– Você está sentindo, não está? – Pierry sentou-se ao lado do rapaz.

– Eu sinto, mas...

– Não consegue saber o que é. – O garoto de cabelos azuis completou sua frase. – Ela está entre nós...

– Quem? – Perguntou o maior.

– A morte.

Era tão família que chegava a espantar, foi então que Akise se lembrou, o frio era algo que andava ao lado da morte, o que seria exatamente ela? Nem o mais sábio dos anjos pode dizer, uma pergunta vaga que ronda a cabeça de muitos.

– Algum idoso, talvez? – Perguntou o de cabelos brancos. – Está cheio deles por aqui.

– Nunca se sabe. – Respondeu o outro enquanto fechava os olhos. – Hu... Aposto que vai chover, vem.

Pierry cutucou Akise com o cotovelo e ambos pularam, o baque dos seus pés contra o chão foi alto, alguns galhos pequenos se quebraram enquanto o vento soprava forte as folhas das arvores.

Os garotos caminhavam em passos largos e lentos em direção à pousada.

Ryu se movimentou na cama e sentiu algumas dores causadas pela noite anterior. Doeu, doeu, reclamava o pequeno. Olhou para as outras duas camas do quarto, ambas estavam arrumadas, Mise e Sora já haviam levantado? Caminhou até a sacada e olhou tudo em volta, o sol estava lá, mas as nuvens escuras o acompanhavam.

Do local, o moreno podia ver Akise e seu amigo caminhando pela areia, ao chegarem mais perto, seus olhos se encontraram e o maior sorriu, Ryu retribuiu o sorriso e foi para o banheiro na tentativa de se arrumar rapidamente, com a escova de dente ainda na boca, ele sai ajeitando a blusa de frio e se depara com o rapaz de cabelos brancos sentado em sua cama, ele levanta e se aproxima.

– C-como chegou tã... – O moreno tenta dizer, mas Akise tira sua escova e lhe da um selinho.

– Corri. – O maior sorri. – Hortelã, bom.

– U-uh... – O menor cora, seus olhos se encontram novamente, Akise por um momento perdeu-se no verde dos olhos do moreno.

– Ryu. – Sora entra no quarto e observa.

– S-sora.

O rapaz de cabelos brancos e o ruivo se encaram, o moreno se apressa e termina de escovar os dentes, corre para o banheiro e depois volta para o quarto, o clima estava pesado e ele tinha de fazer algo.

– É... – Sussurrou o menor.

– Vamos ir embora depois do café, então se apresse. – Disse ríspido o ruivo. – Estão te esperando, vá.

– Mas... Minhas coisas...

– Mise já arrumou, vá.

O pequeno apenas obedeceu, olhou para o maior e saiu do quarto. No local agora, estavam apenas Akise e Sora, e novamente o clima pesado se formava, o rapaz de cabelos brancos se dirigiu para a porta sem pressa.

– Eu não sei quem é você, ou o que você fez com Ryu. – Disse o ruivo. – Mas eu não vou deixar que você o tire de mim, eu já estou ao lado dele a 6 anos e não é você em alguns meses que vai mudar tudo.

Akise parou na porta e virou levemente a cabeça em direção ao rapaz e apenas abriu um sorriso, o que o irritou profundamente.

Ryu já na varanda, engolia um bolinho enquanto seus colegas conversavam, Mise distraído olhava para o sol que logo se escondeu atrás das nuvens, a garoa chegava aos poucos e o frio aumentava.

– O-h-a-y-o Shizuki-kun! – Mika pulou na cadeira ao lado.

– a-ah... Ohayo Kaneko-chan. – Respondeu Ryu, sem muita animação.

– Onde você estava ontem? Estávamos te procurando, ai Sora disse que tinham te achado e você já estava dormindo.

– Ah... Bem, eu acabei dormindo quando parei pra ver a lua...

– Porque não me chamou? – Ela fez um biquinho. – Podíamos ver juntos... Ah, antes que eu esqueça, bem a Brumi, Kinn, Lizzy, Naomi e o Takura vão ir embora só amanhã, então acho que vão só você, Sora, Kane e Mise em uma van e o resto do pessoal vai na outra.

– Entendi...

– Vamos? – Sora carregava uma mochila, saindo da pousada enquanto abria o guarda-chuva, a garoa havia ficado pior.

Todos se dirigiam para as duas vans, a maior parte entrou na primeira, enquanto Ryu entrava na segunda, sentando-se em um dos últimos lugares, ele olhou a janela, as gotas de água escorriam para mesma, a respiração do garoto deixava o vidro embaçado. O ruivo entrou em seguida, sentando-se perto do motorista, Mise entrou junto da garota baixinha de óculos, ambos sentaram nos primeiros bancos, e conversavam num tom que só eles pudessem ouvir.

O moreno viu Akise do outro lado da rua, na chuva, o rapaz alto movimentou a mão lentamente para os lados, e moveu os lábios esperando que Ryu pudesse lê-los.

“Nos veremos em breve...”

Foi tudo que o menor conseguiu entender, mas já foi o bastante para abrir um sorriso, que foi retribuído quase de imediato. A franja molhada caia sobre os olhos do maior, a van começa a mover e Ryu observava seu amado ficar para trás.

Novamente o frio percorreu todo corpo de Akise e ele não queria deixa-lo ir, mas o menor já havia partido...

3 hour ago.

O rapaz de cabelos brancos estava sentado na varanda há exatamente 5 horas 43 minutos e 21 segundos, contando. Algo estava errado e ele podia sentir, olhou para o céu escuro, suas roupas ainda estavam úmidas, e chovia forte.

– O que? Repete! – Naomi saia rapidamente da pousada com o celular próximo a orelha. – O que...?

Akise parou e tentou ouvir a conversa, o que não seria tão difícil.

– Isso, eu apenas machuquei o braço... – A voz fina, era familiar, de alguma menina que estava na pousada. – Mas Shizumi... Ele não teve a mesma sorte... Estamos no hospital...

Akise se aproximou rapidamente.

– Kane. – Disse Naomi. – Mise ou Ryu?

– Ryu... – Respondeu baixo a garota.

Eu sabia. O rapaz entrou rapidamente, chamou Pierry e Ride, ambos se olharam e não precisaram de explicações, foram rapidamente para o carro do garoto de cabelos azuis, onde Akise falou pouco, porem o suficiente.

Ride podia ver a preocupação estampada nos olhos do maior, talvez nunca tivesse visto antes, o loiro olhou para Pierry que dirigia. E o resto da viajem encarou a janela do carro.

Não devia ter deixado que ele fosse... A culpa pesava no peito do rapaz de cabelos brancos, o caminho era longo e ele, pela primeira vez, sentiu medo. Sentiu medo de perder o pequeno, medo de não conseguir salvá-lo.

1 hour ago.

Já no hospital, Akise seguia rapidamente para o quarto, podia sentir Ryu a quilômetros, correu pelas escadas enquanto os dois rapazes o seguiam, o frio intenso percorreu o corpo de ambos, saindo das escadas, eles avistaram Sora, que estava com a cabeça enfaixada e Mise com uma faixa no pulso.

– Onde está Ryu? – Perguntou o maior.

– Ele está na primeira sala... – Mise olhava desolado para o chão.

– O que aconteceu? – Pierry perguntou pousando a mão em seu ombro.

– Chuva... Caminhão... – O moreno falava com dificuldade.

Ride e Akise se aproximaram da porta do quarto, o médico barrou a entrada de ambos, as janelas estavam tampadas, mas eles podiam sentir o frio mais forte naquele lugar. Eles trocaram olhares enquanto Pierry se aproximava.

– Vocês conseguem criar uma barreira por quanto tempo? – Perguntou o rapaz de cabelos brancos.

– 20 minutos no máximo, mas pra que? – Disse o loiro.

– Eu vou ir até os anciãos. – Akise suspirou. – Ainda consigo fazer um portal.

– O que?! – Indagou Pierry. – Você não pode!

– Eu não tenho escolhas no momento, apenas façam a barreira por mim e tentem mantê-la o mais longe o máximo possível. – O maior entrou em um corredor vazio e encostou a mão na parede fria.

– Akise! – Ride o seguiu.

O portal se abria aos poucos, o rapaz de cabelos brancos olhou para o loiro.

– Tenha cuidado... – Continuou o mesmo.

O maior movimentou a cabeça e sorriu, fechou olhos e entrou no portal em seguida, abrindo-os, observou a grande porta toda esculpida, ele pousou as mãos na mesma e suspirou, empurrando-a em seguida.

Os senhores ali presentes, sentados olharam espantados para Akise, em especial o que estava na cadeira principal, uma poltrona no meio de todas.

– Kio! O que faz aqui?! – Indagou o ancião levantando-se da poltrona. – Você foi banido! Não pode por os pés aqui.

– Senhor. – Ele se ajoelhou e olhou para o chão. – Por favor, eu não vim pedir para voltar, eu sei que não sou mais bem vindo, mas eu preciso... Eu preciso que me ajude.

Os senhores começaram a conversar entre si, o que causou grande confusão e tumulto.

– CALEM-SE! – Gritou o principal. – Eu o ajudarei, por você ter sido um dos meus principais anjos, porem, após isso, nunca mais volte.

– Não podemos parar a morte, podemos? – Akise foi direto, se levantou e olhou o velho.

– Mas é claro que não, a morte está muito acima. – Respondeu.

– Mas um anjo já teve contato com a morte. – O rapaz continuou. – Ele coseguiu, os livros dizem isso!

– Sim, mas não sabemos ao certo o que aconteceu, ele não voltou, como também consta nos livros. – Argumentou o Ancião.

– Os arcanjos nunca erram... — Akise o olhou. – Eles sabem o que acontece com qualquer um de nós, então quando escreveram os livros, aquilo se tornou a verdade, eu sei que o senhor pode fazer o portal, eu sei que pode me levar para onde ela está, por favor.

– Você está completamente louco! Você sabe que não vai v... – O ancião foi interrompido.

– Eu sei o que vai acontecer, eu sei os riscos, mas sei que vai valer a pena...

NOW

– Você tem certeza que é isso que quer Akise? – O ancião o encarou.

O rapaz parou por um momento, respirou fundo e sorriu.

– Tenho.

– Certo... – O senhor fechou os olhos, um circulo branco ergueu-se no meio da grande sala, o portal estava aberto, o som... Aquela canção doce era o que Akise podia ouvir no momento. – Boa sorte, garoto...

Ele não precisava de sorte, ele sabia o que estava fazendo, e nada mais importava, porque ele não deixaria que Ryu partisse, ele não o deixaria ir.

Eu conseguirei Ryu... E se você pode me ouvir... Aguente um pouco mais... Eu estou indo.

Akise sorriu enquanto caminhava para o portal, a luz forte era tudo o que podia ver.

Notas finais
Deixem comentários podins, eu sei que vocês estão ai escondido O.- Mas então, espero que tenham gostado... Até o próximo (aguardo comentários, prometo responder com carinho :c , criticas são muito bem vindas ♥