Meu namorado é uma superestrela
40 Reencontros
Notas iniciais
– Você sabe o que estão falando de mim na televisão? – perguntei ainda irritada para o Lucas.
– Amor, o importante é que nós sabemos que isso não é verdade. – ele me abraçou.
Eu soluçava de ódio. Não sei quando o Lucas chegou, eu só o senti me abraçando. Acho que nossa empregada ligou para ele por causa do meu estado de choque.
– Se acalme, amor. Por favor. Isso não faz bem para o bebê.
– Como eles podem pensar isso de mim? COMO PODEM? Eu não fiz nada a eles para pensarem isso de mim. Eu não acredito Lucas, não consigo. Eles falam como se eu fosse uma vadia qualquer. Nenhum de nós dois previu que eu ficaria grávida. Amor, por favor, explique isso a eles. Explique. – eu não parava de soluçar.
– Se acalme. Nada do que eles dizem vai interferir o nosso amor e é isso que importa. Ok? Olhe para mim, Sabrina. – eu o encarei. – nada do que dizem vai mudar as coisas entre nós. Eu juro. – e então ele me beijou.
– Com tudo o que eu já sofri nesses últimos meses eles ainda querem me fazer mais mal. Como podem ser tão maus? – ele secou minhas lágrimas.
– As pessoas querem fofocas. E nenhuma melhor que o nosso relacionamento para isso. Amor, você já devia saber que os insultos mais cedo ou mais tarde iriam surgir. Alias, você conquistou meu coração e, sem querer me gabar, meio mundo sempre tentou isso. Mas foi você, uma garota que caiu do céu, que conseguiu. Entenda que eles morrem de inveja de você e querem te atingir de qualquer jeito. Amor, você tem que ser forte e não pode deixar que meros boatos te afetem. Porque se você deixar, eles vão conseguir o que mais querem: ferir-te. Prometa-me que não vai mais se importar com isso, por favor.
– Vou tentar. – minhas lágrimas tinham parado de cair.
– Assim é melhor. – ele me olhou nos olhos e me beijou novamente. – Eu te amo. Nunca se esqueça disso.
– Eu te amo. – repeti e lhe beijei novamente.
– Eu tenho que voltar ao estúdio. Eu interrompi a filmagem no meio da gravação pra vir te ver, senhorita. E isso não pode acontecer. Os diretores querem me matar. – ele sorriu.
– Desculpe, não precisava ter vindo. Suas filmagens são muito mais importantes que minhas birras.
– Claro que não. Desde quando filmagens são mais importantes que a minha vida?
– Bobo. – deu um soco de brincadeira no seu braço. — Agora vai, antes que perca mais tempo.
– Tchau, amor. – ele me beijou e então saiu pela porta e eu fiquei de novo sem o que fazer.
Peguei o telefone e resolvi ligar para minhas amigas que há tanto tempo eu não via. Espero que não tenham mudado de número.
–Alô? – diz uma voz sonolenta.
– Clara?
– Quem gostaria?
– Que coisa feia. Uma hora dessas e ainda está dormindo? – eu grito e ouço algo caindo.
– Sua tonta! Derrubou-me da cama. Que saudades de você, Sá!
– Por onde você andou louca? Desde o natal que não nos falamos.
– Eu fui viajar com o meu namorado. Eu voltei semana passada da viajem e até organizar tudo por aqui. Sabe como é, né? Podemos almoçar hoje para matarmos a saudade. Que tal?
– Eu estou sem carro. Pode vir me buscar? Estou na casa do Lucas.
– Daqui à uma hora passo ai. Tudo bem? Quero que me conte essa história de estar grávida sua toidinha.
– Ah é... ainda não sabe os detalhes, né? – falei envergonhada.
– NÃO!
– E Clarinha, sabe da Sophia?
– Sei sim, amiga. Ela se mudou para Portugal e está cursando a faculdade lá. Faz um tempinho que não falo com ela também.
– Ah sim. Queria ver ela também, mas já que ela está a quilômetros de distância, paciência. Tenho que ficar só com você mesmo. – brinquei.
– Ah, é assim, é? Mal agradecida! – nós duas rimos um pouco e depois desligamos.
Eu fui tomar um banho e escolhi para vestir um vestido básico de flanela. Agora que minha barriga estava aparecendo bem pouquinho eu já começava a ter medo de usar roupas apertadas. Antes de colocá-lo fiquei me olhando no espelho nua. Era tão engraçado o fato de ter um ser crescendo dentro de mim. Era muito estranha essa ideia. Balancei a cabeça e terminei de me arrumar. Logo depois a Clara chegou.
– Oi amiga! – nós demos um abraço forte para matar a saudade e quando nos separamos tínhamos lágrimas nos olhos.
– Meu Deus. Sério que viramos caretas? – eu zombei.
– Eca. Nem sei o que isso significa. – nós rimos. – vai, entra no carro e vamos logo. Aproveitar um pouco a tarde.
Entramos no carro esporte dela e ela deu partida.
– E você Clarinha? Não está estudando?
– Ah não, Sá. Cansei. Eu vou fazer só um cursinho de administração para trabalhar nos negócios da minha família e já está ótimo. Não sou igual a senhorita que adora estudar.
– Eu não adoro estudar. Faço porque preciso. Se eu também fosse rica não estudaria. – dei uma cotovelada de leve nela.
– Hey. Espero que não tenha sido um insulto.
– Jamais. – segurei o riso.
– E já que tocou no assunto. Conseguiu passar em alguma universidade. – eu só concordei com a cabeça. — então fala, não me deixe curiosa!
– Eu passei na...
– FALA LOGO OU EU TE JOGO PRA FORA DO CARRO. – ela me encarou com sua melhor cara de meter medo.
– Ok, ok. Eu passei na USP, Clarinha!
– AI MEU DEUS. – ela quase bateu o carro no da frente e recebemos uma buzina e um xingamento como resposta. – DESCULPE MOÇO, MAS EU ACABEI DE SABER QUE MINHA AMIGA AQUI PASSOU NA USP! MORRA DE INVEJA!
– Para sua tonta. – eu disse ficando vermelha.
– Meu Deus, Sá! Você não tem ideia do quanto estou contente por você. Caramba! Isso era tipo seu sonho. Tá vendo? Quando eu dizia que tu eras inteligente, era verdade. E quando as aulas começam?
– Mês que vem. – eu disse enquanto descíamos do carro e íamos em direção ao restaurante.
– Mesa para duas. – Clara disse para o atendente e ele nos encaminhou para uma mesa perto da janela.
– Está animada?- perguntou enquanto nos sentávamos.
– Claro, né. Só que eu vou cursar alguns meses e depois vou trancar a matricula por causa do bebê.
– AI MEU DEUS! – ela gritou e tampou a boca logo em seguida. As pessoas nos encararam de cara feia.
– Quer me matar de vergonha mesmo é? – eu disse, contendo o riso.
– Sá! Eu esqueci que estava grávida. Meu Deus como eu sou desligada. – ela bateu na testa.
– Eu já sei que você é. – dei risada e ela me mostrou a língua.
– Conte-me tudo o que aconteceu desde que demos tchau para você naquela linda limusine.
Eu narrei tudo o que aconteceu, desde as surpresas românticas do Lucas, passando pela morte da minha mãe e minha tentativa de suicídio – eu chorei nessas partes e ela teve que me levar até o banheiro para me acalmar – chegando até a parte onde internei meu pai e meu irmão e terminando quando fui morar com o Lucas e as pessoas começaram a dizer coisas horríveis de mim.
– Você passou por tantas coisas e eu nem estava aqui! Eu me odeio! Como posso ser a pior amiga do mundo? Meu Deus! Sá, por favor, me perdoa. Mas é que eu estava tão animada com o Fabiano que nem pensava em outra coisa. – ela me abraçou.
– Relaxa, ok? Tá tudo bem agora. Vamos voltar e pagar a conta antes que eles pensem que saímos sem pagar.
– É mesmo! Olha eu sendo desligada de novo.
Nós pagamos a conta e voltamos ao carro.
– Podemos ir até em casa e depois te levo embora, que tal?
– Parece ótimo, mas tenho outra sugestão. Vamos e ficamos na casa do Lucas mesmo. Eu fico cansada com mais facilidade agora e seria melhor para mim.
– É mesmo. Ah, não querendo te forçar a nada, mas eu serei ótima como madrinha do seu filho. – ela me encarou.
– Você não tem jeito mesmo, né? Eu nem tinha pensado nisso. Mas agora que falou, não existe ninguém melhor que você para isso. Claro que será você a madrinha.
– Eba! – ela sorriu e bateu palmas. – já sabe o sexo do neném?
– Não, né. É muito novo e de qualquer forma, eu não quero saber. Iremos descobrir quando nascer.
– Não acredito que fará isso comigo! Sabe como sou curiosa.
– Eu também sou, mas ninguém saberá e ponto.
Fomos para a casa do Lucas e passamos o resto da tarde na piscina. Ela me deu sermões por tudo o que fiz de errado e também me confortou pelas coisas ruins que aconteceram comigo. Foi ótimo matar a saudade e colocar as conversas em dia. Quando a Clara foi embora e eu parei para pensar, foi quando vi a falta que eu tinha sentido da minha amiga e o quanto me sentia grata por tê-la do meu lado agora.

POV Lucas
As filmagens mal começaram e eu já estava ficando doido. Eu já tinha sido o protagonista de vários filmes, mas naquela época eu não tinha uma namorada que estava esperando um filho meu. Eu mesmo acabava me pressionando demais e isso estava me matando.
Tínhamos gravado apenas algumas cenas onde eu aparecia sem minha parceira que faria o par romântico junto comigo e isso era péssimo, porque nós tínhamos um prazo terrivelmente curto para terminar de gravar.
– Daniel, quando ela vai chegar? Essa garota só pode ser uma grande irresponsável por não ter chego ainda para as gravações!
– Se acalme, Lucas. A Isabella logo chegará e poderemos enfim começar. – tentou me acalmar o diretor.
– Onde acharam essa garota? Na esquina? Porque onde já se viu tanta irresponsabilidade com um filme desse porte!
– Eu já disse para se acalmar! E você não está sendo o mais responsável também. Hoje mesmo saiu para resolver problemas particulares. E a Isabella foi uma recomendação que recebemos. Ela está chegando da Inglaterra por isso não podemos culpá-la tanto. O vôo acabou atrasando, mas amanhã ela já estará pronta para as gravações.
Eu de repente parei de escutar. Só agora a minha ficha tinha caído. Isabella. Inglaterra. Não podia ser a mesma. Isso tudo só pode ser uma grande brincadeira. Ela foi embora fazia tempo já, o que pretendia voltando para o Brasil?
– Lulei?! – ouvi uma voz doce demais me chamando e então percebi que sim, ela tinha voltado para fazer da minha vida um completo inferno. Minha ex-namorada tinha voltado depois de tanto tempo fora.
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