Meu namorado é uma superestrela
10 Nove
~ Yasmim Faray te amo!! Não acredito que você recomendou minha fic. Muito obrigada. ♥ ~
...
– Alô? – atendi correndo o celular.
Eu estava pingando água. Tinha acabado de sair do banho e ouvi o celular tocando. Como a idiota que sou, sai correndo para atender. E adivinhem? Molhei a casa inteira, além de estar espirrando por conta do pé no chão. Aff.
Ouvi uma risada do outro lado.
– Sabe? É bom olhar o identificador antes de atender – rio mais um pouco.
– Eu sei que é você Jonathan – disse. Aquela voz já era conhecida para mim.
– Ufa, que bom – brincou.
– E então? O que você quer? – fui direta, estava ficando com frio.
– Nossa, você como sempre gentil e amigável – falou com sarcasmo.
– Dizem que são minhas melhores qualidades –entrei no jogo – mas e então, o que quer?
– Ah, é que... – ele parecia constrangido. Que fofo! – Vai fazer o que nesse fim de semana?
– Ficar em casa como sempre – respondi meio apreensiva. Não me diz que ele está me chamando pra sair!? Ai caramba!
– Que tal a gente se ver, sei lá... ir ao cinema – finalmente ele conseguiu dizer, depois de alguns instantes em silêncio e de alguns murmúrios.
– Seria ótimo – eu estava queimando, aposto que estava vermelha igual a um pimentão.
– Certo então, de pego às 20:00 horas, pode ser? – ele ainda parecia nervoso. Cara que fofo!
– Pode ser. Te vejo às 20:00 horas – disse sorrindo.
– Tchau. Até logo – disse ele. Pelo seu tom ele também parecia que estava sorrindo.
EU NÃO ACREDITO QUE VOU TER MEU PRIMEIRO ENCONTRO!!! Meu Deus estou ficando louca. Sem perceber eu estava dando pulinhos no meu quarto. Assim como surgiu rápida a felicidade ela foi embora. Como eu iria sair?
É obvio que meus pais não deixariam! Eles não me deixam sair á noite com as minhas amigas, quanto mais com um garoto! Ai, droga! Como eu me esqueci desse enorme detalhe? Agora eu teria que dar um fora no Jonathan, e ele pensaria que, sei lá, fez algo de errado. O que eu faço?
– Mãe? – chamei ela assim que chegou do trabalho.
– Oi.
Como eu ia contar?
– O Jonathan me ligou hoje – acho que assim estava bom, era melhor começar do inicio.
– Ah, e o que ele disse? – perguntou nervosa e apreensiva.
– Me convidou para sair – soltei a bomba rápida demais.
Ela ficou paralisada e quieta demais. Eu estava com medo da expressão em seu rosto. Depois do que pareceu séculos ela abriu a boca, mas não saiu nada de lá.
– Mãe, fala logo – não suportei.
Eu entendia sua reação, era a primeira vez que nós falávamos de um garoto. Quer dizer, nunca na vida alguém me convidou para sair.
– Isso é um pedido?
– É.
– Só se eu for junto – ela disse como se fosse a coisa mais natural do mundo.
– O quê? – perguntei um pouco alto e surpresa demais.
– Sim, é claro. Você é nova demais para sair, ainda mais a noite.
– Mãe, eu já tenho 16 anos – eu estava indignada.
– Muito nova ainda.
– Ai, é impossível discutir com você. Você mesmo me disse que já saia de casa com 14 anos.
– Mas naquela época as coisas não eram tão perigosas e eu nunca tive uma mãe para me auxiliar – se defendeu.
Que legal, vai ficar jogando na minha cara agora. Ninguém merece.
– Por favor, mãe, eu te imploro – meus olhos já estavam marejados.
– Pra que chorar?
– Pra que? Eu sou a única garota que nunca beijou um garoto e que nunca saiu com um. Eu sou a única que fica aqui trancafiada e só posso sair sob a vigilância dos meus pais. Que saco! Eu já estou cansada de tudo isso. Eu nem ao menos sou rebelde, sempre obedeço as suas regras, nunca desobedeci. Por favor, eu estou pedindo, quando deveria estar só informando! Eu já sou grandinha e responsável por mim mesma.
– Não, é não, você ainda é minha responsabilidade.
– Sim eu sou. O Joseph também era quando saiu de casa aos 16 anos pra ir morar com a namorada. Acho que eu sei agora porque meus irmãos saíram cedo de casa. Eles não suportavam mais essas regras idiotas.
Eu sei que fui rude e mal educada, mas eu precisava dizer. Não agüentava mais aquilo. Vi seus olhos lagrimejarem e não consegui me arrepender do que eu disse. Eu sabia que eu era tudo o que minha mãe tinha de mais precioso e que ela sentia muito orgulho de mim. Mas eu também sei que acabei com esses sentimentos nesse momento.
– Eu sinto muito, mãe, me perdoa – eu disse magoada por destruí-la assim.
– Não, tudo bem, você tem razão. Eu sempre sou a culpada de tudo o que acontece nessa casa mesmo. Não ligo não, já estou acostumada.
As lágrimas já escorriam por seu rosto e logo escorreriam pelo meu se eu não me segurasse.
– Olha, eu não quis dizer aquilo. E você não é culpada pelas ações dos outros, assim como eu não sou. Cada um é cada um, mãe. Eu sei que você quer o melhor para mim, mas eu sei perfeitamente o que eu quero, não precisa se preocupar comigo, ok? Eu não vou engravidar na primeira oportunidade que eu tiver. Pelo o amor de Deus, mãe. Eu sei que é pecado ter relações sexuais antes do matrimônio e eu pretendo me casar virgem, por favor, confie em mim, por favor.
Eu estava suplicando. Eu não sei em qual momento comecei a chorar, mas sentia meu rosto completamente molhado. Droga, eu tinha que parecer forte.
– Eu confio em você. Mas sobe pro seu quarto – ela disse sem me olhar nos olhos.
Aquilo me doeu profundamente. Ela não conseguia olhar nos meus olhos de tanta vergonha que sentia de mim. Eu subi destruída até meu quarto e me joguei na cama em prantos.
Eu acordei com tanta dor de cabeça que não conseguia nem mesmo movê-la. Tomei um banho para relaxar a tensão do meu corpo e tomei um remédio para a dor. Depois do que pareceu um século a dor foi embora.
– Mãe? – chamei.
– Oi?
– Vem aqui. – chamei.
Ela veio até o meu quarto e se sentou nos pés da cama.
– O que?
– Desculpa – pedi, olhando pra baixo.
– Eu que peço desculpa.
– Eu sei que não devia ter dito aquelas coisas, foi no calor do momento. Você sabe que eu não me controlo quando estou com raiva e digo coisas que não devia.
– Mas você tem razão. Eu conversei com seu pai sobre o Jonathan e ele concordou. Tudo bem de você ir ao cinema. – ela parecia calma
– Sério?
– Sim. Mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer. Nos últimos anos eu sempre vinha me preparando para esse dia, mas mesmo assim não estou preparada e acho que nunca vou estar preparada para te perder. — ela disse com os olhos marejados.
– Oh mãe. Você jamais vai me perder. Isso é só um encontro, nada demais. Você só está assim, porque é o meu primeiro. Mas mesmo depois de casada, você vai ter que me suportar aqui. – eu a abracei.
A minha mãe era muito sensível no assunto “eu”. Digamos que ela não podia mais ter filhos depois do primeiro. Mesmo assim ela teve o meu segundo irmão que já nasceu com problemas de saúde. O médico disse que ela não poderia ter mais filhos, porque seria ariscado para ela e para o bebê. O sonho dela sempre foi ter uma menina, porque quando ela foi obrigada a abortar na adolescência, a criança era uma menina.
Ela sempre achou que Deus a castigara por seus atos e que nunca mais iria lhe dar uma filha. Daí veio eu. O milagre que nasceu prematuro, mas, mesmo assim, cheia de saúde. Era um caso complicado e eu entendia que eu era seu maior tesouro. Eu a entedia.
– Te amo tanto mãe.
– Também de amo Sabrina.
.................................
– Boa noite senhora – ouvi uma voz, vindo da porta.
– Boa noite Jonathan, entre – respondeu minha mãe.
Eu respirei algumas vezes e desci as escadas. Eu estava de calças jeans e uma blusinha solta com um sinto na cintura. Estava de all star preto e com um cabelo solto. Como sempre sem maquiagem. Eu estava normal, até demais.
Ele me olhou um pouco surpreso, mas depois riu de lado. Devo dizer que era lindo o sorriso. Ele estava charmoso e normal ao mesmo tempo. Uma calça escura, vans preto, camisa branca e uma xadrez por cima. Lindo.
– Vamos? – disse.
– Claro.
– Até daqui a pouco – disse para meus pais.
– Não demore. E tomem cuidado – disse meu pai.
– Não se preocupe, senhor. Cuidarei dela como se fosse minha própria filha – respondeu Jonathan sério.
– Nós não beijamos nossas filhas, mas a intenção é boa. Divirtam-se – concluiu meu pai.
Eu puxei Jonathan dali. Eu não acredito que meu pai disse aquilo, que vergonha. Eu aposto que estava toda vermelha. Jonathan apenas ria, enquanto saiamos pelo portão.
– Não fica assim não. Ele só estava brincando – respondeu ele.
– Desculpa te fazer passar por isso.
– Normal. Onde você vai? – ele pergunta.
– Como assim? Pro ponto de ônibus – disse o obvio. Eu estava indo em direção a rua.
– Eu vim de carro – ele sorriu.
– Ah – disse surpresa.
– Vem – disse rindo.
Ele me puxou. Mais a frente da minha casa tinha um carro parado. Digamos que nem se eu vendesse todos os meus órgãos junto com os meus pais e ainda trabalhasse minha vida inteira, eu teria dinheiro pra pagar aquele carro.
Mais que porra. Eu não acredito que ele era rico!
– O que foi? Não gostou? – perguntou ele muito surpreso.
– Não – respondi seca.
– Mas por que não? – perguntou indignado.
– Porque não, oras. É melhor eu não sair com você. Boa noite. – disse e me virei para entrar. Ele segurou meu braço e me girou.
– Você está indo embora por causa de um carro?
– Não só um carro, mas tudo o que vem com ele – digo irritada.
– O que? Eu não estou entendendo nada – disse ele me soltando e erguendo os braços pra cima.
– Ninguém entende – digo e quando estou abrindo o portão para entrar ele me segura de novo.
– Olha, a gente vai perder o filme. Por favor, eu nem sei o que eu fiz de errado, por favor, me dá mais uma chance. – ele implorou.
– Tudo bem, você não tem culpa de eu ser assim – dou de ombros.
Depois de eu tanto sofrer pra conseguir permissão, eu iria mesmo jogar fora, só por causa de um carro? Não, era melhor não abusar da sorte.
– Vamos – ele me puxou e abriu a porta do carro.
Eu entrei e ele a fechou. Que cavalheiro.
– Quantos anos você tem? – perguntei assim que ele entrou.
– Por que, acha que eu não tenho carteira de motorista?
– É só que você não parece muito velho – afirmo um pouco vermelha.
– Eu tenho 19 anos. – ele disse me olhando intensamente,
– Por que está me olhando assim?
– Só quero ver sua reação.
– Eu não ligo por você ter 19 anos. Só espero que você não ligue de eu ser uma criança.
– Você pode ser tudo, menos uma criança – ele diz passando os olhos por todo o meu corpo.
Eu me retrai e ele deu risada, dando partida com o carro.
– Quantos anos você tem? – ele finalmente pergunta.
– Está com medo de que eu tenha 10? – brinquei.
– Jamais, mas é que você não tem cara de 15.
– Tenho 16 e sim o que estamos fazendo é crime. — digo rindo.
– O que estamos fazendo? – ele me olha com intensidade.
– Você é tão sem graça né? Adora me deixar com vergonha.
– Só te fiz uma pergunta. Mas o que estamos fazendo?
– Para te ser bobo. Você sabe o que estamos fazendo. Estamos indo ao cinema.
– Os pais também vão ao cinema com seus filhos. – provoca ele.
– Ai, tudo bem então papai.
– Ah, não fica bravinha. E não me chame de papai. – disse sério.
– Por que, papai? – provoco.
Ele estaciona o carro rápido demais e me olha.
– Porque pais não fazem isso com as filhas – ele diz e me agarra.
Ele estava me beijando! O meu primeiro beijo. Ai meu Deus, o que eu faço? Tudo bem, relaxa. Ele pediu passagem com a língua, eu sem saber o que fazer abri minha boca. Ele sugava minha boca, minha língua. Brincava com meus lábios e dava mordidinhas. Eu apenas tentava imitar, sem a parte de explorar.
– Desculpa – ele disse, voltando a se sentar no banco.
– Eu é quem peço. – digo mais vermelha que pimenta.
– Por que?
Ele parecia surpreso. E agora, eu digo ou não? Acho que tenho que explicar minha falta de saber o que fazer.
– Por não saber beijar. É que foi a primeira vez – digo meio encabulada.
Ele abre a boca em um “0” perfeito. Pisca algumas vezes. Depois fica sério, com raiva, puxa seus próprios cabelos. No final, sorri para mim com um brilho no olhar.
– Eu não acredito. Esse mundo ainda não está perdido – exclama.
Nós dois rimos.
– Me desculpa em dobro então. Acho que roubei de você esse momento especial.
Ele parecia chateado, mas satisfeito. Não entendi sua reação.
– Quem disse que não foi perfeito? – sussurrei, mas ele ouviu.
– Sendo assim, acho que posso de ensinar algumas táticas. – disse com um sorriso safado.
– A gente já chegou? – mudei de assunto.
– Não, é só que eu não suportava mais esperar. – diz dando uma piscadela.
Ele liga o carro e nós voltamos a andar. Nossa. Eu tive meu primeiro beijo. Não acredito. Acho que eu estou mole. Não que tenha sido gostoso nem nada do tipo. Mas é que eu estou surpresa. Aliás, ele é lindo e nunca me imaginei beijando alguém como ele.
– Como você sabia onde eu morava? – pergunto assim que chegamos ao shopping.
– Tenho meus contatos – faz suspense.
– E esses seus contatos por um acaso se chamam tia Irani?
– É. – responde e dá de ombros.
Descemos do carro e entramos. Nossa, como está cheio.
– É melhor comprarmos os ingressos, antes que acabem – ele afirma.
– É melhor – afirmo.
Nós vamos até o cinema e compramos os ingressos. Ele pagou o meu mesmo depois de eu insistir.
– Fui eu quem te convidou – foi sua desculpa.
– Tudo bem.
– E agora, o que quer fazer? Temos duas horas ainda.
– Por que você não pegou uma sessão mais cedo?
– Queria passar mais tempo com você. – diz me olhando nos olhos.
Eu fico com vergonha e abaixo a cabeça.
– Que tal boliche? – sugere.
– Nunca joguei – afirmo envergonhada.
– Não? Pois é ótimo. Vem que eu te ensino. – diz me puxando pela mão.
.....................
Nós jogamos boliche, ou melhor, ele jogou e eu tentei jogar. Depois nós fomos a uma sala de jogos que tinha lá e jogamos vídeo game. Cara, como eu amo vídeo game. Depois nós fomos na livraria, meus olhos brilharam e eu comprei um livro pra mim. Quando finalmente deu o horário do filme, nós entramos na nossa sala.
Era um filme de comédia. Nós rimos muito, principalmente eu, que ri de tudo e mais um pouco. Não ficou constrangedor em nenhum momento como eu pensei que ficaria. Quando acabou nós fomos comer.
– E ai, gostou?
– Muito – respondi ainda com um sorriso.
– Até eu, que prefiro filme de terror, gostei desse – respondeu.
– Eu vou ao banheiro, já volto – disse e sai dali.
Depois de escovar os dentes eu voltei e nós fomos embora.
– Espero poder sair mais vezes com você – ele disse quando nós chegamos a minha casa.
– Seria legal.
– Seria ótimo.
Nós rimos.
– Tchau – me despedi já abrindo a porta ou tentando abrir.
Ele riu quando o olhei com interrogação.
– Sem nenhuma recompensa? – perguntou meio safado.
– Achei que minha presença já tinha sido – respondi na lata.
– E foi, mas preciso disso pra ficar sonhando acordado depois – ele deu aquele sorriso lindo do primeiro dia que nos vimos.
– E o que você quer?
– Isso.
Ele se aproxima e me puxa pra ele. O beijo começa lento e eu, de uma certa forma, já sei o que fazer. Até que esse não foi tão ruim.
– Boa noite – digo, saindo dali correndo.
Antes de bater a porta ouço ele rindo.
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