Meu namorado é uma superestrela
17 Dezesseis
~ Ana Herondale e Dudaa
MUITO obrigada pelas recomendações.
Vocês são tops, divas, perfeitas. Amo vocês.
Esse capítulo é dedicado a vocês!!!!
♥ ♥ ♥ ♥
...
Eu acordei no meio da noite ou da madrugada, não sei. Eu estava em um quarto branco, mas aconchegante. Era muito chique para ser de um hospital. Sem falar que eu estava em uma cama enorme e não em uma maca dura e gelada.
Já me sentia um pouco melhor, não estava com tontura e nem me sentia fraca. Olhei para o meu braço e estava com uma agulha. Claro, o soro deve ter me deixado hidratada.
Eu arranquei com muito cuidado a agulha do meu braço e sai procurar um banheiro, minha bexiga ia explodir. O quarto tinha sua própria suíte, isso aqui nunca vai ser um hospital, não mesmo.
Olhei-me no espelho do banheiro, eu estava horrível. Lavei meu rosto com muita água. Procurei uma escova de dente e encontrei um estoque na gaveta. Escovei os dentes e penteei meu cabelo com um pente que tinha ali. É, melhorou um pouco. Calcei meus tênis e desamassei um pouco minha roupa.
Depois arrumei a cama e sai do quarto. Onde eu estou? Acho que era a casa do Lucas. Era muito luxuosa até mais do que a do Jonathan.
Procurei pela cozinha e nada. Tudo bem que eu estou num lugar que não conheço, mas estou com fome, ok?
Depois de alguns muitos enganos consegui achar a dispensa daquele lugar. Parecia o paraíso, meus olhos até brilharam. Peguei um pão e outros ingredientes e fiz um lanche natural. Peguei um suco qualquer na geladeira e despejei no copo.
Eu comia igual uma esfomeada. Depois que comi uns três lanches e bebi uns cinco copos de suco — porque eu amo suco de laranja- peguei o pote de nutella e comecei a comer. Que delicia.
– Você come hein. – falou uma voz com graça.
Eu dei um pulo.
– Que susto. Desde quando você ta ai?
O Lucas estava encostado na bancada. Eu nem sabia que tinha uma naquele lugar até agora, mas tudo bem.
– Desde sempre. Você é muito desligada.
– Estava com fome. – dei de ombros, ficando vermelha.
Eu parecia uma morta de fome comendo, não é legal saber que uma pessoa viu tudo, ainda mais quando essa pessoa é um ser tão lindo e elegante.
– Não precisa ficar com vergonha. É ótimo saber que você come.
Ele era retardado ou o que? É obvio que eu comia.
– Não me olha assim, ok? Acontece que eu só conheço mulheres que vivem de regime e só comem salada. Nunca chegariam perto de um pote de nutella. – ele explicou enquanto caminhava em minha direção.
Ele pegou a colher da minha mão junto com o pote do chocolate. Eu resmunguei baixinho e ele riu. Depois ele pegou uma colher de nutella e comeu, lambendo tudo no final. Acho que falar o quanto eu fiquei chocada por ele não ser nojento é irrelevante no momento.
– É só pedir que eu te dou um beijo, não precisa encarar. – ele riu.
Eu bufei e peguei de volta a colher, comendo mais uma vez aquela gostosura dos deuses.
– Você se sente melhor? – ele mudou o tom para mais sério.
– É, obrigada por cuidar de mim. – abaixei o olhar.
– Não, eu que peço desculpas por tudo isso ter acontecido. Não deveria ter te deixado sozinha. Fui um irresponsável. – ele disse, pegando e erguendo meu rosto para olhá-lo nos olhos. – desculpa.
– Tudo bem. – dei de ombros.
– Eu sei que não estou na posição de te pedir nada, mas você poderia não falar nada?
– Eu nunca diria que sou fraca o suficiente pra desmaiar só porque não me alimentei direito. – disse.
Sim, eu nunca diria mesmo, não por esses motivos, mas mesmo assim. Eu nunca diria que ele me menosprezou e me ignorou e nem se importou comigo durante um dia inteiro, enquanto ficava rodeado por garotas bonitas e melhores que eu.
– Obrigado. É só que eu estaria muito encrencado se a mídia soubesse que eu não te alimentei direito.
– Eu já disse, não vou contar. – o tranqüilizei.
– Não? Qualquer garota daria tudo para estar no seu lugar. – ele parecia surpreso.
– Por quê? – perguntei chocada.
– Porque você me tem nas mãos e pode fazer o que quiser em troca de não contar. Porque se você contar eu iria receber um processo por te negar comida e por não te levar a um hospital, meu contrato com a novela seria rompido, minha imagem ficaria mais manchada que absorvente em dia de menstruação – quando ele disse isso eu dei risada, não me contive, que comparação chula – minhas fãs iriam me massacrar por tratar uma dama inadequadamente. Entre outras coisas.
– Nossa. – eu estava mesmo surpresa. – Sabe qual a diferença entre elas e eu?
– Adoraria saber. – ele arqueou as sobrancelhas.
– Eu não sou interesseira e não quero acabar com a vida dos outros.
Ele sorriu, parecia feliz. Continuei comendo a Nutella e ele mais uma vez roubou de mim.
– Hei, isso é meu. – reclamei.
– Não é não, você está na minha casa e EU comprei a nutella. – disse, comendo outra colher.
Eu fiz cara de emburrada, porque eu realmente estava brava, e cruzei meus braços.
– Ah, não faz essa cara fofinha. – ele disse, fazendo bico como se falasse com uma criança – toma, abre a boquinha, abre.
Ele pegou uma colher com muita, mas muita nutella, e fez “aviãozinho”. Eu virei o rosto.
– Tem certeza que não vai abrir a boca? – ele me olhou travesso.
– Eu não... – eu ia falar, mas ele enfiou a colher com tudo na minha boca.
Ele melou todo o meu rosto, porque minha boca, digamos que, não é nem um pouco grande, então meio que a colher não entrou inteira. Eu fiz um sacrifício pra engolir aquilo, meio que ardeu um pouco, enquanto ele ria descontroladamente. Idiota. Eu ergui minhas mãos para tentar limpar minhas bochechas e minha boca que estavam meladas, mas ele me segurou.
– Deixa que eu faço isso. – e então ele se aproximou mais.
Eu permaneci estática. O que ele estava fazendo? Ele lambeu minhas bochechas. Assim que me deixou toda babada ele parou, me encarou e começou a rir de novo. Eu fiz cara de nojo e ele parou um pouco.
– Falta uma parte ainda.
Eu não tive tempo para raciocinar o que ele disse, porque milésimos depois ele já estava me beijando. Ele acariciava meus lábios com os dele e eu não consegui fazer nada além de aprofundar mais o beijo.
Eu não dei muitos beijos na minha vida, mas mesmo assim este estava sendo o mais gostoso. De agora em diante eu tenho um novo sabor preferido: nutella com Lucas. Uma combinação perfeita.
Ele brincava com a minha língua de um jeito provocador e loucamente delicioso. Sem conseguir me conter soltei um gemido. Ele agarrou minhas coxas e me sentou na bancada, ficando entre minhas pernas. O beijo ficou mais fácil e mais intenso assim, porque apesar de eu ser alta ele não deixava de ser um gigante.
Ele pressionava seu membro na minha entrada e apesar de estarmos de roupa, eu consegui ficar molhada e louca de desejo. Ele ainda me mata. Separei-me um pouco, buscando ar e ele desceu os beijos para meu pescoço. Quando ele iria chupar, dei um tapa no braço dele. Ele riu e não chupou.
– Eu tive que usar blusas de gola alta da ultima vez. – resmunguei um pouco sem voz.
– Por quê? – ele me olhou inocente, mas logo depois voltou a me beijar me deixando louca. – hein, por quê?
– Porque alguém poderia ver o roxo que ficou. – expliquei meio ofegante.
– Mas a intenção era que vissem. Assim todos saberiam que você tem dono. – ele disse, tomando meus lábios outra vez.
Desta vez eu o empurrei e o encarei.
– O que? Eu não tenho dono Lucas.
– Namora comigo? – ele pediu e voltou a tomar meus lábios.
Ele acha que eu sou idiota? Como podia perguntar isso? Mais uma vez eu me separei.
– Me solta – ordenei.
Ele me olhou confuso, mas me soltou. Eu desci da bancada e fui em direção a porta.
– O que eu disse? – ele veio atrás de mim.
Não respondi, só ignorei. Quando iria abrir a porta, ele puxou meu braço para que eu o olhasse.
– Você tem algum problema? – ele perguntou na maior cara de pau.
Como ele era capaz?
– Primeiro você me ignora, depois fala que tem vergonha de ser visto comigo, por ultimo faz um falso pedido de namoro pra me humilhar, e ainda tem a cara de pau de perguntar se eu que tenho problema? – falei em um tom um pouco alto demais.
– Quando foi que eu fiz todas essas coisas? – ele pergunta chocado.
Eu ri debochada.
– Não se faça de ingênuo. Você sabe perfeitamente do que eu estou falando. – falei arrogante.
– Olha, eu realmente não me lembro de fazer essas coisas. Você pode me explicar?
– O primeiro dia de aula: você cumprimentou minhas amigas e me ignorou só porque eu não tinha um sobrenome... – eu iria continuar, mas ele me interrompeu.
– Você que é louca. Eu fiquei mais perdido que criança em supermercado. Eu fui falar com a Clara e ouvi você me chamando de idiota. Eu fiquei bravo, por isso não te cumprimentei primeiro e fui logo falar com a sua amiga. Depois ela me apresentou vocês, eu cumprimentei a outra menina que não lembro o nome, e quando fui cumprimentar você, você tinha sumido, logo depois as outras duas saíram correndo também. Eu não entendi nada.
– Você demorou demais não acha?
– Eu não tenho culpa se sua amiga não queria me soltar. E não coloque a culpa toda em mim, porque eu tentei falar com você depois, mas você me tratou mal no seu armário. – ele rebateu.
– Ah ta. No que eu te tratei mal?
– Eu só estava tentando arranjar um jeito de falar com você, mas você me respondeu e saiu pisando duro. Eu não tenho culpa. E você é bem difícil também, né? Porque você parecia feliz quando foi sorteada pra participar.
– Eu o que?
– Quando eu olhei pra você, você estava sorrindo.
– Eu tinha recebido uma mensagem. O motivo não era você. – nesse momento sua expressão fechou, mas eu ignorei.
– Tudo bem, mas ainda assim eu não entendo o por que me tratou tão mal quando eu fui atrás de você depois da reunião. Eu não tive culpa pelo o que a Amanda disse. – se explicou.
– Você não sabe o que é ser humilhado Lucas, quando você souber venha me perguntar o por que da minha reação. – eu disse um pouco chateada.
– Você não me conhece Sabrina. – ele disse. – mas nada disso explica sua falta de educação e irresponsabilidade o tempo todo comigo.
Desde quando nós estávamos falando sobre responsabilidade? Se assim que ele quer, tudo bem então.
– Eu procurei ser responsável. Eu fui até a diretora perguntar o por quê de eu não estar envolvida nas atividades que as meninas estavam. Sabe qual foi a resposta dela? — ele negou – ela disse que minha presença era desnecessária e que quem tinha dito isso foi você mesmo. E tem mais, ela falou que não era para eu importuná-lo com minha presença, porque vocês me chamariam se precisassem de mim, como seu eu fosse um mordomo que só serve nas horas que lhes convêm.
– Eu juro que não disse isso em momento algum. Eu falei para ela não ficar perturbando você toda hora, porque você parecia não gostar muito de toda essa competição. E acrescentei que qualquer coisa eu avisava você. Eu não tenho culpa se ela engrossou minhas palavras. – ele se defendeu.
– É, mas você não avisou nada, né? – acusei.
– Quando eu fui avisar, você disse que queria ficar sozinha. – eu iria perguntar “quando”, mas ele entendeu e acrescentou – nós estávamos correndo, lembra?
– Pois foi justamente quando eu tinha saído da sala da diretora, a culpa também não foi totalmente minha. E eu fiquei irritada, porque eu queria esquecer você com a única coisa que me relaxa, mas dai vem você e quer falar comigo. Fiquei mesmo irritada.
– Eu nunca posso relaxar e nem mesmo por isso fico atirando pedras nos outros. – me acusou.
– Desculpa, mas esse é meu jeito. Se não gosta cai fora.
– Ta vendo? Lá vem você de novo com toda a arrogância.
– Ai, desculpa. Mas beleza, até agora você se explicou, mas o que você me diz do dia em que fomos para aquela cafeteria no centro?
– Que parte? A que você discutiu comigo por causa de um carro?
– É, podemos começar por ai. Você disse que se pudesse já teria me expulso da competição.
– Claro, você parece odiar tudo isso. Eu faria se isso te deixasse menos brava comigo. Desculpa se formulei as palavras erradas naquela hora, mas você consegue me tirar do serio. – ele passou as mãos pelo cabelo. – e você também me ofendeu quando disse que eu faço as pessoas de capacho. Eu não tenho culpa se elas são gentis comigo toda hora.
– Ah é, me esqueci que você é o manda chuva.
– Será que dá pra parar?
– Eu só não gosto de saber que você tem privilégios quando mais ninguém tem. Isso é injustiça.
– Eu gravei um filme onde eu tinha que dirigir, só por isso eu tenho uma carteira de motorista. Todos os atores que fazem algum papel desse tipo também tiram, então eu não sou o único, ok?
– Ta, mas acho que eu não feri tanto os seus sentimentos quanto você feriu os meus. Você mostrou que não tem atração física por mim, porque me endireitou correndo quando eu quase cai e depois disse que tinha vergonha de ser visto comigo. – acusei.
Ele começou a dar risada.
– Sabrina, como você consegue entender tudo errado? Meu Deus do céu. – ele fechou os olhos e puxou os cabelos com força, tentando recuperar a paciência, eu acho – eu te endireitei correndo como você disse, porque eu estava possesso de raiva por algum filho da mãe vazar a noticia de que eu iria pra lá. E depois eu não queria que nos vissem juntos com medo da sua reação, porque você parece me odiar afinal, imagine se o seu rosto estivesse nas capas de revistas como minha namorada? Daí sim que você me mataria.
Ele sentou numa cadeira que tinha ali perto, parecendo cansado e eu me encostei á parede. Aquilo estava sendo ótimo, porque assim as coisas estavam ficando esclarecidas.
– Certo. Então está explicado porque você me expulsou da sua casa e me negou até um copo d’água.
– Por que você comprou um vestido e por que você escreveu um texto? – perguntei, abaixando o tom de voz. Nós dois até aquele momento estávamos gritando, praticamente.
– Porque eu me importo com as pessoas. E ultimamente – ele suspirou – eu estou me importando demais com você.
– Como sabia meus números?
– Depois de você quase quebrar a porta do seu quarto eu fiquei mais um tempo conversando com a sua mãe aquele dia.
– Então você já virou até amigo da minha mãe? – ergui minha voz.
– Eu não tenho culpa se já conhecia ela.
Mas o que? Que merda é essa? Deste quando ele conhece minha mãe?
– Ela meio que já trabalhou aqui em casa. – ele explicou. – eu era criança ainda, mas ela meio que ficou na minha memória.
– Quando foi isso?
– Já faz uns 5 anos, por ai.
Eu puxei na memória se me lembrava de alguma coisa, mas nada. Acho que eu teria uma conversinha com a minha mãe.
– Por isso você entrou no meu quarto?
– Ah sim. Eu já te disse que você fica uma gracinha dormindo, né?
– Babaca – eu xinguei e ele deu risada.
– De nada. Mas eu acho que você não gostou muito dos presentes.
– Que presentes?
– Do vestido, do sapato e das jóias. Você deixou tudo no estúdio.
– Eu não sabia que eram para mim e mesmo se fossem não aceitaria.
– Você conseguiu me magoar pra caramba naquele dia. Sabia?
– Por quê? – eu não estava entendendo.
– Porque depois de eu dizer o que acho de você, falar que gosto de você, você ainda me diz que eu não sou nada e que você é demais pra mim.
– Quem entendeu tudo errado dessa vez foi você. Eu não disse nada disso, ok? Eu pensei que tinha sido tudo um teatro, porque você pode ter todas as garotas que quiser, por que iria me escolher? Eu pensei que você só estava me usando pra depois jogar fora como tinha feito com outras garotas provavelmente. Pensei que estava sendo fofo pra me esnobar depois e falar pra todo mundo o quanto pisou em mim.
– Eu nunca faria isso, Sabrina. – ele me encarou.
– Se você diz que tudo aquilo foi verdade, por que me tratou tão mal no parque de diversão?
– Como você não ficou sabendo que iríamos ao parque, eu achei melhor te avisar. Só que quando eu estou chegando na sua casa eu vejo você entrando em um carro. Pra piorar, o mesmo carro traz você pro parque e eu vejo que é um cara e que ele está te beijando. Depois você desce e adivinha? Você estava com a mesma roupa. O que eu pensei? Que você tinha dormido com ele, é claro.
– O Jonathan é só meu amigo...
– Que beija na boca? Não sabia que isso era “amigo”. – ele fez aspas nos dedos.
– Deixa eu terminar. O Jonathan é meu amigo sim, e eu deixei isso bem claro pra ele. Só que ele ficou enciumado com você e fez aquilo pra lhe provocar, acho que deu certo. Você viu o quanto eu fiquei brava depois que desci do carro não é mesmo? – ele concordou – e as roupas, digamos que eu acordei atrasada demais ontem, então peguei as primeiras que vi, ou seja, essas que estavam no chão para lavar. Eu cheguei na escola e a diretora disse que eu teria que me virar para ir ao parque. Eu só conheço o Jonathan que tem carro, por isso ele me fez esse favor. – conclui.
– Certo.
– Eu nem sei por que te disse isso. Você não tem nada a ver com a minha vida mesmo. – disse quando me dei conta que eu estava me explicando pra ele.
– Você sabe que eu não tenho nada contra ti, certo? – ele perguntou se levantando.
– Agora eu te entendo tudo. – disse de cabeça baixa, como eu odeio admitir.
– É, eu também te entendo. – ele falou.
– Mas isso não... – eu não consegui terminar, porque mais uma vez ele estava me beijando.
Esse garoto tem que parar de fazer isso. Nós ouvimos alguém batendo palmas e nos separamos com o susto.
– Gente, mas isso aqui é melhor que novela mexicana. – falou uma pessoa.
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