Meu namorado é uma superestrela
6 Cinco
~AmuTo SasUra, muito obrigada por estar presente nessa também~
...
– Ei, você já sabe as garotas que foram sorteadas para a competição? – pergunta Clara.
– Não sei e nem quero saber – afirmo seca.
– Você tem algo para me dizer? – pergunta ela com uma voz magoada.
– Não, por quê?
– Você disse que não entraria na competição – ela estoura.
– Mas eu não... – começo a me defender, mas depois lembro que fui obrigada a participar.
– Foi o que eu pensei – ela diz e sai correndo.
Tudo bem, eu sei que não contei, mas por que ter uma reação tão exagerada?
Eu deixo ela em paz por alguns minutos e depois vou até o banheiro.
– O que eu fiz?
– O que você fez? Você mentiu pra mim – ela grita.
– Calma Clara. Olha, deixa eu explicar.
– Então vai, fala. Sabe Sabrina? Você vive dizendo que não gosta dele e que não liga pra dinheiro, mas no fundo você não passa de uma interesseira – ela explode ainda mais.
Eu não acredito que ela disse isso.
– Olha, eu realmente não gosto dele e não ligo pra dinheiro. Agora não venha discutir comigo, por conta de uma paixonite idiota! E não se preocupe, porque eu nunca seria escolhida por ele – grito também e começo a sair dali, mas eu paro no meio do caminho – e quer saber? Espere mais um pouco, até eu me casar com um pé rapado qualquer, mas que me ame de verdade, daí você se casa com um rico igual a você. Egoísta e que não sabe amar nada além do dinheiro.
Eu sai dali pisando duro e fui pra sala. Nós nunca tínhamos brigado antes e por causa desse idiota eu gritei e magoei minha amiga. Droga. Eu sei que a Clara é muito mimada e sempre tem tudo o que quer, mas eu não deveria ter feito aquilo. Depois eu me desculpo. Aliás, ela foi a única que quis ser minha amiga, quando mais ninguém quis. Sim, eu sei. A Sophia também é minha amiga, mas é só por causa da Clara.
Depois de algum tempo ela entrou na sala com os olhos completamente vermelhos e se sentou sem olhar para mim. Parece que a partir daí o dia se arrastou, porque os horários nunca davam.
Quando finalmente bateu o sinal, Clara saiu correndo e não me deu alternativas. Eu fui embora, pensando no porquê ela teve uma reação tão exagerada só porquê eu não contei.
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Quando já estou deitada sinto meu celular vibrando. Seco as lágrimas dos meus olhos e o pego. É uma mensagem.
“ Boa noite”
“ Quem é?” – pergunto, nunca vi aquele número.
“ Nossa! Me sinto extremamente magoado agora, não salvou meu número?” – responde.
Pra quem eu dei meu número? Depois de alguns segundos pensando, a ficha cai. Primeiro eu fico estática, depois surpresa, depois eu sorrio, depois eu salto da cama e por último fico dançando feito uma louca.
– ELE FALOU COMIGO!!! AI MEU DEUS!!! – eu grito, sim, eu grito e me surpreendo.
Primeiro, porque já está tarde. Segundo, não tenho reações exageradas. E terceiro, eu morro de vergonha de gritar.
Depois de mais alguns minutos de histeria eu me recomponho como se nada estivesse acontecendo e pego meu celular. O que eu digo? Não dá pra falar que fiquei feliz por ser ele.
“ Me diz que não é um psicopata querendo me seqüestrar!?” – respondo. Sim, é melhor fazer graça.
Depois de alguns segundos chega á mensagem.
“ Pensei que você tinha morrido. E não, não sou um psicopata, mas a ideia de te seqüestrar até que não é tão ruim.”
Meu Deus!!! Quase que eu morri.
“ Por que eu teria morrido?” Tento desviar o assunto.
“ Demorou um século para responder”
Olhei no visor, eu tinha demorado 8 minutos para respondê-lo.
“ Estava tentando descobrir quem era”
“ Você é lerda então”
“ Nossa, magoou”
“ Desculpa”
“ Então, o que você quer?”
Ás vezes, só ás vezes (sintam a ironia) eu sou muito grossa e direta. A minha mãe brigava comigo por eu “expulsar” minhas antigas amigas de casa. Fazer o que? Sou direta.
“ Nossa” ele mandou e depois chegou outra:
“ Queria falar com você”
Nossa cara, que meigo. Vontade de morder.
“ Pronto, já falou”
Eu sou mesmo péssima nisso de conversar com garotos. Esperei ele responder, mas não. Desisti de aguardar alguma resposta e resolvi dormir. Acho que fui grossa demais, até para alguém brincalhão como ele. Antes de deixar de lado o celular, gravei o número dele. Jonathan. O nome dele é tão lindo, assim como ele. Acho que suspirei. Balancei a cabeça e virei para dormir.
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Acordo com o despertador do meu celular. Cara, não me diz que já está na hora de levantar!!! Olho o visor e é uma chamada. Meu Deus, por que ele está me ligando a essa hora?
– Jonathan – respondo, antes que caia na caixa postal.
– Salvou meu número – ele observa.
– É – aposto que fiquei corada, como eu sou idiota.
– Já estava dormindo?
– É, eu estava – digo ainda meio grogue do sono.
– Dá pra ver pela sua voz – ele ri.
– Qual a graça? – pergunto irritada.
– Você. Ainda são 21:00 horas e você já está dormindo.
–Foi um dia cansativo. Mas, por que me ligou?
– Queria ouvir sua voz- que cantada velha, mas tudo bem.
– Desculpa por mais cedo, por ter sido grossa.
– Ah tudo bem, acho que você está de TPM e eu sei que as mulheres ficam muito irritadiças. Por isso deixei você relaxar um pouquinho.
– Ah – é a única coisa que consigo dizer, porque estou com tanta vergonha.
– Por que seu dia foi cansativo? – pergunta.
Caracas, ele realmente ouviu o que eu disse.
– Longa história- suspiro.
– Estou disposto a ouvir.
Sem querer eu começo a contar o que aconteceu. E depois de algum tempo me pego rindo. Como ele consegue fazer com que eu me sinta tão a vontade? Alguns minutos depois eu começo a bocejar.
– Acho melhor você dormir, também olha as horas que são, 1:25 já – ele observa.
– Meu Deus – solto sem querer – pareceram minutos.
– Pareceram mesmo. Foi ótimo conversar com você Sabrina. Boa noite – ele diz num tom gentil.
– Boa noite Jonathan. Foi ótimo ser acordada por você – rio.
– Posso te ligar todos os dias então – ele brinca.
– Seria legal.
– Seria ótimo.
– Boa noite.
– Boa noite.
– Tchau.
– Tchau.
E eu desligo. Nós poderíamos ficar ali até amanhã. Alguns segundos depois ouço meu celular vibrando de novo. Eu dou risada ignorando, e me pego pensando nele antes de dormir.
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– SABRINAAAAA – ouço minha mãe gritando.
– JÁ LEVANTEI – respondo. Mentira, acabei de acordar. Saco, perdi a hora de novo.
Eu levanto-me e saio correndo. Em menos de 10 minutos já estou pronta. Sim, eu tenho esse poder de me arrumar rápido. Diferente de muitas mulheres, eu não sou indecisa e não ligo muito para o que visto.
Há momentos em que eu penso que sou um homem no corpo de uma mulher. Muitas coisas “femininas” me deixam irritadas. Tipo, eu AMO roupas largas, odeio tudo o que me aperte, mas alguma lei diz que as mulheres têm que usar roupas grudadas que realcem suas curvas. Danem-se minhas curvas, elas são minhas e não devem ser mostradas para qualquer um. Por isso, muitas vezes eu acabo usando roupas dos meus irmãos, quer dizer, as que eles “esqueceram” aqui, antes de me abandonarem.
– Tchau mãe – grito por sob o ombro e literalmente saio correndo.
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– Sabrina – chama Clara na hora do intervalo.
– Oi – digo meio seca.
Eu não sou muito de demonstrar meus sentimentos, nem mesmo para minhas amigas. Não queria que ela visse o quanto estou feliz por ela ter falado comigo.
– Me desculpe – ela pede olhando para baixo.
– Tudo bem, eu também peço desculpas – digo meio envergonhada.
Eu odeio pedir desculpas e mostrar que errei.
– Eu pensei que você estivesse brava comigo.
– Claro que não. Eu também não deveria ter dito aquelas coisas.
– Sabrina, eu sei que você não é interesseira, eu disse aquilo, porque estava com inveja de você – ela abaixa a cabeça.
Eu quase cuspo o suco que estava tomando. Por que ela sentiria inveja de mim? Ela está louca? Coloco as mãos na sua testa, para testar sua temperatura e ela ri.
– Por que você sentiria inveja de mim? – perguntei por fim.
– Porque você conseguiu e eu não – ela diz a meia voz.
– Consegui o que?
Ela me olha com espanto e depois fica com expressão de quem tinha entendido tudo.
– Você não sabe!
– Não sei o que?
– Vem cá – ela diz e me puxa pelo braço.
Nós paramos em frente ao quadro da escola e ela aponta para uma lista. Têm uns 20 nomes ali e o meu é o último da lista. Eu olho espantada para o titulo. Eu não acredito! Aquela maldita. Que ódio.
– Viu?
Eu estou com tanto ódio que me limito a balançar a cabeça. Eu fico com tanta raiva que meus olhos lagrimejam. Eu e essa mania idiota de chorar quando fico brava.
Eu saio dali batendo o pé e vou direto para o banheiro. Preciso lavar meu rosto antes que o choro rompa de vez.
– Mas, se você não queria por que colocou o nome? – pergunta Clara, segurando meu cabelo para não molhar.
– Eu fui obrigada – respondo em um sussurro.
Ela me olha sem entender e então eu começo a lhe explicar o que aconteceu de verdade.
– Ai meu Deus! Me desculpa. Eu não acredito que ela te ameaçou.
– Nem eu estou acreditando. E só porque eu não queria participar ela teve a honra de colocar meu nome. Maldita!
– Olha não liga. Se você não quer, é só fazer de tudo para ele tirar você da competição – diz Clara, tentando me acalmar.
– Sabe, que é uma ótima ideia – digo sorrindo meio maquiavélica.
Se é assim que tem que ser, eu farei da vida dele um inferno! Até porque ele já transformou a minha num.
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