Meu namorado é um demônio?
9 Escute a ultima música.
Notas iniciais

“Eu sei que você está aqui, eu sei que você ficará bem, isso que importa afinal, não é? Vai ficar tudo bem.
– Kio Akise.”
–---------------------------------------------------------------------------
A luz sumia aos poucos, Akise olhou por todos os lados, procurando localizar-se, ele caminhava sobre a agua, descalço, aquilo o chocou de certa forma, o local que parecia ser um castelo completamente destruído, deixava apenas a tristeza de algumas paredes pela metade, a luz fraca iluminava todo o local, o rapaz ajoelhou-se e tocou o liquido embaixo de seus joelhos, o seu reflexo podia-se ser visto aos poucos, os cabelos já não eram brancos e sim negros, seus olhos vermelhos e suas asas... Oh! Ele as tinha novamente, mas negras, grandes asas negras.
– Gosta do que vê? – A voz calma ecoou pelo local.
– O que é isso? – Perguntou o rapaz, ainda encarando seu reflexo. – Eu não sou assim...
– Sua alma é.
Akise olhou para frente e viu, o que não podia dizer ao certo que era, usava uma capa escura que cobria todo seu corpo, o capuz impedia de ver seus cabelos, o rosto arredondado, era marcado por inúmeras tatuagens, os olhos eram negros e sua pele tão pálida quanto um papel, ou o pouco que podia ver.
– Você é... – Ele se levantou e observou, aquilo.
– Eu sou o fim, ou o começo, nunca se sabe. – Disse a morte. – O que te traz aqui, Akise?
O maior parou por um momento e olhou novamente para a água.
– Quero que deixe que Ryu continue lá.
– E porque eu faria isso?
– Porque ele tem que viver.
– Por quê? – Perguntou novamente a morte.
– Porque ele é importante para muitos lá.
– Porque ele vai viver? – Novamente.
Akise sabia a resposta que ela esperava, ou que queria, ele sentiu seu coração apertar, mas sabia que era o certo, ele a olhou e sorriu, de certa forma, de um jeito triste.
– Porque eu morrerei por ele. – A voz foi firme, e ele não deixou de encará-la em nenhum momento.
A morte se aproximou e retirou a mão de baixo da capa, esticou o braço, várias tatuagens pelo mesmo, as unhas compridas e afiadas, mas os dedos finos e delicados, aproximou lentamente a mão do peito do rapaz, o mesmo fechou os olhos.
– Posso... Só me despedir? – As palavras quase não saíram.
– Cinco minutos. – Sussurrou a morte.
Akise abriu os olhos e estava no hospital, porem o mesmo estava vazio, Ryu saiu lentamente da sala onde estava inconsciente. Olhou para os lados e sorriu ao ver o maior, correu ao seu encontro.
– Aki! – Disse o moreno, abraçando-o. – Onde estamos... Onde estão os outros?
Akise ficou em silencio, enquanto o abraçava. Os olhos do menor se encheram, o seu peito doía, mas não sabia ao certo o porque, as lagrimas rolaram por seu rosto.
– Porque está chorando. – Sussurrou o maior.
– Minha mãe... – Aquilo automaticamente saiu da boca de Ryu, o que o fez lembrar do dia no hospital, mas...
– Sabe. – Falou o rapaz de cabelos brancos. – Ninguém é eterno, eu sei por que perdi tudo. — E sorriu. — Mas sei que eles estão em um lugar melhor agora...
– Aki... – Ryu o abraçou mais forte enquanto as lagrimas não deixavam de escorrer. – Eu sabia, sabia que voltaria...
– Eu nunca fui embora...
O maior sentia algo puxa-lo aos poucos, mas não deixou de abraçar o menor, não iria abandona-lo, não agora, não naquele momento, sentiu algo quente traçar um caminho por seu rosto até os lábios, ele estava mesmo chorando?
– Suas costas... – Ryu olhou ao sentir algo passar por suas mãos.
O corpo do maior estava se desfazendo, virando fogo negro que era soprado pela brisa fria.
– O que?! – Continuou o menor.
– Está tudo bem... – O maior sorriu.
– Não!
Akise se inclinou e seus lábios se colaram por alguns segundos.
– Adeus Ryu...
– Não! Akise!
Ryu tentou abraça-lo, assim tentando impedir que o mesmo fosse, mas ao fazer tal ato, o corpo do maior transformou-se totalmente em fogo, soprado rapidamente pelo vento, as lagrimas desciam descontroladamente pelo rosto do menor, seus joelhos trêmulos chocaram-se contra o chão gelado.
O moreno abriu os olhos e viu que estava deitado novamente na cama daquele quarto de hospital, olhou para os lados e viu várias pessoas em sua volta, todas de uniforme, sua visão ainda meio embaçada impedia o mesmo de reconhecer alguém no momento.
– Ele acordou! – Diziam.
– Conseguimos! – Comemorou a moça.
– Aki... – Ryu sussurrou. – Onde está... Aki...
– Fique calmo senhor Shizumi.
– Onde está Akise? – Continuou o mesmo.
– Senhor Shizumi...
– Akise! – Gritou Ryu enquanto tentava se levantar.
– Segurem-no! – Disse o médico.
– Akise... – As lagrimas novamente escorriam pelo rosto do pequeno.
Do lado de fora do quarto, Pierry encarava o teto e Ride olhava desolado para o chão.
– Você sentiu... Não? – Perguntou o loiro.
– Sim... – Respondeu o de cabelos azuis.
– Ele não vai voltar... Não é? – A tristeza era tamanha para ambos.
Pierry olhou para Ride e balançou a cabeça para os lados, num não, enfiou as mãos no bolso da calça jeans e olhou para o chão.
– Vamos pra casa... – Sussurrou o mesmo.
* * *
Sora se levantou junto a Mise, uma hora depois quando todos se retiravam da sala onde Ryu estava.
– Como ele está? – Perguntou o irmão.
– Por um milagre bem, agora vocês podem vê-lo. – Disse o médico. – Ele levará alta daqui uns dias.
Ambos entraram na sala, o moreno estava deitado, olhando para a janela, moveu os olhos devagar até encontrar os rapazes perto da porta, abriu um pequeno sorriso.
– Ryu, ainda bem... – Disse o ruivo.
– Como você se sente? – Perguntou Mise.
– Só um pouco cansado e dolorido... Mas bem... – O pequeno os olhava. – Onde... Onde está Akise?
Ambos se olharam e depois para o menor deitado.
– Quem é Akise? – Perguntou o irmão.
– Ha... Ha... Não é hora pra brincar Mise. Onde está o Akise?
– Não conhecemos nenhum Akise, Ryu. – Respondeu Sora pouco confuso.
O moreno segurou as lagrimas e se virou, olhando novamente para janela.
Não...
* * *
– Ele conseguiu, afinal... – O ancião terminava de escrever o livro.
– Era o Akise... Ele iria conseguir. – Pierry puxou uma cadeira e se sentou. – Não pensei que ficaria tão triste...
– Você, como arcanjo, deveria lidar melhor com isso...
– É, mas ele foi meu melhor amigo por muito tempo, é difícil aceitar. – O rapaz de cabelos azuis sorriu. – Acho que vou sentir saudade.
– É... Todos vamos. – O ancião se sentou ao lado de Pierry. – Ele sofreu e sorriu no fim. – Ele riu de uma maneira forçada. – Mas, vai ficar tudo bem... Como ele sempre dizia.
–--------
“O rapaz abriu os olhos e estava novamente ao local do inicio.
Está pronto? – Perguntou a morte.
– Estou. – Respondeu Akise.
Sua mão parou no peito do maior, e novamente, seu corpo se desfez, mas dessa vez, o fim estava lá, ele fechou os olhos e pensou por um momento.
Quando eu era pequeno, o ancião disse que eu sofreria, que minha vida seria difícil, e eu disse que tudo bem, que tudo ficaria bem. Eu sabia que morreria por alguém que amo, eu sabia que faria tudo para proteger, eu sabia... Mas achava besteira, achava que podia mudar o meu destino, que não morreria por ninguém, eu não precisaria de ninguém, qual problema de viver a vida toda sozinho, banido do lugar onde cresci? Eu o amei incondicionalmente por tantos anos, inevitavelmente... E morreria novamente, novamente e novamente se necessário... O fim é incerto, e eu acho que estou pronto.
A musica que ouvia, era suave e ele parecia feliz, ele havia conseguido...“
Fale com o autor