Meu namorado é um demônio?
10 Epílogo - Pain between white petals.
Notas iniciais

"Ainda sim, levo comigo esse amor e acompanhado dele, a angustia de não poder te ter.
– Shizuki Ryu."
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10 years later.
As coisas continuavam de certa forma, bem, poucos mudaram depois do acidente, mas de fato o mais afetado foi Ryu, que por longos quatro anos insistia na existência de um suposto rapaz que chamava de Akise; os médicos disseram que era culpa do acidente, e não estavam muito errados.
O moreno procurou registros durante muito tempo, documentos escolares e tudo em que conseguiu pensar, passava horas em frente ao computador tentando achar algo que o levasse ao maior, por mais que todos insistissem, ele sabia que o jovem era real e que realmente esteve ao seu lado.
Formando-se três anos após o acidente, Ryu começava uma carreira mais dois anos mais tarde, após parar de procurar o rapaz de cabelos platinados, enquanto se sentia mal, escrevia contos, que o acalmavam, todos tinham algo em comum, o jovem de olhos num tom roxo. Apesar de estar no começo era ótimo no que fazia, escrever. Seu trabalho foi facilmente reconhecido fora, e começava a ser publicado.
Seis anos depois do incidente, o moreno começava a escrever cartas junto a seus livros, para Akise, cartas das quais nunca entregaria, mas conseguia colocar toda sua saudade em uma folha de papel ao menos uma vez a cada semana, e as lagrimas escorriam por seu rosto todas as vezes, porque aquilo realmente o machucava.
Oito anos depois do acontecido, mudou-se para um apartamento no centro da cidade, onde continuava seu trabalho e suas cartas, deixava a janela de seu quarto aberta durante a noite, por mais que tudo levasse ao “não, nunca, jamais”, ele acreditava que um dia Akise voltaria para dizer que estava tudo bem.
Mise se casou com Kane após formar-se na escola um ano antes do menor, tiveram um casal, gêmeos, que agora se encontram com seis anos, Aiko e Hiroshi visitavam Ryu aos finais de semana, adoravam ficar com o tio e ouvir suas histórias sobre o “tio anjo”, como costumavam chama-lo.
* * *
Sentado na cadeira almofadada, em seu quarto, Ryu batia a caneta na folha, tentando dar um final adequado á aquele livro. O vento soprou forte balançando as cortinas brancas, o moreno retirou os óculos colocando-os sobre a mesa, olhou para cima e suspirou, fechando os olhos em seguida.
– Oh, porque está chorando? — Perguntou.
– Minha mãe... — E novamente começava a chorar.
– Sabe... — Ele se sentou ao seu lado. — Ninguém é eterno, eu sei porque perdi tudo. — E sorriu. — Mas sei que eles estão em um lugar melhor agora.
Os olhos do moreno brilhavam ao olhar o garoto ao seu lado, sorrindo ele retribuiu o olhar, e secou as lagrimas do pequeno com as mangas da blusa escura. Seus olhos roxos misturavam-se ao azul claro numa cor unica, ele se levantou e começou a andar em direção a saída.
– E-ei! — Gritou Ryu se levantando. — Qual seu nome?
Ele virou-se levemente.
– Akise."
Abrindo os olhos, ele segurou a caneta com firmeza e escreveu.
“E durante toda a sua vida, ele amou apenas uma pessoa, uma única pessoa, que mesmo estando tão longe, vivia tão perto, tão dentro, tão forte...”
A campainha tocou, Ryu pode ouvir a voz de Mise, junto a Aiko e Hiroshi o chamando. O moreno ajeitou o cachecol, colocou o casaco e olhou para a janela aberta, a noite estava linda, mas os dias eram de certo modo tristes. Apressando-se, ele saia do apartamento acompanhado de seu irmão e sobrinhos.
O vento frio invadia o quarto do moreno, passos podiam-se ouvir no assoalho de madeira, Ryu sentiu um aperto no peito e parou. O rapaz alto no quarto moveu-se até a escrivaninha e deixou na mesma uma rosa branca, segurou a caneta e completou a frase do moreno, enquanto o mesmo corria de volta para o apartamento.
“E durante toda a sua vida, ele amou apenas uma pessoa, uma única pessoa, que mesmo estando tão longe, vivia tão perto, tão dentro, tão forte, de uma maneira, talvez, eterna.”
Já no local, o moreno deixou a porta da frente aberta, onde Mise parava, ofegante, com os dois filhos logo em seguida. A voz calma do homem ecoava no quarto.
– Vai ficar tudo bem, porque ainda estou cuidando de você, Ryu.
O vento frio balançava forte as cortinas, Ryu abriu a porta do quarto rapidamente, mas não havia mais ninguém, não havia mais nada, além da rosa e de suas palavras no papel.
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