Notas iniciais
Yeey! Capítulo novo! Espero que gostem!

Eu estava brincando no jardim mais uma vez. Se for pra contar quantos dias eu fiquei sem escola, então foram três. Meses, é claro. Minha mãe agora tinha muito trabalho, e eu mal via ela. Bom, talvez nos sábados.

Sendo assim, eu meio que passava o dia todo brincando com meu irmão Guilherme, que também não ia pra escola, mas estudava em casa com o professor particular dele, o Mr. Jules. O Gui não era muito bom com contato humano, era melhor assim... o senhor Jules era muito legal, e separou uma hora para mim estudar também todos os dias, então eu não perdi matéria nenhuma. Eu e meu irmãozinho gostávamos muito dele.

Continuando, eu estava no jardim brincando com o Gui, quando vimos um carro parado em frente ao portãozinho. Então, o senhor Jules saiu, meio cabisbaixo, entrou no carro e foi embora.

— Ariel, por que o Mr. Jules está indo embora?

— Não sei não, Gui...

Fui então perguntar para a minha mãe se ela sabia o motivo. Claro que sabia.

— Querida, o dinheiro não está dando para mais nada, e ainda tem o seu "probleminha"... preciso achar uma escola nova, e, com seu histórico de MMA infantil, só pagando...

— E quem vai dar aula pro Gui? Ele vai para a escola?

— Não, eu contratei outra pessoa... a Mrs. Hawk, ela tem as mesmas boas indicações do Mr. Jules e cobra consideravelmente mais barato.

Só de ouvir o nome da mulher eu fiz cara de quem não gostou. Depois de algum tempo, ela chegou, bem como eu imaginava: nariz em pé, parecia que só comia uma folha de alface a cada refeição, aquelas pessoas que parecem respirar maldade. Usava um vestido preto até o joelho, nem muito justo nem muito solto, mangas compridas e sem muitos detalhes.

Já estava com saudade do meu professor que passava horas tentando me fazer ler pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico na aula de ciências. Acho que é algum tipo de doença causada por cinzas vulcânicas...

Ela chegou, passou desfilando pela estradinha que atravessava o jardim e ia até a porta e entrou sem mais nem menos. Olhei para o meu irmão. Ele tava de queixo caído. Era a primeira vez que ele não se assustava com quem quer que fosse estranho (ele tinha um trauma, e por isso não ia à escola).

— Você tá babando, Gui?

— Eu não...você viu como ela é bonita? — Ele falou isso limpando a baba que tava escorrendo.

— Ugh.

Aquela mulher podia ser bonita, mas tinha jeito de coisa ruim! Eu nunca iria aceitar ela! NUNCA!

Nossa mãe nos chamou, entramos e fomos devidamente apresentados.

— Crianças, essa é a Mrs. Hawk, a nova professora, Guilherme.

Meu irmão logo abriu um sorriso e foi correndo cumprimentá-la, "como o 'cavalheiro' que era". Eu apenas olhei pra ela e compartilhamos aquele sorriso falso de "eu vou te matar" que toda mulher tem reservado para sua inimiga. Ela depois falou alguma coisa que eu não prestei atenção e se dirigiu com mala para o andar de cima.

— Mãe, pra que essa mala dela?

— Ela vai morar aqui, como os antigos empregados.

Meu mundo desabou. Eu não queria dividir a casa com aquela coisa.

Os outros dias passaram se arrastando. Diferente do senhor Jules, ela não me ensinava. Então, mesmo contra minha própria vontade, eu fui falar com ela. A sós. Perguntei se ela poderia me ensinar um pouco, só pra mim não perder conteúdo. A resposta não me surpreendeu.

— Garotinha, eu não vou te ensinar nada, porque eu não ganho para isso. Agora saia do meu quarto antes que eu te empurre escada abaixo.

A minha vontade de pôr veneno na salada dela ficou ainda maior depois disso.

Notas finais
Eu não gostei nem um pouco dessa mulher... e vocês? Me digam nos comentários se estão gostando da história! Tchau!