Meu mundo pequeno
5 Mesma coisa
Notas iniciais
O que aconteceu depois daquilo? Eu senti uma mão no meu ombro e.… adivinha! Era o tal representante, que queria falar comigo mais uma vez. Ele estava sorrindo radiantemente, e senti meu rosto corar.
— Oi! Sei que deve saber, até porque você não é novata, mas todo ano temos o baile de carnaval, não é? Queria saber se você quer ir para o da nossa sala!
— Ah, claro, eu ADORO o baile de carnaval!
Eu ODIAVA o baile, isso sim! Fui só uma vez e esperava nunca mais ter que ir na minha vida, mas se ele ia lá, então eu também iria. Espera um pouco, quando eu me tornei tão estúpida?
— Que legal! Eu também gosto muito! Pode assinar aqui, por favor? – Ele me entregou uma prancheta, que já devia ter uns 13 nomes. Nossa sala tinha 30 alunos, não era muito.
— Ok. Assinado.
— E.… pode entregar 5,00 reais até o mês que vem?
Eu sei, eu sei... o que você deve estar pensando. Em janeiro já pensam em carnaval? É que ali, eles levavam essa história de festinha muito a sério, e o resultado final era geralmente ótimo. Tinha que ver as festas juninas, ficavam maravilhosas! O fato é que passam meses preparando, arrecadando dinheiro, enfeitando e planejando, e tudo isso sobra pro pobre do representante de sala. É por isso que eu nunca quis ser uma, por mais que todo mundo me diga que eu falo muito bem em público e que tenho jeito pra isso.
— Claro... tchau!
— Tchau! Foi muito bom falar com você!
Falei com a Laura, bem rápido mesmo e voltei para o intervalo, para encontrar minhas amigas. Elas estavam no lugar de sempre, e queriam muito saber como foi o meu dia na sala nova.
— Ah, foi normal...
— Normal, só isso? – Falou a Jéssica.
— É, foi, tipo... a MESMA coisa? — Vez da Clara falar.
— Ai, gente, é claro que não! Sem vocês nunca é a mesma coisa!
— Ah, bom, já pensei que você não tava nem lembrando da nossa situação... – A Bianca, como sempre, dramática.
— Como não lembrar? Foi tão diferente sem ninguém pra conversar...
— Ninguém pra conversar? E aquele garoto falando com você ali?
— Era só o representante de sala...
— Representante, é? Achei vocês bem amigos...
— A gente se conheceu hoje, Bianca!
— Mas isso não impediu você de ficar vermelha quando ele chegou perto...
Senti meu rosto queimar... como assim, deu pra notar?
— Como assim, deu pra notar?
— Ô se deu... vai ver foi por isso que ele foi embora rápido!
— Bianca, hoje você tá chata, né?
— Nem liga, Arie, ela só tá com saudade das conversas que vocês tinham no meio da explicação... – A Clara falou.
— Pff... eu tenho mais gente pra conversar, sabia? Tipo o Gabriel. E vocês.
— Falando em Gabriel, não é ele ali te chamando? – Perguntou a Jéssica.
— É ele mesmo, meninas, vou ter que ir ali. Já volto!
Gabriel namora a Bianca desde que ela tinha 11 anos. Também, a Bianca é tipo “miss”... duvido que ela pese pelo menos 34 quilos. E olha que ela é alta...
— Então, gente, quem quer ir na cantina comer alguma coisa?
— Aquela coxinha que tem mais óleo do que massa?? Não, valeu, Jéssica.
— Não tô falando da coxinha, e sim da pizza. Não são eles que fazem, vem da pizzaria aqui perto e quase não tem óleo.
— Ok, mas quanto custa mesmo? Eu tô meio sem dinheiro...
— Acho que uns 3 reais, Clara...
— Tá bom. Você não vai, Arie?
— Não, eu estou bem.
Fiquei sentada no banco esperando as meninas, quando alguém escorregou e caiu em cima de mim.
— AAAAHH!!
— Eita, desculpa aê, eu meio que escorreguei!
— MEIO que escorregou? MEIO? Você quase quebrou meu braço, SEU MALUCO!
Ele deu um sorrisinho, e saiu andando normalmente.
— É cada um que me aparece...
Então o dia terminou... mais nada aconteceu na escola, e eu voltei para casa a pé, como sempre. Até que eu cheguei em casa e estava tudo revirado.
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