Meu mundo
1 noite sozinha
Com base no titulo, isso poderia transcender para uma noite de "aventuras" "descobertas" "inovações" "coragem", mas tudo isso, eu já fiz em toda minha vida e nenhuma delas foi o suficiente para eu me conectar comigo mesma de fato.
Tendo em vista meu jeito inconstante de ser, sei que muitas vezes passei perto de me encontrar, de saber o que eu gostava de fazer, mas por ser totalmente passional, qualquer novidade, qualquer amor, qualquer deslize lá estava eu me entregando novamente por inteira ao ponto de me perder.
É dolorido você acabar tendo que se punir porque percebeu que dentro de uma relação você fere ou sai ferida, por simplesmente ainda não ter aprendido a lidar com suas emoções, é desgastante e perturbador você ver seu sentimento de melancolia chegando e você desejando novamente ir atrás de tudo que te desperta dopamina para ver se fica bem, porque no fim, eu mesma me diagnostiquei, sou dopaminérgica.
Tudo que me faz sair da minha zona de conforto, tudo que eleva meus batimentos cardíacos, tudo que me atiça, ou me fez temer, a sensação de perder, eu quero. A tal da rotina e vida calma nunca foi meu forte, mas o mais bizarro foi, eu demorei a entender.
Por isso essa minha noite sozinha, que iniciou em busca de uma companhia, para sair, beber e mostrar pra sei lá quem que eu estava bem, ou me fingir de boba e tropeçar acidentalmente num evento onde meu ex poderia estar, acabou comigo escrevendo sobre mim mesma, porque foi a única forma que eu encontrei de me achar, de me avaliar de fora, de respirar e externalizar os sentimentos enraizados no meu peito.
Então sim, a noite agora eu carrego um alivio, porque lembrei quantas vezes eu escrevi para acalmar meu peito, o quanto isso era poético e fazia bem para minha saúde mental.
Mas agora os tempos são diferentes, me sinto mais madura para avaliar, que escrever o que sentimentos, não é coincidência, é indicado! Muitas vezes nossa mente esta tão preenchida de sentimentos, que não sabemos identificar o que de fato é real ou não, acabamos acreditando que o sentimento do momento é totalmente verifico e aquilo nunca mais vai passar. Mas agora, eu já passei por tanto, já vivenciei tanto, que bastou um segundo para eu ver que eu só precisava colocar isso em rascunho, para eu relembrar o porque dessa pausa, o porque do meu desejo de querer estar só, afinal, eu desejava isso, no meu relacionamento, eu me sentia sufocada e distante de mim mesma, como se a "PESSOA" que um dia existiu, deixou de existir, dando lugar para a (pessoa, namorada de fulano) que era obrigada a sonhar os sonhos dele, sendo que eu ainda nem tinha descoberto os meus, ou pior, sonhando os sonhos que ele também não tinha certeza se eram esses, porque ele estava seguindo um enredo ensaiado pela sociedade, pelo tradicional, o que aparentemente era o certo.
Mas e eu? eu quero o normal? eu quero o tradicional, eu quero casar? ter mais filhos? talvez sim, talvez nao, talvez agora, talvez mais tarde. No fundo eu sabia, minha intuição soprava eu meu peito "Se encontre, se reencontre" aquela mulher, menina, estabanada, insegura, mas que sim, ama se conectar com a natureza, ama se sentir livre, ama se sentir criativa, ame se sentir conectada com o universo, ama se sentir importante e não apenas mais alguém seguindo uma manada. E não mais alguém fazendo o todos fazem, porque o capitalismo impôs, ou a sociedade faz.
Está certo que entre linhas, isso soa lindo demais e a vida real é muito mais densa, as noites solitárias ainda estão sendo uma incógnita para mim, mas estou totalmente disposta a mudar o jogo.
Tá, demorou um pouco, mas tem hora? e quem nunca se encontrou? isso não é motivo de comemoração eu estar refletindo e fazendo indagações sobre o MEU futuro? ou irei deixar alguém ou terceiros fazer isso pra mim, então chega.
Chegou o momento de eu me acolher, de eu transmutar as duvidas, os medos, os traumas, as vontades, os sentimentos, que seja aqui.. que seja no caderno, que seja nos sonhos, que seja numa conversa com Deus, mas eu preciso voltar e me conectar.
Hoje foi importante, porque eu tive esse insight ao conversar com uma amiga, a Is... eu a chamei desesperada para sair, para beber, para me arrumar, para convenhamos, tirar uma foto, sendo que eu no fundo no fundo, não gosto mais de virar a noite, não estou com a auto estima como gostaria e não era o que ia tirar o meu vazio, era apenas o meu eu, em busca de um preenchimento, era apenas o meu ego, não sabendo lidar com as perdas, de ver meu ex seguir.
Eis que ela me acorda (vc tem que se encontrar, saber o que vc gosta de fazer sozinha, e isso que vc ta sentindo vai passar, se vai ter q viver essa dor, passar pelo processo ate ser normal, ficar c sua família, conversar com uma amiga, por exemplo como esta fazendo comigo agr)
e assim, ela me fez ficar bem, fez eu aterrissar no chão e eu nao precisei sair da minha caminha, para vestir uma roupa que me deixaria desconfortável, passar maquiagem e ingerir bebidas que afetariam minha saúde para ver ela, sendo que ela me apoiou mesmo de longe, e afinal eu queria mesmo ver ela para termos um encontro de amigas, ou para eu não ter que lidar com minha própria companhia? E antes de descriminar os outros capitulos, que irei contar tudo que me levou até esse momento, eu finalizo reiterando o principio e o propósito de tudo: Eu preciso me amar e aprender a ser sozinha, porque sempre foi isso que eu dizia batendo no peito.
( Eu sou feliz sozinha) e julgava as carências alheias, sem perceber o obvio, eu era uma farsa, eu estava totalmente cega pelo meu ego.
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