Meu marido é uma maldição
1 Capítulo 1
Tudo parecia um sonho que se tornou realidade.
—Finalmente minha própria casa, onde vou poder viver sem nenhum incômodo alem das contas.— Digo com um sorrio maroto, passando a mão pelo meu corte militar.
Eu me arrumava na frente do espelho antes de ir para o local combinado que marquei com o vendedor da casa. Eu não quis ir com uma roupa muito chique, apenas uma regata branca que marcava bem meus músculos acompanhada de uma jaqueta de couro marrom e uma calça jeans baggy com um leve efeito desbotado.
Desço as escadas carregando minhas malas e dou de frente com meu pai com um sorriso parcialmente orgulhoso.
—Olha só, mal completou 20 anos e já vai morar sozinho. —Ele diz dando um tapa orgulhoso no meu ombro. —Meu garotão, te ensinei certo, hein, menino?
Minha mãe suspira me dando um abraço e sem nem hesitar eu o devolvo.
— Tem certeza que não quer ficar mais um pouco com a gente, Andrew? Você vai para tão longe...
— Relaxa, mamãe, eu sei me cuidar, e também, olha meu tamanho, tenho quase dois metros, você acha mesmo que alguém iria mecher comigo? — Eu sorrio olhando no fundo dos olhos da mulher de pele morena na minha frente.
— Nunca se sabe! E se um louco-
—Amor, para de inventar coisa na tua cabeça, olha o tamanhão do moleque! E ele ainda é musculoso! Qualquer homem se caga só de olhar pra ele! — Meu pai diz indignado me fazendo soltar uma risada nasal.
Suspiro puxando os dois pra perto de mim, os abraçando.
— Prometo vir visitar assim que eu puder. — Passo as mãos pelos cabelos de ambos.
— E arranja uma esposa. — Meu pai sussurra.
— Pode deixar que eu vou, pai. — Sussurro de volta ainda com um sorriso caloroso no rosto.
Saí de casa abrindo meu carro com a chave e colocando as malas no porta-malas, seria uma viagem bastante longa, então não hesitei em dar meia volta e dar mais alguns abraços no meu pai e na minha mãe, eles são as pessoas mais importantes da minha vida, não tinha mais ninguém além deles que eu tinha que me despedir, então não tinha motivo de ir embora tão rapidamente.
Como eu disse antes, a viajem foi longa, foi até mais longa do que eu imaginei, cheguei exausto e quando cheguei na casa ainda por cima recebi uma notícia de que eu teria que dormir no chão por um tempo, já que o caminhão de mudanças que estava trazendo meus móveis havia ficado preso na parte de terra da estrada. Mas tudo bem, o que importa agora é que agora eu tenho uma casa própria.
— Tudo bem, Senhor MacMillan, certo? — O vendedor da casa diz se virando para mim.
— Ah! Não, não, não, pode me chamar de Andrew, esse 'Senhor Sobrenome' aí pega mal, saca? — Eu digo aparentando estar nervoso, e pasmem, eu estava.
—....— Ele me olha por um segundo sem nenhuma expressão e então suspira alto antes de continuar. — Bem vindo a sua nova casa Senhor MacMillan, é um prazer te receber.
— Puta merda eu não falei que- — Ele pigarreia cortando minha frase. — Beleza, saquei, me chama de MacMillan como se eu fosse um rapper então, porra. — Sussurro.
Ele me passa as chaves da casa e com pressa entra no próprio carro Chevrolet branco o acelerando como se estivesse me mandando para uma casa assombrada.
Bate na madeira, não tem assombração nenhuma aqui, Andrew MacMillan!
Entro na casa me assustando imediatamente, era muito maior do que nas fotos, grande de mais pra um homem sozinho morar aqui, fiquei desesperado só de pensar que eu teria que limpar aquilo tudo sozinho.
— Nossa, mas venderam essa casona por aquele precinho? Eles estavam tão desesperados pra vender mesmo, hein. — Penso alto.
Enquanto eu andava pela casa encontrei muitas salas, todas estavam bem efeitadas e era muito bonito.
— Aquele cara me disse que essa casa existe des de 1970, uma casa tão antiga e nesse estado incrível não tinha que estar sendo vendida por um preço tão baixo.— Penso alto novamente, estranhando.
Não era uma casa no nível de bilionários, obviamente não, mas era uma casa cheia de cômodos, quartos grandes e bem espaçosos e tinha até um bar e o sofá daquela casa era grande até de mais! Eu tava me sentindo no paraíso.
Até que uma porta mais escondida chama minha atenção, era uma porta que dava para o porão, as escadas eram longas e confesso que senti medo descendo aquela escada.
— Melhor eu tomar cuidado, em filmes de terror a merda toda sempre acontece no porão.— Digo segurando no corrimão levemente empoeirado.
Quando desci não tinha nada de mais, apenas algumas caixas e fotos antigas, provavelmente dos antigos moradores, uma das fotos que deu mais destaque era um quadro grande que estava dentro de uma caixa, parecia ser de um homem pálido, com longos cabelos grandes quase encostando nos ombros, ele tinha olhos azuis e lábios rosados, aquela era a única foto colorida que havia no porão, o que era bem estranho,diga-se de passagem.
Até que levo um susto quando um livro de repente cai de um armário mais para a direita.
— Que estranho. — Digo pegando o livro e o conferindo.
Não tinha nada bizarro ou confuso no livro, era apenas uma história da chapéuzinho vermelho, mas quando ergo a cabeça para posicionar o livro novamente, percebo uma porta atrás do armário e como um homem bastante curioso, empurro a estante sem esforço.
Assim que abro a porta meus olhos se arregalam com o fedor daquele quarto.
— Eca! Tem a porra de um corpo aqui dentro, puta que pariu!? — Grito com nojo.
Olho para a sala, agora tampando os narizes, vejo que realmente tinha um caixão dentro daquela sala, o caixão estava deitado sobre uma espécie de mesa de ouro e mais em cima tinha um quadro novamente do homem pálido, parecia uma espécie de santuário ou algo do tipo. Olhando mais em baixo vejo uma placa de ouro encostada no caixão.
— Será que se eu ler eu pego maldição...?
Penso por alguns segundos e dou de ombros pegando a placa e lendo em voz alta.
"Thomas Bennette
Com este voto, entrego a ti minha alma, meu coração e meu destino. Que nada nos desfaça, que nada nos afaste. Aqui estou, sempre seu, nem a morte nos separará."
— Que isso, Voto de casamento? — Eu rio alto colocando a placa de volta no chão. — É cada besteira que me fazem passar, viu.
Rio novamente agora me virando para sair da sala fedorenta, me deparando com um homem igual ao das fotos, a única diferença era que ele estava mais pálido e agora flutuando para parecer mais alto. Ele me olhava com um olhar apaixonado e quando ele levantou as mãos para pegar meu rosto, eu desparalizei e Gritei.
— AAAAAAH, COCÔ, BOSTA, BUCETA, CARALHO, PIROCA, PENIS, XOXOTA, PUNHETA, GRELO DURO, CARALHINHOS VOADORES! —Grito sem pensar no que eu estava falando.
— Heh...Perdão?— O homem diz me olhando confuso.
Respiro fundo ainda olhando com os olhos arregalados para a figura.
— QUEM É VOCÊ? VC É UM FANTASMA? EU TÔ ESQUIZOFRÊNICO!? EU TO COM MEDO, SAI DE MIM SATANÁS! PÉSSIMA HORA PRA MIM VIRAR ATEU!
—Relaxe, querido, eu não sou um fantasma religioso! E não, você não está esquizofrênico! Eu sei que parece loucura ver um homem tão lindo como eu por aí, mas te garanto que sou de verdade hehe! — Ele diz se exibindo.
— Beleza, quem é você e o que você está fazendo aqui?— Digo olhando pra ele sério.
O homem sorri ainda olhando pra mim, admirando cada expressão que eu fazia com os movimentos dele.
— Pensei que fosse óbvio, mas meu nome é Thomas...E eu estou aqui por sua causa, meu amor. — Ele sorri maliciosamente se sentando no ar e balançando as pernas.
— O que você quis dizer com 'Meu amor'? — Digo ainda o encarando.— Você deve estar se confundindo.
—Não, não estou, você disse aquele voto de casamento pra mim, fazendo você se auto amaldiçoar.
—Me auto amaldiçoar!?— Ele pega os ombros de Thomas fortemente, fazendo-o levar um susto.— O que somos agora!?
— Estamos ligados agora!— Ele sorri maliciosamente. — Com o voto, você fez nossas almas se ligarem, agora você está amaldiçoado de eu ser o seu marido pra sempre! Resumindo, você agora é minha esposa!! — Ele sorri se assustando ao ser empurrado.
— Esposa!? Eu sou homem! — Quase rugi.
— E que homem! Uha! — Thomas morde o lábio inferior rindo. — Mas não estou aqui para discutir esse assunto. Você é... Um dos homens mais sexy que já vi, pensei que com a evolução das coisas os homens fossem ficar mais feios. — Ele diz pegando meu maxilar examinando minha tatuagem no pescoço. — Pode perguntar o que quiser.
— Se você é um fantasma como você tá me tocando?— Faço uma pausa e empurro Thomas de novamente. — E tem como eu desfazer a maldição?
Thomas assim que empurrado de novo ele gira que nem um pião e então para de costas por alguns minutos, ele parecia relutante, não consegui ver a expressão dele, mas sabia que tinha algo de errado.
—Thoma-
— Eu estou te tocando pois estamos ligados, já falei!— Ele grita pulando na minha cara me fazendo levar um susto. — E sobre a maldição, não existe nenhum jeito de quebrar ela...Só se...
— Só se o que!? Fala! — Digo desesperado.
— Você...— Ele faz suspense.— Você tem que me beijar.
Fico em silêncio por um segundo e então puxo o cabelo do mais baixo fazendo ele soltar um leve gemido de susto.
— Beleza, beijar um fantasma, não é uma coisa muito difícil.
Pego o queixo dele apertando com força, vejo ele fazendo um biquinho e erguendo os braços para enrolar em volta do meu pescoço, então eu o beijo sentindo nossos lábios se encostarem e nossas línguas se entrelaçarem e então...Nada acontece.
—Você mentiu pra mim, não mentiu? — O olho com uma expressão séria enquanto separo nosso beijo.
— Achou mesmo que eu fosse deixar um homem tão sensual que nem você fugir? Me diga, meu anjo, qual o motivo de querer ficar solteiro novamente?— Ele diz ainda com os braços em volta do meu pescoço.
— Não quero ser casado com um homem e muito menos um morto.
Thomas solta uma risada baixa e divertida, seu hálito frio contrastando com o calor da minha pele. Seus olhos azuis faiscavam, divertidos, como se minha frustração fosse uma fonte de entretenimento para ele.
— Ah, meu querido, eu não sou qualquer morto... Sou o seu marido morto!
— Você tá se divertindo, né? — reviro os olhos, afastando seu rosto do meu. — Eu preciso de um exorcista. E de um advogado pra anular esse casamento fantasma.
Thomas gargalha, flutuando ao meu redor como um gato brincando com a presa.
— Pobrezinho do meu esposo cético. Mas já pensou pelo lado bom? Você nunca mais vai estar sozinho. Para sempre ao lado do seu querido Thomas Bennette, um homem charmoso, culto e dedicado! Não é um sonho?
— É um pesadelo! — bufo, cruzando os braços. — Eu só queria uma casa própria, e agora tô preso num casamento sobrenatural com um fantasma exibido.
Thomas coloca a mão no peito, fingindo estar ofendido.
— Exibido? Meu amor, eu sou uma entidade apaixonada, dedicada e extremamente atraente! Você poderia ter ficado preso com um espírito rancoroso, daqueles que fazem sua cama levitar de madrugada. Mas não, o destino lhe agraciou com um marido magnífico!
Respiro fundo, massageando as têmporas. Se eu continuar ouvindo esse fantasma narcisista por mais tempo, vou acabar enlouquecendo de verdade.
— Ok, já entendi que tô ferrado. Mas me responde uma coisa, Thomas. Por que essa casa foi vendida por um preço tão baixo? Isso tem a ver com você, né?
Ele sorri de canto, desviando o olhar de forma suspeita.
— Bom... eu posso ter assustado alguns antigos moradores. Alguns casais, pra ser mais exato. Mas ninguém foi ferido! Só não consegui suportar a ideia de outra pessoa dormindo na nossa cama.
— Nossa cama? — arqueio a sobrancelha. — Eu comprei essa casa ontem!
— Mas ela sempre foi nossa! — Thomas abre os braços dramaticamente. — E agora que você chegou, tudo está no seu devido lugar.
Suspiro, sentindo um arrepio percorrer minha espinha. A ideia de que esse fantasma me considera parte da história dessa casa é tão estranha quanto a sensação de seus toques frios na minha pele.
— E o que acontece agora? — pergunto, finalmente aceitando que não tem como fugir tão fácil dessa situação absurda.
Thomas sorri, flutuando ao meu redor com aquele brilho malicioso nos olhos.
— Agora, meu bem... nós começamos nossa lua de mel.
— Sai fora, fantasma viado.
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