Meu maldito amor

1 Sorte no jogo, azar no amor, até agora one-shot?


Notas iniciais
Já comecemos pedindo desculpa: Sinto muito pelos erros, me avisem os que encontrarem. Desculpem pela repetição de palavras, novamente me avisem quando encontrarem. Não sei se ficou OOC, mas tente me manter fiel aos dois. E a falta de nexo, me persegue. Agora, sendo feliz. Essa é mais uma RusPrus pro nya ♥ Pois é, eu acho que sou a única aqui que gosta desse casal estranho (provem que não). Eu amei o resultado dessa coisa ♥ e penso em continuar, me deem sua opinião sobre esse fato. Eu me assustei escrevendo ok. Tipo assim: O Ivan tá bêbado e chorando. Eu fumo por acaso? Tá, deu de conversa, aqui vai nossa suposta "one-shot" ;3

Ivan apenas os viu caminhando lado a lado, mas aquilo já era o suficiente para deixa-lo irado. Detestava o fato de saber que Gilbert gostava de Elizaveta. Nunca gostara muito da húngara, mas, vê-la com Gilbert todos os dias, fez o russo odiá-la profundamente. Trincou os dentes, teria que se controlar, afinal, nunca teria chance do prussiano retribuir seus sentimentos, afinal, ambos eram homens. Tudo bem, que existiam chances, afinal ele se apaixonara por um homem, mas o rapaz que amava parecia tão feliz sem ele.

A aula havia acabado há um tempo considerável, mas o russo não queria ir pra casa, afinal seria a mesma coisa de sempre. Olhou mais uma vez na direção do casal, aquilo o tirava do sério. Elizaveta e Gilbert caminhavam tranquilamente, a garota húngara sorria ao conversar com o prussiano, que ficou vermelho diante das palavras dela. Sorrindo ainda mais, ela abraçou o outro que desviou o rosto, escondendo seu constrangimento. Controlando-se para não ir até lá e arrancar as mãos da garota de cima de Gilbert, Ivan saiu com passos duros do colégio. Agora estava mais certo que nunca que os rumores eram verdade.

Gilbert estava mesmo namorando Elizaveta.

Vagou pela cidade por algumas horas, as pessoas que o vissem por fora diriam que ele estava como sempre, frio, cruel e sem nenhuma expressão. Porém, nada daquilo era verdade, a cada dia que passava ficava mais abalado. Aquele amor platônico já durava meses, e ele não tomara nenhuma atitude. Desde a primeira vez que, o orgulhoso prussiano entrara em sua sala de uma maneira convencida, e até arrogante, Ivan sentiu algo que nunca deveria. Se seu destino era morrer apaixonado por um homem que nunca teria, que assim fosse, mas pelo menos ele poderia ser poupado de ter de ver essa pessoa todos os dias.

Depois de caminhar mais do que gostaria, se viu obrigado a ir para casa, pelo menos para largar suas coisas. Assim que botou seus pés na grande casa divida por ele, e as irmãs mais velha e mais nova, já que os pais raramente apareciam em casa, foi recebido por Irunya, sua irmã mais velha.

– Ivan! Que bom que chegou em casa!

– Oi, Irunya. A Natasha está? – perguntou apreensivo.

Natasha sua irmã mais nova tinha um estranho, e louco, fetiche por ele, parecia quase um vício.

– Não sei, acho que não. – respondeu sua irmã mais velha.

Sem pedir mais explicações rumou ao seu quarto, queria dormir para sempre, não aguentava a vida horrível que possuía. Deixou suas coisas em cima de uma pequena escrivaninha e atirou-se na cama, sem se preocupar em retirar o casaco ou o cachecol. Olhando para o teto branco que o lembrava à neve fria que tanto odiava, voltou a divagar sobre seus problemas. Porém, mesmo que tentasse olhar apenas para as coisas pequenas, problemas que qualquer pessoa tinha, sua mente acabava se voltando para o albino. O que estaria fazendo agora? O que ele gostava de fazer? Será que estava com ela? Deixou sua mente ser preenchida com perguntas sem resposta, já que sabia que, mesmo tentando com todos os seus esforços nunca conseguiria tira-las de lá. Seria perseguido até mesmo nos sonhos. Se pudesse escolher, queria nunca ter se apaixonado.

Seus olhos começaram a pesar, já não aguentava mais ficar acordado. Passara muitas noites em claro com insônia, pesadelos ou somente sem vontade de dormir. Não tinha nenhum compromisso ou vontade, então se deixou levar. Apreciou a sensação de sua mente se esvaziando, enquanto desejava que fosse sempre daquele jeito. A escuridão brotou a sua frente, já não enxergava mais nada, quando estava finalmente se entregando aos braços de Morfeu, aquele rosto apareceu. Seu sono não seria tão tranquilo quanto gostaria. Nunca era.

~X~

Acordou horas depois se sentindo ainda exausto, se é que aquilo era possível. Ouviu seu nome ser chamado do andar térreo da casa, porém não tinha vontade de se levantar. Ficou lá até ouvir passos na escada.

–Irmão! Está na hora do jantar!

Sua primeira reação foi sentar-se ereto na cama. Aquela voz não era de Irunya, era de Natasha. Se existia uma coisa que assustava o russo, essa era sua Irmã mais nova. Sempre fora forte sério e cruel, mas a garota bielorrussa lhe dava arrepios. Antes que a outra tivesse chance de chagar até seu quarto ele se levantou em um pulo.

– J-Já estou indo!

Saiu do quarto um pouco apressado enquanto sua irmã descia as escadas. Não estava com animo para comer, nem para fazer nada.

– Ivan, Natasha, vamos logo se não a comida vai esfriar! — chamou Irunya.

Irunya sempre fora uma mãe para Ivan e Natasha, mesmo sendo um pouco chorona e sensível, sempre cuidou dos menores, ela trabalhava e estudava. Ivan tinha esperança de se formar logo para poder ajudar a irmã a sustenta-los. Já Natasha não parecia importar-se com nada, seu aparente único interesse era o irmão mais velho, do qual havia puxado a personalidade.

Sentando-se à direita da mesa, o russo acompanhou com o olhar os movimentos das duas mulheres. Serviu-se de uma porção mínima, não queria correr o risco de vomitar depois da refeição.

O jantar foi o mais normal possível, Irunya conversava avidamente com os dois, porém Ivan apenas soltava monossílabos em resposta, enquanto tentava não reparar nos comentários e olhares de Natasha.

– Ei, Ivan, você realmente não tem uma namorada? – sua irmã mais velha soltou.

Natasha olhou-a de uma maneira assassina. Ivan, tentando não pensar muito, respondeu:

– Não.

– Eu não acredito! Quem poderia resistir a um rapaz tão bonito? Se for por causa da sua personalidade, eu não vejo nada demais...

– Irmã. – interrompeu Natasha.

– Vamos, então pelo menos me conte Ivan-chan, não tem nenhuma garota que te interesse? Ou então você é gay? Me conte, tem um garoto que você esteja interessado?

Sentindo sua irritação chegar ao máximo, o russo se levantou, dando as costas para as irmãs, que o fitavam atônitas, e dirigiu-se a porta de entrada.

– Eu vou sair para beber, — um pouco de seu controle se fez presente, então ele olhou para traz e sorriu levemente – não me esperem acordadas.

Com seu pesado casado e o cachecol no pescoço, Ivan saiu para esfriar a cabeça. Realmente queria esquecer Gilbert, pelo menos por uma noite. Depois de caminhar por mais ou menos 20 minutos chegou a um pequeno bar. Ficava no centro da cidade, então o caminho era um pouco mais comprido do que gostaria. Frequentava aquele lugar de vez em quando, mas nunca havia ido até lá sozinho. Sentou-se no balcão deixando um suspiro pesado sair de sua boca.

– Ivan! – o conhecido atendente o chamou. – Que estranho você sozinho por aqui. O que vai querer?

– Quero a vodca mais forte que você tiver. – respondeu o russo desanimado.

O barman riu, com uma voz grossa.

– Chegou uma marca nova hoje, direto da Rússia, é a mais forte do ramo.

– Pode ser essa mesmo.

O homem de meia idade logo voltou com um copo e uma garrafa, diferente do normal, está possuía tons de roxo e letras prateada no rótulo chamando pouco a atenção. O líquido transparente e com cheiro forte logo foi despejado no copo, que o jovem pegou virando tudo em apenas um gole. Ivan sentiu o forte e conhecido gosto arder em sua garganta. Vodca era sua bebida preferida, como a de qualquer russo que se preste, porém mesmo já tento bebido muitas doses da mais forte, dentre todas as marcas da bebida, nunca ficará bêbado.

Depois de servir-se três vezes, o russo cansou de todas aquelas formalidades. Deixando o pequeno e frágil objeto de lado ele pegou a garrafa e virou em sua boca. Uma quantidade infinitamente maior de bebida queimou sua garganta, mas ele não se importava, sentia-se agradecido pelo líquido tira-lo de seus pensamentos.

A cada gole ele amaldiçoava a garota que fazia Gilbert feliz, amaldiçoava a si mesmo, por um idiota, e até ao próprio Gilbert por partir seu coração,.

À medida que as garrafas se esvaziavam, novas eram trazida. Depois de passar da vigésima garrafa, mesmo que sempre fizesse isso, o russo já se encontrava completamente bêbado. Aquela vodca, realmente era mais forte que as que Ivan já havia tomado. Era a primeira vez que sentia aquilo, seus sentidos estavam amortecidos e a mente turva, já não conseguia pensar em nada. Porém mesmo assim ele continuou a beber. Sua percepção das coisas já estava quase inexistente quando sentiu pequenas gotas em sua bochecha. Deixou-se cair na mesa de madeira enquanto as lágrimas escorriam. Mesmo tendo consciência de estar chorando, não emitiu nenhum ruído, estava silencioso, como sempre fora em sua vida. O único indício de sua magoa eram as lágrimas que caiam lentamente. Mas isso não o impediu de continuar a ingerir o líquido.

Meia hora depois, pelo que pode perceber, mesmo que não seja confiável por estar bêbado, sentia-se exausto por causa das lágrimas e das poucas palavras trocadas com os homens a sua volta. O bar já estava vazio e o dito russo já havia conhecido alguns estágios da bebedeira.

– Ei, senhor, traga um cerveja para o incrível eu!

– Pode deixar rapaz.

Ouvia palavras ao longe, mas além de não interessar-se por elas não tinha força para se levantar. Estava com a cabeça apoiada na mesa como se fosse um pedra, frio, imóvel e sem nenhuma expressão. Sua mente estava em branco, mas mesmo assim ele sábia que tinha algo errado em sua vida. Mesmo bêbado aquela sensação não o abandonou.

– Ei. Quem é ele? – perguntou um rapaz recém-chegado ao bar.

O barman apontando com a cabeça para Ivan respondeu.

– Esse é o Ivan, ele aparece aqui várias vezes junto com os amigos, mas dessa vez veio sozinho. Nunca o havia visto tão bêbado.

O estranho soltou uma risada e olhou para o russo caído em seu canto. Um choque de compreensão passou por seus olhos.

– Será que ele terminou com a namorada? – comentou o barman. – Mesmo que não imagine ele tendo uma, é sempre tão frio e cruel.

Tranquilamente o jovem se levantou e foi a até a mesa do rapaz de cabelos prateados. Com cuidado tirou-lhe uma mecha de cabelo dos olhos e viu pequenas lágrimas escorrendo. Suspirou uma vez e sorriu.

– Ele já pagou o senhor?

– Sim, ele sempre paga uma média quando chega.

– Então tudo bem.

O desconhecido deixou uma nota por sua cerveja em cima do balcão e pegou o russo bêbado, apoiando-o em seu ombro.

– Ei, o que vai fazer? – perguntou o barman.

– É melhor eu leva-lo pra casa. – sussurrando para si acrescentou. — Não acho que ele tenha alguém para fazer isso por ele.

Depois de poucos minutos de caminhada o rapaz sentiu o russo se mover.

– Quem é você é o que vai fazer comigo? – perguntou claramente bêbedo.

– Você não parece ser fraco contra bebida, o que aconteceu?

– Vou refazer a pergunta: Quem é você e o que vai fazer comigo? – Ivan repetiu, mesmo bêbado o tom cruel de sua voz continuava o mesmo. – Se quiser me estuprar, vá em frente, minha vida já é uma merda mesmo.

– Kesesesesesesese. É assim que você me agradece por tira-lo do bar?

O russo bufou irritado.

– Tudo bem. Quem salvou você foi Gilbert, o incrível eu!

Subitamente Ivan teve um momento de lucidez, e soltou-se, do agora conhecido, homem.

– Gil-Gilbert? O-O que? – o russo parou em frente ao prussiano.

– Calma Ivan, prometo que não vou te estuprar. Só vou levar você até minha casa, para poder descansar.

Atingido pelo golpe final de sua má sorte, os joelhos do rapaz de cabelos prateados fraquejaram.

– Opa. — o Albino se adiantou pegando o russo.- Você realmente está bêbado, deixe-me ajuda-lo.

Depois de tentar carregar Ivan em seus ombros por mais alguns minutos o prussiano desistiu, ele era muito pesado, ainda mais tendo que ser arrastado.

– Eu sou muito pesado né? – Ivan ronronou. – Você não precisa me ajudar.

– Kesesesesesese, e você acha que eu vou desistir agora? O incrível eu nunca desiste.

Gilbert parou um minuto para pensar em como poderia melhorar sua situação, até que uma ideia passou por sua cabeça. O problema é...

– I-Ivan? – o russo agora estava encostado na parede esperando. – Vo-vo-você acha q-q-que consegue su-subir nas minhas costas?

Ao ouvir a pergunta do albino o russo corou mais que o próprio. Apenas balançou a cabeça e pulou com cuidado nas costas do prussiano que o agarrou com ainda mais cuidado.

– Assim está melhor. – comentou Gilbert seguindo a passos lentos.

Ivan, que mesmo tendo momentos de lucides, continuava bêbado, mais tarde alegaria que seu comportamento fora culpa da bebida, mas agora nada disso passava por sua cabeça. Encostou a cabeça no ombro do albino e apertou suas mãos em volta do peito dele. Agora só queria aproveitar aquele momento. O prussiano evitava a todo custo olhar para o rapaz em suas costas, o peso já não existia, apenas o calor que o outro lhe passava. “Ele é estranhamente quente. Achei que por causa de sua personalidade da qual ouvi falar ele seria mais frio...”. O pensamento o fez rir, estava sendo tolo. Ivan enterrou-se ainda mais na curva daquele pescoço branco, queria sentir o cabelo, a pele e o toque do rapaz que o ajudou.

– Gil, você é tão quente. – seu cabelo roçou no rosto de Gilbert que corou. – E cheira tão bem.

O russo deu uma fungada no pescoço do outro. O albino não sabia se estava corado por causa dos comentários do russo, por causa de sua atitude, ou por causa da sensação de estar com o rapaz de cabelos prateados. Enquanto caminhava Gilberte sentia a respiração compassada de Ivan em seu cangote, o que o deixava estranhamente tranquilo.

Depois de mais de meia hora de caminhada, o albino parou em frente a um apartamento de mais ou menos vinte andares que ficava afastado do centro, mais próximo da entrada da cidade. Dando graças a deus que não havia ninguém lá no momento, ele chamou o elevador e apertou o botão do nono andar.

Enquanto a máquina metálica subia o silêncio se mostrava constrangedor aos dois. Ivan estava tentando entender onde estavam, enquanto Gilbert refletia sobre aquela noite. Já havia admitido que Ivan era um rapaz muito bonito, mas até aquela noite tinha certeza que achava somente isso. Agora a dúvida estava plantada em sua mente, será realmente que uma noite poderia mudar sua opinião sobre o russo? Claro, tinha certeza, que, mesmo se sentisse algo, o que claro não era o caso, Ivan não o corresponderia, afinal os dois eram homens, certo?

Assim que chegaram ao pequeno apartamento do prussiano, o russo foi deixado no sofá enquanto o dono do local pegava cobertores e um travesseiro para o seu hóspede.

– Eu não tenho um quarto, então você vai ter que ficar no sofá mesmo. – comentou Gilbert.

– Tudo bem. – Ivan respondeu.

Gilbert agora que olhava diretamente para Ivan podia perceber, além de seus atributos naturais, o belo cabelo prateado um pouco comprido e os olhos da cor de joias lilases, as imperfeições que não deveriam estar ali, horríveis olheiras e marcas vermelhar de choro. Perguntou-se por que o russo estaria com aquelas olheira tão profundas, e sem medir suas palavras perguntou.

– Por que seus olhos estão vermelhos?

O russo não lhe deu nenhuma resposta, simplesmente ficou lá olhando-o como se nada fosse real. Ivan por outro lado, estava com sua cabeça confusa e explodindo, era difícil organizar seus pensamentos, porque, mesmo não aparentando ainda estava sobre efeito do álcool.

– Ivan... Você... Está chorando? – Gilbert arregalou os olhos sem acreditar.

Num gesto automático o russo retirou suas luvas e levou um dedo até a região úmida de seu rosto como se nem ele mesmo acreditasse. Assim que o choque passou o prussiano instintivamente sentou-se ao lado do hospede. Ivan, que nunca derramara lágrimas em sua vida, permitiu-se chorar naquele momento, não sabia se por efeito do álcool, ou apenas para livrar seu coração de um pouco de angustia, mas ele chorou. Sem importar-se com a pessoa ao seu lado, o que ela poderia pensar de si, ou que ela achava. Ivan deixou-se cair no colo de Gilbert e chorou. O prussiano estava estático, não esperava que o russo iria desfalecer-se sobre si, porém partiu-lhe o coração ver o rapaz daquele jeito, então em um pequeno gesto de carinho acariciou-lhe a cabeça, como uma mãe faz para ninar seu filho pequeno.

Soltando apenas alguns soluços, e fungadas, Ivan chorou até tarde no colo do prussiano, que em silêncio, deixou o russo liberar todas as magoas presas dentro de si.

No outro dia de manhã Ivan acordou com dor de cabeça e com os olhos muito inchados, se não se conhecesse diria que chorou a noite inteira. Esse pensamento até poderia ter lhe arrancado uma risada, porém os acontecimentos da noite anterior voltaram a sua mente. Estava deitado em um sofá de cor branca, tapado por um cobertor macio e tinha um travesseiro embaixo de sua cabeça. Aparentemente, Gilbert o ajeitou depois que caiu no sono. Sentou-se olhando para os lados, o apartamento era aconchegante, diferente de sua casa enorme. As paredes eram brancas, com uma janela que dava para uma sacada. Seus pés tocavam um macio tapete de cor bege. No local também se encontrava uma poltrona que fazia par com o sofá, e uma pequena mesa de centro. Na mesa havia um bilhete e um pequeno comprimido junto com um copo de água.

“Aqui Ivan, eu deixei esse remédio para dor de cabeça para você. Espero que melhore.”

O russo expressou uma carranca, sempre detestou remédios, não confiava o suficiente nas pessoas para tomar algo oferecido assim. Porém, dessa vez, fez uma exceção, pegou o pequeno comprimido e o copo de água, bebendo tudo de uma vez.

Ouviu passos vindos do corredor, porém sentia-se exausto demais, para sequer olhar para o lado.

– Ivan! Já está acordado, que bom! Kesesesesese. – Gilbert apareceu no pequeno corredor.

Ivan, mesmo sem querer responder, olhou para o prussiano, corando imediatamente, ao ver que seu anfitrião se encontrava apenas com uma toalha ao redor da cintura.

– E-e-eu... O-o-brigado, Gilbert – o russo respondeu.

– Tudo bem. O meu incrível, não podia simplesmente deixa-lo sozinho naquele bar. – o anfitrião sorriu.

Ivan se encostou-se no sofá novamente, lembrou-se de tudo que havia feito na noite anterior, o calor subiu ainda mais por suas bochechas.

– Sinto muito... – começou – Por tudo o que fiz ontem, e por ter chorado na sua casa.

O sorriso divertido e convencido morreu nos lábios de Gilbert, mesmo após o russo ter dormido, ele não conseguiu pregar o olho. Seus pensamentos ficaram a noite toda girando em torno de seu hospede, quando o encontrou bebendo, as palavras dele na rua, e até o dia em que se conheceram, e sua relação no dia-a-dia. Nunca esteve tão incerto em toda sua vida. Sentia algo diferente, mas não era, não poderia, e não deveria ser, amor. Tomando coragem, sentou-se ao lado de seu convidado.

– Ivan, por que estava chorando ontem à noite?

O russo riu, ao contrário, de qualquer reação esperada pelo prussiano, ele riu.

– É ridículo. – respondeu ele. – Mas se quer mesmo saber, é por causa de, digamos, um amor não correspondido.

Ivan, mesmo não aparentando, usou todas as forças que tinha para admitir aquilo, seu lado “frio” havia morrido, junto com a sanidade ontem à noite.

– Você já contou pra ela o que sente? – perguntou Gil.

Ivan riu seco novamente, “ela”, claro que Gilbert pensaria que estava falando de uma mulher.

– Não. – respondeu balançando a cabeça.

Genuinamente curioso, Gilbert continuou.

– Por que você está rindo? Por que ainda não se declarou?

Ivan suspirou, o prussiano era realmente estranho.

– Porque não é tão simples. Eu estou apaixonado por um homem. – o russo virou o rosto para o lado não querendo encarar seu anfitrião.

Gilbert ficou estático, não esperava ouvir isso, logo do russo a sua frente. Depois do choque inicial, sentiu suas bochechas esquentarem. Dando graças que seu hospede virou o rosto, perguntou-se o motivo daquela reação, estava ficando desconfiado de si mesmo.

– E-e por que não contou pra ele? – Perguntou, voltando ao normal.

Foi a vez de Ivan ficar em choque. Por que não havia contado? Essa pergunta era ridícula, não estava mais do que na cara?

– Um homem se confessar para outro é estranho. Por isso não contei nada. E além do mais, ele parece já ter uma namorada.

Gilbert se levantou indo até o pequeno corredor. Enquanto caminhava, virou-se para Ivan.

– Eu realmente acho que você deveria contar, nunca vai saber se não tentar.

O russo teve apenas um milésimo de segundo para tomar sua decisão. Aquela seria a coisa mais insana que faria em sua vida. Riu mais uma vez, sentindo-se enjoado.

– Tudo bem, eu vou contar. Gilbert... Eu te amo.

Espantado, o prussiano parou. Será que ouvira certo? Enquanto refletia sobre as palavras do russo, sentiu-se ficar vermelho. Então realmente era aquilo, suas preocupações, tristezas, medo tudo se resumia em algo que ele suspeitou, porém não quis acreditar. Agora sabia que era verdade, e sentia-se inesperadamente, tranquilo e feliz. Em um gesto rápido, virou-se e voltou para o sofá. Inclinando o corpo, deu um beijo leve nos lábios de seu convidado.

– Eu disse que você deveria falar, nunca saberia se não tentasse... – disse virando-se novamente e indo para seu quarto.

Ivan ficou atordoado olhando para as costas do albino que deixava o recinto, seus sentimentos eram correspondidos.

Notas finais
E aí? Ficou horrível ou uma grande droga? Devo continuar? (Se sim, vai ter muitos casais secundários ~sorriso cruel~) Me critique o quanto quiserem. Se tá arrependido de ler me conte, adoro dar apoio psicológico para as pessoas. Não vou enrolar muito aqui. Se tem alguma palavra em japonês aí no meio me avisem pra mim alterar, obrigado. Bjs, e espero que tenham gostado. Pelo menos dentro da medida do possível.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.