Meu herói...

1 Meu herói...


Notas iniciais
LINE NA ÁREA *-*
Feliz dia dos namorados!! Como vão, tudo bem?

Então, gente, eu nem estava planejando postar nada hoje, mas, do nada, eu e a Sahh decidimos escrever uma one-shot curta cada uma agora a tarde, só pra não passar em branco (E adivinhem? As duas fizeram de Boku no Hero kkkk)

Sim, o casal não é famosos e acho que muitos de vocês nem devem conhecê-los... de toda forma, essa one contém spoilers do capítulo 310 do mangá, e, após eu ler, me interessei muito pela relação desses dois personagens. Até pesquisei alguma fanfic deles, mas não achei nadica de nada ;-;
Ps. O 2° portador do One For All (mais conhecido como o "Bakugou, só que mais velho") ainda não tem nome, então ele será referido como “herói” ou “meu herói”, ok?

Boa Leitura ♥

Meu herói...

por Line

Meu herói…

Nunca achei que chegaria a dizer tais palavras, e muito menos que, no futuro, haveria pessoas a quem elas seriam dirigidas, proferidas pelos meus lábios secos. Eu, que cresci idolatrando os super heróis dos quadrinhos, fascinado com seus ideais de justiça e bondade, agora tinha os próprios salvadores a chamar por tão delicioso termo.

É exatamente o que você é para mim: um herói. Te chamarei assim todas as vezes, ainda que você não concorde totalmente com elas.

Suas mãos já não estavam limpas quando nos conhecemos, e seu coração amargurado jazia em uma situação ainda pior. O desejo da vingança acomodado em seus olhos, a determinação em erradicar o mal de toda aquela “era das trevas” em que vivíamos, e o ódio descomunal direcionado àquele “Símbolo do Mal” corrompido, conhecido por mim como meu querido irmão mais velho, o fez abjurar de sua inocência e idealização de um herói verdadeiro…

Mas essa sua crença não me pertence.

Você me tirou daquela escuridão que, por vezes, pensei fazer parte da minha alma. Me tirou da prisão daquele quarto em que estive por tanto tempo, sozinho e totalmente subjugado pelo irmão mais velho. A fina e onifulgente camada de luz que atingiu meus olhos já acostumados com o nada, vinda da pequena fresta da porta por onde você e seu companheiro de guerra adentraram, afugentou a melancolia e o medo contidos naquele quarto, e, por um momento, a minha solidão pareceu ser acariciada por mãos calorosas, ainda que a real intenção delas, a princípio, não fossem ajudar-me.

Mas você, meu herói, estendeu a sua mão; não para cometer o assassinato já determinado, e sim, para me salvar. Não sei o que tocou seu coração naquele momento a ponto de fazê-lo mudar de ideia, não sei se foi a minha situação precária e digna de pena, ou meu corpo quase raquítico, ou o medo em meus olhos verdes, que imploravam para serem salvos sem que eu ao menos pensasse em dizer tais palavras em voz alta.

Nunca irei saber. Porque não te perguntei, e porque você não me contou.

Nós não sabíamos na época, mas aquele gesto, onde unimos nossas mãos naquele enlace efêmero, desencadearia um marco fundamental para os nossos sucessores futuros. Um ato tão simples, apenas um encostar de duas peles distintas, com texturas próprias e pecados escondidos nas linhas opacas, mas com significado suficiente para alimentar o grande poder acomodado em meu frágil corpo, fruto da forçada tentativa de meu irmão em me… ajudar? Até hoje não sei ao certo.

Muitos segredos do One For All ainda são um mistério para mim, mesmo tendo chegado ao nono portador. No nosso tempo, quem dirá, então? Poderíamos ser comparados a duas crianças tolas, ignorantes ao grandioso poder que tínhamos em mãos, trocando palavras carregadas de otimismo e esperanças de que, naquele momento, tínhamos chances de parar meu irmão e cessar com aquela era de medo.

Fui egoísta e prepotente, mesmo tendo ciência das minhas condições físicas e que o poder desconhecido dentro de mim não era apto para ser utilizado em um corpo tão frágil. Quis enfrentar meu irmão, determinado a pará-lo e impedi-lo de continuar se afundando naquele mar de escuridão, mas falhei, assim como sempre falhava quando éramos crianças ao tentar convencê-lo de que os heróis sempre ganham e os vilões sempre perdem, levando-me a pensar que, talvez, as ideologias dele que ditavam que uma pessoa sem poder não possuía direito de afirmar os próprios ideais, poderia estar correta.

E foi justamente naquele momento de fraqueza que você, mais uma vez, estendeu-me a mão, pronunciando as palavras tão aguardadas e temerosas para ambos os corações:

— Passe-o para mim.

No fundo, eu relutei. Eu sabia muito bem que era a atitude mais lógica, que seu corpo era muito mais resistente e que possuía toda a força ausente do meu; sabia que você tinha as condições necessárias para se dar melhor naquela batalha predestinada. Mas, ainda assim, relutei.

O fardo que aquele poder carregava era pesado demais, eu, mais do que ninguém, sabia disso. Entregá-lo para você era o mesmo que te condenar. E como eu poderia fazer isso com você, meu herói? Como?

O frio da lâmina ao deslizar por minha palma não foi maior que a dor que senti ao tornar real o seu pedido. O fio de sangue a correr por meus dedos, aveludado e suave, pareceu queimar minha pele, tamanho o poder e força que carregava em seu interior.

Até aquele momento, eu não estava sendo totalmente sincero em entregá-lo, confesso. Todavia, tudo mudou quando estendi a lâmina para que você flagelasse sua pele, assim como fiz com a minha, e, em vez disso, seu único ato foi segurar a minha mão manchada de vermelho…

E levá-la aos lábios.

A cor infame e devassa jazia pincelada em sua boca ao afastar minha mão, mas você permaneceu segurando-a, passando a língua nas fendas e sentindo o gosto metálico enquanto, em seu interior, certamente ocorria a maior das explosões.

Estava feito. Agora havia chegado a sua vez. E, se eu soubesse naquele momento que nosso tempo já estava chegando ao fim, teria te perguntado uma coisa que me perturba até hoje.

Você conseguiu sentir a explosão dentro de mim? Não pelo fato de aquele poder estar deixando o meu corpo para sempre, e sim, pela sensação contínua de sentir seus lábios em minha pele, queimando-a, arrepiando-a, deleitando-a… você pôde sentir?

Acho que nunca receberei a resposta que tanto almejo, mas aquele momento compartilhado com você sempre estará presente em minhas lembranças, assim como, também, no interior do One For All.

E, da mesma forma que o poder dentro dele é aumentado e acumulado a cada portador que passa, esse meu valioso sentimento aumenta na mesma gradação, sempre crescendo e crescendo, esperando e aguardando, com ansiedade e expectativa, a salvação de receber, uma última vez, a sensação única e eterna de teus lábios.

Pode fazer isso, meu herói? Salvar-me uma última vez?

Notas finais
Eu gostei, ficou meio mórbida, mas estou feliz por ter escrito algo desses dois, acho que me ajudou um pouco testar esse estilo de escrita mais "poética", por assim dizer ^-^

Já já vai sair outra one, viu?? Eu e a Sahh decidimos trazer um presente cada uma para esse dia especial. (Obs. o shipp também é de BNHA :3)

Até daqui a pouco!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!