Meu erro
13 13 - Do passado tem-se o futuro
Notas iniciais
Capítulo treze
Do passado tem-se o futuro

"Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um."
(Fernando Pessoa)
Despertei com uma dor demasiadamente enorme em minha bochecha e cabeça.
O que será que eu fiz?
Onde estou?
– Vejo que acordou. – uma mulher vestida de branco disse.
Fui para o céu?
Tantas perguntas e nenhuma resposta até agora.
– Por que está me olhando assim? Não me reconhece mais? Sou a enfermeira Shizune. – explicou.
Então compreendi, vendo e revendo em minha mente as vezes que eu fui até esse local por conta das vezes que me batiam e caia por ser desastrada. Assim como nos anos em que eu não interagia com meus colegas vinha aqui no intervalo para conversamos.
E desde que as aulas começaram eu nem sequer vim visita-la.
Que ingrata eu sou!
– Quanto tempo. – disse de maneira sem graça.
Neste momento abraçou-me apertado.
– Hinata, por acaso está preocupada por não ter vindo mais me ver? – e parecendo uma vidente soube o que tanta pensava.
Após essa frase começou a gargalhar.
– Desculpe senho-
– Já te disse muitas vezes para que não me chamasse mais assim, não é? Nem casada ou idosa sou. – deu um sermão.
Enquanto falava eu fiquei olhando pela janela, percebendo que as flores não estavam tão bonitas quanto antes. Algumas se encontravam um pouco murchas. Sendo notório o fato de que eu estava tão desleixada que fazia um mês que não as regava.
– Que foi? – parecia preocupada a enfermeira.
– Tem como me ajudar a levantar? – disse um sussurro.
Senti sua mão enlaçar na minha, da qual sempre estava quente, dando-me suporte para conseguir sair daquela cama.
– Obrigada. – essa palavra não foi apenas por esse gesto, mas por todas as vezes que me ajudou e aconselhou.
Soltei-me dela apenas para me apoiar naquela parte de vidro e abaixar a minha cabeça com dificuldade, constatando que a terra já estava com aspecto seco e mal cuidado.
E isso é minha culpa!
– O que... por acaso está chorando? – comentou ao puxar meu rosto em sua direção.
Nem tinha percebido que as lágrimas já tinham descido.
– Como eu pude me esquecer de cuidar delas. – disse entre choramingos.
O silêncio reinou por um tempo, no entanto compreendeu minha fala quando apontei com o dedo o que citava.
– Por que então não continua agora? Sei que o que está vendo é porque não as zelou no passado, mas se começar a partir de hoje tenho certeza de que ficarão lindas novamente. – opinou.
– Tem razão! – e sorri ao terminar.
– Vejo que está melhorando, sua cara não parece mais tão assustadora quanto antes. – disse ao apontar para os meus lábios.
Fiquei sem graça com seu comentário.
– Acho que é por causa do... Sasuke. – disse seu nome pela surpresa de vê-lo passar pelo pátio naquele momento.
Pelo jeito tinha acabado de jogar futebol.
– Quer dizer que esqueceu o Naruto e resolveu por gostar de alguém mais sexy, interessante e inteligente igual ao Uchiha? – declarou de maneira maliciosa.
– Não é isso. – balbuciei.
Meu coração ainda batia forte pelo susto que tomei, ainda mais por notar que acenava para mim. Após isso pegou o celular e eu decidi por ir novamente para a cama.
Não estava me sentindo bem.
– Se eu fosse mais nova com certeza já teria feito loucuras com aquele pedaço de m-
A sua indecência foi interrompida por um som vindo do meu celular.
“Vi que acordou e irei te visitar, por isso não vai embora!” – Sasuke.
– E ainda é mandão, fico mais apaixonada assim. – confessou ao se abanar.
– Já eu não estou nada feliz por ficar me espionando. – rebati ao entrar na brincadeira.
– Estou tão orgulhosa de ti por estar mais extrovertida! – exclamou ao me abraçar com força.
Soltei-a rapidamente ao sentir a dor atingir minha cabeça.
– Quer algum remédio? – declarou.
– Confesso que foi muito bom te rever, porém tenho de ir. – falava enquanto pegava minha mochila e alguns comprimidos para dor, sendo parada por ela ao me aproximar da porta.
– Não vai esperar o Sasuke? – quis saber.
– É justamente dele que estou fugindo. – expliquei.
Sei que a última reação da minha parte era me afastar dele ao saber que queria ser meu amigo, contudo tinha o pressentimento de que ia levar uma bronca dele por ter ficado no meio da luta e levado um soco por ele.
– É assim que realmente irá se portar? Correndo dos seus problemas ou invés de enfrentar? – questionou num tom irritado.
– Shizune, eu não quero vê-lo. Não quando sei que irá brigar comigo pelo que fiz e não vai mais desejar ser meu amigo.
– Por acaso o beijou? – novamente com pensamentos maliciosos sobre o que foi dito.
– Não. – rolei os olhos.
– Tirou a roupa e tentou transar com ele? – insistiu ao baixar o nível.
Meu rosto estava roxo só pela menção do nome.
– Nunca! – neguei firmemente.
– Então foi o quê? – parecia desanimada por não ser o que imaginava.
– Prefiro não falar por enquanto, pode ser? – ainda mais quando me sentia tonta novamente.
Meu comentário a fez pensar por um momento.
– Então fique apenas para agradecer. – pediu.
– Por acaso escutou o que eu disse? – ressaltei.
– Hinata, o que importa é que ele te salvou! – gritou.
Fiquei estática e refletindo sobre o ocorrido, só que nem sequer pude tomar uma decisão ao notar que a maçaneta estava se movendo e uma pessoa tinha entrado na sala.
Era o Uchiha ainda com a roupa de ginástica, soado e ofegante.
– O que está fazendo aqui? E ainda desta maneira? – tentou ser durona a enfermeira.
Na verdade eu no fundo sabia que estava adorando o que via.
– Tinha de vir o mais rápido possível, pois sabia que você ia tentar fugir. E percebo que eu estava completamente certo. – declarou ao apontar para os objetos que se encontravam em minha mão.
– Eu não... – nem sabia o que dizer.
– Precisamos conversar sobre o que aconteceu. E não é amanhã, depois ou na semana que vem, é agora! – esbravejou.
Pegou em meu braço para me levar a outro local, todavia eu só conseguia fitar a mulher como pedido de socorro. Em meu olhar estava nítido que eu não me encontrava confortável com a situação.
– Ele tem razão Hinata. – e minhas esperanças foram para o ralo em questão de segundos.
– Eu irei esperar, mas primeiro tome um banho. – dei-me por vencida.
Assim ganharia um tempo para pensar no que falarei.
– Espero que não me enrole, se não irei até a sua casa e a obrigarei a conversar comigo na frente do seu pai. – ameaçou-me.
Só de imaginar o patriarca da família sabendo que eu apanhei em uma briga eu tremia.
– Tem minha palavra. – prometi, apesar de vacilar um pouco.
Ficou me analisando por um instante, procurando algum sinal de que eu estava mentindo. Quando pensei que teria de começar a conversa o moreno suspirou e concordou comigo.
– Fique aqui, já volto. – ordenou.
Nem sequer perdi tempo e caminhei, mesmo que a passos demorados, até a janela.
– Por acaso virou rebelde? – quis saber a enfermeira.
– Tenho de ficar um pouco sozinha, mas para isso quero que me ajude a chegar ao outro lado. – declarei.
Hesitou no primeiro momento, todavia finalmente abriu a janela e me largou quando eu já tinha equilíbrio suficiente para andar por entre o lugar. Por isso mesmo eu resolvi passar pela sala do zelador e pegar o regador, enchendo-o de água logo depois.
– Fazia tempo que não a via por aqui, realmente fez falta. – comentou o homem que realizava várias atividades ao se encontrar comigo no meio do corredor.
– E espero não mais te abandonar esse ano Senhor. – respondi-o com sinceridade.
Estava tão tonta que pensava que não ia conseguir nem chegar perto das flores que decoravam o lado de trás da enfermaria. Por sorte encontrei uma arvore e me sentei nela enquanto molhava algumas margaridas e tirava umas ervas daninhas.
– Já ia ligar para você. – começou a conversa sem mostrar interesse.
Enquanto a mim? Fiquei assustada por não ter o notado se aproximar.
– Pensei em te esperar, mas esse jardim mal cuidado me chamou antes de você vir. – comentei.
– Não era você que o limpava? – a indiferença do Uchiha é impressionante.
– Como sabe? – já eu não era discreta quanto a minha curiosidade.
– Porque sempre a via por aqui quando estava jogando futebol. – explicou.
Como pude esquecer disso? Justamente quando o tinha visto no pátio.
– Falando nisso, foi estranho não ver garotas torcendo por vocês hoje. – notei.
– Elas tentarem, porém o treinador não deixou que ficassem. Precisamos nos concentrar, pois daqui uma semana participaremos do campeonato municipal. – esclareceu.
Esquisito mesmo está o clima pacifico entre nós.
– Hinata, sobre o que aconteceu na sa-
– Por favor, fale sobre outro assunto? Só por um tempo. – implorei.
– Então quero que saiba que o nosso acordo ainda está de pé, mas para isso quero que espante as gurias que ficam perto de mim.
Fiquei um pouco desanimada ao me lembrar sobre ele me ajudar a conquistar o Naruto, sendo que eu quero esquecê-lo.
– Podemos mudar uma parte? – quis saber.
– Quer fazer uma negociação por acaso? Porque se for sobre o favor que fará a mim informo que não sou flexível quanto a esse ponto. – espaireceu em um tom sério e enfático.
– Não, é sobre me ajudar a namorar o Naruto. Eu não desejo mais ficar com ele, no entanto o que procuro agora é deixar de amá-lo.
Um pedaço de mim não estava tão certo sobre isso, contudo deixei que a outra metade vencesse. Ansiava e deveria nunca mais ficar sofrendo ao ver com a Sakura ou sentir meu coração bater apenas por fita-lo.
– Tem certeza do que disse? – pareceu adivinha a dúvida que me corroía por dentro.
– Sim. Vai me ajudar ou não? – disse ao levantar a cabeça e finalmente fitar seus olhos cor de ônix.
Vi sua expressão ficar surpresa por um instante, para depois voltar ao semblante de sempre. Aquele que demonstrava frieza e desinteresse.
– Uma mão lava a outra, não é? – respondeu-me com a parte do ditado.
– Com certeza. – declarei.
Não consegui esconder o sorriso que se formava em minha face.
Neste instante uma margarida começou a voar por conta do vento forte, fazendo com que o Sasuke tentasse pegá-lo ao passar o braço por trás do meu corpo. Quando não conseguiu simplesmente disfarçou ao apoiar sua mão em meu ombro, enlaçando-me.
Isso fez com que eu risse, assim como ele.
– Sobre o que ocorreu anteriormente eu te-
– Por favor, continue a ser meu amigo. – implorei antes que completasse a frase.
Estava desesperada, pois não queria o perder. Ficar longe dele.
– Hinata, apesar de o que fez tenha sido burrice sua e fizesse com que eu tentasse ir atrás dele para o quebrar inteiro, nada disso afetou a nossa amizade. Pelo menos da minha parte. – parecia estar falando a verdade, principalmente ao fitar-me tão intensamente.
Fiquei tão sem graça que nem tinha percebido o silêncio que reinava entre nós.
– Quer um bolo? – disse com um sorriso.
E então ficamos apoiados na árvore enquanto devorávamos aquela delicia, assim como terminei de regar todas as plantas com a ajuda do Sasuke. Isso fez com que eu chegasse em casa apenas às 17h, porém não levei bronca ao ter deixado o almoço dele pronto antes de ir para a escola.
Até porque sabia que talvez tivesse de ficar para conversar com o Uchiha.
“Espero que não tenha batido mais fotos do Naruto!” – Sasuke.
E ele novamente adivinhou a minha tara.
Simplesmente apaguei o que tinha batido nesse dia, mesmo que tenha sido quase impossível para mim. Depois disso deitei em minha cama e vi aquele quarto vazio, dando para ver toda a parede, principalmente quando não havia mais um loiro de olhos azuis em cada canto.
No outro dia na escola simplesmente dei um aceno discreto para o moreno e nem quis olhar para o Uzumaki. Enquanto ainda estava no corredor que dava acesso para as aulas ouvi algo que muito me emocionou.
– Viu que as plantas estavam regadas hoje? – comentou.
– Sim, finalmente o nosso jardim vai ficar tão belo quanto era antes. – respondeu a outra.
– Quem será o jardineiro? Tenho de dar os parabéns por cuidar das flores. – finalizou.
Quando elas se afastaram eu pisquei para o Sasuke e me aproximei dele antes de apontar o dedo em sua direção ao mesmo tempo que repetia o gesto, mas para mim.
– Você. – dissemos em instantes semelhantes ao responder a pergunta da menina.
Enquanto o nosso colega ao lado parecia não entender o ocorrido.
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