Meu doce Rogers
8 Chocolate quente para aquecer corações gelados
Cheguei no meu prédio por volta das sete horas. Peguei o elevador e agradeci por ele estar vazio. Olhei no espelho e não gostei do que vi, meu cabelo estava todo bagunçado e meu rosto estava sujo devido aos fragmentos da explosão, mas felizmente não havia me machucado naquele evento.
Logo estava em meu andar. As portas foram abertas e caminhei lentamente com uma Sarah adormecida em meus braços. Quando o olho o corredor, vejo Steve com certa dificuldade tentando abrir a porta de seu apartamento.
– Steve? Ele olha em minha direção – Está tudo bem? Você quer ajuda?
– Oi, Helena. Não se... Ele para de falar ao notar meu estado – O que aconteceu com vocês?
–Não se preocupe, sabe aquela frase, lugar errado, hora errada, enfim tudo errado? Ele afirmou que sim com a cabeça- Um tempo depois que você saiu, resolvi levar Sarah em um parque, só que estava acontecendo ataques em um local próximo de lá. Ele fez uma expressão de culpa e abaixou a cabeça.
–Eu deveria ter te contado. Ele andou em minha direção, olhando Sarah com atenção e colocando sua mão em meu rosto, como uma tentativa de avaliar se havíamos sofrido algum dano- Vocês estão realmente bem? Perguntou olhando no fundo dos meus olhos.
–Sim, nada ... que (Fiquei um pouco sem ar naquele momento. Olhando os olhos de Steve senti novamente a mesma sensação de quando estava com o Capitão América, os mesmos olhos de um azul infinito, será que... não isso deve ser minha imaginação tentando amenizar a tensão) ... um bom banho e um pouco de descanso não resolvam.
–Helena? Ele me olhou desconfiado.
–Está tudo bem, eu juro. Ele respirou um pouco, como se uma parte do peso que estava sentido tivesse saído de suas costas.
–Me desculpe Helena, isso tudo foi culpa minha, se eu ...
–Ei! Falei um pouco alto, interrompendo-o – Calma, falei abaixando o minha voz, já passou e estamos bem.
–Mas...
–Nem pense nisso. Observando com um pouco mais de atenção, vi que ele tinha pequenos machucados no rosto e no corpo- Steve, você está ferido?

–Isso aqui não é nada.
–Esses ferimentos que estou vendo não são nada? Acho que quem deveria ir para um hospital sou eu então. Falei aumentando minha voz novamente.
–Helena, não exagera, sério. E já vou logo avisando que você não vai me fazer ir a um hospital. Respirei fundo de modo a demonstrar estar vencida e olhei bem nos seus olhos.
–Ok hospital, talvez não. Mas, tome um banho, quero você em minha casa em trinta minutos. Falei firmemente fazendo uma cara séria.
–Helena, eu ...
–Não, nada de desculpas Steve. Eu tenho um kit de primeiros socorros e não vou hesitar em usa-lo. Falei com convicção. E não me faça ir aí te buscar. Entendido? Perguntei, olhando intensamente para ele.
–Sim senhora. Falou fazendo um cara de criança tímida e eu que não estava aguentando manter aquela expressão séria, comecei a rir. Ele deu um sorriso, bateu continência e foi para seu apartamento.
Infelizmente tive que acordar Sarah. Além de um banho, ela precisava ser alimentada, afinal desde o começo das explosões não havíamos parado para nada. Preparei a banheira e coloquei alguns brinquedos.
–Mummy, estou com medo.
–Eu também querida, eu também, mas não deixarei que nada de mal te aconteça.
–Eu sei Mummy, mas quem não deixarrr...rá ...que não de mal aconteça com a senhorrr...ra? Fiquei sem reação diante daquela pergunta. Sarah me olhava murchinha, triste, o que eu poderia falar. Nada, não havia uma resposta, pelo menos uma que ela esperava.
–Ei. Tentei falar o mais doce possível. Meu amor não fica assim. Falei segurando seu rostinho delicadamente- Estou aqui, não estou? Ela balançou a cabeça em afirmação- Então, não tema.
Ela ficou em silêncio depois disso. Por hora tudo estaria quase bem. Mas não para min. Fiquei refletindo, e se hoje não tivéssemos conseguido? Quero disser, como minha pequena ficaria se eu tivesse partido? Balancei a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos, mas não adiantava. O que seria da minha menininha? Não queria imagina-la sozinha em um canto qualquer de orfanato, ou sofrendo com uma família ruim.
–Mummy não chorrr...ra. Por favor. Falou Sarah me tirando daqueles pensamentos.
–O que? Foi quando percebi que algumas lágrimas rolavam pelo meu rosto e limpei rapidamente.
–Não estou chorando meu amor. É só uma pequena irritação nos olhos, logo passa. Falei forçando um sorriso.
–Ok. Falou enquanto começava a ficar murchinha novamente.
–Agora, coloca a cabeça para trás que eu vou jogar água para retirar o Shampoo.
Terminei o banho e logo fiz uma papinha para Sarah que como esperado, estava morrendo de fome e acabou comendo tudo. Depois disso, ajudei-a a escovar os dentes e levei-a para o quarto. Ela dormiu rapidamente, em menos de cinco minutos. Sai de lá e fui tomar banho. Coloquei um conjuntinho simples de coruja e calcei pantufas de panda. http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=181235782
Fui até a cozinha e lembrei que ainda tinha a barra de chocolate que havia comprado um dia desses. Pensei, é justamente isso que necessito. Então coloquei o leite para aquecer e me sentei em uma das cadeiras que tinham ali. Novamente, minha mente me guiava para aqueles pensamentos ruins, mas necessários. Havia ficado tão ocupada em organizar a minha vida e a de Sarah, que havia deixado passar aquela possibilidade. Poderia confiar minha filha a alguém caso eu morresse? Aquilo realmente estava me machucando, mas eu não poderia ficar ali parada sofrendo, tinha que pensar em algo e logo.
Me levantei e desliguei o fogão. Quando ia pegar o chocolate, ouço a campainha e vou atender a porta, dever ser o Steve provavelmente. E dessa vez ainda bem que não estava errada. http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=181237606
Dei dois passos rápidos em sua direção e abracei-o sem aviso.
–Helena? Está tudo bem? Perguntou Steve com um tom de preocupação. Enquanto correspondia a meu abraço, envolvendo um braço em minha cintura e o outro afagando gentilmente minhas costas.
Me afastei um pouco dele para olhar em seus olhos – Não. Não tem nada bem. Falei colocando meu rosto em seu peitoral, enquanto meus olhos começavam a ficar cheios de água.
Fiquei alguns segundos naquela posição e sai do abraço tentando desconversar.
–Steve, vem. Esses ferimentos precisam de um mínimo de cuidado. Falei enquanto caminhava em direção a cozinha.
–Helena. Falou Steve em advertência. Parei de andar na hora e respondi de costas para ele.
–Steve, me desculpe, eu não quis fazer essa ceninha. Ele caminhou na minha direção, ficando a uma distância mínima do meu corpo, e pegou delicadamente em meu braço para fazer com eu me virasse e ficasse de frente.
–Helena. Você havia me garantido que estava bem quando nos encontramos no corredor. O que pode ter acontecido com você nesses trinta minutos?
Fiquei em silêncio, mas precisava desabafar um pouco se não enlouqueceria -Sarah, Steve, Sarah. Falei baixinho, enquanto meus olhos começavam a lacrimejar novamente — Ela estava tão triste e apavorada, tem medo que algo aconteça comigo e acabei caindo na realidade de que não fiz nenhum planejamento para este tipo de possibilidade, e que hoje eu poderia ter morrido e deixado ela com um futuro incerto, sozinha, em...
–Helena, pare, não fique se torturando, isso não vai te ajudar a resolver o problema. Me interrompeu Steve.
–Mas o que é que eu posso fazer?
–Se concentrar o máximo para buscar uma solução. E não deixar transparecer isso para Sarah, isso é apenas uma possibilidade, como poderão viver se ficarem as duas sofrendo por algo que talvez não ocorra? Falou enquanto passava a mão no meu rosto limpando um lágrima.
–Tudo bem Steve, você tem razão. Falei vencida – Obrigada e me desculpe por estar te incomodando com isso.
–Não precisa se desculpar Helena.
–Ok! Ok! Falei terminando de limpar meu rosto — Vem, vamos começar a tratar esses machucados.
Peguei meu kit de primeiros socorros e levei Steve até a sala. Sentamos no sofá e comecei a fazer a limpeza das feridas que estavam nas costas das mãos.
–Não sabia que era enfermeira também. Falou ele descontraído, tentando amenizar minha tensão.
–E não sou. Apenas sei algumas coisinhas para pequenas emergências. Falei sorrindo de lado.
– Entendo, mas por que está me ajudando mesmo Helena?
–Lena.
–Como?
–Você pode me chamar de Lena também. Mas respondendo a sua pergunta, porque você é meu vizinho, eu fiquei um pouco preocupada por você ter recusado atendimento médico e esse é meu modo de retribuir quando alguém me ajuda, mas acho que não agradeci o suficiente, na verdade acho que posso ter até atrapalhado a pessoa.
–Obrigado. Quem seria essa pessoa que te ajudou e como ela te ajudou? Perguntou Steve mostrando certa curiosidade.
–Bem, quando estava tentando sair da região do parque, a polícia tinha chegado e solicitado que saíssemos daquele local, só que isso não havia adiantando muito. Falava enquanto começava a limpar os machucados do rosto. E as explosões estavam cada vez mais se aproximando, quando os estilhaços de uma delas vinham na nossa direção, um homem vestindo uma roupa que lembra a bandeira dos Estados Unidos apareceu e usou um escudo para nos proteger. Depois, ele me acompanhou até um local perto de uma estação de metrô, e falou que eu deveria ir para o outro lado da cidade. Somente quando cheguei lá que por meio de um noticiário descobri que ele se chamava Capitão América.
–Ah. Espera um momento. Você não sabia sobre o Capitão América?
–Na verdade, não. Terminei de fazer a limpeza e comecei a passar o antisséptico para desinfeccionar — Digamos que os jornais do local em que eu vivia não davam muita importância para o que acontecia fora da região. Além da minha velha rotina não ter dado nenhuma possibilidade para saber de qualquer coisa que não fosse trabalho e estudo. Steve ficou um pouco surpreso, mas logo fez uma careta em resposta ao antisséptico que estava sendo passado.
–Então, não deve ter a mínima ideia dos Vingadores, certo?
–Sim, absolutamente. Steve parecia estar refletindo sobre algo por um momento. Quando comecei a colocar os curativos.
–Você realmente esteve e está sozinha nessa, quero disser ser mãe, não é?
– Na verdade, minha avó me ajudou muito na época, e algumas outras poucas pessoas.
–E o pai da Sarah? Balancei a cabeça em negação.
– Como tudo aconteceu? Perguntou quando coloquei o último curativo.
–Quer saber desde o começo?
–Sim.
–Espera um momento. Fui na cozinha e peguei o leite que ainda estava quente e coloquei pedaços do chocolate. Separei duas canecas, retornei para sala com tudo em uma bandeja e estendi meu braço segurando uma caneca para que ele pegasse — Como minha vó costumava falar: “Chocolate quente para aquecer corações gelados”.
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