Meu delinquente favorito. Nalu
6 Problemas.
Notas iniciais
Meus olhos embaçaram e eu demorei alguns segundos para entender onde estava. Minha cabeça latejou assim que tomei consciência de tudo. Eu estava na cama da enfermaria... Novamente.
Minha perna estava para o alto e com um enorme gesso que ia do joelho até em baixo, deixando apenas meus dedos dos pés com um esmalte vermelho berrante para fora.
Quando olhei em volta vi que a enfermeira estava parada na mesa dando um remédio para uma aluna que dizia sem parar estar com cólica. Esperei um pouco na cama, com os olhos fechados e a cabeça encostada. Alguns minutos depois a voz da menina se foi e a porta se fechou.
– Licença... – Falei elevando um pouco a voz. A enfermeira pareceu me olhar com preocupação.
– Olá... Você acordou. Como está a perna? – Ela perguntou.
– Não está doendo nem nada... O que houve? Como vim parar aqui?
– Ah isso. Você caiu da escada, e o aluno – A porta foi aberta e a pessoa veio em minha direção gritando, cortando a explicação da enfermeira.
– Lucy! – Era Levy. – Porra, você está bem? – Ela disse sorrindo, a voz um pouco elevada. – Estava tão preocupada.
Levy me abraçou tão forte que quase tirou minhas entranhas.
A enfermeira tirou meu pé de pendurado e eu me sentei na cama enquanto ela foi anotar algumas coisas, dando-me oportunidade para falar com a azulada que estava super feliz em minha frente.
– O que houve mesmo? – Perguntei com um sorriso. Minha memória ainda estava meio borrada.
– Você... Estava com o a gente na quadra de basquete... Ai começou a discutir com... – Lembrei! A medida com que Levy foi falando eu meio que fui apagando o sorriso. Ela até parou de falar.
Eu briguei com ele.
Aquilo me deixou um pouco transtornada. Olhei para os lados, para disfarçar. Levy perceberá.
– Bom... – Mudei de assunto. – Como vou andar agora? – Fiz careta.
– Ah... – A enfermeira levantou. – O moço que veio lhe trazer. A diretora o deixou responsável por você. – Ela sorriu simpática.
Levy me olhou com compaixão. Nesse momento Natsu atravessou a porta da enfermaria.
Maldição.
– Luce... – Ele me olhou meio tonto. Eram onze da noite de uma segunda-feira... Ele parecia não ter dormido nada e mesmo assim fizera várias coisas. Estava elétrico, as olheiras em volta dos olhos, bem arroxeadas e profundas. Aquilo meio que... Doeu.
– O.K – Levy pronunciou alto. – Estou indo, Natsu-san cuide bem de Lucy. – O clima ficou tenso. Apesar de querer agarrá-lo ali mesmo, Natsu me magoará não confiando em mim. – Fui. – Levy saiu correndo.
– Estava muito preocupado com você... – Ele deu dois passou a frente e se encaixou nos meios de minhas pernas. Colocou suas mãos em meus cabelos e colou sua testa junto da minha.
Não!
Eu desviei meu rosto para o lado e ignorei seu toque. Ele percebeu que eu ainda estava chateada.
– OK. – Ele sibilou meio irritado. – Isso é um rádio... = Ele levantou um objeto redondo com as mãos. — Como aqueles de crianças... Você vai ficar com um e eu com outro. Quando precisar é só apertar esse botão que eu vou até onde você estiver.
Eu não respondi, apenas peguei o rádio e apertei o botão, encostei minha boca e sussurrei.
– Nós temos celulares. – Disse indiferente.
– Demoraria... – Ele disse me olhando fixamente, só que sem o rádio.
– Preciso ir ao meu quarto. – Falei ainda apertando o botão.
Ele riu e me pegou no colo.
No caminho, Natsu foi me explicando que por eu ter me machucado ele e Erza iriam jogar agora, eu fiquei mais aliviada, pois eles eram bons. No meio do caminho fiz Natsu parar na cantina, comprei um lanche natural.
– Nós podemos ficar um pouco na sala de vídeo games... Que tal?
Dei de ombros. Mas mesmo assim ele me levou ao meu quarto. Em silêncio essa vez. Ele subiu as escadas como se eu fosse uma mera pena em cima de seus braços. Parou em frente a minha porta e colocou as mãos no meu bolso traseiro, passando a mão de leve no meu bumbum. Eu o olhei com repreensão e joguei os meus braços para trás, tirando a chave e dando na mão dele, que abriu a porta com muita rapidez. Colocou-me na cama e estava saindo.
Assim que ele fechou a porta eu esperei trinta segundos e apertei o botão do rádio.
– Você sabe que estou assim por culpa inteiramente sua. – Soltei o botão.
– Eu sei.
– Então acho que me deve desculpas. Só acho.
– Luce... – Ele suspirou. – Vá dormir. Amanhã temos aula cedo.
Fiquei furiosa, mas não quis discutir. A enfermeira me deu alguns remédios para a dor e eles me davam um efeito colateral fudido de sono.
Coloquei meu radinho em baixo do travesseiro e fechei os olhos.
No sonho, Lisanna mexia em algo, enquanto Natsu estava com uma enorme garrafa em mãos, bebendo um líquido vermelho sangue. Ele engoliu todo o conteúdo em pequenos goles. Logo depois se virou e começou a mexer com Lisanna, abraçando-a e beijando ele. Eu comecei a gritar, ele não me olhou, mas ela, no entanto me viu e riu com bastante escárnio. Eu ajoelhei no chão e comecei a chorar muito, e ele ia despindo-a, aquilo me doía muito, e a cada peça de roupa eu ia ficando pior e com mais ódio dele.
Acordei com Natsu me chacoalhando violentamente na cama.
– Luce. Porra, Luce, acorda. – Ele falava meio alto.
– Mas. Que, porra, Natsu. – Eu disse tudo lentamente.
– Você estava chorando, e ai, deve ter apertado o rádio, e eu ouvi... – Ele estava desesperado.
– Hãaaa... Eu só tive um pesadelo, vá dormir caralho. – Eu estava com muito sono e não pensava direito nesses momentos.
Ele me abraçou.
– Não vou te deixar cair de novo, Luce.
Eu arrepiei.
– Natsu... – Eu me virei para ele, dando espaço na cama. – Por que não me perguntou de quem eu falava? Eu nunca falaria aquilo de você...
– Por quê? – Ele sorriu sacana. – Não consegue rejeitar o fato de ter desejos sexuais por mim. – Ele foi irônico.
Riu me zoando e entrei na dele e respondi:
– Não... Não consigo.
Natsu arregalou os olhos muito grandes, foi muito engraçado.
– Mas que porra vocês está dizendo? – Ela me olhou. – Está sobre efeito do remédio? É isso, está drogada.
– Sabia... – Eu ri. – Você não agüenta que alguém goste sexualmente de você. – Ri com ironia. – Fique a vontade para dormir aqui. Boa noite. — Eu estava sendo engraçada, queria quebrar o gelo de todas as brigas que a gente estava tendo.
Ele me beijou.
Eu sei, eu sei. Não achei mesmo que ele fosse me beijar. Mas foi calmo, lento, a língua dele foi devagar dentro de minha boca e eu deixei totalmente aquilo acontecer. Queria tanto quanto ele.
– Luce... – Ele falou entro os beijos. – Sua idiota.
Eu arfei nos separando, precisava de ar.
– Nossa... – Sibilei e me alinhei no corpo dele.
Ficamos ali por um bom tempo até que ele sempre tem que estragar o clima.
– Luce, você está com bafinho... – Ele me zoou, o óbvio. Eram quatro da manhã.
– Aaaaaaaaaaaaaaaaargh! – Eu explodi. – Maldito, saia agora!
Natsu riu no momento em que me virei para a parede fechando os olhos. Ele me cobriu.
Depois disso só ouvi a porta do meu quarto se fechando e eu cai num profundo sono.
~*~
Ele ficou me carregando por ai por uma semana, direto. Às vezes ele me roubava uns beijos, mas eu ficava com muita vergonha e logo nos separava.
A minha perna estava melhorando a cada dia. Os remédios eram bons, por serem caros. E em poucos dias eu estava andando sozinha, sem precisar da ajuda dele.
Faltando uma semana para começar agosto, eu e Levy resolvemos fazer um trabalho que teríamos que entregar no dia primeiro. Natsu me avisará que cairá com Lisanna e no momento em que eu estava saindo do meu quarto para ir ao de Levy encontrei ele entrando no apartamento dela.
– Oi. – Ele disse sorrindo. – Se esforce no dever. – Ele passou a língua nos lábios e mordeu delicadamente. Eu mostrei meu dedo médio e segui em frente.
– Vou bater ai assim que eu acabar aqui, espero que você saiba. – Disse irritada e entrei no quarto de Levy.
Passar o tempo com minha azulada era muito bom. Levy tinha se tornado uma grande amiga e eu sentia que podia confiar muito nela. Mas, mesmo assim, quando era Natsu no assunto eu ficava muito apreensiva de falar algo.
– Então Levy... – Suspirei. – Os meninos que a gente anda... Eles são muito pegadores?
– Os meninos? – Ela me olhou de canto de olho. – Todos os dois, menos Gray, ele é meio tímido. Gajeel é mais “come quieto”... Agora, Natsu é do tipo que pega por pegar, porque quer...
Eu suspirei. Então, ao que tudo o indica podia estar transando com Lisanna nesse momento. Meu coração doeu.
Mandei aquilo para longe continuei o trabalho com Levy sobre plantas. Era entediante, ficamos lá por uma hora mais ou menos.
Depois que terminamos, ela recebeu uma mensagem de Gajeel e disse que precisava muito ir. Eu sorri e disse que também precisava sair.
Fui paro meu quarto e me troquei. Fiquei com o coração na mão... Será que eu iria lá o chamar? Mas eu disse que iria, então não acho que tenha problema... Será?
Abri a porta com muito cuidado e me dirigi ao quarto de Lisanna que ficava do lado do meu. Ante de bater na porta ouvi a voz dos dois, mas não entendi muita coisa. Bati na porta algumas vezes e não tive resposta.
Na sétima vez, resolvi abrir. Que para o meu desespero não tinha a melhor visão.
– Natsu...?
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