Meu colega de quarto
14 revelaçoes
Notas iniciais
Elena?! Então ela é a mulher do Rafael, que dizer ser Amélia, mas o Rafael disse que ela é a Elena. Porque amor épico? Nem vou perguntar pro Rafael, do jeito que é mal humorado vai me tratar mal, não tou afim de me estressar com ele. Mas porque todos dizem que o Lucas sofreu tanto?
Eu continuava olhando para as ondulações, mas não podia ficar ali pra sempre, e fui pro meu quarto.
Quando cheguei no corredor vi o Lucas andando de um lado pro outro na frente da minha porta.
—Lucas?! -disse -O que você faz ai?
—Bom tava precisando falar com você, e não sabia se você ia me receber, então.. -Ele deu um sorriso torto, como amava aquele sorriso, como o amava, como o desejava, como sentia a sua falta. -Tou parecendo um idiota aqui né? Tá na cara que você não quer falar comigo! Tudo bem, tá tarde, e..
—Lucas! -Disse sem perceber. -Fica! Temos que conversar.
Ele me olhou surpreso, e me deu passagem, e me encostei na porta do meu quarto, o quarto dele ficava na frente do meu, e meio sem jeito, ele colocou os dedos no bolso da calça e abaixou a cabeça, já sabia o que ele ia me perguntar.
—No meu quarto! Pode ser no meu!
E abrir a porta do quarto dando passagem pra ele passar primeiro, o perfume dele era inebriante, so queria senti-lo, seus toques, seus carinhos, seus beijos, ao menos uma última vez, mas não posso esquecer o que aconteceu, ou posso?!
—Então Lucas? O que você queria conversar comigo? -Disse me apoiando na penteadeira, e puxando a manga da blusa até os cotovelos. Ele continuava em pé no meio do quarto.
POV LUCAS
Minha vontade era correr até ela e abraça-la e me perder em seus beijos, ela era meu porto seguro, tudo que tinha demais precioso, e tava ali na minha frente, mas tão longe ao mesmo tempo.
—Bom Lis, quer dizer Júlia! Nem sei como te chamo mais! -Eu dei um sorriso de lado.
—Me chame como quiser! -ela disse cruzando os braços e olhou para o chão, ela fazia isso quando tava nervosa, pois ela sempre olhava para as pessoas de queixo erguido.
Eu queria chamar de Lis, de amor, de anjo, de tantos nomes, mas so podia chamar de Júlia. Passei a língua entre os lábios para umedecer-los.
—Sabe amanhã vamos atrás da Amélia, ou Elena, nem sei quem é que vamos encontrar e temos que ficar juntos, porque se for realmente a Elena o Rafael vai surtar, se não for será o fim do mundo! Então queria te pedi que amanhã fique um pouco calma e ignore qualquer coisa que ele dizer.
—Lucas você sabia que o Rafael, o Fred e a Elena formam um triângulo amoroso?
Fui pego de surpresa, nem sabia o que dizer e como dizer.
—Sim, todos nos sabíamos!
—Cara como deve ser complicado isso, ficar com a mulher que você ama e não poder ter-la. -ela disse sonhadora.
—Verdade, mas ele sempre respeitou os dois! Mas enfim! Só vim pra te dizer que amanhã será um dia difícil para todos. Então, boa noite!
Quando ia me retirar, ela puxou meu braço.
—Espera Lucas!
—O que Elisa? Você vai me bater? Ou me dar choque? Ou sabe lá o que vai fazer?
Mas antes que pudesse falar mais alguma coisa ela me beijou, um beijo calmo, suave, como era antigamente. A afastei, e disse:
—Sai da minha cabeça Elisa!
—De todas as lembranças que você tinha, essa é sua preferida? Mesmo sendo uma mentira! -ela disse em tom calmo, ela nem tinha se movido, ela tava na minha mente brincando comigo, foi o fim da picada.
—Você pode me castigar de todos os jeitos, agora até entrar na minha cabeça entra, pra que pra brincar comigo?! Ótimo Elisabeth, continue com isso, me mate se quiser, não ligo, já te perdi! -me aproximei dela, peguei a mão dela. -Mas você não pode dizer que tudo que vivemos foi uma mentira.
Comecei a conduzir a mão dela em meu corpo e parei sobre meu coração.
—Você foi a melhor coisa que me aconteceu, diga que é mentira, diga que não foi real. Mas pra mim tudo foi real, você pode ver através dos meus olhos. Mas se não acredita veja na minha mente, vasculhe e veja a história.
—Eu não sei fazer isso Lucas! -ela falou em tom baixo, ela estava com medo do que encontraria?
—Você consegue Lis, tenta por você, e decida se é mentira ou não.
POV ELISA
O que ele tava me propondo? Não tinha cabimento e muito menos lógica, mas será que ia conseguir, olhei bem fundo nos olhos dele e me concentrei nele e começou.
Eu era apenas uma telespectadora, mas conseguia sentir sua emoção, sua alegria ali, mas puder ver claramente o Lucas como uma criança, ele tinha por volta de 3 anos, e corria pra mãe, como ela era linda. Tinha me esquecido, como os olhos dela eram lindos e sinceros.
—Lis mas pra frente! Procure mais pra frente! -ele disse acarinhando meu rosto.
Agora estávamos na praça de alimentação do shopping, onde nos reencontramos, ele sentando com aquele boné ridículo, ele estava tão feliz, tão radiante, o coração dele batia descompassado, como não escutei. Quando ele me viu, nos eramos adolescentes ainda.
—Mas na frente, talvez isso ajude! -antes que pudesse falar ele me beijou.
Então veio uma chuva de emoções, ainda estava conectada a ele, pude sentir tudo, desde do primeiro beijo que ele me deu quando voltei da viagem da Alemanha, e como ele pensava que eu era apenas um sonho ou um delírio, sentir o que ele sentiu quando nos amamos pela primeira vez, mas não, o amor não veio dai, veio do dia que ele me conheceu naquele vestido horrível, e após anos, a angustia de não poder me ter, a tristeza e a raiva de me ver com outro que não era ele, como a amargura o acompanhava. Não conseguia sentir mais tanta dor e o empurrei.
—Como você aguentou tudo isso? -disse sem fôlego.
—Sempre te amei! Não podia estragar tudo! -ele me disse de cabeça baixa -Me desculpa Elisa.
—Quero saber tudo! Me conta por favor! Chega de mentiras!
—Senta a historia é longa! -ele disse se jogando na poltrona perto da cama.
Eu marchei rumo a cama e me sentei lá.
—Pode começar!
—Foi você que quis saber, então vamos lá.
POV LUCAS
Ela queria saber, e cansei de levar esse fardo sozinho, não tenho mais nada a perder.
—Meu pai e o seu eram muito amigos, faziam parte de uma espécie de seita ou sabe lá o que, Coração de Leão.
—Se conheceram na faculdade de Medicina! -ela disse vasculhando a memória.
—Sim e não, Elisa quantos parentes você conhece? -eu disse a olhando.
—Do papai nenhum, na verdade de nenhum dos dois! Mas o que tem isso haver?
—Você nunca se perguntou o porquê?
—Sim, mas o papai disse que era impossível porque todos moravam longe! E depois ele me mandou pro internato! Mentiras ne?
—Seu pai, ou o Andrew não tinha mais parentes vivos, assim como meu pai, o coração estava atrás de pessoas, mas nao podiam ter vínculos, se eles entrassem na organização, a associação bancava o curso inteiro! E foi isso que aconteceu! E eles se conheceram em um reformatório, eles eram encrenqueiros! -dei um sorriso torto a recordar isso.
—Não faz sentindo! Isso é muita loucura, mas não sou filha deles! Então era por isso que nunca tínhamos visitas em casa! E você sabia e nunca me contou! -o olhar de fúria dela era doloroso demais e desviei o olhar. -Continue, o que tinham que fazer?
—Caçar!
—Caçar o que?
—Não Elisa, quem, a seita queria que caçassem bruxas, vampiros, seres que para humanos não passavam de histórias, eles caçavam isso! Então fizeram, caçavam, e acabaram se tornando amigos, e juraram que iam se tornar irmãos, e cuidar um do outro, quando Andrew conheceu Emma em uma dessas caçadas, ela era o que se chama de bruxa inativa e estava grávida de você! -pude ver a surpresa dela, mas continuei -E você era o alvo, mas ele não teve coragem, e como já havia terminado a faculdade, sumiu no mundo com ela, e como o tempo foi se apaixonando por ela e pela criança, o único que sabia onde estavam era meu pai! E ele também casou, mas com uma ninfa, o que também era proibido, e nasceu eu! Elisa, por anos eles pensaram que podiam se esconder, pois a ordem não foi atrás, mas ninguém some dela! E seu pai te amou como se fosse filha dele se fato, você não usava o nome dele por um único motivo, não queria que te encontrasse! Ele te amava, te idolatrava!
"Todos eramos felizes em Seattle, pois uma bruxa fez um feitiço para que ninguém nos encontrássemos, além de que você usava a corrente que esta no seu pescoço, presente da sua mãe, mas um dia, você e meus pais sofreram um acidente, te queriam porque você já estava em idade de se treinada para ser sacrificada, bom era isso que todos achavam, e meus pais se sacrificaram em prol de você! Não iam deixar nada te acontecer, meu pai devia isso ao Andrew! Por ter-lo protegido com a minha mãe!"
—Você deve me odiar por isso! Mas como você sabe de tudo isso? Meu Deus quem é seu tutor afinal? Fora o que eles querem de mim?
—Seu pai! Ele não queria que eu me metesse, mas já sabia de algumas coisas, pois vez ou outra eu escutava os dois falando de você e da ordem, e quando eles morreram fui embora, seu pai ficou louco! E voltei e joguei tudo na cara dele, e ele me contou a nossa história, e jurei que ia te proteger! O que faço até hoje, por isso sempre te achava! E não, não te odeio, te amo! Então Lis, os seus pais sempre serão os Parker! Mas sinceramente não sei o que eles querem, só sei que te querem, por isso fui para a casa do Rafa!
—Obrigada Lucas! Obrigada por tudo, fui injusta! Nao sei o que dizer, não sei o que pensar! -ela começou a chorar e corri pra ela.
—Tudo bem! Só quero que você fique bem!
—Você faz parte da ordem ne?
—Sim e não! Pergunta o que quiser!
—Como você conheceu o Rafael?
—A mulher dele tava na mira e eu o conheci quando tive um acidente perto da casa dele! Mas era tudo pretexto pra me aproximar deles, mas me desliguei da ordem quando a conheci, Elena é ou era a mulher mais gentil, doce, a melhor pessoa que poderia existir, e não tive coragem e vontade de mata-lá. E eles me acolheram na casa deles, e descobri que você era a próxima, não ia fazer isso, iai fui atrás de você, e te encontrei na lanchonete do shopping! E virei seu guarda-costas!
—Meu Deus! Que loucura é essa toda? Lucas isso que você ta me dizendo! Porque mudar meu nome pra Júlia?
—Eu sei é muita coisa pra você entender! Porque você é uma espécie de cópia de uma mulher chamada de Djúlia! Não sei de mais nada!
—O que é uma cópia? Não seria uma sósia? -ela me perguntou com curiosidade.
—Não, é uma cópia mesmo, porque sósia ainda tem algumas diferencias, mas o que entendi é que você é exatamente igual a ela!
—Como a Elena de vampire diaries?
—Sim! -dei uma risadinha sem graça. -Mas só tem uma coisa que tenho certeza, eu te amo e sempre te amarei!
—Eu também e muito
Isso foi o bastante para beija-lá, ela se rendeu ao beijo, mas ela o interrompeu.
—Lucas como você sabia que eu tava na sua mente?
—Você só me beijou uma vez calma, e após todo esse tempo, não seria tão fácil assim! Te conheço Elisabeth Parker! E não importa onde esteja eu vou te achar!
E assim fechamos aquela noite, sabendo que assim que o amanhecesse seria mais difícil, era o dia de ver a Elena!
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