Meu bem
1 Não vá
Notas iniciais
Nada a declarar...
Meu bem
Não busque a caixaSei que a curiosidade te consomeMas não vá!Não vale a pena...Se for não impedirei-lheApenas desejo-lhe sorteNo lugar onde um estranho rio correCores belas você avistaEm um pedestal vermelhoEla repousa tranquilaUma simples caixa prateadaDelineada de um verde bonitoNenhuma trancaQue tentação!Apenas uma suave colinaSepara você e elaEu suplico, meu bemNão a abraNão siga as margens do rioNão admire os reflexos coloridosEm sua água límpidaOu acabará hipnotizando-seQuanto mais perto da caixaMais perto do amor se sentiráMais a tentação aumentaráSeja forte, meu bemSe não conseguirE a tampa tocarNão haverá resistênciaMas um último aviso teráApenas nuvens de chuvaTalvez não vá notarRefém da curiosidadeE também da tentaçãoA tampa você abrirá..."O que eu vou encontrar?"Sei que está se perguntandoMeu bem, não tente negar.Muito de lá vai sairSerá uma confusãoUm espetáculo de cores e sonsOu apenas a escuridãoAs nuvem colorir-se-ãoRaios psicodélicos veráUma onda suaveUma explosão graveO bem, o mal, luz, escuridãoDa caixa tudo sairáE nunca mais voltarãoPorém quando a caixa abrirMeu bem, não esqueça meu avisoTalvez você liberte o malTalvez tudo venha a se dividirTalvez algo na caixa queira lhe engolirTalvez a humanidade venha a cairTalvez você liberte o bemTalvez tudo venha a melhorarTalvez você venha a se apaixonarTalvez a paz tudo irá alcançarTalvez você liberte tudoEu não sei o que vai acontecerMas sei que de incertezasNão poderemos viverTalvez você me ouça e se afasteTalvez caia no marTalvez a curiosidade vençaTalvez você deva me ignorarMas, meu bem, eu repitoPor favor, não vá láNão se aproxime da caixaNão sei o que vai encontrarCiúme, inveja, ganânciaCura, alegria, amorTudo a caixa abrigaOuça meu clamor!Talvez eu fale demaisTalvez eu deva pararSó suplico-lhe uma última vezPara a caixa não procurarSei que deve doerE falta eu devo fazerMas a culpa foi minha, meu bemNão devia ter deixado vocêA caixa muitos já abriramE sei que outros abrirãoQuero deixar-lhe longe desse ciclo.O que eu encontrei ao abrir?Sua curiosidade pode ser sua perdiçãoMas, meu bem, eu te direiJuro que é a mais pura verdadeEntão não faça aquela cara de decepção!Eu poderia ter encontrado tantas coisas...O amor, o ódio ou até o mundo!O que encontrei foi mais simplesMas não perde seu encanto"Diga-me logo o que achou!"Consigo imaginar sua reclamaçãoConcordo! eu falo demaisMas, meu bem, tente entenderEssa será nossa última mensagemAdeusEncontrei o fimAo seguir o leito do rioE ao abrir da caixaEncontrei o vazio
Notas finais
Espero que tenha gostado, se tiver algo a declarar, críticas ou elogios, ou mesmo dizer que não entendeu nada, fico feliz com comentários, se não, tudo bem, espero que o poema tenha lhe agradado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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