Notas iniciais
De agora em diante só emoção jovens =D

Lucas

Ok, confesso que a pior parte não foi ligar para ele de manhã ou ficar esperando dar o horário no campus, nem a ligação da Viviane não era estranha, mas ir almoçar com ele, uau, como era estranho! Parecia um encontro, mas logo percebi que não, a ideia dele de almoço não era bem almoço, fomos a uma lanchonete da SubWay, comemos um lanche e depois pegamos a estrada de novo. Durante o lanche, ele quase não falou, apenas comeu e ficou no celular respondendo mensagens, logo seu telefone tocou e ele saiu da mesa para atender. Na verdade, foi para fora da lanchonete, depois voltou e se sentou.

— Desculpe não largar o telefone, acabei atrasando um trabalho pra fazer umas pesquisas ontem e o contratante não está feliz.

— Era ele ao telefone? — Parecia não ser do meu interesse, mas decido prosseguir para ter um assunto.

— Não, minha... digamos, secretária, ela desmarcou uma reunião que tinha pra hoje à tarde e uma para segunda-feira.

— Reunião? Secretária? Achei que você fosse um autônomo — falando assim, parecia que ele queria se mostrar.

— Sim, sou, mas não diplomado, porém já trabalho no ramo, pois fiz alguns cursos online, então agora estou fazendo a faculdade pra pegar uma especialização, e tenho reuniões de trabalhos e propostas de trabalhos, então minha agenda está sempre lotada!

— Uau, parece alguém importante — ele parecia ter uma vida corrida, fiquei feliz em ter dado a parte fácil do trabalho para ele.

— Sim, um pouco, e afinal, quantos anos você tem mesmo?

— 19 anos, e você? — Não consegui evitar ficar vermelho, ele não notou, pois estava digitando rapidamente de novo.

— 25, sei que já estou meio velho pra faculdade, mas tenho meus motivos.

— Não acho que você seja velho pra se formar, e não acho que deva falar de seus motivos — pareci meio agressivo na resposta, mas no fundo estava certo, ele não era velho e, pelo que eu sabia, não havia idade para se formar. Esse foi o ponto final do “almoço”.

Entramos no caro e seguimos para a casa dele. Fomos para uma área diferente da cidade, uma mais urbana, nada de condôminos ou prédios, apenas casas grandes e espaçosas. Paramos em frente a um casa bem modesta, em um tom de azul claro, por um momento, pensei na minha casa azul e dei um sorriso bobo.

— Tudo bem, o que é engraçado? — Ele me perguntou com um olhar sério.

— Nada — respondi ainda com um sorriso no canto da boca.

Parado em frente à casa, tinha um carro vermelho com uma jovem impaciente ao lado. Logo que descemos, minha cabeça começou a trabalhar e fiquei tonto. Claro, como não pensei nisso? Ele era casado, pela idade que tinha e, minha nossa, como ela era linda, e aquilo no banco de traz era uma criança? Comecei a suar frio e meu coração disparou.

— Quem é esse? — Disparou ela sem pensar duas vezes.

— Um colega da faculdade! Tudo bem com você, irmãzinha? — Irmã, sério? Comecei a me acalmar.

— Está bem, garoto? Ele está bem? Parece meio pálido! — Sério, eu estava pálido de novo? Será que estava anêmico?

— Estou bem, senhora. Não precisa se preocupar — disse com minha educação de berço.

— Senhora? Ele está achando que sou tão velha assim? Bem, de qualquer maneira, vim te trazer umas caixas, já estão lá dentro, agora largue meu filho que temos que ir.

— Seu filho é meu sobrinho e não largo não — ele havia pegado a criança no banco de trás e brincava afetuosamente com ela, deveria ter uns 3 ou 4 anos apenas, a cena era até bonita de se ver. Depois de colocar seu sobrinho na cadeira de proteção, abraçou a irmã se despedindo e foi até a porta.

— Se cuida, Brenno, e juízo, garoto! — Sério, de novo isso de garoto? Dei um sorriso e me despedi, e o que ela quis dizer com juízo? Ela pensava que eu ia agarrar o irmão dela?

— Se cuida você também, Mila, um abraço na mãe, beijos — ele morava sozinho, ótimo, agora eu estava assustado.

Entramos na casa e, por um momento, congelei, uma mulher pouco mais velha que ele estava sentada no sofá, lendo uma revista. Pensei de novo em mil teorias, fiquei esperando ele dar um beijo afetuoso na mulher, que provavelmente era sua esposa. Ele foi até a cozinha e voltou depois de dizer um “oi” alto.

— Está tudo bem, garoto? — Sério, quantas pessoas iriam me chamar de garoto? Será que tinha um papagaio por ali? Devia ir lá me apresentar e esperar. — Parece meio pálido.

— Estou bem, senhora, muito obrigado, não precisa se preocupar — precisei me olhar no espelho, será que estava mesmo pálido?

— Senhora? Nossa, bem educado — ela disse com um sorriso aberto. — Precisa de mais alguma coisa? — Ela perguntou se dirigindo a cozinha.

— Não, Rita, pode ir descansar, fez um trabalho incrível como sempre, e rápido como sempre, muito obrigado.

— Não por isso, só lembre de pôr a roupa no cesto, a louça na pia e o lixo na lixeira — ela disse como se desse ordens a uma criança.

— Lembrarei, sim! — Ele sorriu e se despediu.

Ela saiu, foi até um quarto mais ao fundo e voltou com um casaco e uma bolsa, se despediu e foi embora.

— Você não parece bem! Quer algo pra tomar? Tenho suco, leite, chá? — Leite, sério? Ele achava que eu era um bebê?

— Quero! Tem algo alcoólico? — Perguntei com um tom sério e sem nenhum sorriso amistoso, ele fez uma careta. — Estou brincando, porém já sou de maior, não me faça essa cara — disse rindo da piada.

— Volto logo, o escritório é por ali — ele me indicou um cômodo a frente.

Desloquei-me para lá com meus materiais ainda nas costas em uma só alça e, quando cheguei lá, quase engasguei, o cômodo era bem grande, um total de quatro mesas estavam dispostas nas paredes, em “U” contornando o escritório. A mesa da esquerda estava cheia de livros e papéis espalhados e empilhados, na da direita, apenas um monte de folhas empilhadas uniforme, e nas duas do centro, dois computadores e quatro monitores, dois em cada, ligados, e com muitas janelas abertas.

Todas as mesas estavam encostadas nas paredes que, com exceção da parede da janela, eram repletas de prateleiras com dezenas de livros e outras coisas. Ele já estava ao meu lado.

— Está bem? Aqui é onde trabalho e estudo, meus livros e meus colecionáveis estão quase todos aqui — eu dei um pulo no lugar e virei com uma cara de assombrado, como ele tinha vindo até ali sem fazer barulho?

— Estou ótimo, esse lugar é incrível — ele me entregou uma garrafa de cerveja e tinha outra em mão para ele. — O que é isso?

— O nome é cerveja, tenho outras bebidas na geladeira se quiser! — Agora foi ele quem riu da piada.

— Não, essa está bom — ele me entregou sua garrafa por um minuto e arrastou a mesa mais vazia até o centro da sala, colocou duas cadeira e dois descansos para copos e me convidou a sentar. Coloquei minha garrafa no descanso de copos, sentamos cada um de um lado da mesa.

— Bom, temos bastante coisa pra fazer, podemos começar.

— Ok — respondi

Era a única coisa que conseguia pronunciar, ele foi até um dos computadores, colocou música que, por sinal, era rock, e voltou com um sorriso no rosto, achei que naquele momento, finalmente estávamos prontos para estudar.

Notas finais
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