Meu amor por um nerd
10 Conflito!!!
Notas iniciais
Lucas
Já não sabia mais o que estava fazendo. Brenno sugeriu pararmos por aquele dia, então aceitei, minha cabeça estava girando, olhei na mesa e identifiquei meia dúzia de garrafas vazias, apesar de ser uma mistura fraca, não estava acostumado com esse tipo de bebida, que era muito melhor que cerveja. Levantei para ir ao banheiro e ele foi até a sala, na volta do banheiro, passei na cozinha e peguei mais uma garrafinha.
Eu já tinha feito uma série de perguntas sobre a vida dele, e descobri que ele era solteiro, morava sozinho desde os 18, que fazia academia uma vez por semana apenas para não ser um sedentário em 100% do seu tempo, não costumava beber, apesar de a geladeira estar cheia de bebidas, e não fumava. A única questão que eu não tinha resposta era para o que eu estava sentindo.
Estar tão próximo dele mexeu com todo esses sentimentos sem nome. Notei que ele ficou me dando umas olhadas de canto de olho, tinha que tomar a iniciativa mesmo que fosse para me arrepender depois.
Como sabia que ele poderia retribuir? Dei uma olhada nas guias de busca do seu computador, enquanto ele foi ao banheiro, e identifiquei páginas de encontros e bate-papo adequadas com seus gostos, o que tornou as coisa mais fáceis para mim até certo ponto.
Quando cheguei na sala, ele estava olhando a programação da TV e, quando notou que eu estava com mais uma garrafa, me advertiu e veio tirar ela da minha mão. No início tentei resistir, porém ele era mais forte e acabei cedendo, mesmo assim, ele estava empregando mais força do que o necessário e acabou que a garrafa virou em parte na camiseta dele. Agora ele estava com raiva, via em seus olhos, porém ele respirou fundo e ordenou que eu me sentasse.
Segurei-o pelo braço e ficamos nos encarando, os olhos escuros dele estavam fixos em meu rosto, depois em meus lábios, em seguida, nos meus olhos, enquanto que eu olhei seus olhos e boca, depois novamente os olhos. Por um momento, pensei em puxar ele ali mesmo e beijá-lo, sabia que ele estava desejando o mesmo, porém hesitei e apenas pedi desculpas desviando o olhar dele e soltando seu braço.
Ele foi até a cozinha deixar a garrafa e eu fiquei sentado no sofá, ainda estava tonto, minha adrenalina trabalhou me deixando agitado, precisava descobrir o que estava sentindo. Segui ele até o quarto, que estava escuro, e ele estava parado na frente do armário. Sugeri que ele pegasse uma camiseta vermelha, pois no primeiro dia de aula ele estava de vermelho, ele pegou a verde e se virou para colocar. Nesse intervalo, fiquei olhando seu corpo bem estruturado pela academia, os músculos que não eram exagerados, mas estavam ali, seu corpo era liso e isso me deixou com a curiosidade maior. Quando ele terminou de vestir a camiseta e se virou, já estava próximo dele, segurei-o pelos ombros, o que era engraçado já que eu era mais baixo alguns centímetros. Com um olhar confuso ele me encarou, então puxei-o para mais perto e o beijei.
Ele me afastou. Logo em seguida, estava com uma cara assustada, uma mescla de medo e desejo. Soltei-o e dei um passo para trás, ele voltou a me puxar e agora foi ele quem me beijou, dessa vez com mais intenção e mais desejo. Senti ele me pressionar contra o armário e senti seus lábios quentes pressionando os meus, nossas línguas se cruzando no espaço que era nosso, sua respiração estava acelerada e a minha também. Entre uma respiração e outra, senti seu hálito adocicado pela bebida, e com seu corpo próximo, junto ao meu, senti sua mão percorrer meu corpo e a minha o corpo dele. Por um momento, o tempo parou, não ouvi mais a música do escritório, não ouvi mais nada, e não via mais nada.
Tudo funcionou normalmente, mas para mim era como se o mundo tivesse parado, nada mais importava, só eu e ele ali, aquele momento no qual ele se entregou ao desejo e eu me entreguei ao meu. Nunca tinha sentido isso antes, era como se fosse mágico, senti um frio na espinha e era como se tivesse borboletas no estômago. Então era isso, esse tempo todo era o sentimento que eu nunca tinha percebido, o gostinho que movia meu mundo pessoal, algo que sempre esteve dormindo dentro de mim esperando o momento certo para despertar.
Ele me tirou do meu transe pessoal, agora estava ofegante e me olhando profundamente. Senti seu coração batendo acelerado, e sabia que ele podia sentir o meu, seus braços estavam em minha cintura e eu estava com os braços em volta dele.
— O que foi isso? — Ele perguntou com um tom de confusão na voz, mas ainda me segurando pela cintura.
— Eu, eu... eu não sei explicar! — Então as lágrimas vieram, uma a uma, depois uma torrente delas e os soluços, mas não era tristeza nem mágoa, e sim uma mescla de medo e felicidade.
— Você… você está bem? Por que está chorando? — Ele parecia preocupado, abracei-o mais forte, e senti ele me envolver em um abraço apertado e silencioso.
Ele não disse nada, apenas me abraçou enquanto eu chorava e chorava em sua camiseta recém trocada! Realmente eu parecia um garotinho, mas não queria me sentir assim, apenas fiquei ali. Ele se afastou e puxou minha corrente na qual tinha uma aliança presa. Vi um pouco de dor em seus olhos e minhas lágrimas pararam finalmente.
— Você ao menos sabe o que está fazendo? — Ele perguntou com uma voz embargada, mas contida.
— Não — disse apenas.
— Imaginei — ele manteve a voz firme, mas percebi a dor em suas palavras, ele se afastou e saiu do quarto, me deixando ali por um momento, ele voltou com meu celular e uma garrafa de água gelada.
— Vou arrumar o sofá para você dormir aqui se quiser, não tenho condições de te levar em casa, a menos que sua mãe venha te buscar, pode passar o endereço, está anotado em um bloco no escritório, só avise a ela que a responsabilidade de você estar semiembriagado é sua — ele voltou a sair do quarto e me deixou ali com a água e o celular nas mãos.
Notei que ele não estava nada bem, mas sabia que a culpa era minha. Se eu estava confuso, imaginei o quanto ele devia estar naquele momento. Eu já tinha uma namorada, que era muito linda, e ele sabia disso, não trabalhava, tinha metade dos estudos bancado pela minha mãe, ele devia ter notado que a Viviane e seus amigos eram bem de vida, andando com carros e gastando o dinheiro que não ganhavam e não lutavam para conquistar, diferente dele, mas a dor em seus olhos e na sua voz remetia a outros acontecimentos. Ao que seria, eu não imaginava!
Tomei meia garrafa de água nos minutos que se passaram, depois fiquei sentado na cama, não sei quanto tempo passou, não vi as horas no relógio, apenas fiquei olhando para o nada, meu telefone ficou no silencioso o dia todo e já tinha cinco ligações perdidas da Viviane, as quais não pensei em retornar. Já senti que minha voz estava melhor e minha tontura diminuiu quando o telefone tocou de novo, desta vez era minha mãe.
— Oi — disse com a voz controlada.
— Oi. Só isso? — Ela estava preocupada e com raiva. — Onde você está?
— Estou na casa de um colega.
— Colega? Que colega? Ele está aí? Por que está com essa voz? Quer que eu vá te buscar?
— Estou bem! Um colega da faculdade, estamos fazendo um trabalho para a aula de programação, estou com essa voz porque bebi mais do que costumo aguentar. E não precisa me buscar.
— Você bebeu mais do que costuma? Você é alcoólatra por acaso? Onde você está?
— Não, eu não sou alcoólatra, só bebi umas duas ou três garrafinhas de ice¹ e não fiquei bem, na verdade não estou nem acostumado a beber — meias verdades. Precisava me descomplicar.
— Quero falar com ele.
— Mas mãe...
— Sem mais, A-G-O-R-A!
Me levantei meio tonto ainda com o celular na mão e fui até a sala, que estava escura, a não ser pela TV ligada com o áudio bem baixo. Não o vi em nenhum dos dois sofás e comecei a me preocupar, mas ele fez um som com a garganta para chamar minha atenção e o notei sentado em uma poltrona ao canto da sala a qual eu não tinha notado. Nem em frente à TV ele estava!
— Sim? — Ele perguntou meio que em sussurro.
— Minha mãe quer falar com você. Se não se importa — ele fez um sinal com a mão para que eu entregasse o celular.
— Alô — como ele estava nas sombras, não pude ver sua expressão, mas ainda sentia a dor em sua voz. Não sabia o que pensar, a conversa se desenrolou rápido e a noite pareceu ter vida própria, sentei em um dos sofás e esperei.
...
¹ = Essa bebidas são bem tradicionais em mercados e em lojas de conveniência, uma mistura de vodka, limão e outras bebidas com uma porcentagem de álcool reduzida, coloquei assim por dois motivos: não tenho intenção de usar nomes, pois não tenho merchan pra isso, e não quero incentivar o alcoolismo. Uma boa leitura =D
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