Meu amor por um nerd
12 A tempestade parte 1
Notas iniciais
Lucas
Tudo estava indo de mal a pior. Agora eu já sabia o que sentia ou achava que sabia. Para isso só precisei deixar minha mãe brava, a Viviane muito irritada por não atendê-la e o próprio Brenno não querendo falar comigo. O domingo passou rápido liguei mais de 15 vezes para a Vivi e ela não atendeu nem em casa nem no móvel, também não me retornou. Não cogitei ir até a casa dela até porque não posso sair, estou de castigo oficialmente até última ordem.
Liguei para o Brenno umas 10 vezes também e ele não atendeu, tampouco me retornou. Aproveitei o confinamento do domingo para digitar o trabalho, o que foi proveitoso.
Na segunda, o dia foi corrido e a Viviane e os demais me ignoraram me evitando completamente. Brenno mudou de lugar, agora senta-se ao fundo, também não me deixou me aproximar ou trocar uma única palavra.
No decorrer da semana, consegui trocar um oi rápido com ele e poucas palavras com o Mauricio, o que não foi nada comunicativo.
Na quinta-feira, recebi um e-mail do Brenno depois de insistir muito.
“Obrigado por terminar de digitar sua parte do trabalho. Já anexei ambas as partes e formatei, também já fiz a introdução e todo o resto, já está pronto para ser entregue.
PS: Por favor pare de me ligar. Grato!”
Tudo bem, não eram muitas linhas e por fim uma observação bem chata.
Na sexta, o céu estava escuro, a manhã estava sinistra. Meu castigo estava suspenso e eu decidi falar com a Viviane e esclarecer as coisas pelo menos com ela. Na chegada ao campus, fui direto para a aula. O professor entrou com o seu típico mau humor.
— Bom dia, senhores Carlos, Alvim e Lucas? Estão aí?
— Sim – respondemos quase todos juntos.
— Como tenho três pedidos de transferência que a secretaria me passou no início da semana, eu aguardei até hoje para falar algo justamente para complicar a vida de vocês — ele estava com um sorriso perverso no rosto. — Já passou uma semana desde que eu dividi vocês e entreguei as pautas dos trabalhos, o que reduz o prazo de vocês em metade do tempo.
“Então eu decidi mudar as duplas. senhor Alvin, sua dupla era uma aluna chamada Camila e ela se transferiu, senhor Carlos, o seu parceiro era o Pedro e ele também se transferiu, então agora vocês são uma dupla”.
— Sério. Você poderia ter feito a troca na segunda e esperou até hoje? — Carlos demonstrou estar muito bravo.
— Não me interrompa antes de levantar a mão! E como eu disse, minha intenção é nunca facilitar para vocês. Quanto ao senhor Lucas, seu parceiro era o Brenno e, como vi o lugar dele vazio a semana toda, acho que ele não reconsiderou a transferência.
— Desculpe a interrupção, professor! — Me virei e vi Brenno com a mão erguida.
— Pois não? E você quem seria?
— O trabalho da minha dupla já está pronto — não satisfeito em interromper, ele se levantou e foi até o professor, que estava com uma cara bem feia. — Lucas e Brenno, dupla 15.
— Deixe-me ver — ele estava olhando o índice e a introdução do texto. — Achei que você sentasse na minha frente — disse sem tirar os olhos do trabalho.
— Sim, até meu óculos ficarem prontos.
— Tudo bem. Apesar de isso não me fazer muito feliz, garante a nota dos dois. Também garante que você está dispensado de minha aula hoje. Como sua transferência chega na segunda, não preciso te passar nada hoje. Os demais abram na página 38.
Ele não falou nada, saindo com suas coisas da sala logo em seguida. Fiquei sentado em pânico em meu lugar. Que história era essa de transferência? Peguei minhas coisas e saí atrás dele, sem me importar com o olhar do professor e dos demais alunos
— Ei, espera — ele não parou e não olhou para trás. — CARA, ESPERA AÍ — agora usei um tom mais alto.
— O que você precisa? — Ele estava com uma cara bem feia.
— Precisamos conversar.
— Não, não precisamos.
— Sim, precisamos. Sobre aquilo que aconteceu. Você não pode ignorar isso — disse tudo de uma vez.
— Não aconteceu nada, você estava bêbado. Só isso.
— Não, não foi bem isso, quer dizer, não foi só isso — agora ele estava confuso e eu estava tremendo.
— O que você está querendo dizer? — Ele perguntou com uma expressão de total confusão.
— Bom... na verdade... eu... — parei no meio da frase, gaguejando de novo. O tempo lá fora estava escuro, mas não é isso que me chamou a atenção. Viviane e Mauricio estavam no pátio indo para o estacionamento, no meio do primeiro período, o que me incomodou muito.
— Ei, você está bem?
— Podemos adiar essa conversa? — Disse, então saí correndo em disparada para o estacionamento.
Tive que sair do prédio onde estava localizado nosso bloco e correr por fora para chegar onde queria. Quando cheguei, não tinha a melhor visão do mundo. Viviane estava encosta em seu carro aos beijos com o Mauricio e não era um beijo de amigo, era um mega beijo igual ao que dei no Brenno. Isso me desconcertou, saí em disparada sem ver nada, sem pensar.
— VIVIANE, O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? — Estava nervoso, minha respiração estava ofegante. Maurício fez uma cara de deboche, e ela, uma cara de surpresa e indiferença.
— Você deveria falar mais baixo com minha garota — Mauricio falou me fuzilando com os olhos. Eu não acreditei que ele tinha usado essas palavras.
— Calma, Mau mau — ela se afastou dele sorrindo. — Deixa que eu falo com ele — então ela se virou e falou olhando em meus olhos. — Lucas, meu querido, acho que você teve um fim de semana bem cheio a ponto de não querer me ligar ou me retornar. Você pertence a outro mundo, fica com aqueles seus joguinhos nojentos ou com seus amigos estudando que você ganha mais. Nós não combinamos mesmo.
— DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO? — Agora eu estava muito bravo. — estamos juntos há mais de dois anos. QUE HISTÓRIA É ESSA DE NÃO COMBINAMOS?
— Estavam! — Ele disse com um sorriso no rosto.
— CALA A BOCA, MAURÍCIO, NÃO ESTOU FALANDO COM VOCÊ— isso foi uma idiotice, ele era muito maior que eu e muito mais forte. Depois disso minha vista ficou turva e caí de joelhos.
— Grita comigo de novo, e vou quebrar sua cara — ele tinha me acertado no estômago e agora se afastava triunfante.
Não lembro o que fiz depois disso. Lembro de ir para cima dele e rolar na calçada. Ele me acertou duas vezes e eu acertei ele uma, apesar de eu ter certeza que o soco dele tinha muito mais efeito em mim do que o meu nele. Perdi o foco e fiquei na calçada vendo ele se pôr em pé e sair com ela depois de entrar no carro.
A chuva começou a cair pesadamente e eu estava deitado de costas na calçada. Meu corpo estava dolorido e minha boca, sangrando. A chuva era fria e o céu, escuro. Fechei os olhos e senti a água me molhando, apenas queria que o mundo acabasse em cima de mim. Então senti que a chuva parou de cair diretamente em mim e abri o olho que ainda não estava inchado, o outro já não abria. Vi alguém com um guarda-chuva me protegendo da chuva. Tudo depois e muito confuso, lembrei da voz de alguém, a porta de um carro abrindo, o motor ligando, depois chaves, alguém me carregando, portas abrindo... escuro total….
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