Notas iniciais
Olá! Como estão? (: Sim, já é segunda... O capitulo deveria ter saído mais cedo, porém perdi o dia dormindo, me desculpem! Me desculpem também pela demora ao postar e responder aos reviews, tentei me explicar e bom, estou tentando me ajeitar. A demorava teve seus motivos, primeiro os acontecimentos que já sabiam e agora porque estou atrás de algumas coisas para começar em um novo emprego. Ao mesmo tempo que estou super feliz, também estou super cansada. Mas não me abandonem, sempre volto. ): E ah! Tenho sentido falta de alguns leitores... Poxa, voltem! São tão importantes para mim. Boa leitura! E leiam as notas finais.

Cozinhar nunca foi meu forte e não por falta de tentativas, pois já havia tentado várias vezes, porém algo sempre dava errado. Surpreendi-me ao conseguir cozinhar algo simples e ao mesmo tempo saborosíssimo. Macarrão com queijo, receita de Beth.

Devia ter se passado por volta de uma hora desde a confirmação de que Frankie viria para conversarmos, isso quando disso que não demoraria. Peter ainda dormia, deduzi ao observá-lo há uns vinte minutos atrás ainda na mesma posição em que havia deitado, apenas voltei a cobri-lo até os ombros mais uma vez e voltei para meu até então projeto de almoço.

Preparei um prato para Peter e segui até o quarto. Ao contrário da última vez que o vi estava deitado de bruços com as cobertas apenas em sua cintura. Deixei o prato sobre o criado mudo, me sentei ao seu lado e calmamente me aproximei de seu rosto sobre meu travesseiro. Deslizei meus lábios por sua bochecha selando os mesmo conforme me aproximava de sua boca. Ao alcançar seus lábios entreabertos os beijei devagar quase não conseguindo evitar sorrir por escutar seu ronronar baixo.

“Ei, dorminhoco...” Chamei baixo. Não tive sinal algum de que fui escutado. “Acorde, meu amor” Tentei novamente elevando o tom de voz.

O moreno se moveu minimamente bracejando algo que não pude entender. Virou-se para o lado oposto me dando as costas.

“Peter, amor...” Deslizei meus lábios pela pele de seu pescoço completamente exposta por conta da posição que se encontrava, nela deixei beijos demorados e até mesmo mordidas sem muita força. “Se não acordar por bem terei que ser malvado com você” O ameacei já vendo surtir efeito, pois voltou a resmungar.

“Preciso analisar as opções primeiro” Peter disse com a voz levemente rouca por falta de uso.

“Você não tem opções, terá que se levantar e provar meu almoço de qualquer jeito. Se estiver ruim precisará mentir para me agradar, caso contrário farei greve” Entrei em sua brincadeira rapidamente.

Deitei sobre suas costas já que estava deitado de barriga para baixo, assim poderia aproximar meu rosto do seu e observar quando seu cenho se franziu em resposta ao que havia acabado de dizer. Uma de suas mãos foram de encontro em minha nuca, seus dedos correram entre meus cabelos compridos e se mantiveram ali em uma caricia calma.

“Isso depende. Greve de que?” Perguntou já entre risos.

“Sexo. Beijos e qualquer outro toque” Mordi meu lábio para segurar o riso. Tentava parecer sério.

“Phillippe Arthur! Isso é chantagem!”

Peter apoiou suas mãos sobre o colchão para se levantar fazendo com que meu corpo fosse jogado para o lado vazio da cama com o movimento. Sem que ao menos pudesse assimilar o que faria a seguir senti seu corpo sobre o meu em questão se segundos. Por ser mais pesado me manteve imóvel facilmente, segurou meus pulsos acima de minha cabeça e aproximou seu rosto do meu.

“Tem certeza que fará greve?” Perguntou baixo, tentando me provocar.

“Sim” Me mantinha forte, mesmo já sentindo meu corpo responder aos toques simples de Peter.

O moreno soltou meus pulsos antes presos e correu uma de suas mãos por entre minhas pernas devagar a parando em minha virilha por cima da calça que usava. Comprimi os lábios na intenção de travar um gemido prestes a sair por culpa de sua ação. Com a outra mão livre Peter segurou meus cabelos firmemente, mas com cuidado o suficiente para não machucar-me, nossos rostos se aproximaram e enquanto deslizava seus lábios sobre os meus em um toque extremamente leve também movimentou a mão antes entre minhas coxas e com a ponta dos dedos pressionou meu membro já prestes a ganhar certa rigidez.

“Tem certeza que aguentará não me sentir assim...” Perguntou-me mantendo seu rosto a milímetros do meu. Mordeu meu lábio inferior o segurando por alguns segundos que seriam capazes de me enlouquecer. “Tão próximo?” Completou.

Virei meu rosto em sentindo contrário para que pudesse me livrar dos seus toques.

“Talvez fosse mais fácil se não me provocasse” Confessei.

“Quem aqui está provocando?” Perguntou extremamente cínico.

Movi-me com a intenção de me livrar de seu corpo me prendendo contra o colchão, porém por culpa de seu peso não consegui nem ao menos fazê-lo rolar para o lado.

“Deixe de ser cínico! E vamos, saia de cima de mim antes que lhe morda!” Usei meu melhor tom enfurecido para que pudesse convencê-lo a parar com suas provocações.

Não consegui.

“Me morder? Não seria louco...” Suas sobrancelhas foram unidas lhe deixando extremamente engraçado por conta da indignação.

Aproximei-me da pele de seu pescoço para mordê-lo, mesmo que não fosse fazê-lo com força fui impedido por suas mãos que foram para baixo da blusa que usava. Peter começou a me fazer cócegas. Sim! Em questão de milésimos comecei a me contorcer tentando escapar de suas mãos abaixo de seu corpo. Tentava em vão gritar para que parasse com aquilo, porém minhas risadas não deixavam que nenhuma palavra saísse coerente.

“P-peter...!” Seu nome saiu completamente forçado em meio a risadas.

“O que?” Mais uma vez usou seu tom cínico. Seus dedos percorriam minha pele em cócegas agonizantes.

“P-pare!” Gritei.

Ele parou.

Meu peito subia e descia rapidamente por conta da respiração ofegante. Observei seus olhos castanhos brilhando em minha direção, logo o ambiente foi tomado por sua risada alta. Não pude evitar fechar a expressão ao escutá-lo rir.

“Você está lindo!”

Se levantou de meu corpo sentando-se ao meu lado. Aproveitei para também me levantar e me distanciar dele caso tentasse me segurar novamente.

“Lindo onde? Idiota!” Bracejei. Corri os dedos pelas mechas de meu cabelo tentando coloca-los em ordem.

“No rosto vermelho, na expressão irritada, no cabelo bagunçado... Em tudo!”

Ok. Peter me deixou sem palavras e se não pudesse piorar mais ainda, envergonhado. Se antes meu rosto queimava pelo esforço feito para afastá-lo segundos depois passou a ganhar mais temperatura com suas palavras.

Era fácil para aquele ser a minha frente me tirar às palavras e ele fazia, fazia sem culpa alguma e ainda por cima gostava de observar minha reação. Assisti um sorriso nascer em seu rosto bem desenhado calmamente, mesmo que seu cenho estivesse franzido com minha explosão a pouco não deixou que aquele ato fosse executado com perfeição.

Não tinha palavras para respondê-lo, poderia vasculhar em todos os cantos de minha mente, não conseguiria responde-lo, a não ser que fosse para discordar, porém evitei, pois sabia que Peter odiava quando me colocava para baixo e dissesse que seus elogios eram precipitados ou até mesmo exagerados.

“Eu te amo” Confessei. Não que fosse novidade. Mas o amava e sentia certa necessidade de lhe dizer sempre que surgisse a oportunidade. “Eu te amo como nunca vou amar outra pessoa. Amo mesmo que seja um idiota provocador”

“Me ama e ainda quer me torturar? Não entendo essa sua forma de amar” Disse brincalhão ainda com o sorriso grudado em seus lábios.

Engatinhei para perto dele, espalmei seu peito o empurrando e fazendo com que suas costas fossem de encontro ao colchão. Minha vez de prendê-lo com o peso de meu corpo sobre o seu. Corri as pontas de meus dedos por seu rosto o dedilhando antes de voltar a me pronunciar.

“Não queira entender, já que nem eu tenho uma explicação plausível para isso” Conectei nossos olhos e juro, poderia ficar ali para sempre, preso em seus castanhos para o resto dos meus dias. “E nunca conseguiria deixar de te sentir perto de mim, nunca conseguiria negar que me tocasse ou me provocasse talvez por medo de ceder isso para outro alguém”

O moreno não respondeu, apenas alargou ainda mais o sorriso fazendo com que suas bochechas coradas se tornassem mais salientes. Prendi seu rosto entre minhas mãos e Peter o ergueu colando nossas bocas. Não precisávamos aprofundar aquele toque para que nos sentíssemos entregues. Um pertencia ao outro e parecia tão certo que ninguém poderia provar ao contrário.

Ninguém.

_______

Almoçamos na cama mesmo, não nos demos o trabalho de levantar para nos sentarmos a mesa. Por incrível que possa parecer fui elogiado pelo macarrão preparado e por fim Peter escapou da ameaça de greve antes feita.

Depois de uma longa tarde Frankie apareceu em meu apartamento com Thomas em seu enlace. Evitei perguntar o motivo de tanta proximidade, pelo menos por aquele momento, deixaria as explicações sobre isso para mais tarde. Peter ainda estava em meu apartamento, ao saber que Frankie poderia aparecer a qualquer momento para conversarmos concordou em ficar em meu quarto. Não queria uma nova briga entre eles tão cedo.

“Bom, você veio para conversarmos” Comecei.

O mais alto estava parado por longos minutos apenas me encarando. Nunca havia visto Frankie tão sem jeito como se encontrava, parecia realmente arrependido. Já Thomas estava imóvel na outra extremidade da sala fazendo certo esforço para parecer que não se encontrava presente.

“Sim. E não sei por onde começar” Disse baixo, talvez se não estivéssemos todos em silêncio não teria sido capaz de escutá-lo. “Sei que fui um estupido pelo o que fiz e que talvez meus motivos não possam justificar minhas atitudes. Penso que senti ciúmes por vê-lo feliz com Peter. Ele parece ser tudo o que não consegui ser quando o tinha para mim e isso me feriu” A expressão de dor no rosto de Frankie me incomodava muito, era como se as palavras lhe rasgassem a garganta ao saírem. “Ainda o acho um convencido, mas sei que te faz feliz como não pude fazer e isso me irritou de tal forma que queria fazê-lo se contorcer de ciúmes por minha causa... Bom, acho que consegui”

“Conseguiu ainda mais do que isso” Me referi à agressão que sofreu.

Sua pele clara estava ainda mais destacada já que havia ganhado um tom arroxeado na região das maças do rosto e o nariz ainda parecia levemente inchado.

“Devo ter merecido” Deu de ombros. “Sabe, quando me mudei achei que estava fazendo o certo, só que nos dias seguintes senti certo arrependimento e desejei implorar para me aceitar de volta, não o fiz de qualquer forma. Você sempre mostrou merecer alguém que lhe fizesse ser especial e ainda mais amado do que o amei” Suspirou. Era claro sua falta de jeito para o assunto. “Peter é essa pessoa. O doutor com pinta de galã é extremamente perfeito para você”

“Frankie, já entendi...” Não queria força-lo a reviver tudo o que aconteceu. E acima de tudo, não queria sentir aquela dor quase esquecida renascer em meu interior.

“Me desculpa, Phill” Pediu com tanta sinceridade que quase atravessei a sala para abraça-lo. “Me desculpa por tê-lo feito sofrer desde o momento que fui embora... Me desculpa por voltar e continuar lhe ferindo”

Meus olhos arderam, já sabia o motivo. Lágrimas pesadas se acumulavam prestes a escorrerem por meu rosto. Senti algo dentro de mim se comprimir me causando uma dor incomoda.

“Não quero mais uma vez perde-lo. Senti tanta falta de você ao meu lado, assoprando os arranhões que ganhava em meus joelhos e dizendo que com um beijo sarariam. Eles me fizeram tanta falta quando estávamos longe!” Frankie deu passos em minha direção parando a um metro de distância no máximo. “Não posso mais perder meu melhor amigo. Te prometo! Se for capaz de me desculpar nunca mais terá motivos para se queixar de mim”

Funguei baixo, porém foi o suficiente para chamar sua atenção. Não fiz mais esforço algum para segurar minhas lágrimas, deixei que escorressem sem vergonha alguma. Eu era um chorão e por muitos anos isso foi piada para Frankie. Quando chorava com filmes romântico e melosos ao seu ver. Quando o dia nascia nublado e me causava certa tristeza me fazendo chorar por segundos e era amparado por meu amigo, escutando o quanto era bobo por ser tão sentimental.

“É claro que te desculpo!”

Seus braços me envolveram e se comprimiram a minha volta fazendo com que nossos corpos se tornassem apenas um só. Sempre o desculparia, fosse por qualquer motivo. Sabia que não era forte o bastante para lhe negar o que quer que fosse. Tivemos tempo o suficiente separados e algo dentro de mim dizia que não poderia deixar que acontecesse novamente. Frankie sempre seria o garotinho teimoso e esquentado que conheci em Montreal e eu sempre seria o bobo de coração mole que sempre o aceitaria de volta. No fundo não éramos nem um pouco compatíveis, mas quem se importava com isso?

Alguns minutos depois quebramos o contato, mas não nos distanciamos muito. Voltei-me para o loiro sorrindo de longe, sabia que aquele sorriso não era apenas pela cena que havia acabado presenciar. Conhecia Thomas há menos tempo que Frankie, contudo aprendi a lê-lo e decifrar suas feições.

“Agora me conte o motivo para aquele sorriso estampado no rosto do Thomy, Frankie” Pedi, mas soou mais como uma ordem.

“Oras, pergunte para ele” Respondeu já entre um riso alto.

“Só estou feliz ao saber que está tudo bem entre vocês de novo” Thomas se defendeu rapidamente. Eu sabia que não era apenas isso.

“Vamos, me contem o que existe entre vocês, parem de me fazer de inocente”

“Nós estamos juntos. Não é, Thom?” Frankie disse.

“Acho que sim” O loiro respondeu incerto já deixando transparecer seu constrangimento com o assunto.

“Não acredito! Formei um casal sem intenção, é isso mesmo?” Eu disse.

Não era como se estivesse surpreendido com a confirmação de que existia algo entre eles. Parecia ter notado desde o inicio a forma com que se olhavam, é claro, Frankie deixava que fosse ainda mais claro com suas atitudes e bom, já havia os visto aos beijos, mas acreditava que não passaria daquele momento, também porque Frankie estava bêbado e era quase óbvio de que era apenas diversão para eles. No fundo sentia-me feliz por eles, mesmo que parecesse um pouco estranho por serem meus amigos, ou melhores amigos. Se acabasse se tornando algo sério teria que me acostumar ao vê-los entre amassos. De todo jeito era maravilhoso, de certa forma sentia que os teria sempre por perto, ao mesmo tempo.

Frankie caminhou até o loiro e envolveu sua cintura para mantê-los perto, plantou um beijo rápido em seus lábios que fez com que Thomas corasse ainda mais, o que tinha certeza não ser possível.

Escutamos a porta de meu quarto ser aberta e nossa atenção foi em direção ao som. Peter saiu do cômodo com os cabelos completamente bagunçados, espetados para todos os lados e o rosto “amassado” com os olhos inchados, sabia que havia acabado de acordar por já ter presenciado tal cena várias vezes.

“Meu amor, vem aqui” O chamei.

O mais velho deu passos incertos em minha direção. Estava incomodado com a presença de Frankie, mas faria com que isso tivesse um fim. Tudo o que desejava era que pudessem conviver sem sentirem vontade de partir para socos a qualquer momento.

Abracei seu corpo assim que se aproximou de mim. Por conta da nossa altura extremamente diferente encostei meu rosto em seu peito podendo inalar o cheiro que só ele tinha na blusa que usava. Sem pensar mais de uma vez seus braços abraçaram meu tronco. Peter deixou um beijo entre meus cabelos antes de me escutar.

“Temos um novo casal aqui, sabia?” Lhe contei. Assisti meu noivo sorrir fracamente e era sincero. Tão sincero como desejei há muito tempo presenciar.

O casal a nossa frente nos observava com sorrisos nos rostos, assim como nós também o fazíamos.

Estava tudo entrando nos eixos. Sentia que finalmente poderíamos viver em paz, sem desavenças. Como bons amigos que deveríamos ser.

Três meses depois.

Quarta feira, no relógio marcava exatamente oito horas da noite. Estava em frente à televisão há algumas horas assistindo aos filmes que passavam em um canal especifico. Já fazia quatro dias que não conseguia me encontrar com Peter por conta dos nossos horários que infelizmente não batiam. Sua escala para plantões no mês havia atrapalhado nossos encontros semanais, por isso tinha apenas a companhia de Dylan, o cachorro dele que estava passando alguns dias em meu apartamento. O moreno havia dito que o cão estava muito sozinho trancado em seu apartamento e não vi mal algum em trazê-lo para que ficasse algum tempo comigo. Era até bom tê-lo, já havíamos construído uma boa amizade e até mesmo conseguia controlar sua euforia a me ver chegar.

Busquei por meu celular antes perdido no meio das almofadas do sofá ao escutá-lo tocar.

Depois de alguns toques o atendi.

“Oi pequeno” A voz de Peter estava baixa e sabia que era porque não poderia ficar ao celular em seu horário de serviço.

“Amor...” O chamei extremamente manhoso. “Estou sentindo sua falta”

O mais velho riu ao me ouvir, talvez por causa do tom usado.

“Também estou sentindo a sua, anjo. Ainda não me acostumei ao te ver assim, tão pouco”

“Passa aqui?” Pedi ainda sustentando o mesmo tom. “Nem que seja por alguns minutos”

“Sairei tarde daqui, Phillippe” Respondeu visivelmente frustrado.

“Não tem problema, posso te esperar”

“Tem certeza? Irá acordar cedo, não quero que passe o dia sonolento por minha causa”

Sua forma de se preocupar era encantadora! Se não estivéssemos separados seria capaz de agarra-lo e beijá-lo até perder o fôlego.

“Não me importo. Estarei te esperando”

“Tudo bem” O escutei suspirar em rendição. “Passo por ai assim que sair”

“Eu te amo” Declarei antes de fazer menção de desligar.

“Te amo”

Terminamos a ligação e voltei a jogar o aparelho celular em qualquer canto. Ainda tinha algumas horas para que Peter chegasse, por isso ajeitei-me melhor no sofá e chamei Dylan para que se deitasse ao meu lado. O cão enorme se acomodou encostando a cabeça sobre minhas pernas e fechou os olhos ronronando alto e se entregando ao sono. Não pude evitar me entregar ao sono da mesma forma que o animal. Havia acordado cedo por conta do trabalho e o sono já se fazia presente a àquela hora da noite.

Era exatamente quinze para uma da manhã quando Peter apareceu. Como tinha as chaves de meu apartamento não precisou anunciar sua chegada, me pegou entregue ao sono. Acordei com seus beijos depositados em meu rosto e claro, um Dylan agitado ao ver o dono.

“Adoro quando faz isso” Confessei ao abrir os olhos e vê-lo abaixado a minha frente.

“Isso o que?”

“Quando me acorda assim, devia fazê-lo mais vezes” O bocejo a seguir veio sem que pudesse conte-lo.

“Farei mais agora que sei que gosta”

Amava vê-lo vestido completamente de branco. Sabia que não era possível, mas parecia ainda mais bonito. Lá no fundo sentia um medo absurdo de perdê-lo, pois sabia que atraia muitos olhares, tanto de mulheres quanto de homens, alguns até mesmo seus pacientes e mesmo que ele me dissesse vezes seguidas que não tinha com o que me preocupar ainda assim o medo não parecia diminuir.

Peter era tudo o que qualquer um poderia desejar na pessoa que se tem ao lado. Inteligente, bonito, encantador e mesmo que um tanto quanto ausente muito dedicado quando estava por perto. Era impossível não sentir a insegurança me tomar ao saber que era meu, inteiramente meu quando muitos olhares de cobiça recaiam sobre ele.

“Devíamos ter deixado esse encontro para o final de semana. Me parece muito cansado, Phill”

“Já disse que não me importo” Ainda me encontrava deitado com a cabeça sobre uma almofada. “Até parece não sentir vontade de me ver” Brinquei.

“Não é verdade!” Seu indicador arrumou minha franja atrás de minha orelha uma vez que a mesma tampava um de meus olhos. “Estava louco para pedir que viesse me namorar”

Ri. Ri um tanto quanto alto ao escutá-lo dizer aquilo. Às vezes parecíamos adolescentes e adorava essa forma única que tínhamos de nos declarar, de displicentemente dizer que um pertencia ao outro, sem esforço algum.

“Posso te namorar agora, se quiser”

“Ainda não estou louco para recusar”

Com essa aceitação me sentei no sofá e o chamei para perto. Para minha surpresa Peter sentou-se sobre minhas pernas que se encontravam para fora do móvel. Mesmo que pesasse um pouco mais do que poderia suportar abracei sua cintura e esperei que sua boca viesse ávida de encontro com a minha. Peter e seu gosto de hortelã e cigarros. Peter e sua forma de fazer com que me entregasse a ele sem pedido algum.

Perfeito.

Nos beijamos completamente entregues ao contato tão almejado. Nossas bocas deslizavam urgentes. Era como se sentíssemos sede e aquele beijo fosse capaz de fazê-la ser saciada. Nunca me cansaria. Nunca me tornaria menos apaixonado.

“Não queria precisar estragar tudo, mas temos que conversar, pequeno”

Preparei-me para o que quer que fosse. Nada poderia estragar os dias de calmaria que estava nos envolvendo.

Pelo menos era o que achava.

Notas finais
Como já disse, algumas partes são reais. E bom, os últimos diálogos foram inspirados em uma conversa antiga. Deixarei os prints aqui: http://poesiatragica.tumblr.com/image/82663277639 http://poesiatragica.tumblr.com/image/82663291158 Bom, como vem um feriado por ai só terá o próximo capítulo depois dele. Bom feriado para todos, aproveitem bastante. Obrigado a quem está lendo. Beijos e até logo.