Notas iniciais
Demorei um pouquinho pra escrever porque minha tendinite não estava ajudando, então peço desculpas a quem lê. Não estou muito satisfeita com o capítulo, então espero que dêem um desconto ou que pensem ao contrário. AHSHUAHS Quero agradecer ao F Ferreira que sempre comenta, é muito bom saber que alguém acompanha, então MUITO obrigado por não me largar até agora. Ao Lucas Farias que é meu mais novo leitor e me fez super feliz com isso. A Jessy que além de ser minha amiga e leitora também me ajuda nas ideias e até nos nomes dos personagens. A Thereza, Ladyvikernes, Thysia, Keyla, Fabiane e Flávia que não sei se abandonaram, enfim, um obrigado coletivo a todos. *-* Vamos ao capítulo...

“Foi um prazer conhecê-lo, Thomas” Aquele foi um tom de ironia? Não tinha certeza. Peter se aproximou de mim e me beijou na testa, não me deu tempo de falar absolutamente nada, apenas me deu as costas e desceu pelas escadas, nem ao menos esperou o elevador.

“Esse é o tal do Peter?” Thomas me perguntou já me acompanhando para dentro, porém não o respondi. “Ele é bonito como disse... Mas acho que não fui muito com seu jeito, o que foi aquilo? Phill?”

“Thomas, nós havíamos acabado de nos beijar...” O cortei rapidamente. Eu mesmo não podia acreditar, havíamos acabado de nos beijar e ele ia embora daquele jeito?

“Vocês o que?” Thomas sentou-se no sofá me puxando para seu lado.

“Nos beijamos. Não sei se fiz algo de errado, a iniciativa não foi minha, entende? Então não acho que a culpa tenha sido minha. Não sei muito bem o que pensar, só posso dizer que gostei de ser beijado por ele”

“Então o cara é realmente estranho!” Thomas olhava para mim quase como se sentisse dó e naquele momento me senti incomodado.

Muita coisa passava em minha cabeça. Revi e organizei todo o ocorrido e não pude deduzir o que havia dado errado, claro, não depois de me lembrar que ele era casado e talvez isso tenha lhe pesado um pouco. De todo jeito, me sentia tranqüilo com minhas atitudes.

“Não passou pela sua cabeça que talvez ele tenha sentido ciúmes de mim?” Thomas me tirou de meus devaneios com essa pergunta, quase me fazendo engasgar com o café quente que havia me preparado.

“Não! Por que ele sentiria? Nós apenas saímos juntos e querendo ou não, nos beijamos, não acho que tenha tido tempo suficiente para que houvesse ciúmes”

“Mas um certo incomodo sim” Eu queria poder socar o loiro a minha frente. Ele estava fazendo com que uma esperança não convidada nascesse e não queria aquilo. “Sabe...” Ele continuo e apenas lhe dei atenção. “Me sinto feliz com isso ou importante, não sei”

“Cala a boca Thomas!” Ouvir aquilo foi o fim. Levantei-me indo até me quarto na intenção de tomar um banho e esfriar a cabeça. Senti que o mesmo vinha logo atrás de mim.

“Me desculpa? Acho que estava só tentando te fazer sentir melhor” E a sua cara de cachorro sem dono fez com que meu coração amolecesse. Lhe dei um tapa na nuca e segui para o banheiro. Ele sabia que estava desculpado.

Ao acabar o banho resolvi deixar aquele assunto de lado pelo menos por um tempo. Perguntei ao Thomas sobre o motivo de querer passar a noite em meu apartamento, o mesmo contou sobre uma briga boba com sua mãe. Beth queria que ele trabalhasse e lhe arrumou um emprego na cafeteria, ele claro não gostou e tiveram uma discussão, o que em minha opinião foi completamente desnecessária, mas achei melhor não me meter e lhe ofereci o sofá da sala para dormir naquela noite. O que não lhe agradou em nada.

“Achei que estava desculpado Phill”

“E está Thomy” Ri do seu bico se formando em seguida, tão forçado quanto à voz de vitima.

“Sinto que está querendo me castigar ao me colocar pra dormir no sofá”

“Só achei que não seria conveniente dividir minha cama”

“Já dormimos várias vezes na mesma cama, não vejo nada de errado”

E ele ganhou. Já era onze e meia quando resolvemos nos deitar, cada um de um lado. Thomas foi o primeiro a dormir, demorei alguns minutos até conseguir manter minha mente calma e dormir também.


____


As semanas se passaram quase se arrastando, foram exatamente duas semanas e depois daquele sábado não tive mais nenhuma notícia de Peter. Não achava que deveria ir atrás cobrar uma explicação por isso, acho que já havia me acostumado com a idéia que seria apenas aquilo e fim. Não posso negar dizendo não me sentir mal, porém aniquilei qualquer pensamento relacionado a Peter e tudo o que aconteceu. Segui minha rotina normalmente. Thomas passou uma semana em meu apartamento, o aconselhei a conversar com Beth e por incrível que pareça ele até aceitou o emprego na cafeteria, fazia alguns turnos enquanto não estava na faculdade, então, algumas vezes eu era atendido pelo mesmo.

Ao cruzar a porta de entrada em uma quarta feria segui até o balcão para tomar meu café. Não estava atrasado para o trabalho, então me sentei e o tomei calmamente. Thomas depois de atender alguns clientes veio até mim.

“Peter acabou de sair daqui” Disse um tanto quanto animado, o que me irritou, não estava com o humor muito bom naquele dia.

“E?”

“E eu estava certo! Deveríamos ter apostado”

“Certo em que exatamente?” Não estava com paciência para seus rodeios.

“Sobre ele sentir ciúmes de mim Phillippe!” Encheu mais uma vez minha caneca de café preto. “Eu o atendi assim que chegou e ele me reconheceu. Disse algo do tipo: Você não é o Thomas? Apenas concordei e o cara foi super direto, me perguntou se tínhamos algo. Isso prova que ele sentiu ciúmes”

“Ok, entendi... Mas não consigo acreditar que foi embora daquela maneira por causa disso, sinto que apenas se arrependeu de ter me beijado”

“Por que se arrependeria? Eu nunca me arrependi” Sua afirmação me fez corar no mesmo instante.

“De todo jeito, ele não me procurou mais, também não o farei” Sempre fui muito orgulhoso, podia sofrer com essa atitude, mas simplesmente me mantinha forte.

Thomas tentou me convencer a ligar para ele, apenas desconversei e segui para mais um dia. Um dia que mais uma vez passou lentamente e nada incomum parecia que iria acontecer, a não ser por Anthony ter me convidado para almoçar. Ele trabalhava em outro andar e raras vezes nos encontramos no elevador ou em alguma reunião. Nunca tinha parado para notá-lo, mas ele era muito bonito. Alto com os ombros largos, tinha olhos castanhos quase esverdeados e era extremamente educado. Não pude negar, então seguimos para um restaurante perto de onde trabalhávamos mesmo. Não pude entender o motivo daquele convite repentino, contudo foi agradável conhecê-lo melhor. Conversamos sobre tudo, durante há uma hora que tínhamos nos conhecemos e demos boas risadas, tínhamos em comum o ódio por nossos chefes, também me contou sobre ser assediado pela secretária e não poder revelar que não gostava de mulheres. Anthony era hilário e uma simpatia pelo mesmo cresceu facilmente.

No fim do dia cheguei a meu apartamento exausto, desejando constantemente que o final de semana chegasse logo para que pudesse dormir até tarde e descansar. Quando já estava em minha cama o telefone tocou. Xinguei quem quer que fosse naquele momento, simplesmente não queria me levantar, deixei tocar algumas vezes para ver se a pessoa desistia, o que não aconteceu. Segui até a sala e atendi:

“Alô?”

“É o Peter. Te acordei?”