Notas iniciais
Olá! MUITO OBRIGADO pelo carinho contido nos comentários do capítulo passado, fiquei muito feliz com a aprovação de vocês. Sintam-se muito abraçados. A fic não seria nada sem vocês. Por esse fato não marcarei nenhum comentário como favorito, todos foram perfeitos para mim. Para os fantasminhas o mesmo recadinho: Apareçam, por favor! )): E ah! Deixarei uma foto aqui, para que saibam como vejo o Thomas. http://poesiatragica.tumblr.com/image/75439903736 Sim, o Alex Band. O que acham? Boa leitura.

“Devíamos levantar” Disse Peter.

Havia perdido a noção do tempo a algum tempo. Estava deitado sobre o peito nu de Peter apenas sentindo seu afago entre meus cabelos desarrumados. Cobrimo-nos com um lençol claro depois que nossos corpos esfriaram e permanecemos dessa forma, em silêncio. Até Dylan estava deitado nos pés da cama dormindo profundamente.

“Para que? Podemos ficar aqui o resto do dia”

“Podemos. Mas vamos nos levantar e sair” Peter disse simples já se preparando para se levantar.

“Sair para onde? Lá fora está fazendo frio”

“Para almoçarmos...” Pausou para que pudesse se erguer depois que me levantei de seu peito. “Passaremos também em outro lugar. E não me pergunte onde, é surpresa!”

Peter puxou o lençol junto para si o enrolando em volta da cintura, fazendo consequentemente com que eu fosse descoberto por completo.

“Ei” O chamei. “Onde pensa que vai me deixando assim?”

“Tomar um banho” Sua resposta saiu óbvia. “E não se preocupe, vê-lo assim é ainda melhor”

“Idiota!” O xinguei em tom de brincadeira, mesmo que meu rosto já houvesse recebido uma temperatura fora do normal. Levantei-me em um pulo já caminhando a passos rápidos em direção ao banheiro. “Tomarei primeiro!”

“Isso é o que você pensa!”

Peter me segurou pela cintura colando meu corpo contra o seu. Seus braços fortes me abraçaram já se esquecendo do lençol que antes segurava para cobrir sua nudez.

“Não iremos brigar. Tomaremos juntos” Me beijou nos lábios rapidamente antes de nos levar até o cubículo.

Minutos mais tarde já descíamos até o estacionamento do prédio e nos encaminhávamos para o carro de Peter.

Como já era comum as ruas de Nova Iorque estavam movimentadas, porém o trânsito fluía normalmente para que logo chegássemos ao restaurante que Peter havia escolhido. O local era simples, contudo aconchegante. Fomos recebidos muito bem e levados até uma das mesas vazias. Nossos pedidos foram feitos, enquanto esperávamos tomávamos o vinho que Peter pediu.

“Não vai mesmo me dizer para onde vamos depois?” Tentei mais uma vez. Peter conseguia ser teimoso, não que me irritasse, até gostava da forma que fazia surpresa.

“Não”

“Peter, deixe de ser chato!” Tentei fazer minha melhor voz de piedade, o que pareceu não abalá-lo em nada.

Nossos pratos chegaram. Escolhemos Tagliatelle ao molho de limão siciliano e camarões dourados. Na verdade Peter escolheu, disse que precisava experimentar.

“Coma, se não gostar da massa prometo contar para onde vamos”

Enrolei o macarrão no garfo e levei até a boca o mastigando calmamente. Era maravilhoso, porém fiz uma careta vendo que Peter me observava. Engoli antes de dizer o que achei.

“Isso é horrível!” Dei ênfase ao horrível para que ele pudesse acreditar. Não era bom com mentiras, ainda mais ao ver a cara do homem a minha frente. Seus olhos pareciam transparecer um misto de decepção e ao mesmo tempo de incredulidade. Queria rir da sua reação, mas me controlei ao máximo.

“Como pode achar horrível? Ninguém nunca antes me disse isso” Apoiou os cotovelos sobre a mesa deixando os talheres sobre o prato. “Pode escolher outro prato” Faria um aceno para o garçom, entretanto o interrompi antes.

“Não!” Vê-lo decepcionado era mesmo de cortar o coração. Mantinha-me firme. “Então quer dizer que já trouxe outros aqui?” Não pude evitar perguntar, aquela sentença me incomodou.

“Não no sentido que está perguntando, Arthur. Já vim aqui com meus pais e meu irmão. Também já trouxe Alicia algumas vezes” Voltou sua atenção para o prato, enrolou o macarrão no garfo e antes de leva-lo a boca disse: “Não gostou mesmo? Pode pedir outra coisa”

“Sei” Beberiquei o vinho sentindo o gosto adocicado. “Eu gostei” Me rendi. “Queria apenas que me dissesse para onde iriamos”

Peter riu baixo ao me escutar. Balançou a cabeça negativamente como se não acreditasse no que havia ouvido.

Começamos a comer entre conversas calmas. Sentia o vinho me deixar sonolento, já era normal me sentir dessa forma ao bebê-lo. Não me importava. Sentia-me feliz ao estar em um restaurante com o moreno, poucas vezes tivéssemos essa oportunidade já que ele sempre escapava para meu apartamento e quase não se demorava muito. Algumas vezes apenas nos olhávamos nos esquecendo de tudo e todos ao nosso redor, parecia sermos apenas nós no local. Meus olhos apenas se desconectavam dos seus quando ele sorria, aquele ato sempre seria como uma arma, fazendo com que eu me rendesse em questão de milésimos.

Ao acabarmos voltamos para o carro. Peter dirigiu por alguns minutos que para mim eram horas, minha ansiedade parecia se intensificar cada vez que passava mais um minuto dentro do veiculo. Tentava me distrair cantando as músicas que tocavam no rádio e algumas vezes até Peter me acompanhava.

Não quero fechar meus olhos. Eu não quero adormecer, porque eu perderia você, baby e eu não quero perder nada. Porque mesmo que eu sonhe com você, o sonho mais doce nunca vai ser o suficiente e eu ainda sentiria sua falta, baby. E eu não quero perder nada

Peter acompanhava Steven Tyler no refrão. Havíamos parado em um semáforo, por isso o moreno cantava olhando para mim. Senti meu coração bater fortemente contra meu peito. A letra da música mexeu muito com meu interior, talvez porque Peter cantava como se fosse para mim. Não pude evitar me aproximar com um pouco de dificuldade por conta do cinto de segurança que usava e beijá-lo calmamente. Fomos obrigados a nos separar ao escutar buzinas em nossa direção. O semáforo estava verde permitindo que voltássemos a nos locomover.

O restante do caminho foi tranquilo até Peter estacionar em frente a uma joalheria.

Uma joalheria?

O mais velho desceu do carro, mas não fiz o mesmo. Senti minhas mãos tremerem e não sabia explicar o motivo de tal. Ainda não conseguia acreditar que todo aquele papo de ficarmos noivos era mesmo real, para mim no fundo era uma grande brincadeira de Peter e apenas resolvi participar. Pelo o que parecia brincadeira seria a última palavra para definirmos o que estava acontecendo.

A porta do passageiro onde estava foi aberta.

“Não vai descer?”

“Peter, o que...” Tentei perguntar, porém fui interrompido.

“Que espécie de noivos somos sem alianças?” Me estendeu uma mão para que a segurasse. “Vem” Segurei sua mão e permiti que me levasse até a entrada do lugar.

A fachada da loja era linda. As vitrines de vidros onde continha anéis, broches, relógios e outros tipos de joias. Todos que passavam pela calçada pareciam se sentirem atraídos pela vitrine chamativa com todas aquelas joias caríssimas. O que não poderia discordar, era tudo muito convidativo.

Soltei a mão de Peter com medo de que fossemos vistos daquela forma, já ele não parecia incomodado e até mesmo me lançou um olhar para que entendesse o motivo do meu gesto, dei de ombros e entremos na loja.

Uma moça muito bem vestida que aparentava ter por volta dos seus vinte e cinco anos, tinha cabelos ruivos naturais presos em um rabo que caia lisos nos ombros por culpa do comprimento nos atendeu.

“Boa tarde. Posso ajudar?” Perguntou automática. Devia dizer a mesma coisa inúmeras vezes durante o dia.

“Boa tarde” Peter cumprimentou. “Gostaria de ver as alianças para compromisso”

“Sentem-se e fiquem a vontade” Apontou para duas cadeiras situadas à frente de uma pequena vitrine. “Gostariam de beber alguma coisa? Um café talvez”

“Não, obrigada” Peter disse e eu apenas acenei negativamente.

A moça se posicionou do outro lado da vitrine e começou a tiras vários tipos de alianças.

“Tem preferencia por ouro ou prata?” Perguntou.

“Prata. Não é Phillippe?” Mais uma vez apenas acenei em concordância.

Sentia-me desconfortável, não entendi o porquê. Talvez sentisse medo da reação das pessoas. Mesmo que tudo já fosse aceito com facilidade sentia que a homossexualidade para muitos ainda era um tabu Estarmos ali tão expostos escolhendo alianças me dava medo.

Peter observava as joias minimamente. Sua atenção ficou em uma aliança arredondada e grossa toda em prata com apenas uma faixa funda ao meio em ouro.

“Gostei dessa” Colocou em seu anelar para checar o tamanho e coube perfeitamente. “O que acha? Você gosta?” Perguntou para mim estendendo a mão para que pudesse ver.

“Sim. É linda” Respondi com sinceridade. Era realmente linda, na pele clara de Peter chamava muita atenção.

“Então é essa!” Disse mais animado que o normal.

“É uma ótima escolha” Disse a ruiva. “Para ela temos com uma pedra de zircônia no centro. Qual seria a numeração dela?”

Aquela pergunta me acertou em cheio, quase como uma facada. Estava claro que a vendedora não havia percebido que éramos um casal, não sabia dizer se isso era bom ou ruim.

Peter suspirou alto, colocou a aliança no mostruário e encarou a mulher que ainda esperava sua resposta. Seu rosto adquiriu um tom avermelhado rapidamente, tinha certeza não ser por vergonha já que seus lábios estava comprimidos. Sarah, esse era o nome da moça, estava em uma pequena plaquinha presa no casaco que usava. Sarah pareceu se incomodar com os olhos de Peter em sua direção, havia percebido algo errado.

“Não é ela” Peter enfim cortou o silêncio. “É ele. Phillippe para ser mais exato. E ele está sentado ao meu lado” Seu tom era frio, sua animação antes extremamente visível parecia ter escorrido como água.

“Está tudo bem, Peter” Toquei seu ombro na intenção de acalmá-lo. “Não sei minha numeração, preciso experimentar” Disse para vendedora.

Sarah abriu a boca várias vezes, mas nada disse. Seu desconforto era visível. Para nossa surpresa ergueu seu rosto como quem quer mostrar superioridade e voltou a se pronunciar.

“Para esse modelo já temos o par especifico. Seria uma masculina e outra feminina com a pedra”

“Vejo que não entendeu” Peter disse. “São duas alianças masculinas nesse modelo”

“Mas Senhor, nós não vendemos o par assim” A vendedora insistiu. Escutei Peter suspirar outra vez, tentava manter a calma.

“Será que teremos que chamar o gerente?” Perguntou estranhamente calmo. Levantou-se apoiando as mãos sobre o vidro, consequentemente com o rosto mais próximo da moça. “Chame-o, por favor. Ele deve ser mais competente do que você”

“Não tem necessidade disso” Ela respondeu.

“Então faço o favor de pegar a numeração dele para que possamos levar o par de alianças masculinas. Nesse modelo” Sentou-se outra vez.

“Senhor, te disse que vendemos apenas o par...”

“Em que mundo você vive? Acredito que muitos casais gays já vieram escolher alianças aqui. Não consigo entender o motivo para estar me negando algo tão simples” Sua voz aumentou alguns tons, me assustando ao ouvi-la.

“Gays não são...”

“Não são o que? Um casal normal?” Não deixou que a moça terminasse já disparando perguntas. “Qual o seu problema?” Sua última pergunta saiu gritada.

“Peter, deixa. Vamos procurar outro lugar” Pela primeira vez desde o começo da discussão me pronunciei. “Não vamos discutir sobre isso, existem muitas outras lojas por aqui”

“Não! Não vou embora. Chame o gerente agora!”

Não foi preciso a vendedora chama-lo. Um homem por volta dos quarenta saiu de uma porta que dava para os fundos do local. Veio até onde estávamos sentados.

“Posso saber o que está acontecendo aqui?” Perguntou para Sarah.

Peter voltou a se colocar de pé, estendeu a mão para o gerente que aceitou e o cumprimentou formalmente.

“Boa tarde, Senhor...”

“Jeremy”

“Senhor Jeremy. Estou aqui com meu noivo para escolhermos um par de alianças, porém sua funcionaria ainda não entendeu que somos dois homens e queremos alianças masculinas. Não queremos um par que contenha uma aliança feminina com pedra. Vejo que o Senhor parece extremamente inteligente e pode compreender com facilidade”

“Compreendo” O tal Jeremy lançou um olhar nada amigável para o funcionaria que depois de vê-lo chegar se calou. “Peço desculpas pela atitude dela. Deve ter sido apenas um mal entendido porque no caso o modelo que escolheu já é vendido assim. Mas não se preocupe, iremos abrir uma exceção, não é Sarah?”

“Fico muito grato. Se me permiti dizer, essa mulher não serve para trabalhar com o público, devia colocar uma placa ali” Apontou para a porta de entrada. “Dizendo que está precisando de funcionária”

O homem apenas concordou se retirando. Sarah voltou a seu posto para que pudesse verificar minha numeração. Foi um processo rápido e eu agradecia por aquilo.

Já com as alianças em uma pequena sacola de papel nos encaminhamos para saída, aproveitei para antes dirigir a palavra para Sarah.

“Você tem algum problema com casais como nós?” Era tudo o que precisava saber. Desejava que a resposta fosse um não. Não queria ir embora imaginando que ela nos condenaria.

“Aos olhos de Deus é errado” Respondeu.

“Essa não foi minha pergunta. Você tem algum problema?” Voltei a perguntar. Peter apenas segurava minha mão e assim como eu esperava uma resposta.

“Não acho certo. Dois homens não podem se tocar da forma que se tocam, é pecado”

“Vejo que você é religiosa” A moça concordou. “Eu não sou e não é por isso que gosto de homens. Nós não escolhemos isso, sabe?” Mais uma vez ela concordou se mostrando incomodada com o que escutava. “Você pretende ter filhos, Sarah?”

“Sim, mas ainda me acho nova”

“Entendo. Um dia você terá e deve tomar cuidado com essa sua forma de agir diante desse tipo de orientação. Seu filho pode ser gay”

“Meu filho nunca...”

“Não diga isso, ele pode ser sim e você deve ter a mente mais aberta. Ainda é nova para que possa mudar”

Com isso saímos da joalheria sem esperar por uma resposta da moça. Ao estarmos já na calçada busquei pelos braços de Peter me agarrando a ele instantaneamente. Tentava ser forte, mas no fundo aquele tipo de situação me destruía. Sempre soube que passaria por dificuldades por gostar de pessoas do mesmo sexo. Tentava achar normais os olhares de curiosidade ou até mesmo de nojo que as pessoas faziam, contudo não era normal. Normal era escolhermos estar com a pessoa que amamos independente do sexo. Acredito que ninguém escolheria ser gay se pudesse. Ninguém escolhe sofrer. Só que não é uma escolha, é algo que já nos nossos primeiros dias de vida existe no interior.

No fundo me sentia feliz, mesmo que às vezes o medo de ser criticado me atingisse. Estava entre os braços do homem que amava. Apenas isso deveria importar.

Qualquer coisa era capaz de me abalar e não foi diferente com o ocorrido naquela joalheria. Meus olhos arderam até o ponto que não consegui mais segurar as lágrimas. Chorei por pena da moça tão nova e tão limitada. Chorei por todos os que passavam por situações parecidas.

Doía muito.

“Isso não merece suas lágrimas” Peter disse sem nos livrar do abraço.

“Eu sei” Respondi baixo tentando conter as lágrimas. “Só estou triste”

Peter nos afastou e abriu um sorriso pequeno. Tirou da sacola a pequena caixinha de veludo vermelho e a abriu.

“Quero um sorriso seu, sem lágrimas” Correu o polegar por minhas bochechas as limpando. “Porque isso é uma pequena prova do nosso amor” Tirou a aliança menor da caixinha e esperou que eu estendesse a mão. “E quero que olhe para ela e lembre-se de mim, sempre com felicidade” Deslizou a joia pelo meu anelar devagar. Depois entregou a outra para que eu fizesse o mesmo.

Voltei a abraça-lo depois que as alianças estivessem em seus respectivos lugares. Queria poder nos fundir. Transformar-nos em apenas um.

Mesmo que não soubesse traduzir em palavras, queria que Peter soubesse como estava me sentindo. Sentia-me forte, quase invencível. Nada e nem ninguém seria capaz de destruir minha felicidade. Não seria uma garota que não aprovava nossa relação que faria com que tivesse vergonha dos meus sentimentos. Éramos homens sim, mas isso era o que menos importava.

Apenas um grão de areia entre milhares.

“Meus dias não seriam mais nada sem você” Deixei um beijo da curva do seu pescoço o vendo se arrepiar em instantes. “Nós somos tão tolos ao pensar que podemos mandar no que sentimos, não é verdade. Não mandamos quando nos vemos presos a alguém que nos faça manter os pés no chão. Sinto como se outro Phillippe tenha nascido a partir do momento que te colocaram em minha vida” Afastei-me para vê-lo sorrir. Queria morrer assistindo aquele sorriso. “Você me deixa constrangido com palavras bobas e sabe disso, mas eu adoro. Seria inútil dizer que não tenho sorte por saber que em um mundo tão grande como esse, com tantas pessoas foi você quem apareceu na minha vida, foi quem me deu permissão de te amar e ser amado” Pausei. Era difícil encontrar as palavras certas, já me sentia um perdedor por não conseguir passar tudo que sentia. Peter apenas sustentava o sorriso, seus olhos castanhos brilhavam, seriam capazes de ofuscar qualquer outra luz. “Depois de tudo isso se não dissesse que é amor nunca existiria outra definição. Eu te amo, é mais do que um dia poderia se quer imaginar. Mais do que qualquer palavra um dia irá dizer”

O moreno a minha frente nada disse. Por um longo tempo apenas sustentou o sorriso e manteve as mãos em minha cintura.

“Phillippe, não sei o que dizer. Acho que não sou tão bom com as palavras como você” Riu com o que disse. “Você tem esse dom de mexer comigo facilmente, só você faz isso” Seus braços se apertaram a minha volta, fazendo com que meu corpo colasse ao seu. Estávamos no meio da calçada, com vários passantes, contudo não ligávamos. “Eu te amo tanto” Finalizou.

Palavras, palavras. Estava claro que não diriam a metade do que realmente existia entre nós. Por isso tentamos de outra forma, com as bocas unidas. Peter foi o primeiro a iniciar o beijo pressionando a boca contra a minha e encaixando nossos lábios facilmente. Tudo ao nosso redor desapareceu, tão clichê, mas ironicamente único.

“Vocês não deveriam fazer isso no meio da rua” Nos separamos com rapidez ao escutar aquele aviso. Conheceria aquela voz a quilômetros de distância. Thomas. “Não tem medo de encontrar com um homofóbico louco, Phill?”

Olhei para Peter depois de escutar sua última sentença. Mal ele sabia que havíamos acabado de passar por algo do tipo. Rimos juntos. Thomas franziu o cenho não entendendo o motivo do nosso riso.

“Thomy! O que faz aqui?” Tratei de abraça-lo. Fazia muito tempo que não nos víamos.

“Ano novo com minha mãe” Retribuiu ao abraço bagunçando meus cabelos, mania essa que eu odiava.

Afastamo-nos e corri os dedos por meus cabelos tentando coloca-los em ordem.

“Vejo que as coisas estão bem por aqui” Tão discreto! Era Thomas. “Olá, Peter”

“Olá, Thomas” Peter parecia ter se tornado sério de uma hora para outra. Voltou a enlaçar minha cintura depois que me afastei de Thomas.

“Passei em seu apartamento, Phill. A vizinha disse que ainda não tinha voltado, achei que ainda estava em Montreal”

“Não, estou no apartamento de Peter. Não precisei passar por lá ainda já que tenho minhas malas cheias de roupas”

“Apartamento? Então ele largou mesmo a altona lá?”

“Thomas!”

Peter estava inexpressível. Aquilo me assustava um pouco. Seu braço a minha voltada se apertava gradativamente.

“Me desculpe” Mostrou os dentes em um sorriso sem graça. “Foi bom te encontrar. Que tal a virada de ano na Times Square? Minha mãe mora aqui faz tanto tempo e nunca foi, está me enlouquecendo. Seria legal se fosse também”

“Não sei...” Olhei para Peter esperando que dissesse alguma coisa, não sabia se ficaria chateado caso aceitasse. Porém não disse nada. “Podemos ir, Peter?”

“Se você quiser podemos ir” Respondeu simples. Simples até demais.

“Você quer? Se não passaremos sozinhos mesmo”

“Não, nós iremos” Sua feição mudou, tentou sorrir, mesmo que tenha parecido extremamente forçado.

“Nós iremos” Disse para Thomas.

“Espera!” Thomas disse alto nos fazendo sobressaltar com a surpresa. “O que é isso no seu dedo?”

Estendi a mão para que ele pudesse ver a aliança que brilhava em meu anelar. Parecia mais chamativa do que gostaria. O loiro segurou minha mão e observou calmamente.

“Peter me pediu em casamento”

“Não acredito! Parabéns, vocês merecem isso” Sem que eu pudesse prever ele me beijou na bochecha, estalando os lábios ao se afastar da mesma. Seus dedos correram por meu rosto o acariciando. “Você merece, Phillzinho”

“Obrigado, Thomy. Estou muito feliz”

“Não era para menos. Olha para essa aliança!” Segurou minha mão novamente. “É quase uma placa com as palavras: Tem dono”

Olhei para Peter de relance e o vi revirar os olhos. Talvez ele não achasse tanta graça como eu. Tentei não ligar e me permiti rir com o loiro. Ele não mudaria, seria sempre o cara que falava muito e certas vezes sem pensar.

“Nos encontramos mais tarde, sim?”

“Tudo bem. Até logo, Peter”

Peter acenou já caminhando para o carro. Fiz o mesmo depois de receber outro beijo de Thomas e vê-lo se afastar.

Já dentro do carro Peter dirigia de volta para seu apartamento. O percurso estava sendo silencioso até demais e não era um silêncio acolhedor. Algo estava errado e poderia até mesmo apostar já sabendo o motivo.

“Peter...” O chamei.

O moreno desviou os olhos rapidamente da estrada a nossa frente e me olhou mostrando que prestava atenção em mim.

“Você não gosta do Thomas? Sabe, não parece se sentir a vontade quando ele está por perto”

“Não tenho motivos para não gostar” Paramos em um semáforo e o vi procurar pelo maço de cigarros, ao acha-lo pegou uma unidade e levou até os lábios o acendendo em seguida. Deu uma longa tragada, soltou a fumaça e voltou a falar. “Só acho que ele te toca demais” Voltou a dirigir uma vez que o sinal abriu.

“Me toca demais? Não acho. Ele só é carinhoso, não vejo problema nisso” Era verdade. É claro, Thomas era muito afetuoso e gostava de abraçar e beijar, porém nada fora do normal, pelo menos para mim.

“Acho desnecessário. O namorado parece ele” Disse transparecendo sua impaciente para o assunto.

“Isso é ciúmes, Peter?” O provoquei sabendo que morderia a isca facilmente.

“Ciúmes? De onde tirou isso?”

Como eu disse, poderia apostar e já teria ganhado.

“Sim, ciúmes. É a única coisa que justifica sua indiferença”

“Talvez seja ciúmes. Não gosto de vê-lo te tocar e acariciar seu rosto como fez hoje, acho que devia respeitar agora que estamos juntos” Eu o observava tragar o cigarro e soltar a fumaça. O cilindro branco ia diminuindo conforme era queimado. Ele evitava me olhar nos olhos, o que achei extremamente adorável. “Acho que devíamos ter escolhido uma aliança ainda maior”

“Maior? Ela é grande ponto de sentir meu dedo pesar” Comecei a rir. A cena era hilária. Vê-lo formando um bico mínimo nos lábios fazia meu interior se aquecer. “O que acha de tatuar seu nome? Posso fazê-lo na testa, assim qualquer um veria que sou apenas seu”

Mais uma vez paramos em um semáforo. Peter descartou a o cigarro que já havia queimado o suficiente. Ajeitou-se no assento ligeiramente incomodado sem dizer uma palavra se quer.

Não deixava de ser adorável.

“Olhe para mim. Por favor?” Mesmo relutante seus olhos foram pousados em meu rosto. “Acha que seu nome ficaria bonito em minha testa?”

“Deixe de besteira, Phillippe” Respondeu sério. Percebi que não estava para brincadeiras.

“Ok. Saiba que sou seu sem precisar provar para ninguém, amor” Eu o chamei de amor? Saiu tão sem pensar. Foi tão fácil, aquela palavra parecia só estar esperando para ser despejada. O mais velho também se surpreendeu ao escutá-la. Nunca havia o chamado de outra coisa a não ser de Peter.

“Me desculpe. Só não gosto de vê-lo te tocar, me irrita” Sua expressão mudou novamente, estava mais natural, como deveria ser. “E me chamou de amor?” Abriu o sorriso que já me fazia sentir falta. “Gostei”

“Bobo!”

O segurei pela blusa que usava um tanto bruto, seu corpo se curvou para mais perto de mim e capturei seus lábios. Segurei seu inferior por alguns segundos antes de selá-los inúmeras vezes.

“É para você que quero oferecer todo o amor que tenho em mim” Selei nossos lábios demoradamente antes de continuar. “Só para você que tenho olhos”

“Concluindo: É meu. Meu anjo” Disse possessivo.

“Como achar melhor”

O clima estranho se dissipou como quem abana uma fumaça incomoda. Logo o rádio foi ligado e voltamos para o apartamento de Peter cantando animadamente as músicas que tocavam.

Eu vou te amar, baby, sempre. E estarei lá, para sempre e mais um dia. Sempre. Se você me dissesse para chorar por você, eu poderia. Se você dissesse para morrer por você, eu morreria...” Cantamos juntos.

Notas finais
As partes em que o Phillippe se "declara" e a resposta do Peter são reais, só para deixar claro. (: E ai, o que estão achando dos dois nesses momentos? Que tal um pouco mais de "ação"? Logo logo as coisas mudam. Primeira música citada é do Aerosmith e se chama I Don't Wanna Miss A Thing. A segunda é do Bon Jovi e se chama Always. São músicas que para mim significam muito. Obrigado por acompanharem e até o próximo. Beijos.