Notas iniciais
Olá gente! Demorei um pouquinho para postar, estava esperando que todos os leitores aparecessem, mas foi em vão. Cadê todo mundo? Muita gente sumiu. Apareçam, fazem falta, sabiam? E claro, me desanimo ao ver tudo parado por aqui. Não me abandonem agora. ): Boa leitura!

Chovia muito no caminho para meu apartamento, as gotas caiam enfurecidas contra o para brisas do taxi que me encontrava com Thomas. O tilintar da chuva era o único som presente. O loiro ao meu lado não proferiu nenhuma palavra desde o momento que saímos do hospital. Aquele silêncio me enlouquecia pouco a pouco, queria chorar, gritar todas as palavras que estavam presas em minha garganta, apenas queria seu perdão e não seu silêncio.

Quando somos privados das palavras que tanto precisamos ouvir é quase como se sentíssemos a dor de uma tortura, tudo parece girar em torno delas, nos fazendo desejá-las ouvir para nos sentirmos bem. Era isso o que senti nos minutos em que passei dentro daquele carro, porém não as escutei, não até já estarmos dentro do elevador em direção a meu apartamento.

Thomas resolveu que já era hora de falar algo quando estávamos em minha sala, nos encarando, esperando que finalmente um dos dois tomasse uma atitude.

“Você me assustou” Foi tudo o que disse. Apenas três palavras, nem mais e nem menos.

“Thomas... O quê?” Esperava que mais uma vez ele me surpreendesse, que gritasse e me mostrasse o quanto eu era culpado por fazê-lo se preocupar, mas não, apenas disse que o assustei.

“Queria te socar, simplesmente te segurar e te socar Arthur!” Alguns passos foram dados em minha direção até estarmos próximos o suficiente. “Mas você sabe que não posso, mesmo que quisesse, nunca seria capaz de te machucar. Espero que saiba apenas o quão filho da puta você foi ao me fazer encontrá-lo naquele banheiro”

“Eu não quis, juro Thomy, não era minha intenção, fugiu do controle no momento em que tomei aqueles comprimidos”

“Não precisa se explicar. Estou bravo por não ter me dito que estava sofrendo, sabe que pegaria o primeiro vôo se tivesse me dito que precisava de alguém aqui, ao seu lado. Você é tão individualista que às vezes me irrito, resolveu engolir o que sentia e ficar sozinho aqui!”

“Não...! Não posso me tornar egoísta como está dizendo. Você tem sua vida, não pode deixá-la porque preciso, entenda Thomas, estou tentando sair do buraco que cai e as consequências das minhas escolhas são só minhas”

“Phillippe, não é assim...”

“Sim, é assim” O interrompi. “Você está feliz, tem o emprego que desejou, namora uma pessoa que gosta de você, mesmo que estejam distantes por conta da sua mudança, e eu não posso me intrometer assim, seria egoísmo, quero sua felicidade, sabe disso”

“Então me promete que não cometerá mais nenhuma loucura” Acabou com a distância mínima que nos separava envolvendo seus braços em meu corpo, o apertando contra o seu.

“Eu prometo. Aquilo foi um erro” Me deixe ser acolhido por aqueles braços firmes a minha volta, contra seu corpo quente. Deixei que aquele contato me acalmasse quase que instantaneamente, que toda aquela paz presente me tornasse leve e ao mesmo tempo forte para enfrentar meus medos.

“Vai ficar tudo bem. Se não encontrar a felicidade em Peter é porque ele não é a pessoa certa para te merecer, e eu sei que a felicidade está bem próxima de você, basta abrir os olhos para enxerga-lá” Sussurrou contra meu ouvido. Não pude evitar me arrepiar com aquelas palavras, tudo dentro de mim parecia clamar para que minha felicidade fosse dada por Peter.

“Eu te amo” Nada mais poderia expressar o quanto era grata pelo anjo que iluminava meus dias. “Não sei o que seria de mim sem você, talvez fosse apenas mais uma pessoa oca”.

“Não diga isso” Riu ainda sustentando o abraço apertado. “Sempre me terá aqui, todos podem ir embora, saiba que eu sempre estarei aqui”.

Secretou aquela sentença em sussurros, era nosso segredo, estaríamos sempre juntos e essa era minha única certeza.

Já era dez da manhã quando Thomas disse que precisava ir embora, iria encontrar Christopher. Como havia dito antes, não iria me tornar egoísta, mesmo que quisesse meu melhor amigo apenas para mim.

A chuva ainda caia forte lá fora e mais uma vez era só o que podia escutar. Havia me dado conta que ficar sozinho se tornou difícil para mim. Odiava me sentir vazio, a solidão às vezes era capaz de me fazer chorar, não conseguia lidar com o silêncio que preenchia todos os cômodos. Isso me levou a pensar que talvez tenha construído muros a minha volta e não de propósito, foram levantados por culpa do meu modo de ser, sempre tão fechado, um tanto quanto anti-social, nunca soube lidar com isso, desde criança era tímido e talvez esse seja o motivo por me sentir tão sozinho. Sabia que havia me afastado da minha família no momento em que me mudei, tinha como objetivo crescer nem que fosse a força e ao pensar nisso me sentia um tolo, sentia que só tinha Thomas e metade de Peter. Afastei-me de Julie naturalmente, sentia sua falta, porém deixava dessa forma. Afastava as pessoas sem intenção e depois de um tempo senti o quanto isso machucava, não queria me ver sozinho, sem amigos, sem uma pessoa para amar e ser amado.

Peter chegou atrasado, como já era de costume. Tentava de todas as maneiras não deixar que isso me afetasse como acontecia no inicio da nossa relação, seria dessa forma, aceitando ou não.

Confesso que não sabia por onde começar, sentia medo de desencadear uma discussão, porém já era hora de colocarmos tudo nos eixos e definirmos de uma vez nossa relação um tanto quanto confusa. Não merecia ser um segredo na vida do mais velho, como já havia dito, o que tínhamos não era errado e até conseguia sentir certa pena de Alicia que mostrava ser uma boa esposa e infelizmente apaixonada por Peter.

O moreno me cumprimentou com um beijo rápido ao entrar, parecia nervoso, sabia que não seria uma simples conversa, conseguia enxergar em seus olhos a preocupação presente.

“Bom, estou aqui para a conversa que pediu” Disse.

“Peter, acredito que já está mais do que na hora de consertarmos toda essa situação que deixamos fugir do controle. Deixarei claro que não aceito mais ser apenas o amante, achei que isso só levaria algum tempo... Claro, no começo era para ser apenas uma diversão, mas nos apaixonamos e se tornou mais sólido do que esperávamos, não é justo comigo e muito menos com sua esposa”

“Eu sei” Concordou. “Isso é complicado, Alicia quer ser mãe novamente. Não é um desejo meu, nunca estive pronto para ser pai e agora tem você, entende como é difícil tomar uma decisão?”

“Entendo, mas adiar só piora as coisas, você precisa decidir o que fazer, um dos dois sairá machucado e estou pronto para isso”

“Não, não me vejo te deixando” Confessou. Não pude deixar de sorrir. “Já Alicia... Não posso fazer isso, ela precisa de mim” O sorriso se dissipou dos meus lábios logo em seguida.

“Não pode ter os dois. Ela ou eu, Peter”

“Me dê um tempo” Pediu.

“Já te dei oito meses. Se quer um tempo terá, mas será um tempo para os dois”

“O que quer dizer com isso?” Perguntou com o cenho franzido.

“Estou terminando o que quer que tenhamos nesse exato momento”

“Phillippe...” Meu nome saiu sofrido por seus lábios, quase sem forças.

“Não Peter, não vou ser o outro a partir de hoje, quando decidir me procure. Se me ama como diz não tenho do que ter medo”

Sentia como se tivesse tomado um soco no estômago, meu ar parecia ter sido roubado. Queria ter Peter de qualquer forma, não podia perdê-lo e estava me arriscando ao tomar aquela decisão, ele podia sair pela porta e não voltar nunca mais, pensar nisso era terrível. Talvez eu estivesse sendo cruel, o colocando em uma situação que devia escolher entre duas pessoas, mas não queria pensar que era egoísta da minha parte, ele nunca poderia ter os dois, não nasci para ser segunda opção.

“Não acredito que isso está acontecendo” Levantou a voz. “Não quero deixar de te ver, é só com você que encontrou alguma paz, não me tire isso”

“Sinto muito, não pense que é fácil para mim”

“Viu? Não precisamos disso” Tentava me convencer a desistir, o que era impossível.

“Sinto muito, Peter” Voltei a repetir.

“Phill...” Se aproximou, segurando meu rosto entre suas mãos. “Não quero ficar sem você” Deslizou seus lábios sobre os meus, não era um beijo, era apenas um toque simples, uma despedida.

“Não quero parecer o monstro, por favor, entenda” Ao falar nossos lábios se tocavam junto com nossas respirações pesadas.

E então deixei de ver o brilho dos seus castanhos nos meus, fui privado por suas pálpebras fechadas, mas então presenteado por sua boca sobre a minha, tocando meus lábios com mais intensidade, com uma paixão nunca antes sentida. Sua saliva se misturava com a minha, tinha um gosto doce de hortelã e cigarro, seu gosto era como uma droga para mim, capaz de me anestesiar e não sentir mais o chão a baixo dos meus pés, flutuava ao sentir seus braços me segurando, me acolhendo como quem protege uma criança frágil e era exatamente como me sentia, um ser indefesso, dependente do moreno. Dependente do seu amor.

Em um impulso me ergueu em seus braços e minhas pernas envolveram seu tronco. Peter me segurava contra seu corpo sem nunca desconectar nossos lábios que pareciam famintos, tentando de qualquer forma suprir todas nossas necessidades. Deixava que meus dedos brincassem com seus cabelos compridos, acariciando sua nuca e escutando suspiros encaparem por entre nossas bocas.

Em passos vacilantes nos levou até meu quarto e com certo cuidado deitou meu corpo na cama logo sendo coberto pelo seu. Suas mãos buscavam o botão de minha calça, com agilidade se livrou das duas peças que me cobria, se voltou para minha camiseta e em um simples movimento a tirou. Tratou de se despir sozinho, tudo rápido demais. Existia uma pressa da parte dos dois em nos tocarmos, nos sentirmos próximos o suficiente. Queríamos mais uma vez sermos apenas um.

No momento em que vi sua pele amorenada a minha frente me dei conta que sentiria falta dele, do seu corpo junto ao meu, da sua forma de me roubar pequenos sorrisos, de sentir meu coração se aquecer cada vez que nos beijássemos. Deixei que uma lágrima teimosa escapasse. Eu o amava mais do que deveria.

Sua boca percorreu meu rosto o beijando por onde corriam as lágrimas, tentando em vão fazê-las deixar de cair. Tudo dentro de mim parecia ter se apertado, a força que eu fazia para ser forte na decisão tomada me fazia sentir dor.

Senti suas mãos afastarem minhas coxas e se posicionar entre minhas pernas, no segundo seguinte forçou seu corpo contra o meu e pude senti a dor incomoda e tão conhecida me fazendo gemer alto. Peter esperou dentro de mim para que me acostumasse com a invasão, ao abrir os olhos antes fechados com força ele entendeu que poderia continuar. Seus movimentos se tornaram um vai e vem lento e prazeroso. Deixei que meus gemidos saíssem altos e fossem confundidos com os seus, deixei que minhas unhas fossem cravadas em sua cintura e que ele me levasse ao céu mais uma vez. Uma última vez.

“Encontrei o inferno ao descobrir o céu. Paguei o seu preço. O seu destino é meu.”

Notas finais
E ai, como o Phill irá passar esse tempo longe do Peter? Será que cometerá mais uma burrada? Quero saber o que estão achando!Beijos.