Notas iniciais
Olá! Antes de lerem quero agradecer aos novos leitores! Estou tão feliz ao ver os reviews aumentando. Obrigado ao Gimerson por seus comentários enormes. A Karol também. Seja bem vinda, linda. Enfim, agradeço a todos! E ah! Também a recomendação fofa do Lipe. Adorei! Fiquei sorrindo por um tempão depois de lê-la. Significou muito, então obrigado! *--* É maravilhoso saber que acabou dando uma chance e acabou achando linda. Logo acabo de responder os outros. Não esqueci! Bom, boa leitura!

Nunca havia visto Peter agir daquela forma. Ele sempre me pareceu controlado e difícil de mostrar qualquer sentimento facilmente. Como muitos dizem, os olhos são as janelas da alma e naqueles segundos em que não respondi pude ler os castanhos a minha frente e não gostei do que vi. Senti algo dentro de mim se apertar. Não era bom.

Continuávamos parados em um fila imensa de carros e sem previsão de quando voltaríamos a nos locomover.

“Tenho férias atrasadas” Comecei “Contando com os dias por conta do final do ano, voltarei no fim de janeiro” Respondi sua pergunta.

O mais velho suspirou longamente antes de desviar os olhos. A fila a nossa frente andou alguns metros até parar novamente.

“Sentirei sua falta” Peter finalmente cortou o silêncio que havia sido instalado por alguns minutos.

“A cada frase dita por você só consigo ficar mais surpreso” Confessei.

“Por que diz isso?”

Seu olhar era confuso. Se não fosse pelo clima completamente pesado que estávamos tendo tinha certeza de que riria com sua pergunta. Peter era inacreditável!

“Pelo simples fato de me surpreender a cada instante” Seu olhar ainda era o mesmo. Resolvi tentar explicar. “Peter...” Busquei as palavras certas para que pudesse entender com clareza. “Você é a pessoa mais orgulhosa que já tive a chance de conhecer. Tudo bem se acabar se ofendendo, porém nada mudará isso” Acrescentei rapidamente. “Nas vezes em que nos afastamos em momento algum me procurou ou pediu desculpas. Nunca me pareceu arrependido!”

“Aonde quer chegar com isso?” Me interrompeu com sua pergunta.

“Em lugar algum. Só não acho correto essas suas palavras quando o mais importante esteve em falta. Que era atitude”

“Talvez eu tenha mudado e queira começar novamente. Não é de todo mal, é?”

“De jeito nenhum” Fui sincero.

Tendo a certeza de que os carros a nossa frente não andariam tão cedo, Peter soltou o cinto e se virou em minha direção no banco. Uma de suas mãos segurou a minha e a apertou com firmeza. Seus olhos pareciam ter perdido o brilho triste de mais cedo e foram tomados por um brilho diferente, esperançoso.

Não sabia o que pensar, minha cabeça se esvaziou em questão de milésimos. Deixe que continuasse. Mesmo que nunca pudesse admitir em voz alta, gostaria de saber no que aquilo iria dar.

“Phillippe...” Atraiu minha atenção ao me chamar. “Quero uma chance para que possa te mostrar que estou tentando mudar. Não sei me expressar da maneira certa com você, não é por mal, é só o meu jeito” Seus dedos se apertaram em volta da minha mão. Parecia nervoso. “Vou ser mais presente. Sei que essa situação toda foi péssima para você, assim como para mim. Sei que deu a entender que não me importava com isso, mas me importava tanto!” Seus lábios tremiam ao falar, não era por culpa do frio. Peter segurava as lágrimas que já habitavam o canto dos seus olhos. “Não quero te perder. Não estamos só há alguns dias juntos, sei que esse sentimento não é passageiro”

“Peter...”

Tentei responde-lo, porém não tive a chance.

“Peço-te desculpas. Em momento algum quis que sofresse com isso”

Era difícil me controlar para que não chorasse. Ele nunca havia falado daquele jeito, até parecia outra pessoa. Eu era orgulhoso, talvez não como ele, mas era e sentia que não devia ceder tão facilmente.

“O estrago já foi feito” Eu disse.

“Não é nada que não possamos consertar, sei disso”

“Não fale como se fosse tão simples!” Meu tom de voz aumento gradativamente. “Ainda é recente... Acredito que não podemos consertar tão fácil como diz. Sofri muito com tudo isso, Peter. Não sei se estou pronto para correr risco novamente”

“O que mais precisa para ter certeza de que deve?” Seus olhos percorreram todo meu rosto enquanto esperava por uma resposta, que não chegou. “Queria que escolhesse, não queria? Não estou mais com Alicia. Fui praticamente expulso da minha própria casa... Quando tudo parecia que ia se resolver confessa que esteve com outra pessoa...”

“Ei, ei... Espera ai!” O interrompi. “Não foi bem assim e você melhor do que eu sabe disso. Em momento algum você escolheu por vontade própria e esse foi o motivo por termos ficado tanto tempo sem nos vermos”

Era inacreditável como a culpa sempre parecia cair sobre mim. Todo o tempo quis apenas ser reconhecido, ganhar um lugar digno ao seu lado.

Peter ficou calado depois do que eu disse, e claro, não era para menos.

O trânsito finalmente voltou a fluir. Conseguimos sair de uma das principais avenidas e logo já estávamos em frente do prédio em que eu morava.

“Obrigado por me trazer até aqui” Cortei o silêncio.

Ao soltar o cinto de segurança e buscar pelo trinco da porta na intenção de abrir Peter segurou-me pelo braço levemente, apenas para não me deixar sair.

“Espere” Passou os dedos entre os cabelos com a mão livre. Mais um sinal de nervosismo, que eu achava adorável. “Não quero ficar sem você. Por favor, pense em tudo o que lhe disse e me procure quando voltar de viagem”

“Faria isso até se não me pedisse...”

“E não esqueça, eu te amo, Phillippe”

“Nunca”

Seu rosto se aproximou do meu com certa rapidez. Sabia que iria me beijar, então tratei de afastar o meu no momento seguinte. O moreno soltou o ar em frustração e se aproximou novamente, dessa vez me beijando na testa.

“Boa viagem” Desejou.

“Obrigado”

Com isso pude descer do carro depois que sua mão me soltou e o vi ir para longe dos meus olhos.

___________

Foi anunciado pelos alto falantes que meu voo sairia em quinze minutos. Anthony havia me levado e disse só ir embora ao me ver ir entrar pelo portão.

Gostava da forma que me sentia protegido com ele ao meu lado. Sabia que mesmo depois dos nossos envolvimentos teria uma boa amizade para cultivar e para mim amizade era a melhor opção ultimamente.

“Chegou a hora” Eu disse.

“Cuide-se, qualquer coisa é só me ligar. Coma direito e quero vê-lo voltar sorrindo, ok?” Anthony disparou a falar, como já era de costume.

“Ok. Vou começar a te chamar de mãe, o que acha?” Ironizei.

“Ah, cala essa boca!” Se fingiu ofendido. “Está indo ao encontro da verdadeira, vejo que não precisará de mim por algum tempo”

O abracei sem aviso prévio. Meus braços se apertaram a sua volta de forma simples e fui retribuído facilmente.

“Sempre irei precisar de você. Mesmo que seja um idiota às vezes” Disse tentando segurar o riso.

“Obrigado, Arthur. É muito bom saber disso, mais ainda que sou um idiota”

“Esqueça essa parte” Pedi. “Sentirei saudades”

“Passará extremamente rápido”

“Sim” Concordei.

Desvencilhou-se dos meus braços e me beijou a bochecha demoradamente.

“Agora vá antes que te deixem para fora” Anthony não era muito bom com aquele tipo de momento, então tentei apenas relevar sua falta de jeito.

“Até logo, Anthony”

Despedi-me e fui em direção ao portão três com destino para Montreal.

Depois de dois anos me sentia voltando para o lugar que nunca poderia deixar de chamar de casa. Mesmo que tenha me sentido como um fugitivo saindo do lugar onde cresci poderia dizer sentir falta de lá. Era quase como sentir meu coração se aquecer ao saber que em algumas horas estaria entre os braços de meus pais e com Julie ao meu lado. Só me dei conta de que sentia uma saudade imensa deles quando estava prestes a vê-los novamente. Parecia egoísta e tarde demais para isso, mas como dizem: Antes tarde do que nunca.

Dormi boa parte da viagem, o que foi bom, pois morria de medo de altura e se estava dentro daquela caixa metálica sabe-se lá a quantos metros de altitude era porque realmente existia um bom motivo para isso. Acordei apenas por causa de uma criança correndo pelo corredor existente entre as cadeiras do avião e logo atrás sua mãe tentando pará-la.

Logo foi anunciado que deveríamos colocar os cintos, pois iriamos aterrissar em alguns minutos. Uma das piores partes para mim. Fiz o que foi pedido e fechei os olhos intencionalmente desejando baixo que aquele frio no estômago passasse logo.

Ao aterrissarmos me mantive sentado por algum tempo, deixei que todos saíssem para que depois me levantasse e fosse para área de desembarque do aeroporto e buscasse por minhas malas.

Ninguém iria me buscar. Haviam ligado e dito que a casa já estava com alguns parentes que ficariam para o natal. Julie estaria ocupada com alguma coisa que não tive a oportunidade de perguntar o que era. Já conhecia o caminho perfeitamente, precisava apenas de um taxi e logo estaria em casa.

Já fora do aeroporto pude ver neve caindo lentamente, pequenos flocos gélidos já no amanhecer. Não sabia dizer a temperatura, mas estava mais frio que em Nova Iorque. Tratei de fechar meu casaco e entrar em um dos taxis parados já em frente ao local. O sol havia aparecido eventualmente, mas era apenas para mostrar estar dia, porque o mesmo não era capaz de esquentar. Disse o endereço ao taxista e em poucos instantes, pois não havia trânsito algum pela manhã, já estávamos parados diante de uma casa completamente enfeitada para o natal.

Minha mãe sempre foi muito caprichosa e gostava de participar dos concursos das casas mais bem enfeitadas do bairro. No jardim a frente existia tudo o que poderíamos ou não imaginar, havia até mesmo renas no telhado, porém estavam quase escondidas por conta da neve que caia em cima das mesmas.

Não pude deixar de sorrir diante da beleza contida ali. Por fora era tudo igual, nada parecia ter mudado.

Assim que paguei o taxista à porta da frente foi aberta, era minha mãe sorrindo abertamente em minha direção.

“Arthur!”

Chamou-me pelo meu segundo nome -que já havia dito não gostar- dando longos passos em minha direção com os braços abertos.

Enfim, lar doce lar!

Notas finais
E ai, o que estão achando? Será que essa viagem irá ajudar o Phill a pensar com mais clareza e decidir finalmente o que fará com a própria vida? Comentem, viu? Até o próximo. Beijos. *-*