Notas iniciais
Esse capítulo está um pouquinho mais comprido, espero agradar a todos. Não sou muito boa ao escrever lemon e confesso sentir vergonha. HEHE De todo jeito, quero saber o que acharam depois, viu? *-*

Meus batimentos cardíacos estavam descontrolados, assim como minha respiração forte. Peter me pegou de surpresa, preferiria que continuasse me beijando e não que fosse interrompido com aquela pergunta, pois a mesma me trouxe de volta para o que era real e isso não incluía um envolvimento com alguém casado.

Sim, tinha certeza de que o queria. Porém, não tinha certeza se era o certo a ser feito, me entregar... Essa decisão poderia me levar para o arrependimento mais tarde. Sabia que se o colocasse para fora não teria uma chance e tudo em mim parecia ansiar por mais contato. Eu queria tê-lo. Queria ser dele, nem que fosse apenas por uma noite.

“Tenho” Minha resposta pôs qualquer outra pergunta no esquecimento.

Peter voltou a tomar meus lábios fazendo propositalmente com que eu esquecesse tudo ao nosso redor. Minha camiseta enfim foi forçada para cima de meus ombros, levantei os braços para que fosse descartada em um canto qualquer, isso sem desconectar nossas bocas que pareciam ter criado uma batalha muda. Minhas mãos lhe tocavam onde quer que alcançassem. Eu queria conhecê-lo mais com os toques, queria marcá-lo com minhas unhas enquanto sentia seus beijos descerem por meu pescoço e ombros, beijos esses que logo se tornaram mordidas, fracas, fazendo-me desejar que não tivessem um fim. Empurrei o corpo do mais velho lentamente até já estarmos em meu quarto, para minha surpresa, fui deitado na cama e pude sentir meu corpo queimar abaixo das peças de roupas que ainda usava. O que não durou muito tempo, logo senti suas mãos desabotoarem meus jeans com um pouco de dificuldade, desceu as duas últimas peças por minhas pernas e me vi nu. Não pude evitar o constrangimento a seguir, ele observava meu corpo devagar, parecia querer gravar detalhes e isso obviamente fez com que tentasse me encolher, uma tentativa falha de me esconder daqueles olhos.

Ele notou, assim como qualquer outro ato executado por mim.

“Já lhe disse...” Fez uma pequena pausa para que selasse nossos lábios. “Você é lindo, não tenha vergonha disso”

Naquele momento eu queria roubá-lo, fazê-lo meu de todas as formas possíveis e existentes. Queria guardá-lo, como se guarda um objeto precioso e apenas observar quando necessitado. O homem a minha frente ainda era quase desconhecido por mim e não sabia dizer de onde vinha todo o desejo por decifrá-lo, de ter o dom de lê-lo apenas com o olhar. Eu não sabia de onde vinha o desejo de me entregar e ser dele. Nunca havia sentido todos os sentimentos juntos, borbulhando dentro de mim, me fazendo ser outra pessoa.

Outro Phillippe.

Tratei de desabotoar botão por botão de sua camisa branca, agilmente, mas um tanto quando lento, pois usava apenas uma mão, a outra estava entre seus cabelos escuros, os segurando firmemente em busca de mais contato. Não pude evitar um suspiro de frustração, o que fez o mais velho rir e trocar nossas posições para que pudesse finalizar o ato de despi-lo e finalmente poder vê-lo com mais clareza sem que nenhum outro tecido estivesse impedindo. E eu não esperava por menos ao ver seu corpo diante de meus olhos, parecia mais do que um dia se quer pude imaginar, ele poderia ser descrito como perfeito, com seus ombros largos e pele clara, gastei mais do que devia observando-o, mais uma vez ele trocou nossas posições. Deslizou os lábios por meu peito, deixando marcas que mais tarde estariam arroxeadas, o que naquele momento não se passou em minha cabeça. Encontrava-me anestesiado por seus toques e beijos, estava completamente entregue. Podia sentir sua excitação tocando-me, assim como me sentia pulsar a baixo de ser corpo. Gravei minhas unhas curtas em sua pele em um consentimento para o que estava para acontecer, ele entendeu. Posicionou-se entre minhas pernas e calmamente pude senti-lo me tomar. No primeiro instante senti a dor de ser invadido por outro corpo e não consegui evitar um gemido baixo.

“T-tudo bem, vai passar” Sussurrou.

Ele tomou meus lábios na intenção me distrair. Beija-me calmamente enquanto seus movimentos se tornam mais repetitivos, até que eu não sentia mais dor. Todo o incomodo foi preenchido por prazer, senti-lo dentro de mim fazia sermos apenas um sob aqueles lençóis de algodão. Seus movimentos tornavam-se intensos. Sentia todos os pelos de meu corpo arrepiados por culpa das ondas de prazer presentes no mesmo. Minhas mãos exploravam seu corpo, lhe arranhava e apenas pedia por mais. Sentia sede de seus lábios e os encontrava entreabertos, ofegando. Os olhos fechados, completamente perdido na dança que ele ditava os passos, minhas mãos corriam mais uma vez para sua nuca e trazia de volta para mim, de volta para meus lábios em mais uma batalha sem ganhadores. Passei a tocar-me quando sentia que estava para alcançar o céu, porém fui impedido por uma de suas mãos, seus movimentos se intensificaram em um só ritmo. Seu quadril encontrava com o meu na mesma velocidade que sua mão me tocava e com ofegos cada vez mais fortes me rendi, finalmente. Por mais alguns segundos seus movimentos foram os mesmos, até que seu corpo caiu ao lado do meu.

Passei a escutar sua respiração forte em meu ouvido por um momento. Logo seus braços me puxaram para mais perto, para que me deitasse sobre seu peito.



“Durma” Disse baixo ainda perto de meu ouvido. Sentia seu peito em um movimento de sobe e desce por culpa da respiração forte. Me permiti fechar os olhos, tentando guardar todas aquelas sensações, sentindo a ponta de seus dedos acariciarem meus cabelos, seu cheiro de colônia masculina e cigarros. Me deixando vencer pelo cansaço.

Naquela quinta feira pude sentir como se toda Nova Iorque tivesse parado, toda aquela cidade movimentada houvesse parado para nos contemplar. Só existia Peter e eu, entre aquelas quatro paredes éramos apenas nós, tentando acalmar os corações agitados. E quando nos permitimos sermos levados pelo sono, todo aquele começo já havia sido escrito, se tornando tarde. Tarde para arrependimentos, tarde para uma fuga. Foi construído em algumas linhas o primeiro capítulo.

Foi ali, dentro daquele cubículo que nasceu dois amantes.

____

Na manhã seguinte quem acordou primeiro foi eu. Tive o privilegio de observar Peter dormindo por alguns minutos, minutos em que pude memorizar ainda melhor cada traço da sua face. Seu rosto era sereno enquanto respirava baixo, o peito ainda nu estava descoberto, a única parte coberta era de sua cintura para baixo, fazendo com que pudesse ser enxergado seu abdômen. Em seu rosto era possível notar algumas pintas fazendo contraste na pele amorenada, a barba estava crescendo, mas era possível ver apenas se estivesse muito perto. Seu nariz era bem feito e lhe era proporcional a boca, rosada com seus lábios finos, mesmo que estivesse de olhos fechados eu ainda me lembrava dos mesmos, castanhos, extremamente encantadores quando se tinha um brilho especial. Peter era de uma beleza incomum, capaz de fazer qualquer ser se apaixonar apenas em executar o ato de repuxar os lábios em um sorriso. Eu havia caído em seus encantos e podia dizer não me importar, dentro de mim, de meu estomago, as borboletas agitadas estavam mais do que vivas, estavam contentes, ele estava em minha cama e aquilo era quase impossível de ser imaginado!

Levantei-me depois de algum tempo e segui direto para o banheiro onde tomei um banho demorado e vesti a roupa que sairia para trabalhar. Ao estar pronto preparei um café e depositei o mesmo em duas xícaras, encaminhando logo em seguida de volta para meu quarto. Peter ainda estava deitado, porém acordado. Ao me ver entrar com as xícaras em mãos me sorriu abertamente.

“Bom dia” Me desejou bocejando a seguir. “Acho que dormi mais do que devia”

"Bom dia. Ainda é cedo, não se preocupe” Lhe entreguei uma das xícaras e me sentei ao seu lado.

“É só isso?” Perguntou se referindo a xícara em suas mãos. Ao se dar conta de que eu não havia entendido sua pergunta voltou a reformulá-la. “Só ganho um café preto pela manhã? Nem um beijo? Talvez eu mereça. A não ser que você não beije os caras que ainda não escovaram os dentes”

Não pude evitar rir, ele havia falado sério.

“Não me importo se não escovou os dentes, só não tinha certeza se você era um daqueles que acordam de mau humor”

“Hum, então conhece vários tipos” Se permitiu rir, colocando sua xícara no criado mudo e me puxando para perto. Seus lábios foram em busca dos meus não me dando tempo de retrucar e não pude evitar fechar os olhos ao senti-los, eles se moveram devagar, sem o toque de sua língua. Apenas os acompanhei, aproveitando mais uma vez do gosto de Peter. Apenas sentindo um formigamento já conhecido por todo meu corpo. Terminou selando nossos lábios algumas vezes seguidas e voltando para seu café.

“Vou fingir que não me ofendi” Beberiquei o liquido quente calmamente.

“Com o que?”

“Com o: Então conhece vários tipos. Não pense que antes de você vários outros já estiveram nessa cama”

“Ei! Eu estava brincando” Voltou a rir, dessa vez mais abertamente. “Talvez tenha sido apenas o tal Thomas, estou certo?”

“Não tenho mais nada com Thomas” Seu cenho se franziu, percebi que era o que ele queria ouvir, resolvi lhe cutucar um pouco mais. “Mas o tempo que estivemos juntos foi extremamente bom”

“Hum” Foi sua resposta. Sua atenção ficou totalmente e unicamente para a xícara de café quase já vazia.

“Thomas é meu melhor amigo” Confessei abrindo mão do jogo bobo. “É uma das únicas pessoas que tenho como amigo aqui, você gostará dele”

Sua atenção voltou para mim, mas não disse mais nada sobre o assunto, deu de ombros e voltou a depositar a xícara no criado mudo, dessa vez vazia. Levantou-se buscando por suas roupas que estavam espalhadas por todo o quarto, as vestindo. Não gostei do clima que havia ficado no ar, o único som existente era dos carros na rua. Me encaminhei até ele e o abracei pela cintura, deixando que meu queixo fosse apoiado em seu peito. Ele sorriu e me beijou quebrando todo o clima ruim antes presente. Eu não cansaria daquele contato onde nossas bocas se juntavam e me faziam esquecer do mundo a minha volta, era tudo tão novo, mas quase indescritível. Era como um sonho bom em que eu não queria acordar mais.

“Ficaria aqui pelo resto do dia, só que preciso ir, daqui a pouco Alicia liga desesperada” Mordeu meu lábio inferior o segurando por algum tempo até soltá-lo e me depositar um beijo rápido nos lábios.

“Tudo bem. Preciso ir trabalhar” Respondi aleatoriamente. O nome citado por ele fez com que o clima voltasse novamente.

Nos encaminhamos até a porta de saída, descendo pelo elevador juntos. Quando estávamos quase no térreo ele me segurou em seus braços e os apertou a minha volta. Distribuiu beijos por meu rosto, parando na boca e selando nossos lábios demoradamente, antes de me soltar, beijou minha testa.

“Eu te ligo, anjo”

Ele saiu primeiro, caminhando pelo lado oposto até onde seu carro foi estacionado, dando partida e sumindo de minha vista. Já eu, caminhei até onde trabalhava, não era longe e preferia ir andando a gastar tempo no trânsito já presente pela manhã.

Meu dia foi diferente, parecia conter mais cor no mesmo, eu sorria sem motivo algum, me sentia leve e tão merecedor daquela felicidade nova. Não saberia o que poderia vir a seguir, mas esperava, com certa esperança de que fossem coisas boas.

Não saberia o que o destino havia guardado para mim. Talvez não fosse o que eu desejava.