Meu amor está ao seu lado.
8 Desejo
Notas iniciais
“Não, só estava deitado” Respondi.
“Me desculpa. Precisava falar com você, sabe? Depois do que aconteceu...” Peter parecia perdido, sem saber quais palavras usar.
“Peter, está tudo bem, só precisa saber disso” Eu estava disposto a esquecer o que houve. Algo dentro de mim gritava para me manter longe de qualquer aproximação.
“Gostaria de te ver” Ele disse rapidamente, sem deixar que eu continuasse. “Não quero que isso venha a nos afastar. Gosto da sua presença e quero ter a oportunidade de te conhecer melhor”
“Peter...” O repreendi. Mesmo que eu quisesse tê-lo por perto, tentava me convencer de que isso não era bom. É aquela famosa briga com a razão e o coração, sempre sabemos quem vai ganhar, mas insistimos.
“Por favor, Phillippe” Insistiu.
“Por quê? Não acha que isso é errado?” Só estava tentando fazê-lo enxergar a realidade, não acho que estava sendo injusto.
“Não tem um por que, só quero te ver” Suspirou e ficou alguns segundos em silêncio. Eu podia escutar sua respiração do outro lado da linha, meu coração era capaz de acompanhar o ritmo da mesma. “Não acho que isso é errado. Não acho errado seguir em direção daquilo que queremos” Por fim respondeu minhas perguntas, deixando a mim calado.
Não queria me render e essa era a verdade. Conhecia-me o suficiente para saber que Peter me causava sensações diferentes, ele não era mais uma pessoa em minha vida. Algo me dizia que não entrou na mesma por coincidência.
“Tudo bem”
“Tudo bem? Posso te ver?” Seu tom de voz aumentou, estava mais animado.
“Sim”
“Passo ai amanhã, certo? Quando estiver saindo do hospital, por volta das oito”
“Estarei esperando. Boa noite, Peter”
“Durma bem”
Com isso a ligação teve fim. Não podia negar estar me sentindo bem depois de ter escutado a voz do mais velho, parecia ter tirado todo o peso que carregava durante as duas semanas que se passaram desde a última vez que nos vimos. Voltei para cama e logo dormi, acordando apenas no dia seguinte com o despertador. O dia foi tranqüilo, seguindo seu curso normalmente. Almocei mais uma vez com Anthony e dessa vez não houve convite, apenas fomos juntos para o mesmo restaurante e conversamos sobre tudo um pouco. Ele me lembrava Thomas em certas coisas, era capaz de me fazer rir facilmente, e algo nele me fazia confiar, assim como confiava no loiro. Não conseguia me manter calado ao seu lado e até lhe contei sobre Peter, não sei exatamente o por que, mas queria a opinião de outra pessoa sobre tudo o que vinha acontecendo ultimamente. Ele por sua vez também me apoiou e por incrível que pareça me deu dicas sobre conquistá-lo, que por fim foram tentativas falhas, porém demos boas risadas juntos.
À noite quando já me encontrava em casa resolvi preparar um jantar, nada muito trabalhoso. Tomei um banho rápido e me arrumei, esperando Peter chegar. Dessa vez o apartamento estava arrumado, não teria que pedir pra que entrasse de olhos fechados, o que foi extremamente constrangedor. Era quinze para as oito quando a campainha tocou. Sentia-me ligeiramente nervoso, mas tratei de ignorar isso e abrir a porta para o mais velho. Assim que me deparei com ele pude perceber que sorria, seus dentes brancos e bem alinhados estavam a mostrar e foi impossível não sorrir também.
“Entre” Lhe cedi à passagem e em seguida fechei a porta atrás de nós.
“Não estou atrapalhando, estou?” Ele ainda vestia vestes brancas por estar vindo direto do hospital.
“Não Peter, pode ficar tranqüilo. Até me arrisquei a cozinhar, espero que esteja bom” Peter me seguiu até a pequena cozinha e se sentou em uma das cadeiras que continha na pequena mesa.
Comemos calmamente, não sei se ele mentiu, mas disse que estava bom e que eu levava jeito na cozinha, claro, o xinguei e pedi para parar com aquilo. Me contou sobre como foi seus dias no trabalho e também lhe contei sobre minha semana. Gostava das nossas conversas, era impossível não me sentir a vontade com sua companhia, ele era encantador em todos seus atos e palavras, conseguia me sentir como um adolescente apaixonado, o que em minha opinião era completamente ridículo. Eu gostava da forma que ele jogava a franja para trás sempre que caia teimosa sobre os olhos ou como segurava a taça de vinho entre os dedos. Gostava da forma que pronunciava meu nome, parecia sair bonito em sua voz e amava como seus olhos eram pousados sobre os meus, parecia encontrar naqueles castanhos um refúgio extremamente calmo e acolhedor.
“Acho que já chega de vinho” Empurrei a taça pela metade junto com meu prato já vazio
“Você é fraco para bebidas” Ele achava graça pois já me sentia sonolento e tonto.
“Apenas sei meu limite” O acompanhei no riso.
Senti sua mão quente sendo depositada sobre a minha que se encontrava fria. Nossos olhos foram conectados e nos mantemos nesse contato no que me pareceu minutos. O lado racional do meu celebro gritou para que me afastasse daquele contato e apenas o obedeci tirando rapidamente minha mão que se encontrava abaixo da sua. Levantei-me e tratei de colocar a louça dentro da pia, sentindo que Peter fazia o mesmo. Ao me virar repentinamente nossos corpos se encontraram e o moreno me segurou contra a pia fazendo com que meu coração fosse até a boca em apenas algumas batidas descompassadas.
“Phillippe...?” Me chamou baixo, podia sentir sua respiração ritmada bater contra meu rosto. Apenas pude murmuram um “hum”. “E-eu posso te beijar?" Nossos narizes se tocavam levemente, meus olhos observavam os castanhos a minha frente minimamente, podia até enxergar pontinhos mais escuros nos mesmos. Eu ansiava para sentir o toque de seus lábios mais uma vez, sentir seu gosto...
“Pode...” Concordei. Não tinha força alguma para negar. Parecia uma vontade que não fazia mais parte de mim mesmo.
E então senti pela segunda vez sua boca tocando a minha e foi completamente diferente da primeira. Seus movimentos eram mais rápidos e quase desesperados, sem deixar de ser cuidadoso. Logo sua língua pediu passagem entre meus lábios, o que foi consentido sem pressa alguma. Podia sentir o gosto de vinho tomado há pouco e era uma sensação indescritível ao sentir sua língua aveludada tocando a minha, me fazendo esquecer tudo e apenas me entregar a aquele momento. Deixei que meus braços lhe segurassem pelos ombros pois minhas pernas não pareciam dar conta de me manter em pé sozinhas, senti em seguida suas mãos segurarem minha cintura quase como se soubesse que eu precisava daquilo. Nosso ritmo foi se tornando mais lento quando nos demos conta que precisávamos respirar, lento até que nossas bocas fossem separadas e mais uma vez nossos olhos se encontraram. Peter sorriu ao se deparam com minhas bochechas coradas, me senti ainda mais envergonhado.
“Você é tão lindo” Falou quase em um sussurro. Sua boca ainda se encontrava muito próxima da minha.
“Mentiroso!”
“Aprenda a receber um elogio” Ele me desarmou. Seus dedos deslizavam por meu rosto calmamente.
“Obrigado” Agradeci.
“Estou feliz por estar aqui” Não pude me conter, envolvi meus braços em volta de seu corpo e o abracei, sem força, apenas para senti-lo mais próximo a mim.
“Eu também” Corri meus lábios na pele de seu pescoço e deixei beijos por ali, o vendo se arrepiar com o ato. Ri e continuei, o provocando.
“Não faria isso se fosse você” Ele encolhia os ombros para que pudesse conter meus beijos. Inútil.
“E por que não?” O provoquei mais uma vez, queria saber até onde poderíamos chegar com aquele jogo.
“Logo não vou mais responder pelos meus atos” Respondeu sério, o que conseqüentemente me fez rir ainda mais.
Eu estava alto por conta da garrafa de vinho que tomamos, consciente, porém não sentia medo ou constrangimento sobre nada. Sentia-me tonto, de todo jeito, não parei de lhe beijar o pescoço, vez ou outra escutava alguns suspiros saírem baixos de seus lábios entreabertos e aquilo me deixava tentado a continuar, mudando para algumas mordidas fracas. Mesmo com seu aviso, seus atos me mostravam que não queria que aquilo tivesse um fim pois seus dedos apertavam a pele de minha cintura. Eu não sabia onde iríamos chegar com tudo aquilo, mas pagava para ver.
“Eu avisei Phillippe...”
Uma de suas mãos seguraram os cabelos de minha nuca sem puxá-los, minha boca foi forçada a encostar-se à sua novamente sem que eu pude tomar ar. Seus lábios eram rápidos sobre os meus, me ditando o ritmo que devia seguir. Não podíamos negar o desejo ali presente, os dois estavam conscientes sobre todos os atos e não quisemos parar. Nossas línguas se encontravam conforme os movimentos se intensificavam. Logo senti suas mãos quentes abaixo da camiseta que eu usava, seus dedos faziam caminhos sob minha pele clara fazendo propositalmente que eu me contraísse contra seu corpo por conta dos arrepios. Mantive meus braços ainda em volta do seu corpo o apertando contra o meu.
Ainda sem separarmos nossas bocas senti Peter levantando minha camiseta até que metade do meu tronco já estivesse exposta, mas ainda sem tirá-la por completo. Se afastou de minha boca minimamente e nos encontrávamos ofegantes.
“Tem certeza disso?” Ele perguntou fazendo propositalmente com que nossos lábios se tocassem. Ainda segurando a barra da minha camiseta entre os dedos.
Eu tinha certeza?
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