Meu Verdadeiro Amor
9 Quebrando a Distância
Notas iniciais
O clima não estava aquecido como havia sido nas últimas semanas, já era possível sentir os ares do outono que se aproximava tomando conta do ambiente. Sentindo a brisa acariciar de leve sua franja, Anna olhou para o jardim abaixo de si, o castelo andava movimentado nesses dias que passavam.
— Eu sinto muito. — falou a princesa
Kristoff a olhou de soslaio, mas se manteve em silêncio. Anna, então, suspirou audivelmente e prosseguiu.
— Eu acho que realmente não fui uma boa namorada, então eu posso ter estragado tudo. Me desculpe, Kristoff.
— Espera aí, Anna! — interrompeu ele — Se suas desculpas são por você ter me largado sem qualquer aviso de que daria um pulo no castelo, okay. Águas passadas. Agora não me peça desculpas por não me amar de volta. Seria idiotice.
— Está bem. Eu só achei que precisava me desculpar. Você é meu amigo, eu não poderia ficar bem sabendo que te magoei.
— Tudo bem, Anna, eu sou seu amigo. Só não me olhe desse jeito, compaixão deve ser direcionada a outras circunstâncias, não a paixões não correspondidas.
Anna enxugou os olhos e abraçou Kristoff ternamente.
Eles observavam os servos passando de um lado para o outro no jardim abaixo, quando Kristoff perguntou.
— Como estão as coisas entre vocês?
— Coisas? Que coisas?! Não existe coisa alguma!
Kristoff suspirou exasperado e massageou a testa com as duas mãos.
— Quero saber se está tudo bem com vocês duas, não se já engataram num romance tórrido.
— Romance tórrido? — Anna quase gritou
Kristoff quebrou em ruidosas risadas da reação da princesa.
— Puxa, Anna, você não seria mais óbvia nem se tentasse. Talvez uma queda daqui da árvore de bunda em seu jardim te clareie as ideias.
— Ora, você não ousaria! — provocou ela o empurrando nos ombros. — Elsa te congelaria o traseiro em dois tempos.
Imediatamente após finalizar a sentença, a princesa se sentiu culpada por citar a irmã, mas antes que pudesse dizer algo Kristoff falou primeiro.
— Não tenho dúvidas disso. Elsa enfrentaria a tudo e todos para te proteger. Bem, talvez superprotetora demais, mas eu a compreendo. Alguém como você dá trabalho. — Ele olhou para o céu. — Eu fico feliz que seja ela, sabe? Sei que ela sempre irá cuidar de você, não importa o que aconteça.
— Kristoff... — murmurou Anna
— Naquele dia eu estava zangado e magoado, por isso disse certas coisas. Eu gostaria de fazer parte de sua vida, você é importante para mim. Vocês duas são.
Anna sentia um nó desconfortável aumentar em sua garganta.
— Eu não entendo o porquê disso ter acontecido. Como ou quando esse sentimento começou a existir.
— Nem tudo em nossas vidas pode ser compreendido, Anna. Grand Pabbie sempre diz que às vezes nossos destinos parecem confusos ou totalmente diferentes do que planejamos, mas tem uma razão de ser.
— Isso não me ajuda a descobrir o que fazer.
— Bem, Anna, vocês precisam lidar com isso.
— Lidar? Como posso lidar com o desejo de beijar Elsa na boca?! Eu nem fico mais perto dela para não correr o risco de não resistir a esses desejos.
— Por isso você a tem evitado?
Anna não respondeu, mas seu silêncio foi uma confirmação.
— Uau, só espero que Elsa não congele Arendelle quando perceber que sente o mesmo.
— Ela não vai congelar o reino, pois não irei contar sobre... Espera o que? O que você disse?
— Sério mesmo, Anna? Você não se tocou que ela sente o mesmo por você? Deuses, vocês só enxergam as coisas se alguém apontar.
Anna não chegou a responder a provocação de Kristoff, pois naquele momento a pessoa responsável por despertar na princesa sentimentos novos e confusos havia entrado no jardim. A chegada da rainha tinha atraído totalmente a atenção de Anna que parecia ter se esquecido da presença do amigo Kristoff.
Elsa estava acompanhada da diplomata de Arlesian, dama Josephine. Desde sua chegada a diplomata vivia por perto da rainha de Arendelle, para desgosto de Anna.
Tanto Elsa quanto Josephine estavam alheias a presença de Anna e Kristoff no galho da arvore, o que não durou muito, pois o jovem homem quebrou o transe da princesa cumprimentando a rainha.
— Hey, Elsa! — gritou Kristoff — Como vai?
Elsa olhou em direção ao local onde tinha sido chamada. Por um momento a rainha parecia prestes a se aproximar da grande árvore, mas depois e dar o primeiro passo ela hesitou e se manteve parada fitando Anna nos olhos, a princesa sentiu seus batimentos acelerando, as mesmas respostas nervosas que seu corpo dava toda vez que ela se via nos olhos da rainha.
Rainha Elsa acenou amigavelmente para ambos os jovens e sorriu. Um sorriso um tanto tímido, entretanto o sorriso mais lindo que já vira. Era assim que sentia a princesa, cada expressão de Elsa parecia iluminada, como se um brilho especial se projetasse sobre a rainha toda vez que ela sorria, falava, ou como quando brincava com a ponta de sua trança, algo que ela fazia com frequência quando estava nervosa, Anna havia percebido. Não importava muito para Anna, se sorrindo ou com expressão mais centrada, Elsa parecia mais bela a cada vez que a princesa a via, ainda mais agora que elas não estavam passando tanto tempo juntas.
Assim como veio, rapidamente passou o momento. Elsa parou de sorrir e virou-se de costas, seguindo em companhia da diplomata Josephine.
— Essa mulher não sai de perto dela! — resmungou Anna
— Coisas de rainha, Anna. Você sabe como Elsa é com assuntos relacionados à coroa.
— Eu sei! Mas desde que essa Josephine chegou, eu nunca mais vi Elsa sozinha.
— E por que isso te incomoda, não é você mesma que quer se manter longe dela?
Anna revirou os olhos e soltou um grunhido de insatisfação.
— Eu não gosto dessa mulher! — declarou convicta
— Não vai me dizer que isso tudo é ciúme, Anna?!
— Ciúme?
— Sim, você está se mordendo de ciúmes! — provocou Kristoff entre risos.
— Eu...
Princesa Anna queria responder, mas se pegou sem argumentos. Ela queria controlar o tumulto emocional que ocorria em seu interior. Com um profundo suspiro, a princesa pousou a mão direita em seu peito e observou Elsa desaparecer no interior do castelo.
— O que eu devo fazer? — indagou aflita
Kristoff diminuiu as risadas e a encarou pensativo.
— Isso não vai passar, Kristoff. Eu sinto ficar mais forte e intenso cada vez que a vejo, e quando não a vejo me sinto angustiada...
— Eu não sei, Anna. Você está apaixonada por alguém que já ama, talvez você até chegue a amá-la ainda mais. — respondeu o rapaz e segurou a respiração por um momento, como se estivesse prestes a dizer algo importante. — Você já pensou em contar para Elsa?
— Contar... — repetiu Anna e olhou para o céu por um momento e então fitou o amigo novamente. — Ainda pouco você disse algo, quando Elsa perceber o que sente? O que quis dizer?
— Exatamente o que disse, Anna. Deuses! Vocês duas são inacreditáveis! A situação de vocês duas vai além da minha compreensão, mas sentimentos são... — Kristoff emitiu um suspiro ruidoso. — Nem sempre nossos sentimentos seguem da forma que planejamos, Anna. E você é uma prova viva disso, certo? Talvez vocês só precisem lidar com isso honestamente. Eu estarei com vocês não importa o que, viu?
Elsa se sentia cansada e, embora tivesse passado o dia em companhia da diplomata de Arlesian, se sentia solitária. O sentimento a fez recordar da época em que passava a maior parte do tempo sozinha, com medo de machucar alguém com seus poderes. E, acima de tudo, a rainha sentia falta especificamente de estar acompanhada por Anna, da cumplicidade que compartilhavam. De repente, Elsa, sentiu o ímpeto de procurar pela irmã, ir até seu quarto e passar algum tempo com ela, mas lembrou-se de como Anna andava estranhamente distante ultimamente.
Resignada, Elsa seguiu para seu quarto e logo após cruzar a porta, começou a se desfazer do vestido que usava. Não era trabalhoso, era bastante simples na verdade, com um sinal de sua mão direita o vestido ia se transformando em pequeninos flocos de neve.
Ela desejava um relaxante banho e então se jogar entre suas cobertas para que seu sono apagasse a tristeza que o comportamento distante de Anna estava lhe causando.
— Talvez nos sonhos as coisas sejam mais simples. — falou em voz baixa
— A que coisas você se refere, minha rainha?
Elsa reprimiu um grito de susto tapando a boca com uma das mãos.
— Elsa, sou eu, Anna. Ah, espere...
Anna acendeu um castiçal na mesinha ao lado da cama e se desculpava até fitar Elsa e perceber como ela estava.
—Uau... — engasgou a princesa sem palavras ao perceber que Elsa não vestia nada.
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