Meu Sombrio Lorde
1 Capítulo I - Sortilégio
Notas iniciais
Capítulo 1.
Cidade de Lowell, Massachusetts.
— Devo dizer que tudo isso me desagrada... – Naruto Uzumaki, um excêntrico e irreverente jovem, herdeiro de um império multimilionário se mostrava inquieto enquanto caminhava pelas ruas escuras da então desconhecida cidade. – Necessitamos mesmo em estar neste... Lugar, Sasuke?
Direcionando um olhar inquisitivo para a grande figura masculina de porte imponente que a passos velozes caminhava a seu lado, o rapaz questionava a si próprio se realmente havia sido prudente de sua parte, seguir o amigo naquela viagem quando justamente este parecia mais do que disposto a desmembrar qualquer um que se pusesse em seu caminho.
Com expressões duras e enigmáticas, Sasuke Uchiha parecia feroz... Embora seu semblante fosse o mesmo de todos os dias, o Uzumaki sentia medo, pois geralmente seu irmão era tão calmo e paciente, entretanto naquele momento parecia um violento trovão.
O motivo para aquilo se deveu ao momento em que sua mãe caíra a seus pés aos prantos quando soube que teria de partir para a América. Bem, o Uzumaki sabia que de certa forma Sasuke compreendia os receios da mãe, afinal... Ambos possuíam um passado terrível, e embora Sasuke fosse um grande “guerreiro” por ter suportado calado ao inferno ao qual fora submetido durante longos e arrastados anos, sua mãe, no entanto, não possuía ao menos um pequeno traço da força que o filho possuía.
Mikoto Murray se deixara consumir pelo medo, pelos caprichos sádicos de Fugaku Uchiha e pela imagem de seu filho sendo torturado dia após dia sem qualquer direito a defesa. Isso fez com que o sorriso de seu rosto desaparecesse completamente, assim como desapareceu do rosto do grande Sasuke Uchiha desde quando ainda engatinhava.
Veridicamente, Mãe e filho ainda estavam presos a um passado de tormento, um passado do qual ele sentia ódio e sua mãe temia que retornasse. Estar sozinha era como um pesadelo para ela, e o jovem amigo sabia que o peso daquele carma recaia sempre sobre os ombros do guerreiro Uchiha, mesmo que este não o demonstrasse.
Ainda que quase nada o afetasse diretamente, infelizmente saber que jamais teria poder sobre as terríveis memórias que ainda assombravam Mikoto, despertava em Sasuke o lado mais insano que um ser humano poderia alcançar.
Um homem sem um passado a ser lembrado com alegria, um passado e presente marcados pelo ódio e o rancor.
Suas chances de viver uma vida tranquila, envolto por bons sentimentos haviam morrido ainda na infância e não havia mais nada, nem ninguém que pudesse tirá-lo da escuridão que o possuiu ainda bebê.
A crueldade de Fugaku havia concebido um monstro extraordinário!
— Sasuke? Estou falando, poderia prestar a atenção em mim por alguns segundos? – Indagou o loiro enviando para longe os pensamentos ruins, o qual o próprio Sasuke preferia não pensar e detestava que tocassem naquele sobre aquele assunto.
— Sim. – A ameaça presente na voz do grande homem causou um leve tremor no corpo bem formado do jovem Uzumaki, mas isso não o impediu de prosseguir com suas insistentes perguntas. – Mas vou lhe avisando, se forem mais reclamações, não respondo por meus atos.
— Não se aborreça Sasuke, estamos apenas conversando. – Assinalou Naruto tenso com a situação. Odiava-se por não poder ao menos um pouco da carga negativa que envolvia aquele homem. Seu irmão!
— Entenda. Eu não estou com paciência para conversar, não agora. – A voz firme e rouca de Sasuke provocou arrepios estranhos em Naruto. Embora acreditasse que jamais o machucaria, o jovem Uzumaki sabia quando o limite da curta paciência dele havia chegado e isso significava que não deveria seguir a aborrecer o Uchiha se não quisesse que uma catástrofe diabólica acontecesse.
Seu irmão era um excelente destruidor.
— Está certo! Eu não quero lhe aborrecer, mas ainda não compreendo a necessidade que tens de estar aqui, Sasuke! Irmão, eu sei que não gosta, mas felizmente a tecnologia nos pode ajudar a resolver tudo da França mesmo.
— Não neste caso. Desejo fazer uma visita a um pequeno empreendimento que está sendo administrado por Benjamim e sua esposa.
— Espere? Senhor e senhora Benjamim? Malcolm e Margareth? Fala deles? – Indagou o loiro atropelando as próprias palavras, tornando-se contente e aliviado ao ouvir Sasuke lhe responder um sonoro sim. – Porque não me disse antes? Teria poupado seus próprios ouvidos se o tivesse feito.
— Duvido seriamente. Mas de qualquer forma tomaria conhecimento quando chegássemos. Seja como for não ficarei por muito tempo. Minha permanência em solo americano não irá durar mais que uma semana.
— Bem, menos mal. Mas diga-me... Porque demoramos tanto a visita-los? Quero dizer, afinal são dez anos!
— Há coisas que nem mesmo você deve saber irmão. Para sua própria segurança. – Pelo tempo em que convivera com Sasuke, deveria estar acostumado a obscuridade de sua voz, dos seus olhos, rosto e essência. Porém, Naruto jamais deixaria de surpreender-se e assustar-se.
Afinal, seu irmão era imprevisível!
— Mas, há algo que tenho de lhe dizer. Não é nesta cidade que habitam Malcolm e Margareth.
— Não? Mas... Então... O que estamos fazendo neste lugar? – Questionou Naruto confuso.
— Temos que conseguir um transporte. Alugarei um carro, após isto iremos para Salem.
— Salem? Estamos indo para Salem? – Naruto questionou demonstrando uma imensa incredulidade em suas feições para receber como resposta apenas um “Exatamente”. — Só pode estar brincando!
— Basta! É melhor calar-se antes que eu me esqueça de que é meu irmão e acabe lhe assassinando. – Sasuke ameaçou com rudeza, mas Naruto apenas sorriu.
— Está ai uma coisa que nunca conseguirá fazer, meu caro. Você pode até me matar, mas nunca conseguirá me esquecer, irmão. – Disse pondo uma das mãos nos ombros largos e forte do Uchiha. – Ature-me!
— Não conte com isto, meu caro. Você mais do que qualquer um, sabe que posso facilmente me livrar de coisas insignificantes. – Provocou Sasuke enquanto afastava-lhe a mão do ombro.
— Vejo que seu humor melhorou meu amigo. Mas só para não haver mal entendidos por aqui, acho então que terei de lembrá-lo daquela vez que você quase morreu para salvar minha “insignificância” daquele deslizamento. – Naruto tentou parecer zombeteiro, mas não podia esconder a emoção que o tomava ao se lembrar do o corrido. Foi ali que passara a conhecer o garoto de olhar assassino que sorrateiramente roubava o gado de seu pai quase todos os dias para matar a fome.
— Estou começando a achar que deveria ter feito o contrário...
— Agora já foi, perdeu sua chance irmão. – Poderia até ser comparada a uma tentativa de suicídio, mas trocar provocações com Sasuke era impagável. Felizmente mantinham uma rotina típica de irmãos. – Mas então, algo nesta história toda me intriga. Porque Malcolm e Margareth escolheram viver justo naquele lugar? Sabe... Não acho que uma cidade com a fama que tem Salem, seria uma boa escolha para manter um empreendimento ou sequer uma vida.
— Eu não vejo dessa forma, pelo menos não em se tratando do tipo de negócio que ele mantém. Se não me falha a memória, quando este destinou uma carta a mim, mencionou que os últimos anos foram prósperos.
— Bem, quanto a isto eu acho que Malcolm não tenha sido bobo. Mas ainda sim, não gosto do fato de estarmos indo para Salem. – O comentário do Uzumaki cutucara uma pequena parte de sua curiosidade, afinal um aventureiro como só ele era não possuía o costume de reclamar dos lugares pelos quais viajavam.
—Naruto. Diga-me, o que está acontecendo com você? – Indagou o homem esperando a resposta, porém Naruto parecia hesitante. O que poderia estar limitando tanto seu irmão sempre tão hiperativo? – Vamos rapaz.
— É que... Sabe... Bem... Eu... Não me sinto a vontade em uma cidade conhecida como... A cidade das bruxas entende? – O jovem murmurou bem baixinho, torcendo para que o outro não o houvesse escutado. Admitir em voz alta qualquer tipo de medo era uma das piores coisas que alguém poderia fazer diante de Sasuke Uchiha, principalmente se fosse por algo tão ridículo quanto os seus motivos.
— Bem e porque não?
— E se houver bruxas, vivendo lá?
O homem de cabelos negros imediatamente encarou o irmão tão fixamente que o mais jovem sentiu o constrangimento tornar vermelho as suas bochechas e suas pernas quase paralisarem tão ridículo que estava se sentindo. Para piorar, o Uchiha ainda sustentava o olhar desprovido de alma em sua direção, o que só lhe fazia sentir-se menos que um verme.
— Naruto, me diga que não está com medo de bruxas.
— Não é bem assim Sasuke. — O loiro estava totalmente na defensiva.
— Sua cara de culpado diz ao contrário. – O homem de cabelos negros estreitou os olhos. Pela primeira vez não foi capaz de reagir imediatamente ante uma ideia absurda de seu irmão. – É só um monte de superstições, não há o que temer.
— Ainda sim, Sasuke. Podemos muito bem encontrar uma adoradora do diabo, ou talvez uma fã fanática por bruxaria e... Já pensou na hipótese de sermos os dois enfeitiçados? – Sasuke tornou brancos os olhos, não acreditando no que acabara de ouvir. Se não o conhecesse bem, teria pensado na hipótese de estar drogado, infelizmente ele estava sóbrio tornando assim aquela história pior do que já parecia.
— Estamos no século vinte e um Naruto, o tempo de acreditar em magia não mais existe. Além disto, não acha que já está velho de mais para acreditar em contos de bruxa? – Questionou Sasuke.
— Eu, velho? Em meus vinte e dois anos de vida, não poderia me sentir mais jovem. Já você... De vinte e sete anos para trinta é um passo, e quando em fim chegar lá, nós saberemos quem realmente é o velho.
— Não por isso, meu amigo. Meus vinte e sete anos equivalem a um século inteiro. – O clima ficou tenso e Naruto se culpou por trazer a tona aquele assunto, por isso não mais o sustentaria.
— Ah... Bem... Já que insiste para que eu fique em Lowell, então eu ficarei. Mas não por que estou com medo, mas sim... Porque quero lhe dar espaço para que fique a vontade. – Sasuke parou de súbito e fitou o loiro que disfarçada descaradamente seu temor.
— Então é isso... Meu irmão mais novo... É um frangote. – Sasuke estava mesmo se divertindo as custa do Uzumaki e embora o loiro estivesse feliz por aquele raro momento de descontração de seu imponente irmão, ser motivo de piada o deixava irritado.
— O quê? É claro que não... Você quer então que eu vá? – Naruto questionou em tom irônico.
— Não é óbvio? – Retrucou a ironia. Porque Naruto não podia entender que o que mais queria era ficar sozinho?
— Pois agora, vossa excelência, eu me decidi por ir também! Mas se por acaso encontrar alguma bruxa...
— Este enredo novamente... – Sasuke suspirou cansado.
— Como eu dizia... – O loiro insistiu. – Se encontrar alguma bruxa, cuidado para não cair em seu feitiço e... Consequentemente em sua cama. – Disse malicioso.
— Não se preocupe. Se encontrar alguma “bruxa”, terei o prazer de atear-lhe fogo. Literalmente. – Sasuke disse de uma forma tão sombria, que Naruto teve dúvidas se ele estava realmente sendo irônico ou se estava falando sério.
— Então... Que Deus tenha piedade da pobre moça.
Alguns minutos mais tarde...
— Mas que grande... – Naruto não tinha palavras para expressar o quão ridicularizado lhe parecia aquele lugar. – Mas que grande loucura!
Passado cerca de quarenta e oito minutos após partirem de Lowell, ambos chegaram à cidade de Salém ao cair da noite. Sasuke havia tomado a direção do automóvel embora detestasse dirigir, E quanto A Naruto? Bem, nada mais fez que reclamar.
— O que você esperava? Com a fama fantasiosa que tem este pequeno fim de mundo, não é de se admirar que façam tamanho teatro. – Sasuke comentou azedume enquanto olhava para as peculiares estátuas e decorações do lugar.
— Está certo, já estivemos metidos em lugares bem piores e também... Tudo bem que não somos lá muito... “Comuns”, mas este lugar é inabitável de mais para mim! Podemos ir embora? Estou me sentindo estranho.
— Isso se chama medo, meu caro. – Suspirou o homem cansado de tudo aquilo. Como se não bastasse às coisas que sempre vinham lhe atormentando a mente, seu irmão juntava-se a elas com suas reclamações. Como gostaria de manda-lo aos infernos! — Se soubesse o quanto está sendo ridículo Naruto... — Alfinetou Sasuke enquanto dirigia atentamente pelas ruas da peculiar cidade.
— Sasuke, tente entender o meu lado. Todas as vezes que fazia besteiras na infância, minha mãe me aterrorizava com histórias sobre bruxas comedoras de criança. É normal que eu me sinta um pouco... Perturbado.
— Olhe para si mesmo, Naruto. Já é um adulto, e bem covarde pelo que vejo. Agora deixe de besteiras e siga meu conselho: volte para casa, mas o faça logo antes que eu lhe mate.
— Nem em sonho! Eu sei que estou fazendo um papel ridículo e sinto muito. – Naruto bufou conformado com seu destino. – Já temos onde ficar?
— Sim.
— É um bom lugar?
— É limpo.
— Aconchegante?
— Como vou saber?
— Então, nunca dormiu no lugar em questão?
— Uma vez.
— E então? – Naruto já estava acostumado com o homem de poucas e claras palavras que era Uchiha Sasuke, mas naquele dia não estava raciocinando como deveria e nada entendia do que Sasuke dizia. Talvez fosse por causa da grande quantidade de cerveja que havia ingerido na noite anterior.
— Você mais do que ninguém sabe que não gosto e nem sou acostumado a pompas. Por tanto, não saberei apontar as diferenças entre o que é e o que não é confortável. – Respondeu com impaciência, sendo assim Naruto optou por ficar calado, pois a última coisa que desejava no mundo, era ver Sasuke nervoso.
— Olhe... Sei que já conversamos sobre isso, mas... Não acha que está na hora de... Relaxar? Sabe... Eu não posso imaginar metade das coisas terríveis pelas quais passou antes... Antes de nos conhecermos e, sei que nunca poderá esquecer-se delas. Mas, porque não seguir em frente? – Naruto questionou temeroso e com pesar, pois sabia que tipo de resposta receberia de seu querido amigo e irmão.
Sasuke já havia morrido, e infelizmente não havia nada que pudesse fazer para tentar ajudá-lo. Seu melhor amigo se tornou a escuridão e nada podia fazer. — Sasuke de súbito parou o automóvel, e direcionando o olhar gélido para o jovem loiro, respondeu enigmático.
— Preste bem a atenção, pois esta será a última vez que me ouvirá respondendo a esta pergunta. – Naruto ouvia tudo atentamente, mas o calafrio que percorria seu corpo estava lhe fazendo tremer como a um condenado à morte. O semblante gélido e o olhar implacável no rosto de Sasuke significava que sua paciência havia chegado ao limite.
Fazia tempo que não havia momentos tão tensos como aquele entre os dois e isso fez com que o jovem Uzumaki ficasse alerta. – Vivo da maneira que eu quero. Mesmo Sentimentos são inúteis, laços são prisões às quais jamais me atarão. Não me imagino diferente do que sou agora e eu lhe prometo Naruto. Se no futuro vier a iniciar esta mesma conversa...
— Sim, está certo Sasu...— Começou, mas Sasuke o freou.
— Não me interrompa! – Sasuke rugiu entre dentes e Naruto tremeu. – Se no futuro vier a iniciar esta mesma conversa, eu juro por Deus que não serei tão indulgente como estou sendo agora. Estamos entendidos?
— Como queira. – Derrotado e visivelmente perturbado, Naruto desviou seus olhos para a janela. – Falta muito para chegarmos... Sasuke?
— Já chegamos. – Disse Sasuke já fora do carro. Naruto lentamente fora deixando o automóvel e se pós de pé ao lado de Sasuke, ambos fitando o que parecia ser um antiquário. Era um tanto sombrio, mas era discreto e quase impossível de ser notado, entretanto aparentava ser bem cuidado e superficialmente bem organizado. Era completamente o estilo de Sasuke e talvez por isso ele houvesse investido em tal lugar.
— Então é aqui. – Disse Naruto esboçando um pequeno sorriso. Sasuke por outro lado manteve sua costumeira frieza. – Bem, pode ser que isso seja interessante... – Notando uma mudança drástica no tom de voz do loiro, discretamente Sasuke direcionou o olhar para Naruto que estava concentrado nas moças que passavam logo atrás de ambos. Três jovenzinhas com um olhar nenhum pouco inocente o olhavam com curiosidade e certo medo, algo absolutamente normal em se tratando de Sasuke.
Era certo que, fazia tempo desde a última vez que satisfez suas necessidades masculinas e estava necessitado disso novamente. Entretanto, desafogar com meninas que se encontravam ainda na fase das espinhas não era de seu feitio e nem lhe despertava interesse. Na realidade, nenhuma mulher lhe despertou de fato um interesse ou lhe deu um prazer intenso ao qual pudesse ser memorável. Impotência não era seu caso, pelo contrário. Não havia uma mulher que houvesse se deitado com ele e tivesse algo a reclamar sobre suas artimanhas sexuais.
A figura de Sasuke era tão incomum, bela, grande e robusta, um homem que exalava masculinidade por todos os poros de seu corpo. Não era de se admirar que ainda como o seu gênio infernal ainda conseguisse arrancar suspiros femininos por onde passava.
Já a beleza de Naruto era uma exceção. O jovem Uzumaki também chamava as atenções por seus belos e sonhadores olhos azuis, seus cabelos loiros brilhantes como raios de sol que emolduravam um rosto com traços marcantes e joviais. Embora este não possuísse a estatura imensa e nem o porte físico de Sasuke, possuía também um imenso atrativo.
— Na realidade... Estou até começando a gostar daqui. – O Uzumaki estava absolutamente animado com suas futuras companhias, mas Sasuke estava disposto a acabar com seus planos como vingança pelas horas de perturbação durante toda a viagem.
— É uma mudança de opinião interessante... Considerando o fato de que estava com medo de um possível “ataque de bruxas” há minutos atrás, parece muito mais a vontade agora. – Sasuke falou enquanto começava a caminhar duramente em direção ao antiquário. Ainda que já estivessem a uma boa distancia das jovens cidadãs, ambas puderam ouvir claramente a conversa dos dois homens, ocasionando um ataque de riso em todas elas.
— Sasuke!– Disse o loiro em tom de reprovação e logo seu semblante passou de irritado para preocupado. – Posso dizer uma coisa?
— Qual é o problema?
— Se importa se eu sumir por algum tempo? – Questionou o Uzumaki animado enquanto trocava olhares indecentes com as senhoritas que pareciam estar afim de “aventuras”.
— Faça como quiser, mas não nos traga problemas. Não preciso lembra-lo sobre tomar cuidado, certo?
— Sim eu sei irmão, não sou mais criança. Fica ai sempre dando ordens e mais ordens. Eu já sou velho o suficiente e... – Para Sasuke, lhe custava muito saber que o bem estar de seu irmão lhe causava preocupações, mas é claro que o mesmo sempre tinha de tornar tudo pior ao reclamar.
Ele não poderia simplesmente ficar calado e apenas acatar seus avisos?
— Vejamos... Quem era mesmo o menino que temia ser enfeitiçado por bruxas agora pouco?
“Esqueça isto irmão!” disse ele enquanto corria em direção às jovens cidadãs chamando a atenção de ambas com suas investidas nada originais. “Olá moças, poderiam me mostrar os arredores?”.
Maneando a cabeça negativamente, o homem voltou seu olhar em direção à porta do antiquário e o fixou ali ao escutar os rangidos que antecediam sua abertura. Alguém estava prestes a sair, e dada à forma cautelosa e até mesmo hesitante como a madeira era escancarada, estava mais do que óbvio quem era a pessoa quem estava à porta.
Malcolm Benjamim.
— Senhor Sasuke? – Vendo que suas suposições estavam certas, O Uchiha caminhou em direção ao homem de idade que estava parado a soleira da porta do antiquário, com um sorriso sincero no rosto.
— Malcolm. – Sasuke se aproximou do senhor de idade pondo lhe uma mão no ombro em um cumprimento.
— É uma honra revê-lo. Não acredito que se passaram Dez anos desde a última vez que nos vimos pessoalmente. – Comentou Benjamim com a mesma emoção de um pai que há muito tempo não via o filho e Sasuke estava muito satisfeito em reencontrar o homem que ajudou sua mãe a sair do inferno que fora metida há anos atrás.
Desviando a atenção por alguns segundos, o Uchiha pousou seus olhos sobre o antiquário. Ainda que não fosse um lugar considerado atraente aos olhos da maioria das pessoas por sua arquitetura “histórica”, para ele era uma construção realmente estupenda ainda que simples! Mas a beleza e a riqueza de tudo estavam por dentro, lá havia coisas que Reis e mais Reis cobiçaram mortalmente durante a idade das trevas e que agora, mantinha sob o seu poder.
Um tempo cruel, com histórias macabras e legados horríveis que eram firmemente distorcidos pelos livros de romances. Uma época horrenda cheia de dor e sofrimento, mas que de maneira infeliz, literalmente fazia parte de sua história. Tudo aquilo era o que conhecia tudo aquilo era seu lar.
— Como está cuidando do lugar?
O senhor deu de ombros.
— Faço o que posso. Embora não tenha do que reclamar, não posso negar a dificuldade que tenho em conseguir vender alguns artigos. – Lamentou Malcolm com evidente frustração.
— Eu lhe avisei dos problemas que teria ao escolher vir para este lugar, isto é claro depois de lhe falar sobre o quão mau negócio estava prestes a fazer. – Sasuke comentou enigmático enquanto observava tudo com cuidado. Obviamente a idéia do antiquário era boa e reta, entretanto, todo e qualquer artigo que não possuísse algo a ver com o “tema” da cidade, lamentavelmente seria mercadoria “encalha” mesmo tais artigos tendo histórias e valores inestimáveis.
— Não tenho muito do que lamentar. Apesar dos exageros da cidade, é um bom lugar para se viver e Margareth não poderia estar mais feliz... Mas não fique por mais tempo aqui fora, entre senhor Sasuke! – Disse o senhor de baixa estatura enquanto abria caminho para que o Uchiha adentrasse o local.
— Se bem me lembro, quando me escreveu a carta, dizia que havia conseguido algo que pudesse me interessar. – Alternando seu olhar de um artigo a outro, percebeu que realmente não fora perda de tempo sua pequena viagem. Havia muita variedade de objetos antigos, entre os quais joias preciosas, cálices de ouro e prata, cotas de malhas, estribos, selas, instrumentos musicais e partes de armaduras supostamente usadas no período das cruzadas. Oh sim! Ele estava muito mais que satisfeito. – Vejo que conseguiu muita coisa interessante.
— Sim, senhor! Depois de meses de esforços, consegui arrematá-las por um alto preço. Mas eis à sua volta, as preciosas obras. – Comentou orgulhoso.
— Vejamos... – Após longos minutos de ponderação, Sasuke já sabia exatamente o que levaria consigo para a casa. – Já sei quais destas peças levarei. Entretanto, não lhe darei com isto agora. Estou fadigado da viagem e faminto, mais tarde acertamos isto.
— Oh, sim senhor! Se não se importa, Margareth e eu tomamos a liberdade de lhe preparar um quarto para que fique conosco até sua partida. – Anunciou o velho apreensivo. Apesar de Sasuke estar tentado a aceitar a hospitalidade do senhor de idade, ainda tinha Naruto.
— Agradeço, mas creio que não poderei desfrutar de sua hospitalidade. Desta vez, “o desastre” me acompanha. – Anunciou com casualidade.
— Ah, o jovem Uzumaki estar a nos visitar também? Que maravilhoso... Podemos facilmente arrumar-lhe um quarto também.
— Está fazendo um péssimo negócio, meu caro. Acho melhor considerar estourar seus tímpanos para só então suportar Naruto e suas sandices. – Sasuke indiretamente fez um comentário descontraído e Malcolm gargalhou.
— Não se preocupe senhor Sasuke. As irreverências do senhor Uzumaki não são problemas para Margareth e eu, na verdade, da última vez ele nos arrancou boas risadas com suas piadas e trocadilhos de duplos sentidos. Mas vamos! Margareth esta preparando o jantar e... – O velho interrompeu a si próprio dando-se conta de algo. – A propósito... Onde está o senhor Uzumaki?
— Aventurando-se um pouco com as jovens da cidade, se é que pode me entender. – Comentou Sasuke.
— E como entendo! Mesmo depois de longos anos, Margareth e eu ainda nos “aventuramos” bastante e... – Malcolm de repente ficou vermelho com seu próprio comentário. Sasuke manteve duros os traços de seu rosto como de costume, e embora fosse um momento embaraçoso para o velho senhor, era satisfatório saber que a Benjamin e sua esposa viviam bem uns com os outros. – Vamos então. Margareth nos aguarda.
— Senhor Sasuke! Que honra em revê-lo! Mas como cresceu desde a última vez que o vi! – A senhora Margareth parecia exultante com a visita do homem que tornara possível o sonho de seu marido e o seu próprio. Sasuke era um homem formidável e o considerava como parte de sua pequena família, embora este fosse assustador e deveras distante.
— Sempre exagerando, senhora Benjamim. – Comentou beijando a mão da senhora que apesar de ter uma idade avançada, não transparecia ter mais que quarenta anos ainda que já estivesse em seus quase sessenta.
— Eu sabia que seria grande, mas não achei que não passaria de dois metros! – Disse estupefata com o grande tamanho e a corpulência que adquiriu Sasuke no tempo em que não se viram. — Necessita que lhe prepare um banho antes do jantar?
— Não. Não é necessário, cuidarei disso eu mesmo. Apenas me diga onde posso me banhar e do resto eu me ocupo.
— Como desejar... – Dizendo assim, a senhora se dirigiu ao andar de cima sendo seguida por Sasuke que ligeiramente observava o ambiente. Com toda a certeza, Malcolm havia se acostumado ao ambiente “alternativo” que vivera ele durante os tempos em que esteve de baixo do teto de Fugaku. Era tudo tão familiar que a imagem de sua mãe lhe veio à cabeça.
Como estaria ela? Lendo em sua cama, escrevendo seus poemas, costurando peças de roupa para ele ou chorando as dores do passado e presente?
Preferia não pensar nisto.
— É aqui nesta sala. Há toalhas a disposição e a tina fica logo ali à esquerda e o chuveiro logo mais à direita. Devo imaginar que seria melhor escolher que relaxasse na tina. Mas... – Sasuke tratou de afastar os pensamentos quando a senhora apontou o dedo em duas direções. O Uchiha alternou o olhar entre a grande tina e o chuveiro com evidente descontentamento. As águas quentes e relaxantes da tina poderiam lhe aliviar um pouco a dor de seu castigado corpo, entretanto não fazia questão de usufruir de tal luxo, além do que nem em sonhos caberia ali dentro. A medida da tina parecia ter sido feita e para o senhor e sua esposa que apesar de não serem baixos, não se comparavam ao seu imenso e assustador tamanho.
Mas como havia dito a Naruto antes, a falta de conforto não era um problema, mesmo que seu corpo estivesse profundamente doído.
— Não se preocupe, quero apenas me lavar. – Sem esperar qualquer resposta, encarcerou-se no aposento rapidamente se desfazendo de suas roupas e se pondo a lavar o corpo.
Não pudera desfrutar do conforto da tina, mas a água quente que vinha do chuveiro fora o suficiente para acalmar um pouco os estresses daquele dia.
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— Como eu senti saudades de sua deliciosa comida senhora Margareth. – Disse Naruto com olhar esfomeado. Aquele pequeno patife havia chegado há poucos minutos antes do jantar, totalmente ofegante, desalinhado e com cara de besta. Mas seu semblante mudou quando inocentemente a senhora Benjamim o questionou sobre o que estivera fazendo que o deixasse tão acabado como estava. Como um bom engambelador que era, tratou de dar uma desculpa qualquer e praticamente se jogar na mesa de jantar para logo começar a tagarelar e ao mesmo tempo comer como um porco selvagem.
— Fico feliz que tenha gostado do jantar, senhor Uzumaki. – A senhora Benjamim agradeceu sutilmente enquanto direcionava um olhar terno ao marido. Aquilo era estranho para Sasuke, aquele tipo de sentimento que transbordava dos olhos de Malcolm era destrutivo. Por quantas vezes sonhara em ser amado quando pequeno quando sua mãe estava assustada de mais para lhe dar carinho? E quantas vezes fora atirado a realidade que lhe era imposta, por surras e insultos? Já nem mais lembrava e tampouco fazia questão. Sentimentos eram inúteis e fazia bem que não os conhecesse e assim seria até o fim de sua vida.
Afastando os pensamentos, Sasuke se levantou da mesa.
— Obrigada pelo jantar, senhora Benjamim. – Sasuke agradeceu o maravilhoso jantar que havia sido preparado em boas vindas a Naruto e a ele, embora não fosse a favor de tal cordialidade, não pode deixar de agradecer. Já se levantando da mesa, Sasuke direcionou um olhar a Margareth e seu marido e depois a Naruto que mais parecia a um animal que não comia há dias. Mas não o culpava, há poucos minutos atrás também estava da mesma maneira, só que com mais discrição. – Bem, se me dão licença, irei caminhar um pouco.
— Ei Sasuke! Espere, quero ir com você... – Anunciou o Uzumaki enquanto a comida que levava na boca transbordava. Antes de Sasuke lhe dirigir um não, a senhora da casa se pronunciou.
— Mas não vão esperar pela sobremesa? — Ao ouvir as palavras da mulher, o loiro repensou sobre seus planos de seguir o irmão e concluiu que a companhia de Sasuke não seria páreo para as maravilhosas guloseimas de Margareth.
— Entretanto... Sei que quer ficar sozinho irmão, então ficarei aqui me aproveitando da sobremesa. Não se preocupe senhora Benjamim, eu como a parte de Sasuke. — Ouvindo a desculpa esfarrapada do Uzumaki, o Uchiha nada disse, apenas continuou seguindo seu caminho até o lado de fora.
Após longos minutos vagando sem rumo pelas ruas, constatou que a cidade poderia ter seus defeitos, mas era tranquila. E o melhor de tudo, silenciosa. Exceto pelo som de um rio que podia se ouvir correr ao longe, ou bem... Ele podia ouvir. “Escute pequeno pedaço de excremento, farei com que tenha a audição de um verdadeiro guerreiro. Do contrário eu mesmo estourarei seus tímpanos, já que não servirá de nada!”
Lembrou-se do que dizia Fugaku logo após de lhe açoitar violentamente. No auge de sua loucura, ele se considerava um mentor de assassinos, um bárbaro medieval. Mas a verdade é que ele não passava de um filho de uma grande rameira que usou toda a maldita fortuna que teve para realizar suas fantasias e depravações.
Suas mãos se fecharam em punho ao lembrar-se de todas as humilhações e torturas que sofreram ele e sua mãe; E pensar que tudo isso fora ocasionado apenas pelos caprichos de um doente.
Sasuke bufou afastando os pensamentos de sua mente. Já lhe bastava ser atormentado pelos pensamentos durante a noite os quais tornavam impossível seu sono. Por sorte, sabia controlar seus pensamentos e mandá-los para longe quando queria.
Dando-se conta de que já se encontrava em meio a muitas árvores e o som do rio parecia mais perto, resolveu que iria esfriar a cabeça a beira do rio. Ficar parado era uma tortura para um homem acostumado a trabalhar, e naquela cidade não havia nada mais a se fazer a não ser caminhar.
Mais alguns minutos de andanças a passos largos e lá estava o rio em meio à escuridão da noite. Cercado por moitas espessa e altas árvores que tornavam o cenário um tanto sombrio, nada se ouvia ali além das águas em movimentos e isso era o que precisava para relaxar um pouco sua mente mortamente perturbada.
Se permitindo ter um minuto de paz, Sasuke encostou-se a uma árvore alta e se pôs a observar a água. Ao julgar pelos sons ao longe, o córrego certamente estava a tantos metros dali, mas aquele amontoado de água funda o estava tentando a mergulhar nu.
Talvez Malcolm tivesse razão, talvez não fosse um lugar tão ruim a final de contas. Pelo menos ali havia um lugar ao qual se podia descansar sem interrupções.
Até que sons de suaves e femininos risos quebraram todo o silêncio. Tornando os olhos brancos, Sasuke estava disposto a sair dali julgando que a figura feminina em questão fosse a uma das cidadãs atiradas que lhe tivesse seguido.
Não lhe resultava nada mal aliviar-se um pouco, mas o fato de não haver trago consigo alguma borracha lhe tornava o ato repugnante.
Mas sua mente nublou e sua boca tornou-se seca assim que pôs os olhos na figura que se banhava despreocupadamente ali mesmo nas águas escuras daquele rio.
Atirando os braços sobre a água como se estivesse tentando alcançar a um destino certo, ela parecia... Livre. Banhada pela luz do luar, a pele pálida carecida de luz do sol parecia reluzir mais a cada movimento. Inconscientemente lembrou-se das damas da água que descrevera sua mãe ao contar-lhe uma história na infância. E isso o fazia recordar também, o tanto que foram castigados por esse pequeno momento fraterno.
Ele não sabia o porquê lembrou-se de tal fato, e tal ato o fez se irar. Entretanto, um cantarolar suave e sensual daquela criatura lhe fez perder o rumo das memórias.
Nunca havia ouvido uma voz tão sublime.
Não podia ver muito de seu corpo, mas de certo estava totalmente nua, e a imaginação masculina de Sasuke não tardou a trabalhar. Não podia ver seu rosto, mas estranhava muito o fato de seus cabelos serem róseos.
Girando levemente como se lesse os pensamentos do Homem sobre seu desejo de ver sua face, a jovem deu a Sasuke a visão de seu belo exótico rosto. As sobrancelhas róseas, o nariz bem feito, os lábios carnudos e rosados acompanhados de uma estrutura tanto oval quanto arredondada, constituíam o rosto da forma de vida mais bela que já pudera ver.
Aquela pessoa a sua frente não parecia ser um ser místico de fato, mas era apenas uma mulher.
E que mulher!
Realmente, nunca antes havia visto tamanha beleza na vida. Seus lábios eram tão convidativos que o fizera esquecer o horror que possuía ao pensar na possibilidade de trocar saliva com outra pessoa.
Mas por ela, aquilo havia se tornado naquele momento uma necessidade. Se pudesse tomar aqueles lábios contra os seus...
— Deus! Eu nunca me senti tão livre! – A jovem confessou olhando para os céus. Certo, não era uma bruxa, embora nem por um minuto tenha duvidado disto.
Ela não podia vê-lo, suas vestimentas negras tratavam de ajudar a penumbra a ocultar suas formas, tanto que mal se incomodou com o homem sombrio que a espreitava mais a frente, quando pôs-se a retirar-se da água e ir na exata direção dele.
Seu membro já estava a ponto de explodir! Umedecendo os próprios lábios, Sasuke não pode tirar os olhos dela enquanto gotículas de água escorriam do corpo atraente.
O pescoço longo e convidativo, o colo largo e aliciante... Céus! Que seios perfeitos! A barriga lisa o pedia para que percorresse a língua em toda sua extensão, descendo mais até chegar ao pequeno amontoado de cachos róseos que protegiam a entrada do pequeno paraíso que havia entre suas pernas. Era realmente inacreditável que houvesse nascido alguém com exorbitantes cabelos róseos. O quão exótico aquela jovem mulher era?
Seu olhar deslizava por todo seu corpo, desejando saber como seria enterrar-se no que estava entre suas roliças coxas.
Quando fora que havia tido uma visão tão erótica tanto quanto perturbadora? Nunca o havia feito, por isto lhe assombrava a tudo aquilo, seu membro que quase lhe rasgava as calças era a prova deste assombro.
Como poderia uma graciosidade daquelas, andar nua pela noite, sozinha pelas matas sem ninguém que a protegesse? E pensar que tal formosura se encontrava a apenas cinco passos de onde estava.
Alheia a tudo em volta, a jovem esticou as mãos lentamente sobre a grama para apanhar sua roupa que era nada mais que um vestido longo. Sasuke mal pode evitar um grunhido quando esta abaixou de costas para ele expondo a carne arredondada de seu traseiro.
Cheio de desejo, Sasuke caminhou em direção à moça que ao perceber sua presença, reagiu de uma forma que Sasuke já previa. Gritando a plenos pulmões, a jovem atirou-se novamente ao rio sem ao menos terminar de por suas vestes adequadamente.
— Você! Volte agora mesmo! – Sasuke ordenou, porém a jovem sequer ouviu, apenas continuou seguindo em nados rápidos em direção ao outro lado do rio como se sua vida dependesse disto. Vendo que a tentativa de fazer a moça obedece-lhe com palavras não funcionaria, Sasuke atirou-se no rio sem importar-se com o resto.
Assustada, a moça olhou para trás e se desesperou! Seja lá o que fosse ou quem fosse, pelo som alto e violento que o choque deste causou na água, era enorme! Sentia vontade de arrebentar-se e choro, porém ela nadou mais rápido sem mais olhar para trás.
Infelizmente era tarde de mais, seu perseguidor era mais ágil e por isto não tardou a alcançá-la não importando à grande distância que antes os separava. Mãos fortes agarraram-lhe pela cintura e a puxou de forma que ambos os corpos se chocassem.
Que Deus a ajudasse, era um homem! Um grande e forte homem.
— Largue-me! Deixe-me em paz! – Berrou a jovem.
— Quieta mulher! Não lhe farei mal algum! – Anunciou, entretanto nada a fazia se calar ou parar de lutar contra seus braços inutilmente.
A pequena era mesmo formosa, precisaria de horas até saciar suas necessidades masculinas naquele corpo, infelizmente não parecia disposta a lhe dar o que desejava.
— O que quer de mim? – Questionou a jovem sem deixar de se debater. Por um momento, Sasuke desviou os olhos de seu rosto, descendo pelo esbelto pescoço até pousar sua visão nos seios meio descobertos pela má posição do vestido. – Nem ouse abusar de mim.
— Nem me passou pela cabeça. Mas se assim eu quisesse, eu não seria o único culpado.
— Como?
— Sua irresponsabilidade poderia ter lhe causado sérios problemas. – Era certo que tola fora ao despir-se em meio a um arvoredo escuro e perigoso, porém isto não dava direito a qualquer um que fosse tocar em seu corpo sem sua permissão.
— Está certo, obrigada pela preocupação, mas agora eu preciso ir... – Anunciou, porém de nada adiantou, pois o estranho parecia não querer liberta-la. – Solte-me!
Não deveria ter sido tão teimosa com sua intuição. Por vezes havia nadado nua naquele mesmo rio sem que tenha sido pega uma única vez! Entretanto, naquele dia sua consciência apontara que não deveria estar ali e muito menos despida. Mas nada daquilo aconteceria se aquele estranho não houvesse escolhido um péssimo dia para vagar por ali.
Ou teria sido ela quem fora a responsável por tudo aquilo? Bem, não importava. Tinha que sair das garras daquele homem antes que fizesse algo ruim.
— Mulher, pare de ser irritante. Já disse que não lhe farei mal. – Sasuke disse de forma impaciente.
— Se não pretende fazer nada... Então porque me mantém presa?
— Acredite, se quisesse lhe fazer algo... – Levou os lábios até um de seus ouvidos e com voz rouca e profunda, se pôs há brincar um pouco com a sanidade da jovem. – Não estaria ainda vestida.
— Oh meu Deus! Não me diga que é um tarado? – Cada palavra daquela voz enigmática e terrivelmente grave a deixava mais nervosa. E aquela presença... Era tão assustadora que temia não sair viva dali.
— Não seja tola. Se o fosse faria exatamente o que acabei de dizer. – Aumentou o tom de voz já com a paciência em seu pleno fim. Cada vez que ela se debatia contra ele, avivava ainda mais o seu desejo de tocá-la mais intimamente.
— Então o que está esperando para soltar-me? – Tornando-se imóvel, ela esperou que ele sentencia-se aquela situação tão embaraçosa e assustadora.
— Primeiro, seu nome. Quero saber seu nome.
— Que diferença isso faria? – Questionou a jovem, confusa. Se ele era um maníaco, do que serviria aquele tipo de informação insignificante? Talvez não fosse mesmo um tarado afinal de contas.
Deslizando discretamente seu olhar para o peitoral largo que lhe esmagava os seios de tão rijo que era, estranhamente desejou acariciar ali. Como se não bastasse, a quentura de seu corpo somada à água fria que rodeavam- lhe o corpo, lhe causavam uma sensação estranha, seu corpo inconscientemente estava gostado daquilo.
“Oh, que horror!” Estava se sentindo atraída por um homem que poderia a qualquer momento violar seu corpo com crueldade. Porque seus pensamentos a traiam daquela forma tão insana?
— Bem, a diferença que fará não importa. – Respondeu Sasuke com secura. – Agora, vamos. Diga seu nome.
Ela nada fez. Apenas ficou muda, inerte, com rosto avermelhado e olhos assustados que encaravam o nada. Poderia ser certo dar a ele o que pedia ou só fazer piorar a situação ao descontentar aquele homem.
Bem, que a sorte estivesse do seu lado.
— Sakura. – Sussurrou ela sentindo-se fraquejar diante daqueles perturbadores olhos negros. – Me chamo Sakura.
“Um belo nome” pensou ele apertando-a mais forte contra si a fazendo gemer ao sentir algo duro lhe roçar o joelho. Oh, não podia ser!
— Você prometeu que me soltaria se lhe dissesse meu nome! – Sua voz soou com nervosismo ao usar de mentira para tentar escapar. Ele não havia realmente feito uma promessa, mas precisava faze-lo acreditar que sim havia!
— Não lhe prometi nada, não teste minha inteligência. Agora que sei seu nome, exigirei outra coisa em troca de sua liberdade. – O tom enigmático e sombrio de Sasuke a fez encolher-se.
— O que... Mais... Eu não posso lhe dar nada. Eu não possuo nada de valor, senhor!
— Engana-se minha dama. – Libertando um dos braços, deslizou uma mão pelas costas femininas, subindo por toda extensão desta até chegar à nuca coberta por estranhos e belos cabelos róseos.
— O que quer de mim?
— Algo que vi há algum tempo atrás.
— O que realmente quer de mim? – Repetiu para logo em seguida tomar o silêncio enquanto seu pescoço era acariciado por lábios quentes e perigosos. Fechou os olhos, atenta e temerosa esperou a resposta.
— Quero o seu corpo. Aqui e agora. “Como ousa pedir algo tão indecente a alguém que você nem ao menos conhece?” questionou Sakura atônita. – Porque não? Acaso és comprometida?
Sasuke certamente não se achava um exemplo, porém levar para cama uma mulher casada ou até mesmo que possuísse um namorado estava fora de cogitação. Qualquer um que honrasse as calças sabia que aquele tipo de coisa não era algo que homens de verdade fariam.
Entretanto, embora Sakura não soubesse disto, estava tentada a mentir para ele. Mas, quando aquele olhar penetrante lhe analisou minuciosamente, ela optou por ser coerente e dizer a verdade.
— Não. Não sou comprometida.
— Ótimo, então não vejo problema em nos deitarmos juntos.
— Não entendeu que jamais irei aceitar algo deste tipo, principalmente vindo de um estranho? – Indagou com um brilho determinado no olhar, embora soubesse que não surtiria efeito algum naquele homem de atitudes e palavras desprezíveis.
— Talvez se eu prenda-la um pouco mais, mudará de ideia.
“Seja esperta Sakura. Seja esperta!” – Sua mente gritava.
— Sendo assim... Eu aceito. – A concordância de Sakura não o comoveu, sabia que estava a jovem blefando. Entretanto, sem dizer uma só palavra, Sasuke andou até a margem depositando o corpo feminino sobre a grama.
Deitando-se quase por cima dela, manteve parte de seu peso sendo sustentado por seu braço esquerdo enquanto deslizava a mão direita pelo pescoço fino. Seus olhos estavam estatelados e sua respiração ofegante, o tremor de seu corpo só servia para excitá-lo ainda mais.
Sakura estava assustada, atormentada, e perturbada com a audácia daquele homem e com aquilo que se endurecia cada vez mais contra seu joelho. Sabia bem o que era, e não estava disposta a deixar que algo tão imponente lhe arregaçasse o corpo e a livrasse de sua tão prezada virgindade. Daria um jeito de sair daquela situação, mesmo que para isso precisasse lhe acertar a masculinidade.
— Acalme-se. Não farei nada que não queira.
— Já está fazendo. – O sussurro embargado por um possível choro o fez dar-se conta do que estava acontecendo realmente. De uma forma ou de outra ele a estava forçando, e isso ia totalmente contra seus princípios. Ele não era um homem bom, mas forçar a uma mulher ao ato sexual era desprezível.
Tomando uma decisão que lhe afetaria pelo resto da noite, ele suspirou aliviado por tomar novamente a direção de seu autocontrole novamente.
— Vá. Saia daqui.
— O quê? – Ela questionou forçando a vista tentando adivinhar a expressão no rosto dele, mas a pouca luz não lhe permitia ver sua face além dos olhos e os movimentos de seus lábios.
— Corra o mais rápido que puder antes que eu perca o controle novamente. – A ameaça em sua voz fez com que Sakura engenhosamente saísse de baixo de si e se lançasse mais uma vez ao rio. E pensar que aquela mulher de aparência delicada pretendia lhe seduzir e depois lhe deixar a ver navios com uma possível tentativa de escapar de seus braços. Sim, ele sabia que aquele consentimento não passava de um grande engodo, mas o desejo que estava sentindo no momento o havia deixado momentaneamente cego o suficiente para esperar que ela finalmente aceitasse sua proposta indecente.
Mas aquele rosto acompanhado de olhos profundamente misteriosos lhe dizia que havia algo nela tão interessante além de seu corpo atraente e a bela face de anjo.
Fora então que se dera conta de que nada mais sabia dela além de seu nome. E se ela não fosse uma cidadã de Salem, e não soubesse onde encontrá-la depois? Ah não! Se ela pensava que iria se livrar dele, estava enganada. Ainda que não desejasse força-la, não estava disposto a deixar de lado o desejo de possuir aquele corpo até que estivesse finalmente dentro dela.
Ela nadava realmente muito bem, em pequenos segundos já estava quase do outro lado, entretanto, suas habilidades de nado não poderia comparar-se as dele. Tomado novamente pela luxúria e pela necessidade de querer conhecê-la, Sasuke nadou implacavelmente em direção a ela, dando braçadas longas e rápidas.
Em segundos já estava praticamente em cima dela.
Sakura correu pela margem já podendo sentir Sasuke a um passo de agarra-lhe novamente.
Oh não! estava perdida!
O Uchiha já estava pronto para arrebatá-la uma vez mais quando de repente a dor aguda que atravessou seu joelho direito o fez parar instantaneamente.
— Sasuke! – A voz desesperada de Naruto se fez presente, mas Sasuke estava mais concentrado na dor. – O que houve? O joelho dói novamente?
— Sim... – Sussurrou Sasuke com dentes trincados. Embora a dor fosse terrível a ponto de lhe fazer apertar os dentes, ele não esboçou nenhuma reação, apenas ficou de pé esperando que a dor passasse.
— Venha, você precisa descansar esta perna. Apoiasse em meu ombro. – Ofereceu Naruto, mas Sasuke recusou de pronto.
— Posso andar por mim mesmo. – Dizendo assim passou a caminhar com dificuldade. – Como me encontrou?
— Segui as suas pegadas. Não acreditei que houvesse alguém com pés tão grandes quanto o seu por aqui. – Riu Naruto do próprio comentário. — Mentira, foi apenas sorte.
— Isto não me surpreende. — Comentou azedo.
— Queria ver se tinha encontrado algo para fazer. – Deu de ombros. – Daí ouvi um grito e me assustei, corri sem rumo até acha-lo aqui. Mas então, encontrou algo interessante?
Oh sim. Excitante seria o termo correto para descrever a moça de róseos cabelos. Do jeito que corria, já deveria estar bem longe dali, o que não seria problema alcançá-la se não fosse à dor miserável no joelho. Ainda que não a conhecesse, esperou que estivesse bem, parecia ser uma boa mulher. Talvez um pouco desmiolada por andar sozinha por um lugar perigoso, mas ainda sim interessante.
“Não importa onde esteja doce Sakura. Eu a encontrarei.”
Pensou enquanto lançava um olhar sombrio ao mesmo lago onde pela primeira vez pode ver a imagem da mulher que tornaria sua vida mais intensa e tomaria a força o seu coração que há muito havia se perdido na dor e escuridão.
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