Meu Sombrio Lorde

3 Capítulo III - Como por bruxaria.


Notas iniciais
Saudações leitores! Demorei muito? Desta vez consegui postar um pouco mais rápido, eu acho... Bem, seja como for! O capítulo está um pouco mais curto como de costume, mas o próximo não deve demorar muito... Agradeço a todos pelo apoio e pela atenção! ^-^ Boa leitura!

Capítulo III

Wish Granted, “o lugar dos sonhos e desejos” como seus frequentadores a conheciam, de longe a casa de festas mais bizarra e mal compreendida de Salem. Ali, amantes de contos de fadas, do horror ou simplesmente interessados em gêneros musicais, jogavam altos valores na locação do edifício e contratavam seus talentosos funcionários para encenações, concertos e vários outros tipos de serviços.

Era interessante a proposta do lugar, tudo muito sempre temático, de mês a mês um novo cenário, uma nova rotina, um novo trabalho. Era admirável a forma com que um simples sarau se converteria em tão pouco tempo e um bem sucedido “teatro dos horrores”.

Mas, era um tanto cômico o modo como algumas pessoas costumavam retratar o local sem antes mesmo por os pés em seus “domínios” vamos dizer assim.

Casa de prostituição. Açougue humano. Antro de bruxaria.

Eram várias as alcunhas, porém, contrariando os julgamentos infantis dos cidadãos, não havia quaisquer atividades clandestinas ou de origens duvidosas ali.

Era um negócio respeitável, profissional, dentro da lei, com funcionários fixos e muito bem pagos.

Muitos eram os encantos de Wish Granted, no entanto a sua maior atração era personificada em formas femininas, olhos verdes e cabelos róseos, uma raridade que muitos gostariam de ter a chance de conhecer mais intimamente.

— Tem certeza de que está em condições de subir naquele palco hoje querida?

— Sim. Obrigada por se preocupar meu bem, já estou um pouco mais calma.

Sentada de frente para um grande espelho, Sakura Haruno avaliava o próprio rosto com olhar critico. Segundo ordens de seus contratantes, naquele dia a pintura e caracterização deveriam ser impecáveis a tal ponto que parecesse real.

Embora fosse complicado, tanto ela quanto Hinata possuíam experiências em fantasias para o Halloween e outros temas, portanto aquela não seria uma tarefa impossível.

Não estava se sentindo muito disposta, mas daria o melhor de si para que seu trabalho fosse o melhor possível! Afinal, devia isso não só a Hinata eu sempre a motivava, mas sim também a Neji e a Gaara que sempre foram tão gentis com ela.

“Cante para mim doce sereia” era o tema escolhido daquela vez. Um evento diferente de tudo com que haviam trabalhado. Sem improvisações, um evento de grande porte que exigia trabalhos e horários redobrados e havia necessitado de meses para ser finalmente realizado. Cenário fantástico, efeitos especiais de ultima geração e ricos figurinos...

Os amigos Sabaku e Hyuga haviam criado uma bela e cara obra de arte!

— Nem acredito que passaremos a ganhar mais pelos nossos serviços! – Comentou Hinata animada. – Agora que o cretino que lhe extorquia desapareceu, logo teremos dinheiro o suficiente para comprar um novo lugar para vivermos.

Visualizando o reflexo alegre de Hinata através do espelho, Sakura sorriu em concordância e alivio.

Se o que Neji havia lhes prometido fosse mesmo cumprido, teriam o dinheiro para uma nova residência muito em breve. Já um ano que estavam naquele emprego, sendo assim o dinheiro que haviam ganhado neste meio tempo já serviria para ao menos alugar algo em melhores condições, porém suas economias haviam sido levadas por seu pai, não antes de espanca-la por uma ultima vez antes de desaparecer com a considerável quantia.

— Sim. Lamento muito, o que ganhávamos antes já era o suficiente para buscar outro local. Mas...

— Psiu! Não quero que pense mais em coisas ruins. Começaremos uma nova fase em nossas vidas e falaremos apenas sobre positividades! – A ordem da irmã soou alta e decidida fazendo com que Sakura se contagiasse com sua alegria.

— Tem razão! – Concordou sorrindo enquanto voltava a avaliar o seu trabalho. – Assim está bem querida? Não acha que preciso por um pouco mais?

— Deixe-me ver. – Hinata aproximou seus rostos. – Sublime!

De repente, batidas fortes impacientes na porta alertaram as jovens do curto tempo que ainda tinham para ficarem prontas.

— Moças! Estão prontas?

— Sim! Sairemos em breve! – Gritou Hinata assustada enquanto Sakura deixou sua penteadeira de trabalho e se pôs a ajuda-la com os cabelos. – Sakura deixe isto, apresse-se! Você é a estrela.

— Todos nós somos estrelas. – Retrucou a jovem com voz séria.

— Sakura...

— Só levará um minuto. – Avisou enquanto prendia rapidamente enfeites nos cabelos de Hinata.

— Sakura, o show não pode começar sem você! – A voz de Neji parecia preocupada. Embora entendesse o seu lado, fora erro do próprio em avisa-las tarde de mais sobre as mudanças de horário. Aquela seria a primeira vez que se apresentariam a luz do dia e esta mudança havia pegado ambas totalmente desprevenidas, não era de se admirar que estivessem atrasadas. – Sakura...

— Desculpe, aqui estou! – Falou a moça quando por fim terminara o trabalho com a irmã e abriu a porta às pressas. Neji não pode evitar suspirar ao ver aquela magnifica mulher enfiada naquele longo vestido, que parecia ter fundindo-se ao corpo de tão grudado que estava. O tecido cor de pele, decorado com suaves escamas decorativas lhe dava um ar sensual e “marítimo” por assim dizer. Mas o que realmente havia deixado o rapaz interessado mais naquele vestido era o criativo decote em formato de conchas que sustentava os seios firmes da moça como se fossem duas mãos espalmadas sobre ambos.

Definitivamente aquela mulher era a personificação do sexo!

Embora aquela fosse uma caracterização livre de vulgaridade, fantasiada ou não, Sakura na visão de Neji, era como uma criatura mitológica! Desde muito tempo estava louco para despir e desvendar seus segredos mais íntimos.

Ela tornava seus pensamentos em fantasias ridículas, mas ainda sim a queria.

— Você está linda...

Seria possível que Sakura em sua plena inteligência estaria ciente do poder que as formas maravilhosas dela tinham sobre si, e que a cada dia que passavam juntos ou separados, aquilo ia se tornando mais forte? Ela poderia ter tudo o que sonhasse com ele, mas ainda sim... O rejeitava. Por quê?

— Lhe agradeço. Sinto muito pelo atraso. Foi um pouco complicado por o vestido, precisei um pouco mais de tempo. – Sakura fitava ingenuamente a Neji que resmungou apenas um “não tem problema” e em seguida arrastou-a pelos largos corredores de Wish Granted como se não tivesse vontade própria.

Em minutos, protagonizaria uma de suas melhores performances e deveria estar feliz por isto. No entanto, a única coisa que conseguira sentir naquele momento, eram as arrepiantes sensações de que um perigo se aproximava.

Quisera Sakura estivesse errada.

– Por favor, senhor não me faça mal! – Implorou a criança, com lágrimas nos olhos, tremendo como “vara verde” por estar sendo “mantido refém” de um corpulento gigante com feições obscuras. De longe aquela era a pessoa mais alta, forte que o jovenzinho sardento já se deparara na vida. Ainda que curioso sobre aquela figura, seu medo era grande.

— Aquiete-se rapaz, nada de mal lhe farei. – Quando agarrara o moleque distraído que observava o mesmo edifício ao qual passara duas horas espreitando entre os arvoredos perto da estrada, não pretendia assusta-lo tanto a ponto de fazê-lo chorar. Até cogitara a hipótese de se “informar” com um adulto que passara por perto, mas por fim concluiu que não dispunha de muito tempo e que uma criança era bem mais rápido persuadir. – Só quero conversar.

— Verdade? – A pergunta do menino soou esperançosa. Tanto sua mãe quanto a moça gentil que muitas vezes lhe tomava conta, o alertavam sempre sobre pessoas más que sequestravam crianças e as transformavam em sabão. Em sua cabecinha pura, o menino pedia a Deus para que fizesse aquele moço desistir de fazer sabão com seu pequeno corpo.

— Sim. E mais, prometo que não farei sabão com seu corpo. – Falou Sasuke com firmeza ao deduzir o que deveria estar pensando o menino sobre tudo aquilo. Afinal, já vira aquela mesma expressão no rosto de outras crianças que temiam já o temeram pelo mesmo pensamento.

— Obrigado moço. – Berrou um alto agradecimento de alívio, embora ainda estivesse com medo do rosto assustador daquele homem, as promessas dele pareceram totalmente sinceras ao ouvido infantil. – Sobre o que quer conversar senhor?

Percebendo que o menino não se atreveria a correr, ignorando a dor que recomeçava em seus joelhos, Sasuke desprendeu as mãos do ombro infantil e agachou para que ficasse cara a cara com seu mais novo informante.

— Primeiro me diga qual é o seu nome e sua idade.

— Meu nome é Arthur Lander, mas meus irmãos me chamam de Art. Tenho nove anos.

— Então, Arthur. Tenho uma tarefa para você e saberei lhe recompensar muito bem por ela se a cumprir corretamente. – Sem rodeios Sasuke foi direto ao que lhe interessava. – Me diga o que sabe sobre aquele lugar o qual me pareceu muito interessado em observar.

O menino obediente direcionou os olhos curiosos para onde o homem apontava.

— Bem... Eu nunca consegui ver o que há lá dentro, as pessoas da cidade dizem que acontecem cerimonias para espíritos ruins, mas minha mamãe diz que é apenas um teatro. “E você queria verificar isto” supôs Sasuke. — Na verdade, eu só queria ver uma fada muito bonita que trabalha ali. – Logo suas bochechas gorduchas coraram e seus pés começaram a arrastar-se, parecendo envergonhado com o que dissera.

Sasuke observou atentamente o menino analisando cuidadosamente suas reações, e após este breve momento de avaliação este concluiu que a suposta fada poderia tratar-se de uma mulher.

Mas o que não fazia sentido era: o que um menino de tão pouca idade iria querer com uma mulher?

Entretanto, algo sobre a confissão do mesmo fizera um meio sentido em suas ideias, e este claramente viu sua oportunidade de chegar ao ponto que queria sem ofender qualquer parte de seu plano.

— Duvido que essa suposta “fada”, seja realmente tão bonita como diz. Acredito que qualquer uma pode ser tão ou mais bonita.

— Não é verdade! Sakura é a fada mais bonita e gentil que existe no mundo inteiro!

Finalmente o moleque estava falando o que queria ouvir e como previsto, não precisara usar de muitos esforços para isto.

— Se esta Sakura é tão bonita, deve ter um marido. – Embora houvesse escutado dos próprios lábios femininos que não estava atada a nenhum compromisso, seu ego masculino necessitava de toda e qualquer confirmação para em fim dar continuidade a seu plano.

Embora este não estivesse totalmente completo.

— Não, ela não tem um marido...

— Pais?

— Ela não tinha uma mamãe, e o papai dela era um homem muito mal, ele sumiu há algum tempo. – Afirmou o menino fechando a cara. – As pessoas daqui também são más, eles a machucam. Querem queima-la.

— Queima-la? – Questionou Sasuke franzindo o cenho.

— Sim. Eles acham que é uma bruxa, mas ela não é! É uma fada! – As palavras inocentes de Arthur saíram seguidas de um soluço alto. – Não se podem queimar fadas.

Por alguma razão, ouvir o que aquela criança dizia lhe trazia a memoria seu irmão Naruto. Talvez se fosse o Uzumaki quem estivesse ali em seu lugar, teria acreditado naquele monte de sandices infantis.

Detestava ter de admitir, mas estava começando a ficar impaciente com tudo aquilo. Em geral decifrar todo o tipo de conversa enigmática em questões de segundos era fácil para ele, porém pouco daquilo poderia aproveitar.

Mas já era de se esperar, afinal Arthur Lander era apenas uma criança comum que pouco sabia além dos contos de fadas. Talvez se insistisse mais um pouco, quem sabe ainda pudesse extrair algo além das sandices que o menino dizia.

— Há alguma coisa interessante sobre esta fada que queira me contar? – O menino ergueu as mãos e fez um sinal para que o homem se aproximasse como se quisesse lhe contar um grande segredo.

— Ela tem poderes mágicos! – Sussurrou o menino perto de seu ouvido.

— Certo garoto. Seja como for, não estou interessado nesta fada. Eu estou perdido, meu objetivo é saber onde fica a biblioteca mais próxima. – Alegou falsamente. Embora detestasse mentiras, quanto menos o menino soubesse sobre ele e suas intenções melhor para ambos.

— Bibliotecas são chatas, só há livros lá. Eu não gosto de ler. – Dissipando um pouco da névoa obscura que rondavam sempre sua mente, Sasuke teve de concordar mentalmente com o menino. – Mas, Sakura me leva em uma bem grandona na Essex Street. Eu gosto de sua companhia. “Então conhece a fada pessoalmente” perguntou o homem aproximando-se mais de Arthur fixando seu olhar no relógio de plástico com correias de borracha preso ao fino pulso infantil. – Sim, ela toma conta de mim sempre que pode. Ela é boa como uma mamãe sabe?

— Está fada possui algum familiar? Filhos ou irmãos.

— Não, ela não tem mais ninguém. Mora com outra moça na velha casa que pertencia à senhora Carmen. A pobre senhora morreu ano passado. – Disse o menino com tristeza. – Ela também sabia fazer magias.

— Está bem garoto, já ouvi o suficiente. Vamos, pegue isto. – Tirando do bolso algumas notas, Sasuke fizera os olhos do garoto brilharem. – Compre alguns doces e volte para a casa. Não conte a ninguém sobre este dinheiro, do contrário seus pais poderão ficar preocupados.

— Tudo bem! Obrigado! Vou comprar muitos presentes para Sakura, ela gosta muito de doces. Principalmente maçãs carameladas. Ela fará um bolo para mim a noite.

Erguendo uma das sobrancelhas, o mais velho imaginou por breves segundos que sua jovem “fada” deveria ter o paladar de uma criança para tolerar porcarias açucaradas. Mas pensar naquilo não fazia sentido, aliás! Desde quando sua mente começara a focar-se em coisas tão inúteis? Talvez desde a última noite em que passara com os membros endurecidos de excitação.

Não importava. No final, o corpo feminino era a única coisa que lhe interessava e não o que sua dona ingeria ou deixava de ingerir.

Voltando a se concentrar em seus objetivos, uma ideia perigosa mais eficaz, lhe atravessou a cabeça e inconscientemente Arthut estaria envolvido.

— Escute... Este relógio é algo que usa sempre? – Questionou o homem com intenções duvidosas. Afinal, o que podia querer Sasuke Uchiha com um relógio de plástico? Felizmente, qualquer que fossem os seus planos, machucar o garoto estava fora de cogitação.

— O relógio? Sim. Eu ganhei um torneio infantil na escola, o prémio foi este relógio e não o tiro por nada! É bonito não é?

— Assim, é. Mas o que acha de troca-lo por mais algumas notas? Com elas poderia comprar dez ou vinte destes...

— Sério? – Os olhos do menino brilharam quando o desconhecido ergueu uma nota de cinquenta dólares. Com uma estupida rapidez o menino arrancou o relógio do pulso e o entregou sem hesitação alguma e em seguida agarrou a nota como se esta fosse um tesouro ao qual fosse o único a possuir.

“Tão pequeno e tão logo mercenário”. Pensou o homem de cabelos negros enquanto tratava de dar por encerrado aquele encontro tão inusitado e “proveitoso”.

— Sua casa fica muito longe daqui? – Sasuke questionou pensando na segurança do menino e também no quanto o “seu desejo” era querida por ele. No final das contas deveria haver pessoas além de familiares que se preocupassem com ela, talvez fosse uma boa mulher.

— Bem... Não muito... Fica apenas a algumas esquinas daqui... – Murmurou o pequeno Lander, visivelmente temeroso em dizer o endereço de sua residência para o estranho. Certamente alguém o havia ensinado o quão perigoso aquele ato poderia ser e Sasuke estava em pleno acordo.

— Entendo, agora vá. Mas antes, saiba que é perigoso conversar com estranhos, não faça mais isto. Também não ande mais sozinho e principalmente, não aceite nada que desconhecidos lhe ofereçam.

— Sim senhor! Prometo que nunca mais conversarei com estranhos. – O menino se aproximou um pouco mais olhando para baixo envergonhado. – Senhor, se ver Sakura, meus pais ou meus irmãos, pode guardar segredo sobre eu estar aqui?

Ah, então havia algo mais em comum entre eles além de seu desgosto por leitura.

Ambos estavam se escondendo.

— Apenas se não disser nada sobre nossa pequena “troca” de favores.

Realmente, em pouco menos de um dia havia agido ridiculamente como a um garoto.

Estava louco atrás de um rabo de saia, e que infelizmente não era qualquer um que poderia facilmente esquecer. Porque de tantas mulheres que desejavam passar por suas mãos, ele tinha de desejar uma que se negava a dar o que queria? Aquele desejo já estava saindo seu controle e se não desafogasse logo... Suspeitava de que não demoraria muito para que seu membro explodisse! Se ao menos pudesse por logo suas mãos naquele rabo...

— Sim, não contarei nada! – Levantou a mão em sinal de promessa para logo depois fazer uma expressão curiosa. – Senhor, como é o seu nome? – A pergunta do menino fez o estranho voltar a si.

— Isto não é necessário. — Preferiu não dizer ao garoto como se chamava, mas ao entender de Arthur o homem havia respondido plenamente sua pergunta.

— Está certo! Obrigada senhor "Não é necessário"! – Dito assim tão inocente, o menino correu em direção à estrada e tomou seu caminho pela calçada talvez tentando evitar um futuro atropelamento. Sasuke seguiu-o com o olhar até que este se misturasse a outras pessoas ao longe.

E só então, após certifica-se de que ninguém o via, logo se meteu aos fundos de Wish Granted e com destreza infiltrou-se em suas dependências manipulando dobradiças e pelas sombras caminhando ligeiro como uma assombração até encontrar na porta de uma das salas o nome que martelava em sua mente desde a noite anterior.

Sakura Haruno.

"Venha dormir comigo

Eu te libertarei

Venha dormir comigo

No fundo do mar nórdico..."

Ela cantou e dançou! Hipnotizou a todos com sua beleza e voz, despertou amores em homens, comoção entre as mulheres e sorrisos satisfeitos de seus patrões.

Mas o interior de seu próprio ser estava em frangalhos! Quantos perceberam o quão mal estava a doce “feiticeira” de Wish Granted? Ela estava bela e sensual, nada mais além disto importava ao outros.

O segundo ato começaria em Dez minutos, e seu corpo parecia não querer obedecer mais seus comandos. Só naquele momento sentia os efeitos da fuga na noite anterior. Suas pernas estavam fadigadas e sua respiração se encontrava quase indomável.

— Vamos Sakura. Aguente firme!

Esforçando-se para não desabar sobre o chão, Sakura entrou rapidamente em seu camarim, tomando seu lugar frente ao espelho que além de Hinata, sempre a auxiliava antes de todos os shows.

— Respire Sakura. Respire. – Motivou a si mesma em ofego constante.

Com olhos fixos em seu próprio reflexo, buscou a calma e a concentração, pois entraria novamente em cena em breve e seu corpo precisaria estar recuperado. Cantar e dançar nunca lhe fora uma tarefa muito dificultosa, mas naquele dia em especial parecia quase impossível!

Seus membros pareciam duros demais para dançar, o ar lhe faltava com facilidade e o vestido arrochado em seu corpo não lhe ajudava em nada.

O jeito era tentar passar por cima de suas limitações e focar somente em seu trabalho. Acima de suas dores, deveria dar o seu melhor!

Para sua sorte a musica era curta e suave, não precisaria de muito esforço além de calma e folego. Sendo assim, entoou um breve canto com melancolia e suavidade.

"Uma dama com um violino

Tocando para as focas..."

Respirou fundo e por alguns minutos fechou os olhos antes de dar a continuidade.

"Apreensiva ao som...

Do chamado..."

Uma batida fraca na vidraça chamou sua atenção. Girou o corpo rapidamente e nada viu além dos galhos que arranhavam a janela. Na mesma velocidade retornou seu olhar para frente e se assusto com o que viu ali embora fosse apenas seu próprio reflexo.

— O que está acontecendo comigo?

Mais um barulho sem explicação, desta vez um baque na parede. Algo na penteadeira tombou, seu coração parou!

Um ranger violento do chão de madeira, passos pesados parecia querer afundar a superfície.

Uma pessoa ou um fantasma?

Certa de que algo a assombrava, levantou-se tão depressa que acabou por derrubar a cadeira atrás de si. Mirando a escuridão de um canto próximo ao espelho, podia sentir algo a vigiando, sentir seu corpo ser desnudo por um olhar voraz e poderia jurar até mesmo ouvir seu folego.

Alarmada, em pensamento a moça torcia para que fosse apenas algo criado por sua mente cansada. Algo que não pudesse machuca-la, algo... Que não fosse o que imaginava.

— Tem alguém ai? – Questionou a jovem dando passos para trás, à medida que o arrepio e o frio na espinha aumentavam, lhe criando um medo repugnante.

Outro ruído, seu grito.

Lágrimas caíram de seu pobre rosto ao ouvir a resposta em som de passos pesados no chão. O que antes se mantinha oculto próximo ao espelho, havia se deslocado para a escuridão atrás de si sem se deixar notar. Aterrorizada, seus membros congelaram e suas ações se limitaram a soluços frenéticos e a única coisa que podia fazer no momento, era aguardar qualquer que fosse o seu destino dali por diante.

— Doce bruxa... — A voz sombria e profunda soando perigosamente perto de seu ouvido acabou com todas as suas esperanças de sair ilesa. Não podia ser, ele havia a encontrado! -Minha doce e sensual bruxa.

Com olhos arregalados, a azarada moça mirou seu próprio reflexo assustado no espelho antes de ser puxada sem piedade para dentro da escuridão.

— Sakura está... Na... – Procurou-a com o olhar, mas não a encontrou. – Hora.

Após procurar em todos os cantos, Hinata acreditou que a irmã houvesse buscado refúgio em seu cantinho particular, porém ao que via parecia estar enganada.

Segundo o primo, a jovem havia aproveitado o momento de pausa para tomar liquido. Porém, não regressou no tempo em que havia prometido, por isto estava preocupada.

Confusa, Hinata a melhor amiga, invadiu o camarim que pertencia à estrela de Wish Granted e vasculhou cada canto deste com minucioso cuidado.

Ela não a encontrou. Nada além das escamas de sua sereia, espalhadas na escuridão de um canto qualquer.

— Hinata, você a encontrou? Estamos prontos e... – O primo aproximou-se mais da moça quando a viu erguer-se do chão escuro com as mãos estendidas, olhando para algo brilhante que ali havia. – O que é isto... O que está fazendo... Onde está Sakura?

— Ela... Ela... – Engolindo um choro, a moça de cabelos negros prensou as escamas nos seios e automaticamente lembrou-se das palavras que sua irmã lhe dissera pela manhã.

“Não se preocupe comigo Hinata, só... Prometa-me que... Se algo acontecer comigo, ficará longe de tudo o que vier a suceder-se. Nada fará e nada dirá!”.

— Diga logo Hinata, o que houve! – Com voz alterada, Neji agarrou a prima pelos ombros e a sacudiu levemente para que esta deixasse o transe em que se encontrava envolta.

Desde que Sakura sumira pelos corredores de forma apressada, o jovem rapaz havia sabido que algo de muito errado acontecia, e pela expressão de pânico no rosto de sua prima naquele momento, suspeitava que o “erro” fosse bem mais grave do que imaginara antes. – Hinata...

— Primo... A Sakura... Como por bruxaria, ela... Ela simplesmente desapareceu!

Notas finais
E ai? O que acharam? Beijos e até o próximo capítulo! Músicas citadas: Seven Widows Weep (Sirenia) & The Siren (Nightwish) Facebook: https://www.facebook.com/Christie-Endless-1611253112460909/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.