Meu Sombrio Lorde
2 Capítulo II - Rastros.
Notas iniciais
Capítulo 2.
O quão terrível estava o tempo...
Nuvens escuras cobriam os céus e a ameaça de tormenta era evidente! O vento gelado e veloz atravessava as janelas escancaradas do quarto de hóspedes, movimentando as cortinas e tudo o que pudesse ser manipulado pela intensa e violenta corrente de ar.
O clima parecia não estar ao seu favor naquele dia, no entanto, Sasuke sentia necessidade de encontrar algo para fazer, e não seria uma tormenta que o impediria de prosseguir com seus objetivos.
Passaria uma semana naquela cidade, e a ideia de ficar sem fazer nada lhe era grotesca. Afinal... Um homem que honrasse bem as suas calças sempre tinha trabalho a fazer!
Entretanto, prosseguiria com sua leitura por mais alguns minutos até o momento em que certamente Margareth lhe chamaria para o desjejum. Após isto partiria.
Passado alguns minutos como havia previsto, passos delicados e cautelosos no corredor da silenciosa casa dos Benjamins — mesmo que a certa distância — não passaram despercebidos pelo bem treinado e aguçado sentido auditivo de Sasuke.
Os ruídos emitidos pelo chão de madeira se aproximavam cada vez mais de seu aposento. Sem qualquer sombra de dúvidas era Margareth quem vinha a seu encontro.
Mas, apesar de saber o que a senhora da casa queria, ele nada fez mais que continuar sua leitura.
— Senhor Uchiha? Já está descansado? – Após longos segundos, a voz gentil e apreensiva de Margareth finalmente soou do outro lado da porta de madeira, lhe tirando a contra gosto a atenção do livro aberto sobre a formosa escrivaninha em um canto qualquer do quarto.
Não sabia ao certo, mas já fazia muitas horas que estava lendo. Desde que havia chegado ao quarto após o “mergulho no rio”, a única coisa que fizera fora se livrar das grossas roupas encharcadas e se aventurar na leitura até que chegasse a manhã.
Certamente seu corpo clamava por repouso, suas vistas ardiam em apelo por uma noite sequer de sono. Entretanto, dormir era algo inviável para aquele homem que jamais se lembrara da última vez que se pusera a fechar os olhos e se deixasse cair em profunda letargia.
Como muitas outras coisas em sua vida, Sasuke tratava aquilo com indiferença. Pois, dormitar vez ou outra já lhe bastava para dissipar a ardência em seus olhos e algumas horas em total inércia para acalmar a dor e o cansaço de seus músculos e ossos.
Além disso, achava que o ato de dormir era um sinal de vulnerabilidade e fraqueza e este tipo de homem ele jamais seria. Por isso, procurava descansar a mente e o corpo da melhor forma que podia.
— Senhor Uchiha? Está ai? Oh, por favor, não me diga que me atrasei em preparar o café da manhã e saiu sem ao menos desfrutar do desjejum. – A senhora Benjamim parecia aflita e descontente com sigo mesma. Malcolm sempre tivera razão ao afirmar que sua esposa era realmente “uma mulher de exageros”.
— Ainda estou aqui Margareth, mas não estou decente para que me veja. – A profunda voz de Sasuke fizera com que todo o corpo de Margareth estremecesse do outro lado.
Deixando a escrivaninha, o homem fechara e guardara cuidadosamente o livro no fundo de seu baú de roupas.
Decidido a deixar o quarto, Sasuke estalou com força seu tão grande e castigado corpo passou a vestir com certo sacrifício, o corpo nu.
— Oh, perdoe-me senhor Uchiha. Estaremos a sua espera na sala de refeição.
Os relógios apontavam às cinco e meia da manhã, porém normalmente seus dias começavam sempre às quatro da manhã. Entretanto, em sua condição de hóspede, deveria ao menos permanecer para o café da manhã que Margareth servia sempre com tanto zelo. Afinal, poderia ser um perfeito ignorante e pavorosamente grosseiro, mas nunca desrespeitoso com que já lhe estendera as mãos tantas vezes a ponto de quase perder a vida.
— Certo.
— Ótimo! Irei agora mesmo para que fique a vontade senhor Uchiha!
Percebendo que Margareth se afastava dali às pressas, Sasuke bufou em irritação.
A senhora Benjamim por vezes o incomodava com tamanha amabilidade com que lhe tratava. Estava acostumado a palavras rudes e xingamentos desde menino e qualquer mostra de afeto para com ele era demasiado incomodo.
Mas não a julgava e nem mesmo a tratava mal por isto, na realidade por mais que não possuísse educação alguma, era muito agradecido por ser recebido e tratado com respeito e sinceridade. Entretanto, a forma com que Margareth e até mesmo seu marido agiam perante ele deixava claro que ambos se comportavam como se fossem apenas seus servos!
De fato, quando algo não corria como planejava a forma com que lidava com o fracasso por incompetência de algum subordinado era de certa forma “medonha” e bastante inflexível. Entretanto, não considerava Malcolm e sua esposa como subalternos seus, na realidade eram o mais próximo que tinha de serem seus companheiros, juntamente com seu irmão Naruto e os poucos ainda restantes do clã Uzumaki.
Nunca possuiu e nunca possuiria amigos. Para Sasuke, amizade era algo que não existia. Naruto não era nada mais que um companheiro leal, que se autoproclamava seu irmão aos quatro ventos com muita convicção, embora ainda não estivesse totalmente certo do que realmente significasse esta palavra tão duvidosa para si.
Mas se tinha alguma frase de valor dentre tantas outras inúteis que seu horrendo pai lhe havia dito, era a de que a traição poderia partir de onde menos se espera fomentada na maioria das vezes por pessoas de aparência gentil e amigável.
Por isso estava sempre cauteloso, pois nunca se sabia quando um covarde lhe atacaria pelas costas.
A mesa era farta! Havia pães, mingais, queijo, bolos, maças além de alimentos diferentes do café da manhã “convencional do século XXI”.
Margareth era realmente uma boa dona de casa além de ótima cozinheira. Sua mesa era sempre tão cheia e convidativa independente de quantos outros mais estivessem para saborear a refeição. Malcolm não poderia ser mais afortunado em seu casamento.
— Um bom dia senhor Uchiha! Prefere que eu mesma lhe sirva? –Margareth questionou desesperadamente ansiosa pela resposta.
— Eu posso me servir sozinho, Margareth. – Respondeu impaciente, entretanto a senhora Benjamin parecia exultante de mais para perceber o quão estava sendo inoportuna. Mas novamente não a culpava, a falta de filhos era uma das coisas que Malcolm apontava como a maior causa do pequeno “vazio” existente em seu casamento e ter alguém mais jovem como hóspede pareciam fazer com que a senhora da casa se pusesse a agir como a mãe que talvez esta nunca fosse.
Bem, certamente era o único ali que odiava toda aquela atenção, pois Naruto estava aproveitando todo o mimo que Margareth oferecia com prazer.
Para Sasuke tudo aquilo era totalmente inútil.
— Oh, está bem! Então, vou até a cozinha pegar mais pães. – Dizendo assim a senhora gentil se dirigiu a cozinha a toda pressa, emoldurando um sorriso contente em seu rosto.
Notando que alguém se aproximava, Sasuke cortou um pedaço de queijo para si enquanto esperava pela próxima interrupção.
O senhor da casa saldou a Sasuke fazendo um gesto de reverência para logo acomodar-se cautelosamente a uma cadeira frente ao Uchiha.
— Bom dia, senhor Uchiha. Como passou a noite? Seu aposento lhe foi cômodo? – Muitos anos de convivência não bastaram para que o velho senhor perdesse ao menos uma pequena parte do medo que possuía de seu tão jovem, mas tão sombrio senhor.
— Minha noite fora como qualquer outra que já tenha passado Malcolm. – A resposta grosseira de Sasuke pouco abalou ao velho, pois este já estava mais que acostumado a aquele tom mal humorado de seu jovem senhor. – Avise a Margareth que tanto luxo e trabalho não eram necessários.
— Eu peço desculpas senhor Uchiha, mas sabe bem como Margareth é. Sempre exagerada. – Malcolm sorriu discretamente lembrando-se das quão caprichosa e amorosa era sua tão adorada esposa.
Mas não culpava a Sasuke pelo horror que o mesmo sentia pela atenção afetuosa que Meg lhe dava. As coisas pelas quais aquele homem passara em quase toda a sua vida, não se comparava a nenhuma outra situação a qual já havia presenciado ou apenas ouvido falar.
Desde quando ainda era um bebê, o jovem Uchiha era diferente de qualquer outro...
Uma criança de expressões duras, olhos frios e poucos sorrisos, que aos olhos de Fugaku Uchiha não era menos que o filho do demônio se não o próprio reencarnado. Malcolm não partilhava da mesma visão de seu antigo mestre, não até Fugaku ter transformado o próprio filho naquilo que ele mesmo o acusava de ser.
Um demônio.
Inconsciente de que estava sob a vigilância de vistas negras e mordazes, estava tentado a deixar rolar uma lágrima quando se deu conta dos olhos sombrios e analíticos de Sasuke sobre si, fazendo com que saísse rapidamente de seus devaneios.
— Algo o incomoda? – Sasuke questionou enquanto servia-se de um copo de hidromel.
— Ah... Não senhor! Bem, eu gostaria que se sentisse a vontade conosco, embora saiba que nada do que minha esposa e eu fizermos possa retribuir o tanto que já nos ajudou.
— Não lhe entreguei mais do que mereceu, meu caro. Mas, isto já não importa, creio que deva agradecer somente a Deus, não só pelos bens que tens... Mas por sua vida que já se estendeu com saúde e segurança até este momento. — Erguendo a cabeça e encarando o teto de madeira, o Uchiha terminou a frase com seu costumeiro tom tenebroso, entretanto era notável uma subliminar ameaça em suas palavras. Mesmo sem saber se fora algo intencional ou apenas uma força do hábito do jovem homem a seu lado, ondas de calafrios sinistros percorreram o corpo do senhor de idade.
Poderia ele ter adivinhado seus pensamentos? Perguntava-se Malcolm.
Dando o assunto por encerrado, Sasuke continuou a desfrutar de seu desjejum em silêncio.
E quanto a Malcolm... Bem, percebendo o caminho tétrico que a conversa estava tomando, achou prudente manter-se calado e preservar sua vida um pouco mais. Poderia não saber ao certo se o que havia dito seu senhor era de fato uma ameaça.
Mas era melhor não arriscar.
— Um bom dia companheiros! Uhmmm... Que cheiro maravilhoso! – A voz alta de Naruto quebrara definitivamente o silêncio fúnebre que havia se instalado no salão.
— Bom dia senhor Uzumaki! Como passou a noite? Temi que a preparação de última hora dos seus aposentos tenha lhe promovido um desconfortável sono. — Comentou Malcolm apreensivo, observando o jovem loiro sentar-se ao lado de Sasuke, parecendo estar totalmente relaxado.
— Pode ficar descansado, dormi como um recém-nascido! Só ficou faltando algo... – A face de Naruto se tornou séria.
— O que lhe faltou senhor Uzumaki? – Malcolm questionou inquieto, pois qualquer um que conhecesse o loiro sabia bem o quanto a seriedade em Naruto era preocupante.
— Faltou um corpo a mais para ajudar a esquentar minha cama. – Comentou fingindo estar emburrado. – E vou lhe dizer mais... Se não fossem as grossas e confortáveis cobertas de lã que me forneceu à senhora Benjamim, estaria neste momento congelado naquela cama.
— Ah... Lamento muito senhor Uzumaki, mas creio que não possa lhe ajudar. Porque além de eu ser muito bem casado, não tenho desejos de me deitar com um homem. – Malcolm gargalhou ao ver a face do jovem loiro empalidecer e formar uma expressão de repulsa.
— Saia para lá velho Malcolm! Se bem que, se você fosse um pouco mais novo... – Naruto descontraindo-se novamente, juntou-se ao velho na risada. — Não! Definitivamente este tipo de conversa não é saudável e muito menos interessante para mim. – Afirmou Naruto pondo-se a deliciar-se com os alimentos.
— Mas me diga senhor Uzumaki... Como vai o seu noivado com a senhorita Alanne?
— Malcolm, meu amigo tenho que lhe dizer... Gostaria muito que estivesse indo de mal a pior, mas... Não é bem assim. – Naruto resmungou com evidente desanimo. – Desejo ter apenas um motivo para acabar com tudo de uma vez, entretanto, Alanne não se deixa vacilar e eu não consigo encontrar desculpas plausíveis para dar aos pais dela.
— Creio que se encontra em maus lençóis senhor... – Comentou Malcolm com bom humor. – O que acha desta situação senhor Uchiha?
Malcolm mal poderia imaginar que Sasuke tampouco ouvira a conversa entre ele e Naruto, pois estava ele naquele momento concentrado na imagem atormentadora que se movia tão nítida em sua mente e parecia não querer abandona-lo por mais que tentasse faze-lo. E só daquela vez, não era nada que envolvesse seu passado negro.
Era algo que envolvia seu presente, seu sangue, sua masculinidade e sua ganância!
Cabeleiras róseas, olhos verdes, seios redondos e curvas pecaminosas, lhe atormentavam os sentidos e despertava desejos que nunca um dia imaginara poder existir em seu ser.
Sakura!
Precisava encontra-la a qualquer custo!
— Malcolm. – Sem dar-se conta de que o velho senhor tinha lhe perguntado algo antes, Sasuke se dispôs a iniciar sua busca, a começar por Malcolm que era um grande bisbilhoteiro, e este com toda a certeza já deveria conhecer toda a cidade além de seus habitantes.
— Algo errado senhor Uchiha? – Malcolm questionou temeroso pela resposta.
— Estou de volta! – Margareth interrompeu o assunto voltando para junto de todos, trazendo a mão uma bandeja repleta de pães.
Aquela mulher realmente conhecia a profundidade dos estômagos faminto daqueles homens.
— Você realmente sabe mesmo como nos fazer felizes, senhora Benjamim. O cheiro está maravilhoso! Posso me servir de alguns? – Questionou Naruto com olhar esfomeado.
— Mas é claro! – Respondeu à senhora enquanto depositava a bandeja na mesa e se juntava a todos.
— Então, senhor Uchiha o que ia me dizer? – Perguntou Malcolm o fitando com preocupação, o que levou Margareth e Naruto lhe dirigir o mesmo olhar.
Sasuke considerou a situação por um momento. Mesmo sem decidir-se ao certo sobre o que fazer com a formosa jovem de cabelos róseos, envolver Malcolm em qualquer que fosse seus planos estava fora de questão, pois o puritanismo do velho senhor poderia acabar lhe proporcionando uma dor de cabeça se acaso viesse a ter de ser traiçoeiro, por conta de uma possível recusa da dama.
E a última coisa que desejava era ferir a seu velho companheiro por sua possível intromissão em um assunto que deveria ser simplesmente resolvido entre ele e a jovem Sakura. E quanto a Naruto... Bem, o quanto menos soubesse sobre tudo aquilo, melhor.
Como todas as vezes que arquitetara algo, agir sozinho definitivamente era o mais certo a ser feito.
— Não me esperem para as próximas refeições.
Dizendo assim Sasuke agarrou mais alguns pães e deixou a mesa, partindo sem mais explicações.
Se a bela jovem de róseos cabelos ainda estivesse vagando pela cidade, ele certamente a encontraria naquele mesmo dia. Se não... Poderia levar o tempo que fosse procurando-a nas cidades vizinhas e embora seus instintos lhe dissessem que ela não havia ido muito longe, tão logo começaria sua busca por ela.
E ele já sabia exatamente por onde deveria começar, pois a resposta só poderia estar por dentre as arvores, próximos ao rio onde o intenso desejo de conquista lhe lançara um desafio.
Fazer com que a jovem tola lhe entregasse seu corpo de bom grado. Nada mais importava a não ser o fato de que definitivamente possuiria aquela dama misteriosa.
Horas mais tarde...
A muitas léguas do antiquário, numa pequenina casa situada nos confins de Salém, dentro de um minúsculo aposento duas jovens repousavam em suas devidas camas com certa dificuldade.
A mais velha, dormia no canto direito do cômodo ao lado de um amontoado de roupas dobradas que lhe caiam sobre o rosto e lhe sufocavam todas as vezes que fazia um movimento. Já a mais jovem, dormia no canto esquerdo, abaixo de uma janela quebrada que rangia todas as vezes que batia vento, perturbando seu sono juntamente com pedaços de telhado podre lhe caindo sobre o rosto.
E era assim que passavam todas as noites.
Embora desejassem poder encontrar outro lugar para viver, aquela velha moradia era tudo o que tinham, já que as pensões cobravam um absurdo por noite e ter uma casa na “cidade das bruxas” era um privilégio para poucos.
Entretanto, o que perturbara o sono da moça mais jovem não foram os ruídos ou os cacos que lhe caiam no rosto.
Mas sim, seu encontro com o homem sombrio que disposto estava a ter seu corpo na noite anterior. Pesadelos recorrentes, a sensação de estar sendo tocada ainda estava lá lhe amedrontando durante o resto da madrugada após fugir daquele rio.
Durante todo o sonho desejou gritar, mas seus gritos eram abafados por mãos enormes. Desejou chamar pela irmã, mas sua garganta parecia ser apertada com força. Desejou movimentar-se, mas a sensação de braços gigantescos e musculosos lhe arrebatando não a permitia fazê-lo.
Durante toda a madrugada fora esta tormenta, e estava sendo-o também naquele momento. Lutando estava para se libertar daquela prisão de sentidos que a imobilizara durante várias horas sem dar-lhe uma trégua um minuto sequer.
Com obstinação, forçou um pouco mais a voz e finalmente conseguiu libertar um grito e acordar a irmã que tropeçara em várias roupas antes de chegar até sua cama e lhe sacudir para que acordasse.
— Sakura minha irmã! – Chamou a mais velha com desespero.
— Hinata! Ele estava aqui! – Sentando-se no leito, a mais jovem se deixou cair em um silencioso pranto enquanto relembrava a terrível experiência que tivera durante o sono.
— Está falando do homem que a atacou ontem à noite? – Questionou ligeiramente a mais velha. A história absurda que sua irmã havia lhe contado a noite a preocupara e certamente era aquilo que perturbava a mais jovem.
— Sim... – Sussurrou Sakura com dificuldade. A sensação de algo lhe apertando a garganta roubava sua voz e dificultavam a respiração. Hinata pacientemente levou as vistas a todos os cantos do quarto e constatou que a outra estava apenas despertando de um pesadelo.
— Não há ninguém aqui! Juro-te que esse não poderá lhe fazer mal ou sequer encontra-la agora. – Abraçando com força sua melhor amiga como se ela fosse à coisa mais importante do mundo para si, disse a jovem de aparência oriental e cabelos negros azulados, tentando inutilmente acalmar a pessoa que por muitas vezes a ajudara a atravessar fases difíceis em sua vida. Os longos anos haviam as tornado irmãs.
— Não! Você não entende Hinata... Ele não parece ser alguém normal... Ele... Ele... Céus! Será possível que eu tenha entrado em contato direto com o diabo? – A voz suave e amedrontada da jovem Sakura, fez com que os olhos de Hinata que mais pareciam pérolas encantadoras, se arregalassem com as palavras da irmã.
— Mas... Como... O que quer dizer?
— Eu não sei explicar... – Respondeu a jovem de róseos cabelos enquanto quebrava o abraço entre elas. Olhando para um canto qualquer, sua mente vagou até que pudesse encontrar as palavras certas para descrever o que vira naqueles intensos e sombrios olhos negros. – Eu sei que parece loucura minha Hinata. Mas... A voz sombria... Os olhos... Não havia nada naqueles olhos... Mesmo com a intenção de me fazer sua... Nada havia naqueles olhos, além de uma escuridão imensa.
— Não entendo Sakura... Se nada havia nos olhos, então por que está tão desesperada por...
— Você não está me ouvindo Hinata! – Disse sentando-se em uma poltrona bem no centro do cômodo em frente a um grande espelho.
— Como era este homem? Que idade tinha?
— Eu não sei bem... Estava escuro e, apenas... Sei que era bastante alto, deveria medir dois metros ou mais... Possuía olhos negros e... Tinha músculos, muitos músculos.
— Como os irmãos Landers?
— Não, não eram músculos artificiais ou forçados, pareciam... Pareciam... – Ao dar-se conta de que memorizara de mais os atributos físicos do homem que a atacara, envergonhada Sakura tentou apartar o assunto. — Isso realmente importa irmã?
— Desculpe Sakura, eu só...
Sem saber o que fazer, a outra se sentou ao lado da amiga e passou a acariciar seus sedosos cabelos róseos como um silencioso “vai ficar tudo bem”.
Era uma vergonha que nada, além disso, pudesse fazer. Ambas eram tudo o que tinham uma da outra, no entanto, Sakura Haruno possuía milhares de problemas a mais que ela e que infelizmente mesmo com sua ajuda a maioria deles eram de fato impossíveis de serem resolvidos.
A falta de uma mãe, um pai abusivo que aparecia uma vez ao mês para lhe extorquir e lhe agredir, pessoas lhe apontado o dedo injustamente por acusações ridículas e sem fundamentos eram apenas alguns dentre tantos problemas de Sakura.
Mas, esta já parecia não se importar mais com estes. Uma mãe já não lhe fazia falta, as surras que lhe infligia seu pai se tornaram pouco frequentes desde que aprendera a defender-se de patifes como ele ainda aos doze anos quando lhe acertou um chute nas partes baixas e lhe quebrou um abajur na cabeça após tentar violentá-la.
Sorriu a lembrar-se da determinação que viu nos olhos de sua irmã quando esta lhe contou como havia se defendido contra a má sucedida tentativa de abuso sexual. Devido a isto, seu pai nunca mais tentara algo assim, entretanto as surras eram como uma vingança por não ter conseguido praticar aquele ato abominável contra sua própria filha.
Embora Sakura preferisse as surras a um abuso, estes fatos ainda a perturbava. Por isso estava ali desesperada, tão aflita por ter quase perdido a virgindade em meio a uma violência.
Hinata a entendia. Era óbvio que a entendia. Entretanto não sabia o que fazer ou dizer para acalmá-la.
Era sempre assim. A impotência tomava conta de si quando o assunto era ajudar Sakura. Porque sua irmã sempre a ajudava enquanto ela nunca podia fazer o mesmo.
Uma lágrima solitária rolou por seus olhos.
— Porque choras minha irmã? Sinto muito, eu... Sei que eu sou a errada por nunca ouvi-la e... – Sakura começou, entretanto Hinata foi cortante.
— Não Sakura. Eu sou quem sinto muito. Eu só queria saber como ajudá-la nesta e em várias outras coisas, de verdade, mas... – As palavras morreram em sua garganta.
Alguém que não pode ajudar a si mesma, não possuí forçar para ajudar os outros.
— Não se preocupe comigo Hinata, só... Prometa-me que... Se algo acontecer comigo, ficará longe de tudo o que vier a suceder-se. Nada fará e nada dirá! – Sakura proferiu as palavras com firmeza, assustando a irmã e até mesmo a si própria.
— Não diga isto Sakura! Nada te acontecerá! – A jovem de cabelos negros dizia mais para si própria do que para a outra a seu lado.
— Hinata... Eu preciso que me prometa isto que estou lhe pedindo! – A agonia tomava conta de ambas. Hinata não sabia explicar, mas Sakura de alguma forma muito assustadora poderia sentir o perigo chegando. A mesma não percebia, mas sempre que dizia que algo ruim viria a acontecer, sempre o sucedia.
Por isso muitos a desprezavam.
Ignorantes e fanáticos a acusavam de praticar bruxaria, a agrediam verbalmente e lhe dirigiam ameaças terríveis, inclusive a de queimá-la em uma fogueira. Felizmente eram apenas palavras vazias, proferidas por loucos que tentavam tornar Salém mais pavorosa do que já parecia.
Mas, embora estivesse quase sempre ao lado da sua irmã quase todo o tempo, algumas coisas sobre ela ainda eram um mistério e nunca soube a explicação para metade delas.
Tinha a completa certeza de que Sakura não era e nunca foi iniciada em nenhuma religião ocultista ou satanista e nunca havia se envolvido com espiritismo. Mas aquele dom de sentir quando algo mal aconteceria, só contribuíam para as acusações obscuras que recaiam sobre ela.
“Meu coração é o único a avisar-me de tudo! Não sou nenhuma vidente eu apenas... Sinto. Eu jamais tive parte alguma com entidades seja ela qual for a qual vocês me acusem de cultuar. Imploro a todos, que entendam isto de uma vez por todas ou que apenas me deixem em paz!” – Era triste recordar às vezes em que presenciara os apelos de Sakura para que as pessoas deixassem de atormentá-la. Hinata se sentia mal por observar a tudo e não poder dizer nada, mas sua natureza era incapaz de ajudar a irmã quando ela mais precisava de apoio.
Por isso, apenas por isso, cumpriria a promessa de silêncio que Sakura lhe pedia naquele momento.
— Eu prometo. Eu prometo que nada farei e nada direi... – Afirmou a contra gosto.
— Melhor assim...
— Mas prometa-me que terá muito mais cuidado agora. Sabe que foi imprudência tua estar nadando nua a altas horas da noite. – Hinata julgou a irmã enquanto se preparava para ajudar a mesma a se vestir. – Venha, vou ajudá-la a tirar a camisola.
— Ora Hinata! Sei que fui imprudente, mas como saberia que haveria um maníaco àquelas horas da noite dentro da mata? — Respondeu erguendo os braços para facilitar o trabalho da outra.
— Mas você sabia que não deveria ter ido. Não fora você quem passou o dia de ontem inteiro falando sobre estar tendo sensações de que algo terrível estava se aproximando?
— É certo, mas eu nem imaginava que seria algo assim... – Já nua e com calma dissimulada, Sakura caminhou até o grande espelho recostado na parede do cómodo, e analisou cuidadosamente cada milímetro de seu corpo. – Nunca entenderei o que há aqui que faça os homens desejar me ter. Olhe! Nem ao menos tenho seios fartos!
— Talvez porque seu corpo é perfeito! Seus seios são proporcionais, nem grandes e nem pequenos. – Disse Hinata corada enquanto discretamente acompanhava Sakura em sua análise. – É muito bela, minha irmã.
— Não sabe o que diz. – Contrariou a jovem de cabelos róseos.
— Não sou eu apenas quem digo, mas todos que põe os olhos em você dizem o mesmo.
— Acho que está me confundindo com outro alguém Hina. Sabe bem que poucas pessoas me veem com bons olhos. – Disse em tom baixo.
— Mas nenhum deles nega que seja tão bela quanto às ninfas das lendas e por este motivo eles a atormentam ainda mais. – Sakura não possuía consciência do quão sua beleza era rara divina.
Exótica por natureza, Sakura formas perfeitas mesmo que a desnutrição que sofrera durante vários anos ainda mantivesse um pouco dos seus efeitos sobre seu corpo. Entretanto, os quadris largos, as coxas que pouco a pouco se enchiam, o traseiro roliço e a cintura fina deixavam todos os homens insanos por prová-la.
Seu rosto não possuía traços extremamente delicados, mas a feminilidade e a formosura deste era sublime! Lábios cheios, um belo e enorme par de olhos verdes e misteriosos, maçãs do rosto arredondadas e nariz proporcional compunham a beleza daquela face digna de contos.
Se Sakura já era bela mesmo desnutrida, quem dirá quando finalmente tiver recuperado totalmente a saúde.
— Lembra-se da nossa viagem ao Texas, quando ficamos demais expostas ao sol? – Questionou Hinata tentando descontrair o clima fúnebre que pairava no quarto. – Ficamos com as partes expostas escurecidas.
— Como iria esquecer? O sol realmente fez bem para minha pele, foi a primeira vez que me senti bela de verdade... Não acha também que o bronzeado me ficou bem?
— Uma maravilha! — Exclamou Hinata.
— Mas lembro-me também que tu quase pelaste após as horas no sol. – Recordou com um sorriso leve no rosto, enquanto alisava a própria pele. No momento era leitosa e muito bela em sua opinião, entretanto, sua vaidade a levava a cobiçar o escurecer desta.
— Para minha sorte tu estavas lá e me preparou algo que anulasse os males. – Lembrou Hinata. – A pele morena realmente lhe caiu muito bem minha irmã. Infeliz é o fato de que aqui não há muitos dias de sol.
— Realmente um fato infeliz. – Concordou terminando de por suas vestes.
Era uma raridade a irmã citar algo sobre sua aparência ou de qualquer outra pessoa, às vezes dizia uma coisa ou outra em conversas descontraídas entre as duas, mas logo depois ela se culpava por fazê-lo, pois por mais que cuidasse muito bem de seu corpo, a aparência externa nunca fora o foco da vida de Sakura Haruno.
Talvez por isso fosse tão misteriosamente bela.
— Por falar nisto. Ainda tens aquela água mágica que fizera há alguns dias atrás? Minha pele brilha há dias por causa dela. – Disse Hinata alisando o próprio rosto. – Ino e Tenten disseram que vão estar aqui à noite para desfrutar de suas alquimias cosméticas.
— Eu deveria não dar conversas a aquelas duas! – Disse Sakura emburrada. – Elas são umas das responsáveis por fomentar a ideia de que sou uma “adoradora do diabo”.
— Mas elas não fazem por mal e sabe bem disso, pois são nossas melhores amigas. – Sussurrou Hinata. – Ouça, eu entendo que os insultos que muitos lhe dirigem sejam difíceis de tolerar, mas, deves admitir que tudo o que faz é milagroso. Sejam remédios, elixir e tudo mais. E é um mistério a forma com que consegue fazê-los.
— São apenas misturas de ervas e nada mais! E você já deveria saber disto Hina. Nada que faço é milagroso. Afinal, não sou Jesus Cristo. – Afirmou com seriedade.
— O que sabe sobre Jesus Cristo, irmã?
— Não muito. Como sabe muitos dos cristãos que me conhecem me evitam. – Disse com desanimo. – Mas o pouco que sei é que Jesus fez maravilhas.
— E acredita nisto? – Questionou Hinata com curiosidade.
— Bem, acho que preciso saber um pouco mais para ter uma opinião formada. Mas muita coisa que já li sobre, faz muito sentido para mim. – Foi sincera. Ela já havia lido alguns trechos da bíblia e já havia ouvido falar um pouco sobre Deus. Entretanto, precisava que alguém lhe ajudasse a compreender aquelas escrituras que pareciam tão fascinantes, mas tão complicadas de entender.
Mas, infelizmente ninguém que conhecia estava disposto a lhe ajudar, então só lhe restava esperar alguém que não a julgasse e que tivesse conhecimentos o suficiente para sanar suas duvidas.
— Agora, vamos nos apressar. Temos muito que fazer hoje, embora eu não consiga entender porque Neji necessita de nossa presença tão cedo. – Disse Sakura enquanto deslizava um pente pelos cabelos negros de Hinata.
— Pelo que ouvi, temos um novo cliente e se estou certa, este precisa de nossos serviços pela tarde.
— Pela tarde? Mas... “Wish Granted” não abre suas portas apenas ao anoitecer? – Sakura perguntou surpresa.
— Parece que Gaara insiste que dinheiro não se faz apenas à noite. Bem, Neji parece concordar com isto e agora, teremos de fazer o mesmo. – A morena deu de ombros.
— Ah... Homens e suas eternas cobiças! – Lamentou Sakura. – Há alguma coisa que eles amem mais que dinheiro e poder?
— É claro que há minha irmã. Mulheres! –Respondeu Hinata distraída enquanto tomava-lhe o pente das mãos e passava a pentear, os róseos cabelos da irmã.
Pensativa e com receio crescendo novamente em seu coração, Sakura inconscientemente levou seus pensamentos até o misterioso homem pelo qual fora perseguida na noite anterior. Seus pesadelos foram tomados por ele durante todo o seu sono, aterrorizando-a e violando seu corpo em sonhos.
As mãos grandes que lhe rasgava as roupas e passeavam sobre seu corpo sem pudores, os braços musculosos lhe esmagando até que sentisse seus ossos estalarem, sua boca lhe agredindo os seios com força e algo largo forçando a entrada entre suas coxas...
Definitivamente ele não era um homem como qualquer outro... Quando estiveram próximos, ela sentiu algo tão terrível que assustaria até o mais cruel dos homens.
Algo estava errado, seu coração a avisava novamente. Mas o que estava à sua espera era algo que Sakura nunca esqueceria.
Podia-se dizer que Sasuke estava satisfeito! Havia encontrado as respostas que desejava antes mesmo que a chuva as destruísse. Estava há uma hora em busca de rastro que pudessem o levar ao caminho que percorreu a jovem de cabelos róseos na noite anterior, o que não fora nada fácil considerando que sua procura se iniciou ainda durante um nevoeiro intenso.
Por sorte, sua boa visão o permitiu encontrar algumas poucas pegadas de início, mas para concluir sua jornada com êxito, fora necessário aguardar a dissipação da névoa para dar continuidade.
A longa espera o havia tornado impaciente. Seu descontentamento com a situação era tanto, que durante o tempo em que permaneceu debaixo do único carvalho que havia dentre tantas árvores chegara a se perguntar se valia mesmo tanto esforço por uma moça que não deveria ter mais de dezoito anos e que provavelmente era virgem.
Não lhe era muito agradável à ideia de possuir virgens.
Em todas as vezes que possuíra alguma mulher, sem que houvesse muito contato corporal Sasuke era direto em seu objetivo e este era sempre de modo indelicado, por isso optava sempre pelas moças experientes.
Entretanto, era uma satisfação para ele ouvi-las gritar pelo prazer que proporcionava a elas e a ideia de causar-lhes dor no ato sexual era algo que o desgostava muito. Por isto sempre as incitava devidamente com os dedos até que estivessem suficientemente preparadas o para receber. O que não era difícil, pois todas as mulheres ao qual tivera chegavam até ele já “estimuladas”.
Entretanto, em questão de segundo seus pensamentos estavam novamente na imagem nua que dançara em sua mente por toda uma noite. Estranhamente, o fato de deduzir que a dama de cabelos róseos nunca havia sido tocada lhe fizera endurecer instantaneamente.
De certo que, delicadeza e paciência definitivamente não eram algo que pudesse ou quisesse ter, mas ao imaginar-se deflorando a jovem de cabelos róseos vagarosamente, sentindo todos os músculos internos dela lhe acomodar aos poucos dentro de seu intimo lhe acendeu novamente o desejo, o fazendo retomar a sua procura com mais fervor.
O que de fato lhe rendeu bons resultados.
Entre pegadas e galhos quebrados, um pedaço de tecido que se perdera em um espinheiro próximo a uma rua asfaltada fora o que mais lhe chamara a atenção. Não se recordava de como era o vestido que usava a jovem quando se encontraram ou qual era a cor deste, porém, o cheiro inconfundível de lavanda ainda vivo no tecido o fez ter a plena certeza de que pertencia a ela.
Erguendo o olhar entre as árvores que separavam o asfalto da mata, subitamente ele a encontrou...
Ali estava! A jovem de cabelos róseos que lhe tomara os pensamentos à noite e o controle sobre seus desejos, acompanhada de outra jovem que lhe olhava com preocupação, ambas caminhando com rapidez como se desejassem fugir de algo.
Com toda a certeza deveriam estar temerosas após o seu falho encontro sexual com Sakura na noite anterior. Possivelmente, a pequena língua solta deveria ter comunicado que havia um maníaco rondando a cidade para seja lá quem fosse a sua acompanhante.
Tola. O resto não importava, era somente ela quem deveria temer. Aquele desejo que atormentava Sasuke era apenas para ela e coitado de quem ousasse intrometer-se.
Bem, realmente tudo aquilo era estranho também para ele. Afinal, nunca fora um homem que colocasse o sexo como prioridade nem mesmo quando mais jovem. Na realidade, poderia ficar anos ou até a vida inteira em celibato, e se isto não lhe ajudasse tanto a aliviar a tensão horrenda que sempre habitava seus músculos, até cogitaria deixar de dar prazer a todas as rameiras que tentavam gerar um filho sem seu consentimento.
Entretanto, sempre fora cuidadoso. Nunca deixara sua semente se infiltrar em corpo algum para não correr o risco de colocar mais um sofredor no mundo. Um inocente que poderia vir a se corromper em uma terra onde o uso de drogas o abuso e a escravidão infantil eram comuns, onde governantes e grupos radicalistas instigavam mães a assassinarem seus filhos ainda no útero.
Era certo que Sasuke era o último homem na terra que serviria de bom exemplo ou seria um bom pai. Mas imaginar uma criança sendo exposta a todo o tipo de depravação ou passando a metade das coisas terríveis pelas qual ele mesmo passara lhe era o mais terrível dos pensamentos. Por isso a ideia da paternidade lhe causava horror, lhe instigando sempre a continuar a proteger-se com grossas e triplas borrachas e ejaculasse fora dos corpos femininos mesmo com proteção.
Proteção a qual era reduzida a cinza após o ato.
Ele realmente se preocupava bastante com o que poderiam fazer as trapaceiras se tivessem contato com sua “semente”. Podia ser apenas uma cisma extrema de mais, entretanto o fato de saber o quão suja algumas mulheres poderiam ser, lhe fizera sempre pensar que era melhor prevenir do que remediar.
Mas, embora assim fosse. Imaginar-se fazendo com Sakura o que nunca fez com nenhuma outra estava lhe acendendo uma chama que nem mesmo um dia pensara existir dentro de si. Subitamente sentia o desejo de fazer loucuras com aquele corpo sem qualquer preocupação e sem qualquer roupa.
Definitivamente tinha de tê-la senão explodiria! Nunca se sentira tão insano por uma mulher e não arredaria o pé daquela cidade sem antes satisfazer seu desejo!
— Desta vez, não permitirei que escape, pequena Sakura. – Falou para si mesmo enquanto passava a segui-la, ocultando-se na mata e espreitando nas sombras até que pudesse por suas mãos sofridas e calejadas nela.
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