Meu Refúgio Em Teus Braços

3 Capítulo III: Coincidências Inconvenientes


Notas iniciais
Boa leitura =^.^=

— Eu preciso de seus beijos sangrentos. Você precisa continuar a sorrir. Neste mundo quebrado em que vivemos somente em teus braços me sinto em paz – cantarolei a canção ao caminhar para o colégio. Lembrava-me apenas desse refrão e o repedia incansavelmente. Fora essa uma das músicas que escutei enquanto Sora e eu observávamos o céu na noite que nos falamos pela primeira vez. Não sou de sair cantarolando por ai, mas aquela música me lembrava Sora e cantá-la a trazia até mim.

No pátio do colégio os alunos olhavam para mim e cochichavam uns com os outros. Não estranhei os cochichos, já estava quase me habituando a isso, entretanto eu não ouvia risos como de costume, apenas expressões de espanto e olhares curiosos em minha direção.

Cantarolava em pensamento o refrão daquela canção. Sora estava invadindo com frequência meus pensamentos. Sentia-me libertado de um peso após conta para ela sobre o frustrante encontro com meu pai e sua família. Não havia falado daquilo nem com minha mãe, embora ela estivesse ciente do que aconteceu. Aquela lembrança agora estranhamente não me machucava mais, até comecei a senti um pouco de culpa por ter os xingado. Com exceção de meu pai, todos pareciam amáveis. Pergunto-me como alguém frio e antipático como meu pai sempre estar rodeado de pessoas amáveis? Em compensação eu pareço atrair os tipos mais peculiares de pessoas. Uma dessas pessoas peculiares era Diana, que veio em minha direção assim que cheguei à entrada do colégio. Eu detestava aquela garota e ela sabia disso, o que não a impediu de vim falar comigo.

— Então foi por isso que você se machucou. Eu... Eu... – Ela não completou a frase e saiu correndo. Não entendi bem o que ela quis dizer.

Não estava disposto a sair correndo atrás de Diana. Algumas garotas fofoqueiras haviam me visto falando e perdido desculpas para ela no outro dia e isso gerou muito boatos de mau gosto. Cantei mentalmente aquele refrão na tentativa de afastar meus pensamentos de Diana e dos murmúrios em volta.

Caminhei em direção a sala de aula. Mesmo antes de o sinal trocar a sala estava cheia. Assim que entrei deu-se início a uma salva de palmas. Olhei em volta tentando compreende o que se passava. Não havia motivos para baterem palmas para mim, sequer cantaram parabéns no meu aniversário. Laura e mais duas garota vieram em minha direção e cada uma me deu um beijo no rosto. Fiquei ainda mais confuso. Talvez fosse um sonho ou alguma pegadinha.

— Você é ainda mais incrível do que parecia – disse-me Laura com os seus olhinhos brilhando iguais estrelinhas.

— Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?!

Ao invés de uma explicação Breno e outro garoto tão grande quanto ele me ergueram e colocara-me em seus ombros (tudo isso contra minha vontade).

— Me coloquem no chão, idiotas! – Não sei se eles se fizeram de surdos ou se o barulho da classe os impediu de ouvirem. Apenas não me debati porque tive medo de me desequilibrar e cair.

Entre os gritos e aplausos apenas uma palavra era clara para mim: "Herói". O professor Ramires entrou na sala, mas não fez a mínimo questão de colocar ordem na classe, apenas recostou-se na parede e observou a turma com um leve sorriso no rosto. Após vários gritos de euforia os ânimos começavam a se esfriar. Breno finalmente me colocou no chão e o Prof. Ramires veio em minha direção, como sempre mancando na perna esquerda.

— Parabéns Herói – disse o Ramires ao colocar sua mão em meu ombro.

— Herói?! Seria bom se alguém me explicasse essa história direito – falei já sem muita paciência. A essa altura já imaginava que aquilo teria a ver com aquela noite na cafeteria.

— Hoje de manhã o telejornal noticiou que você era o jovem misterioso que enfrentou um criminoso armado, salvando funcionários e clientes de uma cafeteria. Uma testemunha que não quis se identificar relatou tudo – respondeu-me o Prof. Ramires.

Comecei a pensar em quem seria essa testemunha misteriosa. Sora era imprevisível o bastante para fazer algo desse tipo, mas não era burra. Caso o ocorrido ganhasse grande repercussão maiores seriam as chances de descobrirem a verdade. Além do mais, se fosse realmente Sora a revelar minha indenidade ela não faria questão de ficar anônima. Sora encarava tudo de frente, não tinha medo de dizer o que pensava ou das consequências. A única que poderia ter dito aquilo era aquela garçonete, mas ainda não fazia sentido.

— Existem muitos Alexandres por ai, como todos tem tanta certeza que fui eu? – Questionei.

— A descrição dada foi bem específica e uma foto sua foi divulgada no telejornal. Contando que você não tenha um irmão gêmeo com o mesmo nome tenho plena certeza de que falavam de você. – Ramires deu um soquinho no meu ombro.

Antes que pudesse digerir as informações, uma garota do terceiro ano apareceu na porta e pediu para falar comigo.

— O senhor me dar licença para sair? – pedi ao Ramires.

— Claro. Só não torne isso um hábito ou vou começar a acha que você estar querendo apenas evitar minhas aulas.

— Obrigado. Não pense que não gosto de suas aulas, são as menos chatas, ao menos em minha opinião.

— Vindo de você isso deve ser um elogio. Vá logo. Não deixe a garota esperando. – Prometi a mim mesmo que não demoraria em voltar à sala. O Ramires era um cara legal, quase todos concordavam com isso. Eu estava deixando de “detestá-lo menos que os outros professores” e começando a gostar dele.

A garota que queria falar comigo, apenas pediu para que eu a acompanhasse. Conforme seguíamos pelo colégio, ouvia nos corredores por onde passávamos palavras de elogio a minha pessoa. Aparentemente os alunos andavam sem muito que conversar, pois parecia que todos só falavam do meu "Ato heróico". Imagino que se eles soubessem a verdade não se animariam tanto. Poucos assistiram ao jornal pela manhã e isso deixou muito espaço para a imaginação dos estudantes. À medida que a notícia corria pelas classes os boatos aumentavam como se cada um estivesse acrescentando um novo detalhe a história, houve aqueles que diziam que enfrentei uma gangue inteira e outros que eu havia impedido um ataque terrorista na cafeteria. A situação era cômica. Ontem zombavam de mim, hoje me chamam de herói, o que será amanhã?

A garota me conduziu até a classe do terceiro ano, lá dentro me deparei com outra garota sentada em cima de uma mesa de pernas cruzadas, aqueles longos cabelos castanhos e olhos claros âmbar não deixavam dúvida, era a mesma garota que me revelou que Diana me traía e que meus supostos amigos que zombavam de mim pelas costas. Por um longo instante nos olhamos em silêncio, até que ela sorriu para mim.

— Vocês devem ter muito que conversar. Vou deixar-los a sós. – A guria que me trouxe lá se afastou apenas meio metro e ficou nos observando em silêncio.

— Você queria falar comigo? – perguntei. Vários alunos se aglomeraram em nossa volta.

— Me chamo Natasha. Já nos falamos antes, lembra? – Difícil seria esquecer nossa última conversa.

— Lembro bem do seu sorrisinho indecente e de você rindo de mim. – A platéia em nossa volta nos olhava apreensivos.

— Sei que posso ter parecido má, mas fiz aquilo pelo seu bem. Não suportava vê-lo com aquela garota, muito menos os outros zombando de você pelas costas. Eu sempre fui apaixonada por você, Alex. – Estava sendo um dia bem surpreendente, até demais.

— Não que eu não acredito em você, longe disso – lhe disse transparecendo meu sarcasmo. – Mas você deve entender que é meio inconveniente você se declara após eu ter aparecido como herói no telejornal.

— Quem acha que revelou ao jornal que você impediu o assalto a cafeteria? Eu não apenas abrir seus olhos sobre as traições daquela cadela e das suas falsas amizades. Abrir os olhos de todos para o herói que você é. – A forma como ela falava quase me convencia que suas palavras eram verdadeiras, se realmente fossem ela iria se decepcionar comigo, sou muitas coisas, herói definitivamente não é uma delas.

— Legal. Só gostaria de saber como descobriu meu feito heróico? – Sentir a respiração da garota de antes na minha nuca. Estavam assistindo a nossa conversa como se fosse o mais novo capítulo de uma novela mexicana.

— Minha prima trabalhar naquela cafeteria, foi durante o expediente dela que tudo aconteceu. Quando ela me contou do incidente soube imediatamente que era você. – Jamais imaginária que ela fosse prima da garçonete da cafeteria, essa inconveniente coincidência explicava muito.

— Isso tudo é informação demais de uma só vez. Desculpe-me, não sei nem o que dizer. Não esperava por uma declaração desse tipo. – Natasha levantou-se da cadeira e segurou minha mão. Ela era bem alta, alguns centímetros maiô que eu.

— Acredite ou não, eu sempre te admirei a distância. Você é diferente dos outros... É único – ela apertou forte minha mão enquanto falava.

— Tente entender minha situação, num dia sou alvo de gozação, no outro sou aplaudido como herói. Estou meio confuso. – Sora riria de mim se me visse naquele momento.

— Vamos dar um passeio depois das aulas, hoje à tarde. Dê-me a chance te mostrá-lo que digo a verdade, por favor – ela fez uma cara de cachorro sem dono ao pedi que ficou difícil recusar.

— Bem...

— Aceita logo sair com ela, idiota! – disse um dos espectadores da nossa conversa.

— Tudo bem, eu não tenho nenhum compromisso hoje mesmo. – A platéia foi ao delírio, como se alguém tivesse marcado uma sexta de três pontos nos segundos finais de um jogo.

— Me pegue em casa as duas – ela entregou-me alegre um bilhete com seu endereço. Interessante como ela já tinha anotado o endereço e programando o encontro antes deu aceitar.

— Quer que eu te pegue na sua casa?! – pressentir que me arrependeria por aceitar aquele encontro.

— Claro, afinal de contas você é um cavalheiro. – Natasha pensava que me conhecia bem, só pensava.

— Tudo bem. Agora me deixem voltar para a aula do Sr. Ramires, aliais, onde está o professor da sua classe?

— Estou aqui! – uma mulher de óculos e cabelos loiros, usando uma camisa branca e calça social levantou a mão, pelo visto ela era mais uma das expectadoras da minha novela mexicana.

Voltei apresado para a minha respectiva classe, infelizmente a aula do Sr. Ramires já tinha terminado. As aulas seguintes foram tão interessantes quanto ver tinta secar. Na maioria das vezes a escola era um teatro onde os professores fingiam ensinar e nos fingíamos aprender. Poucos eram preocupados em realmente ensinar, como o Sr. Ramires. Ao fim das aulas e após desviar de meia centena de pessoas querendo falar comigo, finalmente cheguei a minha casa e tive a maior supressa daquele dia, minha mãe estava lá.

— Chegou mais cedo do trabalho? – perguntei assim que entrei pela porta e a vi.

— Não querido, apenas vim pegar alguns papéis importantes que deixei. Já estou voltando. – Ela se aproximou de mim e afagou minha cabeça. – Não me espere acordado, voltarei tarde hoje – dito isto ela partiu de volta ao trabalho.

Passávamos cada vez menos tempo juntos. Ela sequer sabia que eu apareci no telejornal e estavam me chamando de herói, ela também nunca soube do meu namoro com Diana, tampouco que fui alvo de zoação por ter sido traído com metade da escola, ela não sabia que eu tinha um encontro, e com toda certeza nunca saberia da minha relação com Sora, uma mulher tão bela quanto imprevisível, que provavelmente tinha por volta da sua própria idade, se não mais velha.

Chegando perto da hora marcada com Natasha fui para o endereço anotado. Chegando a casa dela bati na porta e quase que de imediato um homem de bigode, alto, forte e com cara de poucos amigos atendeu.

— Olá senhor... A Natasha mora aqui? – perguntei receoso, aquele homem dava medo.

— Não! – disse em tom forte e bateu a porta.

Eu já estava indo embora quando a porta se abriu novamente e uma mulher alta de cabelos castanhos (praticamente uma versão mais velha da Natasha) me convidou para entrar.

— Desculpe meu marido. Ele é super protetor demais. Natasha está se arrumando, desce em um minuto, enquanto isso pode esperar aqui na sala – disse a mãe de Natasha quando que entrei, depois foi para a cozinha me deixando sozinho com o bigodudo mal encarando.

O tempo que fiquei esperando na sala pareceu uma eternidade. O olhar do pai de Natasha para mim era comparável ao de um urso feroz. O clima estava bem tenso. Tentei por uma ou duas vezes puxar assunto com ele, mas não consegui pronunciar nenhuma palavra. Finalmente após instantes angustiantes, Natasha desceu pelas escadas, completamente linda, usando um vestido curto vermelho e salto alto. Não sou do tipo que gosta de mulheres maquiadas, mas ela soube usar perfeitamente a sombra nos olhos e o batom vermelho de seus lábios era tentador. Fiquei um pouco sem graça por não ter nem trocando de roupa para nosso encontro.

— Você está tão linda – o pai dela me olhou feio quando a elogiei, mas nem liguei.

— Você quem é muito gentil. – Ela caminhou até mim e segurou minha mão. Ela já era alta e usando salto parecia uma verdadeira amazona. – Tchau pai, não se preocupe com conosco – ela disse para o pai carrancudo.

— Não demorem muito – o pai dela disse da forma mais simpática que conseguia, que ainda assim não era nenhum pouco amigável.

— Tchau Mãe! – gritou Natasha para a mãe na cozinha.

— Tchau filha! Divirtam-se bastante! Não se preocupem com a hora de voltar! – gritou a mãe em resposta.

Saímos da casa dela de mãos dadas. Por alguma razão Natasha parecia gostar de segurar minha mão, então não me incomodei de andar de mãos dadas com ela.

— Aonde vamos mesmo? – perguntei enquanto caminhávamos.

— Abriu aqui perto uma lanchonete estilo anos 50, eu estava com muita vontade de ir nela – me respondeu com um sorriso.

Chegando a tal lanchonete, o ambiente estava bem cheio. Nós sentamos um ao lado do outro numa mesa e fizermos o pedido de dois hambúrgueres. O ambiente da lanchonete era bem legal, tinha até uma daquelas máquinas de musica antigas que se colocava uma moeda para funcionar. Não pude evitar não pensar em Sora. O carro dela era antigo, talvez ela gostasse de coisas retro como aquela lanchonete. Perguntei-me qual seria a reação dela ao ver-me num encontro a Natasha, nem foi preciso muita imaginação, Sora apareceu bem na minha frente.

Tantas coincidências inconvenientes em um só dia...

— Com licença, posso me sentar com vocês? Ou estão guardando lugar para alguém? – Sora primeiro se sentou, só depois pediu. Ela estava usando um terno feminino e seu cabelo estava amarado num rabo de cavalo, nunca havia lhe visto de forma tão formal antes.

— Claro... Fique a vontade – disse Natasha tentando ser cordial, mas parecia está tão desconfortável com a presença de Sora, quanto o pai dela com a minha.

— Espero não está atrapalhando nada entre os dois... Por acaso são namorados? – perguntou Sora com aquele seu sorriso de criança travessa no rosto.

— Desculpe-me, você já ta querendo saber demais, não acha? – Natasha tentava ser educada, mas estava claramente irritada.

— Tem razão, afinal eu não conheço nenhum dos dois. – Num momento em que Natasha não estava olhando, Sora piscou para mim, mostrando que era tudo uma brincadeira para ela.

Desde a chegada de Sora não conseguir dizer nenhuma palavra. Nunca imaginei que ela invadiria meu encontro fingindo não me conhecer. Seria coincidência ou destino ela ter ido aquela lanchonete justamente no momento do meu encontro? Provavelmente os dois.

Quando eu achava que a situação não podia piorar, entra um homem na lanchonete vestindo um sobretudo com óculos escuros e chapéu. O disfarce não me enganou... Aquele bigode no meio da cara denunciava a identidade do pai da Natasha. Ele sentou-se no balcão e ficou nos olhando de longe.

Eu estava entre a cruz e a espada. De um lado a imprevisível Sora, era mais fácil prever um terremoto do que qual seria a próxima ação dela, do outro lado o pai da Natasha, esse era mais previsível, qualquer um poderia prever que ele me espancaria caso eu ao menos pensasse em beijar sua filha. No meio dos dois estava a Natasha, o pior de tudo é que ela não notou o pai nos observando enquanto entravamos no joguinho da Sora sem nem perceber.

— Pelo menos não pode piorar – murmurei para mim mesmo.

Naquele dia aprendi uma importante lição, quando estiver em uma situação ruim, nunca diga que não pode piorar, porque SEMPRE pode ficar pior.

Outra inconveniente coincidência aconteceu. Outra conhecida minha apareceu.

— Diana?! – De todas as pessoas que conheço, ela era de longe a última que eu gostaria de ver naquele momento.

Ele estava usando saia jeans e uma blusinha rosa, ao lado dela estava um garotinho que devia ter por volta de uns seis ou sete anos.

— Não perca seu tempo com essa vadia. Apenas a ignore – Natasha disse de forma tão rude que surpreendeu até a mim, ela deve ter puxado esse lado do pai.

— Ninguém chama a Di desse nome! – O garotinho que acompanhava Diana pegou um copo de refrigerante na mesa ao lado e jogou na Natasha, mas acabou molhando Sora e a mim também.

— Já te disse para não jogar coisas nas pessoas! – Diana repreendeu o garotinho.

Natasha estava desesperada com a maquiagem toda borrada e o penteado arruinado. Sora estava incomodada, mas nem de longe tanto quanto Natasha.

— Pelo menos não pode... – Antes que eu pudesse completar a frase, o pai da Natasha me pegou pelo colarinho da camisa e jogou-me contra a mesa.

— Isso é tudo culpa sua! – gritou enquanto me esganava. Na mente dele, não importa o que acontecesse com sua filha, seria automaticamente minha culpa.

— Papai solta ele agora! Foi aquela cachorra que mandou o diabinho nos jogar refri! – gritou em vão Natasha.

— Não chama a Di de cachorra! – o garotinho puxou com força o vestido de Natasha para baixo a deixando somente de sutiã, calcinha, salto alto e perfume.

— Seu moleque tarado! Agora que eu te mato! – O pai da Natasha começou a me enforcar e bate REALMENTE com força.

— Não fui eu que tirei o vestido dela! Eu juro! Não tenho nada a ver com isso! Eu juro! Me larga! – A lanchonete inteira estava assistindo aquela baderna, mas ninguém se atreveu a me ajudar.

Era um misto de sentimentos. Perguntava-me por qual razão aquele garotinho defendia Diana? Sentia a agonia de está próximo a morte ao ser esganado por um brutamonte bigodudo. Não vou menti a visão de Natasha só de roupa íntima era excitante. E Sora... Ela era um vislumbre de calma e beleza em meio ao caos. Há muito tempo eu não fazia uma oração, mas naquele momento orei a Deus para que ninguém estivesse filmando a cena. Caso eu sobrevivesse, sabia muito bem qual serie o assunto do dia seguinte na escola.

— Sora! Faça alguma coisa – implorei a minha única salvação.

— Não nos conhecemos, esqueceu? – ela piscou e me mostrou a língua. Mesmo molhada por refrigerante e me negando ajuda, Sora estava incrivelmente linda. Foi naquele momento inapropriado que comecei a ficar apaixonado por ela.

— Papai, você vai acabar matando o Alexandre! – Natasha gritou enquanto recolocava seu vestido.

— Alexandre?! O mesmo que lutou contra o assaltante da cafeteria e salvou minha sobrinha?! – Balanceia minha cabeça afirmando que sim. – Por que não disse antes?! – O bigodudo finalmente me soltou.

— Aquela cachorra arruinou tudo, tudo! Essa foi à maior vergonha da minha vida e foi bem na frente do Alex! – Natasha saiu em prantos da lanchonete. Diana e o garotinho que a acompanhava também deram o fora de lá.

— Desculpe mesmo, Alex. Pensei que você fosse mais um daqueles garotos pervertidos que vivem convidando minha filha para sair. Não sabia que você era o herói do jornal! Pode vim a minha casa quando quiser garotão. Esse encontro não deu muito certo, mas... Haverá outras oportunidades. Você é o que eu sempre quis para minha filha, agora vou atrás dela – após dizer ele saiu atrás da filha. Se eu tivesse dito desde o começo quem eu era tudo teria sido diferente.

— Conquistou o sogrão – o senso de humor de Sora não se abalava facilmente.

— Ele não é, nem nunca será meu sogro, principalmente depois de hoje – respondi para ela e me sentei enquanto recuperava o fôlego. – Você nem para me ajudar, só ficou olhando. Estou começando a acreditar que você não se importa muito comigo.

— O encontro não era comigo, porque eu deveria ajudá-lo? – Para a Sora aquilo fazia o total sentido.

— Se o encontro fosse contigo seria diferente?

— Talvez... Só talvez. – Sorrimos um para o outro.

— Ainda querem os Hambúrgueres? – disse timidamente uma garçonete de patins segurando uma bandeja com hambúrgueres nas mãos.

— Hey, Sora. Aceitaria fazer um lanche comigo? – propus de joelhos. Depois daquela algazarra, ficar de joelhos não era nada.

— Como eu poderia recusar um convite desses?

— Pode nos servir! – A garçonete nos serviu os hambúrgueres, eram os melhores que eu já comi.

— A que horas você precisa voltar para casa? – perguntou Sora após comemos.

— Por que a pergunta?

— Talvez eu te convite para um encontro, isso se não tiver nada melhor para fazer – não posso descreve a alegria que sentir ao ouvi aquelas palavras.

— Nesse caso, ninguém estará me esperando em casa mesmo.

— Então, te pego as sete. – ela sorriu, um sorriso que fez tudo que passei hoje ter valido a pena.

Notas finais
No próximo capitulo, o encontro de Sora e Alex ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.