Meu Raio de Sol

5 Apenas Um Raio de Sol


Certo do que queria, respirei fundo e afastei as pernas em um convite mudo para que Defteros se abrigasse entre elas. Ao contrário do que muitos poderiam pensar eu não enxergava o sexo como algo sujo, mas o tinha como uma materialização do amor, e por isso não via razões para se envergonhar do que desejava fazer. Eu desejava ardentemente ter Defteros. Desejava ardentemente amá-lo de forma carnal assim como o amava da forma mais pura.

Eu podia sentir seu cuidado e quase adoração ao se posicionar entre minhas pernas e lentamente deixar seu peso cair sobre meu corpo o estirado sobre sua túnica. O beijou sem afobação, sem medo, sentido cada ínfimo movimento de Defteros, deslizando as mãos por suas costas sentindo nelas o calor da pele que sempre sonhei sentir.

Guiado apenas por meus instintos, incentivo Defteros a sentir em sua boca todo o sabor da minha pele, e regozijo ao senti-lo deslizando suavemente a língua circulando meus lábios já inchados para depois descer pela linha do queixo até ganhar meu pescoço, fazendo questão de beijar, mordiscar, sugar e deixar suas marcas por onde passava.

Mesmo sem querer eu deixava escapar gemidos extasiados de prazer enquanto descia as mãos acariciando as coxas firmes do meu adorado demônio fazendo Defteros gemer em resposta pela minha ousadia. Eu não senti temor ou pudor ao acariciar também as fartas nádegas e com satisfação percebi que crescia entre as minhas pernas a máxima expressão do desejo que podia, e a satisfação ainda era maior, seu membro enrijecido.

Sentia-me exultante por ter o poderoso demônio da ilha Kanon mordiscando meu peitoral alcançando meus mamilos túrgidos e quase gritei quando sua língua molhada deslizou sobre minha carne sensível. Meus olhos permaneceram muito abertos sem e consegui conter a energia que ainda restava acumulada em mim deixei que ela fluísse através da minha pele.

— Asmita, seu corpo está brilhando!

— Está?

— Sim, mas não se aflija, isso te deixava ainda mais belo! Te faz parecer um anjo, um raio de luz carnificado em meus braços.

— Eu não sabia que você era capaz de palavras tão doces.

Defteros riu. — Não conte a ninguém, ninguém irá acreditar em você de qualquer forma.

Sim, ninguém acreditaria, nem nas palavras doces, nem na adoração com Defteros descia os lábios sobre o meu ventre. Será que ele gosta do incenso de jasmim e dos óleos essenciais e especiarias que usualmente utilizo em minha pele? Na minha terra natal ensina-se a tratar o corpo da mesma forma com que se trata o espírito. E também, que devemos agradar a pessoa que amamos para que possamos viver em harmonia.

***

Extasiado, me permitir descer ainda mais parando a centímetros do falo em riste de Asmita, e ao contrário do que fiz instantes atrás, desta vez não desviei o olhar, antes admirei a beleza delicada e jovial coroada pelo pênis mediano, rosado e gotejante que exalava uma essência instigante, atrativa que simplesmente me enlouquecia e sem poder mais me conter o tomei em minhas mãos sentindo a maciez da carne e o conduzi aos lábios para enfim provar o sabor daquela rara iguaria.

Não parece que Asmita se desagradou das sensações causadas pela minha boca ou por prazer ou instintivamente ele movia seu quadril ao encontro da minha boca, isso me surpreendeu, mas eu não o reprovo, ao contrário, isso me motiva a me empenhar ainda mais em sugar com avidez, ainda mais quando posso sentir em minha língua a textura inédita e o sabor que lhe parecia ser divino. Sugava por instinto, por desejo, pelo prazer de ouvir a voz de Asmita em sons tão lúbricos. Queria dar o maior prazer aquele ser sublime, até que a voz de Asmita me ordenar parar.

— Eu o machuquei, meu raio de sol?

— Não, mas se continuar não serei capaz de me conter.

— Conter? E por que haveria de se conter agora?

— Porque quero sentir essa energia que cresce dentro de mim, explodir estando eu unido a ti, em plena comunhão. Meu querido demônio, meu querido amigo, meu Defteros, me faça teu também, me toma para ti.

— Asmita...

Intuitivamente sabia o que precisava fazer e quando Asmita abriu ainda mais as pernas, envolvendo-me, trazendo-me para si, guiando-me com suas próprias mãos para sua entrada então não havia mais dúvidas, ainda assim estanquei ao sentir aquele contato íntimo, e por mais que desejasse, tinha medo de machucar Asmita, por mais que soubesse que estava diante de um dos mais poderosos santos de Atena, ainda assim temia ferir aquele ser de aparência quase angelical.

— Não me ofenda com tolas preocupações, eu sou um cavaleiro de ouro! — ele falou firme talvez percebendo a minha hesitação e depois me incentivou a continuar. — Não pare, eu te desejo mais do tudo que sempre desejei ter.

Sentindo o peito aquecer com a constatação de que eu era de fato querido e desejado por Asmita, investi forçando meu membro contra aquela fenda estreita, mas não estava sendo fácil, por mais entregue que Asmita estivesse. A nossa inexperiência somada à falta de preparação parecia inviabilizar a consumação do ato de amor.

— Eu sinto muito meu anjo, mas eu não posso. — Desisti após algumas tentativas e alguns gemidos que julguei serem de dor. Ainda tinha medo e por isso recuei diante da resistência natural do corpo virgem em seus braços.

— Mas você me quer? — ele perguntou em um último esforço.

— Mais do que tudo.

— Confia em mim Defteros?

— Sempre confiei.

Com uma força surpreendente, ele inverteu as posições, me jogando para baixo de si. Assustado, apenas gemi em surpresa.

— Apenas se entregue sem medo, sem hesitação.

Por um milésimo de segundo me senti intimidado com o que viria acontecer, mas no instante seguinte relaxei confiando plenamente em Asmita. Compartilhava o desejo de me unir a meu anjo o possuindo ou sendo possuído por ele, não faria diferença afinal. Eu o amava e o desejava há muito tempo para desperdiçar aquele momento mágico.

Repetindo o meu gesto, desta vez foi Asmita quem começou a explorar com os lábios e língua o meu corpo me beijando e até mesmo lambendo as cicatrizes em minha pele, Asmita parecia gostar do sabor da minha pele, o jeito como ele me lambia e mordia era como se eu fosse sua comida favorita, era engraçado e prazeroso, tão prazerosos que acabei gemendo de satisfação e excitação ao ver Asmita me domar.

Decidido, ele tomou em sua mão meu falo e o abocanhou retribuindo a graça que eu havia lhe proporcionado. Eu realmente julguei que poderia perder a sanidade tamanho deleite que a boca inocente de Asmita podia me proporcionar, gemia descompensado, desesperado, necessitado de alívio rápido ou por certo enlouqueceria.

Asmita não economizava em derramar saliva sobre meu membro durante a felação e quando eu achei que não poderia ficar melhor ele me “montou” posicionando o meu membro em sua entrada, encaixou bem e se deixou penetrar soltando o seu peso de uma só vez.

— Asmita! Não, por favor! — gritei assustado com aquele rompante dele, pois inconscientemente talvez eu já estivesse me preparando para ser dele em vez de possuí-lo, no entanto não poderia negar que adentrar o mais profundo do meu único amigo me desse esse prazer imensurável. Ri por fim aceitando-o, ele sempre foi assim, no fim só caberia a eu aceitar tudo que ele quiser me oferecer.

***

Para mim, meu gesto imprudente me rendeu uma fina dor e um insólito prazer, sensações que no momento eram indissociáveis, mas sem poder esperar mais iniciei um movimento de sobe e desce cadenciado sobre Defteros, lento a priori, mas que rapidamente se tornou tão intenso quando os sentimentos contidos em meu peito.

Eu podia sentir o peso do olhar maravilhado de Defteros sobre mim, aquilo me motivava a mover meu corpo sobre o seu numa cavalgada que era ritmada, enérgica e suave alternadamente. Apoiei as mãos no peito forte dele para ter estabilidade e maior controle. Confortável, cabia a Defteros apenas mover-se junto a mim, ele logo entendeu elevando o quadril ao encontro das minhas nádegas tornado o bailado dos nossos corpos cada vez mais forte, mais aprazível, quase insuportavelmente bom.

Defteros sabia que estava sendo dominado, de corpo e alma rendido a mim e não se importava. Completo e seguro agora levou as mãos à minha cintura me auxiliando a subir e descer com mais força, com avidez, com precisão cada vez mais rápido, mais fundo, mais próximos de nos tornarmos um.

— Defteros... Meu amado Defteros... Como é bom ser um contigo... — mal conseguia falar. Sentia uma onda de prazer se irradiar pelo corpo e sabia que não poderia mais prolongar aquele contato por mais afável que lhe fosse, e por isso levei sua mão direita à mão esquerda de Defteros entrelaçando os dedos e logo soltei também a outra unindo ambas as mãos às mãos de meu amado.

Seguro nas mãos de Defteros movia-me com presteza sentido em cada fibra de meu corpo o prazer da entrega e quando não podia mais me conter explodi em um grito de puro deleite demandando-me em jorro cálido sobre o abdome do homem que eu amava.

Seguindo meu exemplo, Defteros deu não mais que duas estocadas e também se deixou acolher pelo prazer derramando-se dentro mim, gemendo o seu nome, sem que em nenhum momento houvesse perdido de vista os meus olhos que permaneceram abertos, Defteros não fechou os olhos nem mesmo quando se sentia morrer de tamanho êxtase seu espírito, porém entrou em estado de torpor e paz.

Por um átimo de tempo meus olhos ganharam sim um foco definido e eu pude por fim visualizar a face levemente ruborizada, os lábios carnudos entreabertos e os olhos azuis transbordando de paixão, e depois tudo escureceu fazendo me mergulhar novamente em trevas. Por um breve instante nossos olhos se encontraram verdadeiramente e Defteros se sentiu visto, e isso lhe emocionou de tal modo que se permitiu derramar lágrimas em um misto de gozo e ternura. Não saberia dizer se pela dimensão do sentimento ou pelo desejo de ter nossos olhares conectados naquele momento. Apenas um breve momento, então desabamos, e ele me acolheu em seus braços.

Sentindo-me em paz, rendido ao conforto do abraço de Defteros, saciado, confiante, presente, verdadeiro, resoluto, seguro, absolutamente certo que fez o que deveria fazer para que agora não houvesse mais em minha mente nada que me impedisse de alcançar a iluminação, pois já havia alcançado a divina graça de ser quem realmente era e de estar onde de fato sempre desejei estar: nos braços de meu amado.

Por longos minutos ficamos em silêncio desfrutando daquela comunhão até que a voz rouca e poderosa soou no interior da caverna

— Asmita, está acordado? — perguntou afagando meu cabelo que insistia em aderir à pele suada.

— Sim meu amor.

— Meu amor?

— Sim! Meu amor. Eu o amei desde o dia em que meus pés tocaram esse solo sagrado. Eu te amei sem me importar com sua aparência, com sua fama, com seu passado... Eu sabia que tudo que eu precisava ter era a luz do seu amor na minha vida. E agora eu a tenho.

— Sim tu tens! Eu também o amo, sempre amei, só demorei em perceber isso...

— O pior cego é aquele que não quer ver — falei com tom de pilhéria.

— Asmita! — gargalhou com a piada — tem razão, eu estava tão conformado em viver em trevas que ignorei a luz, mesmo ela estando tão perto de mim. Ainda bem que você é como um raio de sol que timidamente me invadiu e dissipou a escuridão em mim. Obrigado.

— Não agradeça, apenas prometa que jamais se afastará de mim novamente.

— Eu te dou a minha palavra que estarei contigo enquanto eu viver, e mesmo depois desta vida eu continuarei amando-te.

— Eu vou cobrar...

— Eu sei...

Ríamos, apertamos o abraço, nos beijamos e nos amamos mais uma vez.

Lá fora certamente o sol brilhava em sua força plena, assim como brilhava nosso amor.

“Apenas um raio de sol teimando em dissipar a escuridão”

Notas finais
Final açucarado e Clichê? Sim! Mais não é essa uma das mais apaixonantes facetas do amor? Eu só tenho a agradecer o carinho e atenção de você que chegou até aqui. Obrigada.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!