Meu Querido Professor
1 Encontro
Notas iniciais
Meu nome é Noah, e
Eu sei que é errado.
Ir mal em uma prova propositalmente para ter aulas extras com seu professor, e ainda somos dois homens...
Mas… Eu amo meu professor… Vou me afundar nas provas dele para ter aula extra, assim vou poder o ver nas férias.
Isso é tão errado. Mas eu já estou aqui, com a prova na minha cara. Sei todas as respostas, mas tenho que marcar as erradas… Sei que existem provas de amor muito mais convincentes do que apenas se ferrar em uma prova, porém sempre fui dedicado e errar propositalmente é realmente errado. Pensando bem, um homem gostar de outro homem também é errado mas… Não posso conter.
Por fim, acabei mesmo fazendo isso..
— AAAH! EU SOU UM SER HUMANO HORRÍVEL! — Acabei gritando enquanto estava na porta da escola, após a prova.
Alguns alunos voltaram seus olhares para mim.
— Hehehe… — Eu soltei um pequeno riso nervoso, colocando a mão na nuca, tirando as atenções de mim.
Eu nunca fui o centro das atenções dos outros, sou uma pessoa humildemente simples, de cabelos pretos, pele clara e de olhos cor-de-rosa, não tem nada para ser olhado em mim.
Mas eu gosto mais de falar do meu professor… Meu professor de Inglês, ele se chama André Costas, e tem o apelido de Andy. Ele tem 32 anos. Sim eu sei, ele é um pouco mais velho do que eu que tenho 16. Talvez muito, mas como dizem o amor não tem idade.. Certo?
Por que logo ele?! Um homem ainda por cima?!
Isso me cansa, odeio ficar pensando muito sobre um assunto, mas eu penso sobre isso desde o começo do ano… Faz seis meses.
Bom, agora é só esperar, tenho duas aulas por semana, e hoje é sexta. Nessa quarta eu vou saber o resultado, assim vou fingir não entender para ter o máximo de atenção dele! Estou decidido.
Eu deveria ir pra casa agora, mas prefiro ir para a biblioteca. Lá é onde eu fico todos os dias, por bastante tempo.
— Grhlww — Ah, meu estômago…
Tá, antes passar em alguma lanchonete.
— McDonald, me aguarde. — Sim, eu falo comigo mesmo. Bem, eu agora estou indo para lá, enquanto meu estômago grita ferozmente por qualquer migalha.
~X~
Acho que.. Comi muito…
— Aaah minha barriga vai estourar.. — Sussurrei pra mim, quando um sujeito estranho entrou lá.
Era bem mais alto que eu, mas não parecia tão velho quanto o Andy. Tinha os cabelos castanhos de comprimento médio, usava roupas sem cores, simples e sem-graça.
Ele andou pelo corredor, parando ao lado da minha mesa para conversar com uma garçonete.
— Desculpe Senhor, mas está lotado, não temos nenhum lugar disponível. — Tá.. Eu sei que é errado escutar a conversa dos outros, mas eles estavam na minha frente, era inevitável.
— Tudo bem, eu vou sentar aqui com meu amigo. — Ele se sentou ao meu lado.. O que?
— Ah tudo bem então, oque vai querer? — …?
— Quero o especial do dia, e suco de laranja. — O que? Ele está pedindo?
— Tudo bem, daqui meia hora está pronto, até lá senhor. — ...
— Mas o que? — Eu falei olhando confuso pro homem.
— Eu to com fome, e você está ocupando um lugar pra dois. — Mas que homem abusado!
— Eu já estava de saída. — Respondi virando o rosto. Quem ele pensa que é? Vir sentando assim de repente.
— Então o que você ta fazendo sentado aqui? — ARGH! ABUSADO?! ELE É MAIS QUE ISSO, É UM ATREVIDO.
— Eu já vou indo, e você deveria me agradecer por eu não ter falado que não o conhecia, se não teriam te tirado daqui a força. — Que cara irritante, eu irei perder a paciência muito fácil assim.
— Ah… Tem razão… — Ele deu um sorriso muito estranho. — Então me fale seu nome para eu te agradecer. — Talvez ele não seja tão atrevido nem inconveniente
— Eu me chamo.. — Devo falar? Ele é um estranho.. — Noah Rodrigues. — Acabei falando...
Ele pegou de sua bolsa uma pasta de documentos, ele abriu e tinha uma foto da minha escola.. Será algum novo professor?
— Vê? Conhece essa escola? — Ele levantou a pasta e a inclinou na frente do meu rosto.
— Sim é a escola que e—-— Vi o rosto dele se aproximar do meu, uma de suas mãos surgiu e segurou meu queixo, me puxando para ele, fazendo seus lábios.. Encostarem nos meus...
O que?...
Durante isso ele não fechou os olhos… Tive que ficar encarando seus olhos de cor cinza-sem-vida durante todo o ato, sem conseguir me movimentar… O que.. Eu estou fazendo..?
Ele abaixou a pasta, meu rosto estava quente.. Estava fervendo.. Eu não conseguia me mover, meu lábio estava quente com o toque dele.. Meu corpo se arrepiou.. O que…
— Obrigado, Noah. — Ele disse sorrindo, olhando para mim.
O que… O que? AAAH! ATREVIDO, PERVERTIDO, INTROMETIDO, ABUSADO, QUEM ELE PENSA QUE É? O QUE? O QUE É ISSO?
Me levantei de rosto abaixado, saindo rapidamente da mesa. Empurrei a porta e sai em disparada, trombando nos outros e outras vezes nos meus próprios pés.
Por que… Meu coração bate tão rápido..?
Acabei parando em um parque infantil, estava sem fôlego de tanto correr… Sentei em um dos balanços.. São Sete e Meia, ninguém vem muito aqui a noite…
O que aconteceu lá..?
Mas não importa! Pode ter sido meu primeiro beijo, mas é só fingir que nunca o conheci, é provável que eu nunca encontre ele novamente!
Mas e se...
Ele for um professor?! Mas.. Ah… — Suspirei aliviado, balançando os pés — Nenhum professor avisou que estava saindo ou iria ser substituído, então se ele for professor, não vai ser na minha classe. Isso é.. Ótimo! Se ele for um professor que só vou encontrar pelos corredores, é só ignorar, além disso vão ter muitas pessoas em minha volta, e ele não vai me notar! Também é proibido um professor manter qualquer tipo de relação amorosa ou mais do que educador e aprendiz com um aluno, principalmente na escola!
Isso é ótimo! Nunca mais terei que falar com ele!
— Hey, Noah. —Uma figura alta apareceu em minha frente.. — Você não tá muito velho pra ficar em um parquinho de crianças?
— WHOA?! — Eu acabei caindo do balanço.. Deus isso é constrangedor… — O que você está fazendo aqui?!
— Se acalme minha casa é logo por ali, passar aqui não é escolha minha, e eu te vi sozinho, é meio perigoso, tem muitos maníacos pervertidos caçando um menino bonitinho de olhos rosas como você. — Esse cara me irrita…
— Maníacos Pervertidos como você! — Eu rapidamente me levantei, passando a mão na minha camisa, limpando pequenas folhas que estavam se agarrando em mim.
— Eeh? Eu só estava de agradecendo, sua criança tola. — Ele riu.. QUEM ELE PENSA QUE É?
— Existem muitas outras formas de agradecimento! Tipo um presente, ou talvez uma lembrança! Ou também…-— Ele começou a se aproximar de mim. — Também tem… — Minha voz começou a se enfraquecer… Por que? Cada vez ele estava mais próximo.. — T-Tem… — Ele colocou as mãos em volta da minha cintura, aproximando seu rosto da minha orelha.. Isso é mau… Não… Não me toque assim…
— E tem o beijo. — Ele levemente beijou minha orelha, me fazendo morder o lábio. — E você gostou.. — Ele sussurrava como se soubesse a verdade.. Mas…
— N-Não… — Sinto que vou explodir, será por causa que foi com ele que tive meu primeiro beijo? Isso vai mal, muito mal.
— Se não gostasse, teria me empurrado e não estaria assim, tão vermelho. — Ele me soltou… Esse cara…
— S-Seu pervertido! Fique longe de mim! Idiota! — DEFINITIVAMENTE…
— Eeh? Seus xingamentos são como o de uma criança. — EU…
— Me deixe em paz! Você é Inconveniente! — O…
— Criança tolaa! — ODEIO!.. — Você esqueceu sua mochila na mesa.
— Ah… Eu realmente sou esquecido.. Obrigado. — Peguei. — Adeus, que nunca mais eu te reencontre. — Cuspi as palavras, virei e comecei a andar.
Após uma quadra percebi que ele me seguia… Irritante…
— Não me siga! — Eu acelerei o passo olhando para o chão, mas ele acabou acompanhando o ritmo…
Andei mais um quarteirão e sentia que ele me olhava a todo momento… Vou ligar para a polícia, sério.
— Eu já mandei você me deixar em paz, não me siga, seu maníaco pervertido! — Droga, esse cara ta me irritando, irritando muito!
— Mas eu não estou te seguindo, estou indo na minha casa. — Ele respondeu. Tá, até parece que-— Olha, aquela casa de muro marrom com uma faixa branca. É a minha casa, me mudei ontem.
— O QUE?! — Gritei olhando assustado a ele.. Não.. Não pode ser, de jeito nenhum…
— O que houve? — Ele me olhou com desentendimento.
— DE JEITO NENHUM VOCÊ É O MEU VIZINHO! — Não pode ser.. É uma piada! Com certeza!!
— Ah, isso é tão legal, vou poder te ver todos os dias. — Ele só pode estar de brincadeira. — Hm.. Noah… Quando se trocar, é melhor ver se não tem ninguém te olhando, existem muitos maníacos pervertidos por aqui, lembra? — Aquele sorriso estranho de novo… Ele está se divertindo comigo!
— EU VOU TE DENUNCIAR! — Mas pelo lado bom… — Vou ter que ir no reforço! Durante as férias de verão todas, e eu não vou ver você em nenhum dia!
— Sua escola já anunciou o resultado dos testes? — Ele me perguntou surpreso. Vai ser bom falar para ele que não me procure lá também.
— Não, mas eu sei porque fui mal de propósito, para ter aulas extras com meu professor. — Chegamos na entrada da minha casa
— Não me diga que é o professor André? — Hã?
— Como você… — Olhei para ele como um gato olha para a água.
— É que ele é meu amigo de infância, ele que me convidou para poder dar aula na sua escola. — Eh?.. — Além disso, nas férias, o mês de Julho ele vai viajar para a lua de mel, junto da esposa dele.
— Esposa…? — O que…?
— Sim, não sabia? Namoravam a quase cinco anos, e ele pediu a mão dela em casamento no mês de Março, e se casaram no primeiro dia desse mês.
Eu não sabia disso.
— Ele tem… Esposa… — Droga.. Não quero chorar na frente dele.. É vergonhoso… Mas eu não vou conseguir… Segurar por muito tempo… — E-Eu tenho que ir, boa n-noite. — Droga.. eu já comecei a soluçar.. Isso vai mal… Me virei para minha porta, quando senti as mãos dele me puxando de novo. Logo quando vi, ele estava me abraçando.
— O-O que está fazendo..? I-idiota… — Eu não sei porque, mas… Minhas mãos pousaram nas costas do homem que eu mal sabia o nome, me agarrando fracamente a ele…
— Tudo bem. Quer outro beijo? Talvez melhore. — Ele levou uma das mãos em minha cabeça, me acariciando.
— Seu maníaco p-pervertido. Apenas faça... — O que? O QUE EU DISSE? — N-Não!
— Como quiser. — Tarde de mais.. Eu estou muito fraco para gritar… Mas… Eu quero gritar?
Pela segunda vez… Mas eu fechei os olhos dessa vez. — Vou te fazer esquecer ele, e querer algo melhor.
— A-Algo melhor? — Olhei para ele. Sinto meu rosto pegando fogo novamente.
— Sim, eu. — Ele sorriu passando a mão no meu rosto… Eu.. Quero… Gritar.. PERVERTIDO, NARCISISTA, DE JEITO NENHUM EU VOU GOSTAR DE UM MANÍACO PERVERTIDO ASSIM!
Bati fortemente o pé no chão e franzi o cenho, o empurrei e fui direto até a minha casa, sem olhar para trás.
Eu não sei o nome completo dele; Ele me beija; Eu gostei de certa forma… NÃO! Eu mal conheço esse cara! ele só me confortou, e mais nada. Esse dia passou rápido de mais, foi muito agitado e confuso — ARGH! É muita coisa pra processar! — Esses pensamentos me confrontavam enquanto eu me direcionava até o quarto do meu avô.
Abri a porta com a esperança de ele estar dormindo.. Mas como sempre…
— Vô.. O que você ta fazendo..? — Ele estava sentado em uma cadeira.
— Noah… Está acontecendo.. Venha ver, e ai não vai me achar mais louco.. — Ele sussurrava com olhos brilhantes. Lá vamos nós..
Eu fui andando pesadamente até o lado daquele velho, parei em seu lado e segui com meus olhos para onde ele olhava fixamente.
— Oque exatamente tá acontecendo? — Perguntei, ele logo me olhou como se estivesse me fuzilando.
— Sussurre moleque tolo, se não eles não sairão. — Ele logo voltou a olhar fixamente para aquilo...
Olhei e fiquei quieto por algum tempo… Nada…
— O que vai acontecer..? — Tomei providências de sussurrar dessa vez.
— A Terceira Guerra Mundial… — Eu o olhei e ele me olhou…
Eu suspirei fundo antes de falar qualquer coisa, abaixei o olhar e vi algumas garrafas e latas vazia de cerveja caídas no chão. Bêbado, como sempre.
— Na sua gaveta... De cuecas...? — Debochei colocando a mão no rosto.
— Mas claro! Onde aconteceria? — Ele saltou da cadeira e pegou mais uma das garrafas de cerveja.
— Vô, vai dormir, favor. — Eu fui saindo do quarto. — Toma o remédio e não esquece de tirar o aparelho auditivo. — Ele resmungava enquanto eu saia.
Francamente, aguentar isso todos os dias que eu chego em casa….
Fui até meu quarto e deitei na cama, os mesmos pensamentos continuavam a me infligir.. Não sei nem em que pensar direito. Mas talvez...
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