Meu Querido Padrasto
3 Matt

— Tire ela daí agora mesmo? Sério? Quantos anos acha que eu tenho. — Digo debochada me aproximando de Chris enquanto ele mexe em uma moto.
— Lauren, entenda. Eu fiquei com medo de se machucar, eu não sei o que eu faria se…
— É sua? — Corto-o nervosa. Eu não quero que ele termine a frase e me deixe sem palavras.
— Sim. — Diz ligando a moto. Só então percebo que ele tá apenas com uma camiseta branca bem apertada em seu corpo e uma calça jeans. Ele é realmente forte! — Não ando nela faz muito tempo.
— Porque?
— Luke morreu em um acidente de moto, desde já não montei mais em uma. — Responde.
— Lamento. — Sorrio para ele. — Mas ela é muito linda. — Digo me aproximando do veículo.
— Gosta de moto? — Assinto. — Quer dar uma volta?
Nego com a cabeça. — Você não disse que não anda mais? — Resmungo e ele sorri assentindo.
— Posso abrir uma exceção para você! — Pisca pegando um capacete encima de uma mesa e jogando para mim. Num ato rápido pego o mesmo e sorrio. — Vamos lá! — Diz colocando outro capacete na cabeça e montando na moto.
Subo na sua garupa e vagarosamente abraço sua cintura. Deus, ele é forte. Ouço sorrir e então dá partida na moto. Ele segue por uma estrada de terra deserta. Sinto o vento frio bater em meus cabelos e fecho os olhos sentindo uma sensação de liberdade.
— Abre os braços!
Abro os olhos e encaro pelas costas. — O que?
— Confie em mim. Abra os braços! — Repete. Mesmo com medo, sem pensar duas vezes, eu o obedeço. Ele acelera e com os braços abertos sinto-me como se estivesse voando. Gargalho com a sensação boa e fecho os olhos.
***
— Até que foi legal andar de moto com você. — Digo lhe entregando o capacete. Ele sorri e se aproxima de mim com a mão erguida.
Ele passa a mão em meus cabelos. — Até que você sabe como se divertir! — Devolve sorrindo abertamente. Ele está muito próximo. Sinto nossas respirações se misturarem. Droga, Lauren! Não deixe isso acontecer.
— Eu...
— Ah, vocês estão ai! — A voz de minha mãe nos assusta e ele se afasta rapidamente. Engulo em seco e abaixo a cabeça na tentativa de controlar o nervoso. — Amor, eu estava te procurando. Não ficamos nem um pouco juntos, achei que podíamos caminhar um pouco. — Ela diz sem perceber nada.
— Claro. — Chris responde e me olha. — Quer vim conosco? — Pergunta-me. Olho para minha mãe e ela devolve o olhar de um jeito que eu entendo tudo rapidamente.
— Não, obrigada! — Sorrio fraco. — Preciso arrumar minha mala para voltarmos amanhã. — Sem esperar por mais palavras, eu me afasto dele e caminho para dentro da casa.
***
Ergo o celular para o céu e caminho na frente da casa. Droga! Faz um dia e meio que estou sem contato algum com meus amigos. Caminho dando voltas e direcionando o celular mais alto que consigo.
— Não irá adiantar. — Uma voz chama minha atenção. Olho para a varanda da casa e vejo Dominic encostado á pilastra madeira, com as mãos nos bolsos me encarando com um sorriso torto. — Aqui não pega celular.
Bufo. — Merda! — Ele sorri. — Como consegue ficar tão tranquilo? — Ele dá de ombros.
— Já me acostumei.
— Já que não pega celular, o que tem pra fazer aqui? — Pergunto me aproximando e me sentando nos degraus.
— Tem animais. — Ele senta do meu lado. — Sabe andar a cavalo?
— Nunca andei, mas posso aprender. — Respondo animada e ele molha os lábios, negando com a cabeça.
— Melhor não.
— Ah qual é? Com medo do seu irmão de novo?
Ele suspira. — Não é medo, é respeito. Ele só quer seu bem, Lauren! — Me olha meigo. — E eu também.
— Então o que... — Paro de falar quando sinto uma mão gelada e pequena pousar em meu ombro. Olho para trás e vejo Tristan. — Oi pequeno! — Digo levando as mãos até seu corpo, pegando-o e colocando em meu colo.
— Bixu... — Diz baixinho apontando com o dedinho pequeno para frente. Olho na direção e vejo um pônei.
— Quer ir lá ver? — Dominic pergunta e o pequeno assente com a cabeça. — Vamos. — O loiro se levanta. Eu sorrio e me levanto colocando o garoto no chão e segurando sua mãozinha. Dominic segura do outro lado e juntos nos aproximamos do pônei.
— Quer subir? — Pergunto, o pequeno assente. Pego o no colo e coloco-o montado no pônei. Ele gargalha.
— Tenho que te agradecer. — Dominic fala e eu o olho, confusa. — De alguma forma você me aproximou da minha família, principalmente do Tristan.
— Não era próximo dele?
— Não. Só o Chris. — Ele responde. — Tristan é como o pai. Meigo, sereno e observador. Não confia muito nas pessoas.
— Por nada! — Brinco e ele sorri levando as mãos até meus cabelos e bagunçando-os. Gargalho alto.
— O que estão fazendo com Tristan? — A voz de Chris surge atrás de nós. Olho-o e reviro os olhos. — Não é hora dele está no sereno. — Finaliza se aproximando e tentando pegar o Tristan. Dominic o impede.
— Chris, ele queria ver o pônei. — Dominic diz segurando o garoto.
— Mas já está tarde!
— Amor, deixe-os um pouco. — Minha mãe diz.
— Concordo! — Digo irritada. Estou cheia de seu jeito mandão. O loiro me olha surpreso. Me aproximo de Dominic e pego o garoto nos braços. — Eu o entregarei a mãe dele. — Resmungo. — Vem comigo Nic? — Completo chamando Dominic pelo apelido. O que faz Chris arregalar os olhos.
***
Abro os olhos, assustada com o som estridente do despertador. Levo a mão até a cômoda e desligo o mesmo. Fixo meus olhos no teto e respiro fundo. Finalmente em casa, finalmente civilização. Levanto-me vagarosamente e sinto meu corpo estremecer quando meus pés quentes entram em contato com o piso gelado. Saio do meu quarto e vejo a sala vazia. Caminho até o banheiro, fecho a porta, retiro minha roupa e ligo o chuveiro.
Depois de um banho quente, me enrolo na toalha e volto para meu quarto. Abro meu armário e observo minhas roupas. Opto por uma blusa preta e um short jeans rasgado. Arrumo os cabelos deixando-os soltos. Passo perfume, calço um par de sapatos marrons, pego uma bolsa, coloco o celular dentro e pego um óculos escuro.
— Bom dia! — Resmungo jogando minha bolsa na cadeira e indo até a geladeira. Abro a mesma e me sirvo de um copo de suco de laranja.
— Bom dia! — Ouço Chris e minha mãe responderem desanimados.
Franzo o cenho. — Mãe, pode me levar hoje? — Pergunto olhando-a enquanto beberico um gole do suco. Ela parece não me ouvir.
— Eu te deixo lá. — O loiro diz. Dou de ombros.
***
Chris para o seu carro em frente aos portões da faculdade e ouço-o respirar fundo. Olho-o interrogativa e ela devolve o olhar de forma confusa. Desvio o olhar.
— Está entregue! — Resmunga.
— Obrigada!
— Lauren, precisamos conversar.
— Preciso ir para au...
Ele agarra meu braço. — Não, chega de fugir! — Nossos olhos se encontram. Engulo em seco. — Sabe que temos que conversar sobre o que rolou entre nós naquela boate.
— Eu cancelei aquilo da minha lista. — Puxo meu braço.
— Não é fácil assim, você sabe. — Passa as mãos pelos cabelos. — Você também sentiu aquilo, nós sentimos.
— Não senti nada. — Nego. — Estávamos sobre efeito de bebidas e também isso foi antes de eu descobrir que você era o novinho baba coroa que ia casar com minha mãe.
Ele sorri balançando a cabeça. — O que te incomoda, hein? — Faço de desentendida. — Eu ser 20 anos mais novo que sua mãe ou o fato de eu não está contigo ao invés dela? — Abro a boca, furiosa.
Bufo e gargalho debochadamente. Avisto Matthew chegando e sem dizer mais nada, desço do carro e corro para perto do mesmo.
— Matt, que saudade! — Grito me jogando sobre seu corpo e abraçando-o. Ele devolve carinhosamente e sorri abertamente para mim.
***
Chris Evans
Eu juro que pisei no acelerador para não dar naquele garoto! Estaciono o carro na primeira vaga que acho do estacionamento da empresa, desço do veículo e caminho em direção ao elevador. Lauren, você me paga! Aperto o botão do último andar e as portas se fecham.
Sozinho no mínimo espaço fechado de alumínio, meus pensamentos voam para aquele dia. Quando a vi sentada sozinha no bar da boate, eu juro que pensei que jamais havia visto nada mais bonito. E quando ela sorriu para mim, cara eu havia ganhado o meu dia. Tê-la em meus braços foi a melhor sensação do mundo. Droga! O que está acontecendo comigo?
— Sr. Evans, bom dia! — Um dos funcionários diz me despertando e só assim percebo que o elevador chegou ao meu destino, saio do mesmo e passo pelo funcionário, acenando com a cabeça.
— Scarlett — Digo olhando para ruiva. — Cancele todos meus compromissos para hoje, principalmente reuniões. — Ela assente e eu sigo para minha sala.
***
Alguém bate na porta. — Entre. — Digo enquanto coloco a mão no queixo, o cotovelo na mesa e continuo a pensar em tudo que está acontecendo.
— Por que cancelou suas reuniões? — Dominic surge em minha sala. Meu querido irmão, costumávamos ser tão unidos, mas agora parece que somos dois estranhos.
— Não estou com cabeça para negociações hoje! — Resmungo.
— Bom... Então irei aproveitar para conversar com você. — Suspira colocando as mãos nos bolsos. — Procurei a melhor maneira para te dizer isso, mas não encontrei. — Olho-o já imaginando o que seja. — Estou apaixonado pela Lauren! — Literalmente, meu mundo desaba em minha cabeça. O que eu mais temia aconteceu.
— E por que... — Limpo a garganta. — Porque está me dizendo isso?
— Por que eu estava lá, Chris! — Responde. — Eu estava na boate e vi o que rolou entre vocês dois. E por te respeitar sempre, eu decidi te contar.
— O que quer que eu diga? — Eu vou te matar!
— Nada. — Responde. — Estou disposto a lutar por ela. — Avisa me olhando fixamente. Me levanto e me aproximo dele.
— Cuidado! Não quero que se machuque. — Resmungo colocando minhas mãos em seus ombros. — Sei o quanto você é insistente quando quer uma coisa.
— Também não quero que se machuque! — Devolve retirando minhas mãos de seus ombros. — Bom... Já disse o que eu queria, agora tenho que trabalhar. — Me dá as costas, saindo da minha sala. Logo meu irmão, Lauren?
***
Lauren Foster
— Lauren! — Ouço Matt me gritar enquanto caminho em direção ao refeitório. — Será que podemos conversar?
— Claro. — Sorrio.
— Vamos ao ginásio. Está vazio. — Pega minha mão e me puxa em direção ao mesmo. Olho-o confusa e em poucos minutos chegamos ao ginásio. — Pronto. Aqui podemos ficar tranquilos.
— O que está...
Ele não me deixa terminar a frase. Puxa-me pela mão, grudando nossos corpos e nossos lábios em um selinho brusco. Sua língua pede passagem e eu cedo. Sinto suas mãos me apertarem um pouco e logo em seguida meu corpo ser afastado e nossas bocas também.
— Eu não consigo. — Resmunga.
Pisco confusa. — Pode, por favor me explicar o que está acontecendo?
— Sim. — Suspira se sentando na arquibancada. Me aproximo e me sento ao seu lado. — Eu achei que gostasse de você, que estivesse apaixonado.
— E não está?
— Não. — Responde. — Amo você, mas não do jeito que pensava. — Passa as mãos pelos cabelos. — Acho que gosto de outra pessoa.
— Matt, qual o problema nisso? — Pego suas mãos. — Nossa amizade não irá mudar por conta disso, baby!
— Você não está entendendo! — Bufa. — Você é linda, bem-humorada, honesta, tudo que um cara sempre quis. Eu até implicava com aquele loiro por sua causa, achava que era ciúmes, mas descobri que é apenas sentimento de irmão mais velho.
— Continuo não vendo problema nisso.
— Lauren, eu não gosto de você e nem de nenhuma menina! — Grita e eu arregalo os olhos. — Conheci um cara esses meses e descobri que sou... — Ele não consegue terminar a frase e abaixa a cabeça.
— Gay? — Resmungo e ele assente de cabeça baixa. — Matt, não precisa ter vergonha disso. — Digo puxando-o pelo queixo. — Você continua sendo meu melhor amigo e eu continuo te amando.
Ele sorri. — Eu sabia que podia contar com você. — Me abraça. — Estou com tanto medo do que os outros vão pensar.
— Esqueça os outros, o importante é sua felicidade. — Aperto-o. — E outra, se eles gostam realmente de você, vão te aceitar do jeito que você é. — Ele assente repousando sua cabeça em meu ombro.
— Pode, por favor, guardar segredo sobre isso, só por enquanto? — Pede com a voz chorosa. Como dizer não?
— Sim. Mas não pode se esconder para sempre.
— Eu sei. Só não estou pronto... Ainda!
***
Matt me abraça enquanto caminhamos juntamente com Charlie e Samanta para o carro. Ouço o som de uma buzina em frente aos portões e olho na direção. Sorrio ao ver Dominic em pé ao lado de seu carro. Ele acena.
— Esse é o gato daquele dia? — Samanta resmunga. Assinto. — Vai lá, ele está te esperando! — Olho para Matt que pisca sorrindo, beijo sua bochecha, me despeço de Charlie e caminho em direção ao loiro.
— A que devo a honra? — Brinco.
— Está a fim de almoçar comigo?
— Vai me deixar escolher o lugar? — Ele revira os olhos e sorri assentindo. Sorrio de volta e corro para dentro de seu carro.
***
— Fast Food? — Dominic diz gargalhando. — Achei que fosse escolher o lugar com a comida mais cara da cidade. — Brinca enquanto segura seu hambúrguer nas mãos.
— Não, escolhi o lugar da melhor comida do mundo. — Digo mordendo meu hambúrguer e me sujando toda.
— E do melhor molho, não é? — Diz gargalhando enquanto pega um guardanapo e o aproxima de minha boca. Ele limpa carinhosamente o molho de meus lábios e por um instante nossos olhos se encontram.
— Obrigado! — Resmungo.
— Você é muito linda, Lauren Foster! — Ele diz me pegando de surpresa. Ele continua me encarando e eu abaixo a cabeça me sentindo envergonhada.
O resto do dia foi totalmente animado. Passeamos por toda Nova York. Ele havia comprado uma câmera e eu havia tirado várias fotos nossas. Eu me sentia bem em está com ele.
***
— O dia passou voando! — Dominic diz deitado no capô do seu carro enquanto observando as estrelas. Olho-o e assinto. — Cansada? — Pergunta e eu assinto com meus olhos praticamente fechados.
— Mas foi divertido. — Digo baixinho e escuto-o rir.
— Lauren?
— Hum?
— Vai me bater se eu fizer o que estou pensando? — Pergunta e sem pensar muito e cansada eu nego com a cabeça. Sinto um movimento ao meu lado e logo em seguida seu corpo se aproxima do meu. Abro os olhos e encontro seus olhos azuis. Nossas respirações se misturam e sinto seu hálito invadir minhas narinas. Sua mão agarra carinhosamente minha nuca, seu rosto se aproxima do meu e então meu celular toca.
— Droga! — Resmungo e Dominic se afasta, bufando irritado. — É minha mãe, tenho que ir para casa.
Ele assente. — Vamos!
***
1 Mês Depois
Fazia um mês que muita coisa tinha acontecido. Depois daquele dia a única vez que vi Dominic foi quando houve um almoço na casa da família Evans e todos nós fomos. Por incrível que pareça eu sinto falta dele! E para piorar minha situação, minha mãe havia viajado á negócios e eu estava sozinha em casa em pleno final de semana com meu querido e idiota padrasto.
— O que acha de fazermos algo? — O loiro resmunga se sentando ao meu lado no sofá. Nego com a cabeça.
— Estou ocupada. — Digo mudando os canais da televisão.
— Ok. Só acho que poderíamos dar uma volta de moto, sei lá. — Olho-o animada e ele sorri irônico.
— A moto está aqui?
— Pedi para trazerem hoje pela manhã. — Responde.
— Para onde vamos? — Me levanto.
— Você não estava ocupada?
— Vamos logo, antes que eu desista. — Ele ergue os braços e sorri se levantando.
Eu realmente amo moto. Quando chegamos a garagem, ele me entrega um capacete e coloca outro. Sobe na moto e liga a mesma. Aproximo-me e subo no veículo, segurando sua cintura e deixando-o com que me leve para longe.
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