Muitas vezes eu cheguei a pensar, o que seria de mim sem meus pais. A ideia de não os ter mais perto de mim era medonha e com certeza uma das piores sensações. E em um dia qualquer, eu perdi meu pai. O meu melhor amigo. E eu lembro que cheguei a pensar, o que eu fiz para merecer essa dor?! E agora, novamente.

— Vai ficar tudo bem com ela! — Chris diz atraindo meu olhar. — Eu te prometo. — Completa e eu suspiro cansada.

— O que aconteceu lá? — Pergunto.

— Fui conversar. — Responde desviando o olhar. — Fui entregar o papel do divórcio pessoalmente e tentar resolver as coisas na calma. Ela começou chorar e desmaiou.

— Não percebe? — Resmungo e ele me olha novamente. — Não deveríamos ter feito isso. Isso é culpa nossa. Você não deveria ter ido lá. Nós...

— Vocês são parentes de Jennifer Evans? — Um homem vestido de branco me interrompe. Eu o olho, abismada pelo medo de uma notícia ruim.

— Sim. Eu sou filha.

— E eu sou...

Corto Chris. — Meu padrasto e esposo da minha mãe. — Ele me olha como se estivesse ofendido e irritado. Engulo em seco, desviando o olhar.

— Bom... — O médico continua. — Não sei se moram juntos, mas não perceberam que ela não estava se alimentando e muito menos se hidratando? — Arregalo os olhos.

— Eu estava em uma viagem de negócios. — Chris mente e o médico assente. — Ela estava numa viagem da faculdade. — Responde por mim.

— Entendo. — O médico diz. — Porém, agora ela precisará de toda atenção do mundo. Por conta desses dias sem se alimentar e hidratar, ela desenvolveu um quadro de anemia que por sorte não chega a ser grave... -Suspiro aliviada. — Se não começarmos a cuidar de agora! — O alivio vai embora.

— O que precisamos fazer?

— Analisamos o exame dela e ela está com deficiência de diversas plaquetas e vitaminas necessárias no corpo. Entraremos com vitaminas e remédios por um tempo e depois voltaremos analisar. — Explica. — Ela vai precisar de bastante acompanhamento, hidratação e alimentação saudável.

— Certo.

— Por hoje, ela ficará sobre observação e tomando algumas proteínas. — Informa. — Dependendo de como ela acordar amanhã, receberá alta. — Assinto aliviada. — Aconselho voltarem para casa e descansarem para amanhã.

— Obrigado Doutor. — Chris estende a mão para o mesmo que a aperta generosamente.

— Obrigada.

— Um minuto, eu trarei a receita. — Diz e assentimos.

— Viu? Ela vai ficar bem. — Chris diz sorrindo e se aproximando. Eu coloco a mão, afastando-o. — Não vamos começar com isso de novo, vamos?

— O que?

— Voltar a nos afastar por conta dos outros. — Responde ríspido. — De novo, não. — Bufa passando as mãos pelos cabelos.

— Estamos fazendo mal a minha mãe, Chris.

— E acha que nos afastarmos vai fazer bem a ela? — Pergunta e eu abaixo a cabeça. — Não adianta, Lauren. Porque mesmo que terminemos, eu não vou voltar para ela. — Olho-o. — Vocês duas precisam entender que ninguém merece e se sentirá bem em estar com alguém que não lhe ama.

— Olha, eu não sei o que fazer e pensar agora.

— Mas, eu sei. — Diz rudemente. — Eu vou passar na farmácia, comprar os remédios dela e depois ir para casa descansar. — Continua e eu o olho, assustada.

— Aqui. — O doutor volta entregando um papel nas mãos de Chris. — Assim que ela voltar para casa, vocês podem começar o tratamento.

— Boa noite, Doutor. — Chris diz e o homem assente apertando sua mão mais uma vez. O loiro se afasta e eu aceno para o homem, me despedindo.

— Pode me deixar na casa da Samanta depois que saímos da farmácia? — Pergunto para o loiro enquanto ele adentra seu carro. — Acho melhor eu dormir por lá hoje.

— Claro.

Ele soa tão grosso que eu não consigo evitar de olhá-lo, assustada. Adentro o carro e ele dá partida em direção a primeira farmácia por perto. Não ouso descer do carro, ele desce sozinho e demora apenas uns minutos, voltando com uma sacola cheia de caixas.

— Aqui. — Me entrega assim que entra no carro. O silêncio paira por um longo tempo, até que finalmente chegamos em frente à casa da Samanta. — Pronto.

Ele está tão frio que chega a me dá arrepios. — Chris, eu...

— Amanhã, Lauren. — Corta-me. — Está tarde, estamos todos cansados. Ficarei aqui até você entrar. — Eu arregalo os olhos, impressionada. — Boa noite! — Assinto me sentindo derrotada.

— Boa noite!

Respiro fundo e me aproximo dele, depositando um beijo rápido em sua bochecha. Ele não reage, retiro o cinto e desço do carro. Samanta, esteja em casa, pelo amor de Deus! Caminho até a porta da casa e olho para trás. Lá está ele, dentro do carro me observando, como prometeu. Suspiro e toco a campainha. Em alguns minutos a porta se abre, revelando-a.

— Ei. — Sam diz feliz.

— Ei...

Minha voz é cortada pelo som do motor do carro. Olho para trás e vejo o loiro sumir com seu carro, sem ao menos me olhar uma última vez.

— O que houve? — Sam pergunta me atraindo.

— Posso entrar? — Suspiro e ela assente me dando passagem. — Posso dormir aqui hoje? — Ela assente fechando a porta. — Minha mãe está no hospital. — Resmungo e ela imediatamente se aproxima, me envolvendo em um abraço.

***

— Ele está certo! — Sam diz enquanto conto tudo que aconteceu para ela. Eu a olho, enfurecida. — O que? É verdade, Lauren. Mesmo que separados, ele não vai voltar para sua mãe e ela terá que se conformar com isso.

— Eu sei, mas...

— Você quer que eu diga a verdade?! — Corta-me. — Sua mãe já está bem grandinha e já passou por coisas piores que isso. Ela perdeu seu pai, o homem com quem viveu anos e se reergueu.

— Dessa vez é diferente.

— Claro que é. — Bufa. — Porquê dessa vez ela não perdeu pela morte, mais sim por amor. — Olho-a impressionada com suas palavras. Eu nunca tinha pensado dessa maneira.

Chris Evans

Jogo as chaves encima da mesa e me jogo no sofá. O apartamento fica vazio sem ela e há vestígios dela em toda parte. Meu celular toca e eu pego o mesmo, sem ao menos olhar quem seja e coloco no ouvido.

— Alô?

— Que voz é essa cara? — Dom fala do outro lado.

— Dom? Oi, irmão. — Digo sorrindo. — Não estou no meu melhor dia.

— Lauren?

— A mãe dela desmaiou quando levei o papel de divórcio. Está com um quadro de anemia, estava sem comer e beber água. — Bufo irritado.

— Deixa eu adivinhar... Ela está se culpando e querendo se afastar. — Dominic diz e eu suspiro cansado, confirmando.

— Você sabe que não sou de desistir do que amo e quero, mas ela está dificultando para mim. — Levanto. — Caramba, eu amo aquela garota e estava planejando pedi-la em casamento assim que sua mãe assinasse.

— Então não desista!

— Não se ganha uma guerra sozinho, irmão. — Revido e ele fica em silêncio. — Eu preciso deitar, amanhã tenho um longo dia pela frente e talvez um dos mais difíceis.

— Vai ficar tudo bem. — Conforta-me.

Lauren Foster

Meu celular vibra e eu atendo antes que acorde Samanta. — Oi.

— Lauren? É o Dominic. — Diz e eu sorrio. — Como você está? — Pergunta e eu me sento na janela. — Conversei com o Chris.

— Então já deve saber. — Suspiro. — Como ele está? — Não consigo evitar de me preocupar com ele. Dom estala a língua.

— Arrasado. — Meu peito dói. — Como ele mesmo disse. Não se vence uma guerra, sozinho. — Franzo a testa.

— O que isso quer dizer?

— Acho que você precisa pensar bem nisso e entenderá. — Dominic responde. — Eu abri mão de você, porque você jamais seria feliz ao meu lado amando meu irmão. E eu jamais ganharia essa briga, sozinho. No amor, só há espaço para duas pessoas.

***

O dia finalmente chega e eu mal consegui dormir pensando nas palavras do Dominic e da Samanta. Porque no fundo eles estavam certos. Respiro fundo e a garota se mexe ao meu lado. — Não dormiu? — Pergunta.

— Meio ansiosa. — Respondo. — Acha que devo esperar que ele me ligue para buscarmos ela ou devo ir até o apartamento ver como ele está?

— O que seu coração quer? — Devolve a pergunta e eu a olho. — Sabe o que tem que fazer. — Resmunga. — Pelo menos para tomar um banho e trocar de roupa. — Diz abanando com a mão, como se eu estivesse fedida.

— Gracinha. — Digo pegando o travesseiro e batendo-a. Ela gargalha e se levanta. — Preciso mesmo de um banho e uma outra roupa. — Debocho rindo.

***

Passei alguns minutos no táxi que me deram tempo suficiente para pensar um pouco nas primeiras palavras que queria dizer a ele, porém agora que cheguei em sua porta, a poucos passos de estarmos cara á cara, tudo parece ter sumido. Mordo os lábios e respiro pela última vez, antes de abrir a porta. Há um silêncio enorme dentro do apartamento. Fecho a porta e caminho pelo mesmo, procurando vestígios do loiro.

— Chris. — Chamo e sem resposta. Caminho até o quarto e o encontro dormindo profundamente na cama. Sorrio com a imagem mais linda que eu poderia ver. Esse homem tão magnifico, tão sereno e todo meu. Me aproximo vagarosamente e me sento ao seu lado, ele se mexe e então algo cai de dentro da sua mão.

Meu coração pula ao ver um lindo anel de diamante. Pego a pequena e delicada joia nas mãos e observo-a. Parece muito cara e valiosa. Sorrio com o pensamento que corre em minha mente. Ele ia me pedir em casamento?

— O que está fazendo? — Sua voz soa me fazendo pular de susto. — Por favor, me devolva. — Ergue a mão e eu engulo em seco, devolvendo-a.

— Eu pensei que...

Corta-me. — Que eu iria te pedir em casamento? — Assinto envergonhada. — Não está errada! — Arregalo os olhos e ele suspira. — Mas também não está mais certa.

— Como assim? — Ele se levanta indo até o armário e guardando a joia. — Você ia ou não pedir para nos casarmos?

— Eu ia.

— Do verbo, não vai mais?

— Do verbo, muita coisa mudou! — Responde friamente adentrando o banheiro e fechando a porta. Bufo me levantando e saindo do quarto.

Chris Evans

Assim que saio do banheiro, meu telefone toca com a notícia de que Jennifer estava recebendo alta. Visto a primeira roupa casual que encontro no armário e saio do quarto. — Precisamos decidir para aonde levaremos sua mãe. — Digo assim que encontro a garota sentada no sofá. — Ou para cá ou para casa dela.

— Acho que ela irá querer a casa dela. — Resmunga de cara fechada. — Ela não vai querer ficar aqui e ainda mais conosco juntos.

— Acho que ela não está muito nas condições de escolher. — Rebato. — Nós veremos o que é melhor para ela e para mim, aqui em casa é mais confortável e perto de tudo que precisa.

— Então traremos ela para cá. — Diz sem ânimo.

— Está pronta para buscá-la? — Pergunto e ela me olha de canto. — Ligaram avisando que ela recebeu alta e podemos buscá-la.

— Só vou tomar uma ducha. — Responde indiferente, se levantando e sumindo no corredor. Só Deus sabe o quanto estou me segurando para não a beijar.

***

— Você vai precisar ser forte. — Digo enquanto ela observa as paisagens pela janela do carro. — Sua mãe é teimosa e ficará relutante com tudo.

— Podemos, por favor, parar de evitar o assunto verdadeiro aqui? — Bufa.

— E qual seria?

— Nós. — Dou de ombros. — Ah merda! Chris, você não combina sendo cínico. — Grita irritada. — Sei que está irritado pela situação e posso está errada, ok?! Mas precisamos conversar enquanto ainda podemos.

— Certo. — Freio o carro, parando no meio da rua. — Então vamos conversar. Aqui e agora. — Desligo o veículo.

— Ótimo. — Ela grita.

—Ótimo. — Devolvo e ela mordo o lábio. Solto o cinto de segurança e pego em sua nuca, puxando-a para um beijo. Eu sou um fraco perto dela. Eu passei a noite toda desejando esse beijo. Ela pede passagem com a língua e eu cedo. Puta merda! Ouço-a soltar o seu cinto e sinto sua mão abrir minha calça. — Aqui? Na rua.

— Eu preciso de você. — Responde suspendendo sua saia, abaixando sua calcinha e se sentando sobre mim. Sua mão desce de meu pescoço para meu membro, colocando-o para fora. Ela o massageia umas vezes, antes de posicionar em sua entrada e sentar de vez.

— Puta merda! — Gemo e ela arfa de prazer. Seguro em sua bunda e ela me beija novamente, começando os movimentos de subir e descer vagarosamente. Ela joga o pescoço para trás me dando total acesso para chupá-lo.

— Chris... — Geme enquanto aumenta os movimentos. Eu precisava tanto disso que sinto que vou explodir dentro dela a qualquer momento. Ela ofega descendo e subindo cada vez mais rápido. Sua vagina aperta ao redor do meu membro e é como se sugasse meu gozo. Sem mais delongas, deixo derramar dentro dela enquanto ela se esvaia encima de mim.

— Lauren... — Ofego mordendo seu pescoço suado. Ela rebola uma última vez e se deita sobre meu corpo, respirando ofegante. — Isso foi...

— Delicioso. — Ela completa e eu sorrio.

Lauren Foster

Bato na porta. — Entre! — Uma voz fraca soa de dentro e eu obedeço. Assim que eu e Chris adentramos o quarto, minha mãe nos olha de cima abaixo e depois suspira.

— Como se sente? — Pergunto.

— Já estive melhor. — Rudemente responde.

— Você irá conosco para meu apartamento por um tempo. — Chris diz e ela o olha com carinho. — Pelo menos, até se recuperar.

— E por que não nossa casa? — Pergunta meigamente. O problema dela parece ser somente comigo. Só pode. Bufo.

— Porque meu apartamento é maior, mais confortável e perto de tudo que precisa. — Chris responde sorrindo para mulher que parece se derreter inteira.

— Aonde irei dormir? — Ela pergunta quase que num tom malicioso. Ela está mesmo fingindo que não estou aqui?!

— Tem um quarto preparado te esperando. — Chris responde me olhando. Eu assinto sorrindo e então minha mãe me olha sem expressão.

— E você? — Ela diz voltando a olhar para o loiro. — Também nesse quarto? — Finaliza e o loiro arregala os olhos sem saber o que dizer.

Chega de ser ignorada. — Não! — Tomo a voz e ela me olha. — Ele dorme comigo. Afinal são o que os casais fazem.