Meu Querido Padrasto
8 Adeus!
Notas iniciais

— Não devia beber algo tão forte. — Chris diz enquanto balanço a bebida no copo. Olho-o sem expressão e dou de ombros. — Voltou com o Dominic? — Pergunta me pegando de surpresa.
— Conversamos.
— E?
— Porque quer saber? — Reviro os olhos. Ele dá de ombros e desvia o olhar. Uma música suave começa a tocar e então vejo-o se levantar e me estender a mão.
— Podemos dançar juntos? — Pergunta me olhando com uma cara de cachorro abandonado. Nego sorrindo e ele insiste. Suspiro bebendo o ultimo gole da minha bebida e me levanto.
— Dois minutos. — Ele sorri assentindo.
Caminhamos para o meio da pista e então sinto sua mão envolver minha cintura, mantendo-me pressionado ao seu corpo. Envolvo seu pescoço e juntos dançamos lentamente. Seus olhos azuis, sua boca avermelhada em linha reta, os traços de seu rosto formados em uma expressão de tristeza misturado com paz.
— Parece que foi ontem que estávamos aqui. — Balbucia sorrindo. — Nossos caminhos deveriam ter se cruzado antes. Eu teria largado tudo...
— Tudo aconteceu como deveria acontecer. — Corto-o nervosamente. Ele nega com a cabeça e me olha como se enxergasse o fundo da minha alma.
Como se me hipnotizasse, ele se aproxima vagarosamente e eu sinto seu hálito quente em minha pele. Como pode querer e necessitar tanto de algo que não é certo? Sinto sua mão abandonar minha cintura e subir para meu rosto, aproximando nossos lábios. Meu corpo entra em êxtase. Sua língua toma conta de minha boca e sua mão acaricia minha bochecha.
Empurro-o. — Não! — Sentindo meus olhos marejados, eu lhe dou as costas e corro para fora do bar. Meu Deus!
— Lauren!
— Não! — Grito me virando em sua direção e o vendo correr em minha direção. — Eu já disse que não ficaremos juntos. Não quero magoar mais ninguém com isso. Minha mãe, seu irmão... — Bufo. — Eles não merecem nada disso!
— Ok, não merecem. — Diz. — Mas e o que eu faço com o que eu sinto? — Olha-me interrogativo. Suspiro.
— Esquece que existe sentimento. Nem existe mesmo!
— Não me diga que somos como melhores amigos. — Grita nervosamente. Não, nós estamos longe disso, Chris.
— Não somos nada. — Ele abaixa a cabeça. — Na verdade, somos apenas pessoas que vivem na mesma casa.
Ele me olha decepcionado. — Pra você.
— Você entrou na minha vida e saiu destruindo tudo. Quebrando meus conceitos e minhas regras. — Grito.
— Isso é bom.
— Não, não é. Regras são...
— Olha, por favor, pare! — Grito impaciente. — Estou cansada de te dizer isso. Chega, por favor! — Bufo.
— Ok, ok. Já entendi. — Ele desvia o olhar. — Eu irei te deixar, sairei de sua vida. — Congelo confusa e engulo em seco.
— Como?
— Eu vou embora. — Arregalo os olhos. — Vou passar um tempo longe. Ninguém vai se magoar se é o que tanto quer. — Me impressiono com seu tom.
— Ok. — Bufo lhe dando as costas.
— Ei, espera um minuto.
Volto a olhá-lo. — Pode ir embora. Não é assim que você acha que resolve as coisas?!
— Sim, eu acho.
— Então siga em frente. Não vou pedir pra ficar. — Sinto meus olhos ficam embaçados. Não vou chorar agora.
Lhe dou as costas. — Nunca mais me verá na sua vida! — Grita.
— Bom!
— Te esquecerei!
— Fantástico. — Não ouso olhá-lo, apenas sigo em frente, sentindo meu coração despedaçar. Eu sinto que vou desabar a qualquer momento.
***
Bato a porta do quarto e levo a mão até a cabeça. Eu preciso sentar. Meu corpo desaba, escorrendo pela porta e caindo sentado ao chão. Enfim deixo as lágrimas fluírem. Meu coração está partido em milhares de pedaços. Ouço o som da porta de entrada, mas não ouso olhar. Eu sei quem é.
Ouço passos pesados pelo corredor e então um intenso barulho no quarto de minha mãe. O silêncio paira por alguns segundos e logo depois ouço o som de rodas contra o azulejo. Choro em silêncio e ouço a porta de entrada bater com força. Meu corpo cai deitado no chão. Ouço o som do telefone tocar na sala e me levanto no susto. Abro a porta do quarto e caminho até o mesmo. Atendendo-o.
— Serei breve, não se preocupe! — Ouço a voz rouca dizer e meu coração se quebrar ainda mais. — Meu voo está marcado para amanhã pela manhã. Tem algo a me dizer? — Pergunta.
Respiro. — Oh, boa viagem!
— Eu esperava algo mais esperançoso. Porém, foi bom ouvir isso. - Sinto o sarcasmo em seu tom. — Eu vou seguir em frente, como você. E torcer pela sua felicidade!
— Farei o mesmo daqui.
— Adeus! - Ofega.
— Ok. — E então ouço-o desligar.
Chris Evans
Não dormi a noite inteira. Ouço batidas na porta do meu apartamento e ando em direção a mesma. Meu peito enche de esperanças. Lauren? Abro a porta e minhas esperanças se vão. — Se veio aqui pra brigar, não estou afim. — Resmungo.
— Posso entrar? — Dominic pergunta e eu suspiro assentindo. Caminho em direção ao sofá e me jogo sobre o mesmo. Ele me segue e se senta ao meu lado. — Está se mudando? — Olho-o interrogativo e então vejo seu olhar sobre minhas malas na sala.
— A cede de nossa empresa em Paris precisa de um administrador permanente. — Resmungo sem ânimo.
— Está deixando a mãe de Lauren?
Assinto. — Estou deixando tudo. — Suspiro. — Pode ficar feliz com minha distância. — Debocho e ele dá de ombros, como se não fizesse diferença.
— É assim que diz que ama a Lauren? — Devolve. — Desistindo dela, desistindo de lutar. — Olho-o surpreso.
— Me surpreende dizer isso.
— Me surpreende você ser tão fraco. — Rebate.
— Ela já fez a escolha dela, Dominic! — Digo com meu coração se apertando de tristeza. — Eu disse que largaria tudo por ela, mas ela já escolher.
O silêncio paira entre nós, até que ele se levanta e me olha. — Que horas é seu voo? — Pergunta caminhando até minhas malas.
— Daqui a 30 minutos.
— Quer uma carona? — Dou de ombros e me levanto, repetindo sua ação.
***
Dominic me ajuda com as malas até o lugar de embarque do aeroporto. Olho-o como agradecimento e me aproximo dele, abraçando-o e dando leves tapas em suas costas. — Posso te pedir uma coisa?
— Sim.
— Faça- a feliz. — Digo olhando em seus olhos. — E seja feliz! — Finalizo me afastando e adentrando o local de embarque.
Adeus Lauren!
Lauren Foster
Pisco pela milésima vez enquanto olho fixamente para o teto branco de meu quarto. Desperto com o som da campainha e me levanto, vestindo uma roupa rapidamente e indo até a porta. Meus olhos se arregalam com a imagem projetada em minha frente.
— Sra. Evans? — Resmungo e ela sorri.
— Posso entrar?
— Claro. — Lhe dou passagem. — O Chris não está. — Digo a primeira coisa que passa em minha cabeça enquanto fecho a porta.
— Eu sei. Ele já deve está no avião. — Meu peito se aperta. Oh, ele realmente foi embora. Engulo em seco.
— Minha mãe também não...
— Meu assunto é com você! — Corta-me. Arregalo os olhos, surpresa. — Vim aqui como mãe e mulher.
— Não entendo.
— Vai entender. — Ela diz se sentando no sofá e apontando para que eu sente ao seu lado. — O que está acontecendo não pode continuar, Lauren.
Molho os lábios. — O que?
— Sei o que acontece entre você, Chris e Dominic. — Responde. — Uma mãe conhece as felicidades e tristezas dos seus filhos e por enquanto ainda não consigo distinguir qual delas você é para eles.
— Sra. Evans, eu...
— Deixe-me terminar! — Assinto. — Eu acredito que não esteja brincando com os sentimentos dos meus filhos. Você não tem cara de quem faz esse tipo de coisa, mas isso não pode continuar assim.
— Eu nunca quis magoar ninguém.
— Ai que está! — Ela bufa. — O modo como está agindo magoará ainda mais. Não pode deixar de ser honesta, Lauren. Se continuar mentindo para si mesmo, não irá magoar somente eles, mas sim a si mesma.
— Eu gosto do Dominic!
— Mais não foi a ele que seu coração escolheu! E magoará ele mais ainda se continuar com isso. — Diz. — Não adianta você ficar com ele se seu coração está em outro lugar. Ele irá se apegar ainda mais a você e quando você acordar que não era isso que você queria, ele vai sair ainda mais ferido, assim como você. — Suspiro. — Quanto mais tempo você alimenta uma mentira, mas ela cresce e explode horrores.
— Então quer que eu deixe ele?
— Eu quero que seja honesta consigo mesma e faça o que seu coração mandar. — Ela pega um papel dentro da bolsa e me estende.
Pego o papel e vejo um endereço anotado. — O que é...
— Aonde Chris está hospedado. — Resmunga se levantando e caminhando até a porta. — Por um momento deixe de pensar nos outros e pense em você. — Olho-a. — Estou esperando-a aqui fora. — Abre a porta e sai.
***
— Por que me esperou? Para aonde estamos indo? — Pergunto para Sra. Evans. Ela dirige atenta ao trânsito.
— Estamos indo para minha casa. — Responde.
— Por que?
— Se você ouviu realmente algo que eu falei, você saberá porquê. — Resmunga acelerando. Estou nervosa!
Em poucos minutos, ela estaciona na garagem da casa e sai do carro. Eu imito sua ação e olho-a ainda confusa. Ela sorri para mim. — Boa sorte! — Antes que eu possa dizer qualquer coisa, ela sai da garagem e me deixa sozinha.
Olho em volta, perdida na situação. Porque ela foi na minha casa, me disse aquilo e me trouxe até aqui? Meus olhos esbarram em algo coberto por uma capa de lona. Meu coração palpita. Me aproximo do objeto e puxo a capa vagarosamente. A moto de Chris! Lembro-me de quando ele me ensinou a pilotar, no mesmo dia em que nos beijamos pela primeira vez. Eu me sentia tão livre e em paz.
— Minha mãe me disse que estava aqui. — Uma voz acorda-me dos devaneios. Cubro a moto rapidamente e me viro na direção de Dominic.
— Oi. — Respiro me aproximando dele e ficando na ponta dos pés para beijá-lo. Ele se afasta e eu pisco. — O que houve? — Resmungo.
— Lauren, eu me apaixonei por você desde a primeira vez que eu a vi. — Diz colocando as mãos nos bolsos.
— Eu sei. — Sorrio.
— Mas eu não posso te pedir que sinta o mesmo. — Abro a boca, mas ele me interrompe. — Sou adulto o suficiente para assumir as coisas, mesmo que isso machuque um pouco. — Molho os lábios. — Antes de Chris ir embora, ele me fez um pedido.
Abaixo a cabeça. — Dom, você...
— Ele pediu para que eu a fizesse feliz e fosse feliz! — Interrompe-me. Volto a olhá-lo e meu coração acelera.
— Você me faz feliz.
— Eu aprendi que quando amamos uma pessoa, devemos querer a felicidade dela mesmo que seja longe de você. E é isso que estou fazendo. — Nego com a cabeça. — Vamos para o aeroporto!
— Dom...
— Você ama o Chris e ele te ama!
Sorrio. — Você é muito nobre, Dom.
— E você está perdendo tempo. — Sorri me puxando. — Vamos logo!
***
Chegamos ao aeroporto em apenas 20 minutos. Dominic compra uma passagem de última hora e me entrega nas mãos. — Seja feliz!
— Obrigada!
— E não o deixe novamente. — Sorri e eu o agarro em um abraço forte. — Quando chegar me avisa, ok?
Assinto. — Você vai ficar bem? — Pergunto e ele assente sorrindo. — Saiba que eu realmente fui feliz com você.
— Eu também.
Uma voz feminina soa nos altos falantes e eu me despeço de Dominic, adentrando o local de embarque. Aqui vamos nós, sem mala e documentos. Apenas um celular, um endereço e o coração.
***
Paris já está escurecendo quando saio do aeroporto. Meus pensamentos fluem e eu entro em desespero sem saber como chegarei no endereço de Chris, sem dinheiro para um táxi. Merda! Levo as mãos até o rosto.
— Laurena Foster? — Uma voz rouca soa e eu me assusto olhando para o desconhecido em minha frente.
— Como...
— Trabalho na empresa dos Evans. — Explica. — Sr. Dominic me pediu que viesse buscá-la e a levasse até o apartamento do Sr. Chris.
Respiro aliviada. — Obrigada! — Ele assente e me conduz até um carro prateado. O caminho inteiro é um silêncio total e em cerca de 10 minutos estamos em frente a um enorme prédio. — Daqui eu me viro. Obrigada! — Digo descendo do carro. Estou ansiosa! Vejo o carro sumir e adentro o hall do prédio. Caminho até a recepção e sorrio para uma mulher loira.
— Boa noite! — Ela diz.
— Boa noite! — Devolvo. — Chris Evans, por favor.
— Oh, ele não está.
— Eu sei. — Resmungo. — Sou amiga dele. Ele pediu para que eu subisse e o esperasse no seu apartamento.
— Você Laurena Foster? — Pergunta e eu me assusto, assentindo. — Sr. Dominic me avisou que viria. — Pisco.
— Posso?
— Claro. — Responde. — Cobertura, último andar.
— Obrigada. — Caminho até o elevador e aperto o botão referente ao andar dele. As portas se fecham e em 5 minutos estou parada dentro da enorme e luxuosa cobertura. Envio uma mensagem para Dominic e me sento no sofá a espera de Chris. Meu coração está acelerado. Estou ansiosa e com medo de sua reação.
Chris Evans
Estou exausto. O dia foi corrido. Viagem pela manhã e vim diretamente para a empresa, mas pelo menos mantive minha mente ocupada. Estaciono o carro na garagem do prédio e pego o elevador. Eu só preciso de um banho quente e uma cama. As portas do elevador se abrem e eu respiro fundo, caminhando para dentro da cobertura.
Não me dou o trabalho de acender as luzes. Caminho diretamente para o banheiro e retiro todas minhas roupas, ligando chuveiro e deixando a água tocar meu corpo da cabeça aos pés. Abaixo a cabeça, fecho os olhos e apoio minha mão na parede, sentindo o peso da tristeza. Sinto um corpo nu abraçar o meu e abro os olhos, sentindo meu coração pular. Giro meu pescoço vagarosamente para o lado e então meu mundo inteiro paralisa.
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