Passagens na mão, dia marcado, malas prontas e coração destruído. Era assim que eu me encontrava, já estava tudo pronto para eu viajar, menos o coração; ele estava em pedaços por causa de Edward, mas não era esse meu problema, meu problema era o nervosismo.

Não é fácil você sair de sua terra natal, e ir para o outro lado do mundo e ainda mais sem saber fala Português no meu caso.

Eu estava sentada no chão, com as costas encostada em meu guarda roupa vazio, Elizah estava na cadeira giratória e Rose em minha cama foleando uma revista, elas já estavam a par de tudo.

— Calma, você quer dizer que foi uma armação? Eles queriam lhe separar do Edward? – perguntou-me Elizah parando de girar na cadeira.

— Isso – cruzei os braços.

- Eles queriam separar o que já estava separado? – Elizah estava achando tudo muito engraçado – Burrice deveria ser crime. – ela comentou quando contei tudo a ela.

- Se fosse crime Bella já estaria na prisão – comentou Rose como quem não quer nada.

- HAHA – forcei uma risada, levando as duas as gargalhadas.

- Fará realmente isso? Vai deixá-lo aqui dando sopa? – Rose perguntou.

- Ele fez sua escolha e eu a minha. – dei de ombros.

- Acho que a Bella está fazendo a coisa certa – Elizah respondeu – esta na hora de ambos crescerem. E se fossem para vocês dois ficar juntos, não precisariam passar por tudo isso.

- Concordo – disse Rose pensativa.


Já eu não respondi, fiquei somente olhando para Elizah enquanto ela voltava a dar voltas na cadeira giratória, ri.

Talvez ela tivesse razão, não era para ficarmos juntos.

NO AEROPORTO

- Está tudo na esteira – comentei a eles, quando havia colocado minhas bagagens no devido lugar. Passei a mão no cabelo, passeando os olhos pelo aeroporto, estaria indo embora sem data pra voltar.

- Sentirei saudades amiga – disse Alice fazendo bico, antes de me abraçar.

Retribuir o abraço, mas forte do que esperava. Eu sentiria saudades dessa baixinha, e de todo mundo.

- Eu também – respondi, quando nos separamos.

Assim seguiu-se com os outros, dando-me palavras de incentivos; demorei a mais com o Emmett, eu poderia gostar de todos, mas ele é o meu “preferido”, Emmett Hale era como meu irmão, crescemos juntos e passamos por coisas inéditas juntos e nos separar assim, por tempo indefinido não era a coisa mais fácil do mundo.

- Você não precisar ir – ele disse com o rosto em meu cabelo, antes de respirar fundo.

- Mas eu quero – meu rosto estava na curva de seu pescoço. – Eu preciso Emm. Sentirei sua falta, muito. – o abracei com mais força.

- Eu também Bella – ele me soltou e acrescentou – eu também. – sorri.

Porque eu não pude me apaixonar por ele? E ele por mim? Seria tão mais fácil. Não haveria toda essa complicação pela a qual estou passando.

O número do meu voo foi anunciado e minha barriga encheu-se de borboletas, dando voltas e mais voltas deixando meu estômago embrulhado, e minhas mãos suadas. Enquanto caminhava em direção ao portão de embarque, meu coração nessas alturas já estava em minha garganta, engoli com dificuldade.

Isso é para meu bem próprio.

Eu já não sabia qual era meu nome, e tão pouco o que estava fazendo. Olhei para trás pela a última vez, a procura dele, eu ainda havia esperanças de o vê caminhando em minha direção com um buquê de tulipas nas mãos e dizendo que me amava, e que não me deixaria ir, em seguida roubando-me um beijo. Mas essa esperança logo foi desaparecida, vi somente meus amigos sorrindo para mim. Sorri de volta forçadamente.

Entrei no portão de embarque, tendo apenas a decepção como minha companheira de viajem.

Procurei pelo meu assento, e era ao lado de uma senhora com o rosto em formato de coração e os cabelos mesmo frágeis, eram bem cuidados em um mel. Pedi licença e sentei-me, eu estava ao lado da janela.


— Está tudo bem minha querida? – perguntou-me a senhora, enquanto o avião decolava.


— Estou sim – sorri, mas não era real.

- Você parece meio triste – ela sorriu me reconfortando.

Eu vi tanta compaixão nos olhos daquela senhora, respirei fundo e perguntei a mim mesma se me abrir com uma estranha seria um estágio crítico da minha dor. Virei-me um pouco pra ela, e depois de algumas apresentações, estava conhecendo Esme, uma pessoa entre tantas que estava ali para me ouvir, e eu usei e abusei disso, contei tudo a ela.

- Esme eu tenho nojo de mim mesma, olha o que fiz com minha mãe. –

- Você que deveria sentir nojo de sua mãe, porque você não tem culpa nenhuma de ter se sentida atraída por ele, muito pelo contrario minha jovem, ninguém tem culpa por o coração se apaixonar. Sua mãe, sendo sua mãe deveria ter entendido. Ela já deve ter passado por algo parecido por isso, e não deveria lhe julgar como sei que ela fez. Ela como a primeira pessoa que você confia, deveria lhe apoiar, pois só somos felizes quando vemos quem amamos feliz. E você, não deveria tê-lo o deixado, ele deve estar se sentido inválido.

- Que se sinta, já sofri muito por ele. E não quero mais... Sabe Esme, cansei. — ela deu duas palmadinhas na minha mão carinhosamente.

- Nem sempre há finais felizes. – eu sei... E como sei. Pensei. – mas você é diferente querida, só porque sua mãe não teve não significa que você não possa ter – a olhei profundamente, tentando entender onde ela queria chegar. – Deus escreve certo por linhas tortas, mas somos nós que fazemos os rascunhos – piscou.

Eu não fazia a mínima ideia do que ela queria dizer, mais de algum modo tudo que ela havia me dito havia feito sentido. Sentido estranho, mas havia feito.

- Vou dormir um pouco, qualquer coisa me acorde – ela bateu em minha mão de leve, antes de fechar os olhos.


Acenei com a cabeça, enquanto a via se arrumar no assento e fechar as pálpebras.

Era verdade, Edward havia levado tudo que eu tinha e o que estava construído, meu sorriso e minha felicidade, e o respeito de minha mãe. Ele havia acabado comigo, como quem acaba com um lixo, depois de usado é jogado fora sem um aviso prévio. Mas tudo que ele havia me feito, não foi em vão, como a senhora ao meu lado havia me dito, aliás, nada acontecia em vão, tudo tinha um motivo. Por mais pequeno que ele seja, havia um.

Olhei para a janela ao meu lado, e vi as nuvens feito algodões passarem. Olhei para o outro lado e vi a senhora a qual tinha me ajudado, por mais que não saiba, dormindo profundamente; quem me dera poder entrar no mundo dos sonhos, onde tudo era possível, onde eu poderia brincar de ser feliz.

A aeromoça passou avisando que em poucos minutos estávamos pousando nas terras calorentas do Brasil, minha mão havia voltado a suar e minhas carnes a tremer...

Em questão de minutos, minha vida recomeçaria

Acordei a senhora ao meu lado, avisando que o avião havia pousado... Ela abriu rapidamente os olhos.

- Me deixe dormir querida, só acordei para fazer meu serviço – não entendi o que ela quis dizer...

- O avião já pousou, seus parentes devem estar lhe esperando. – ela acenou com a mão.

- Vá minha querida, Nicke a espera. – espera como ela sabia que minha amiga chamava-se Nicke? Se eu não tinha dito nada a ela.

- Como...? – comecei, e ela voltou a acenar.

- Vá Bella, vou atrás... – sorriu.

Será que eu havia falado meu nome, assim que ela se apresentou? Algo dizia que não, levantei do assento, enquanto Esme ainda continuava sorrindo para mim...

Desci do avião, mas lembrei-me que eu não havia lhe agradecido por ter me ouvido e por ter me ajudado, entrei no avião novamente, indo em direção ao meu assento e Esme não estava mais lá... Olhei ao redor e não a vi a canto nenhum. O avião já estava vazio.

- Você precisa ir moça – disse a aeromoça atrás de mim.

- Tá, mas... Mas. Você viu a senhora que estava sentada ao meu lado aqui? – perguntei a aeromoça.

- Sinto muito, mas não vi ninguém. – disse ela enrugando a testa – e que eu saiba você estava sentada sozinha, pelo menos as vezes que passei por você. Você estava sozinha.

- Não, havia uma mulher ao meu lado... A Esme, ela estava ao meu lado. – falei.

- Sinto muito, eu não vi. E você tem que sair... – respondeu, e concordei com a cabeça.

Sai do avião pensativa, será que Esme havia passado por mim e não prestei atenção? Ou havia outra saída? Fui pensando nisso até entrar embaixo do teto do aeroporto, o calor estava insuportável.

Procurei pela a Esme e pela a Nicke, quando vi minha amiga ao longe segurando uma placa escrita: Bem vinda Belulita. Ri da mensagem.

- O que vem ser ‘Belulita’? – perguntei a ela, assim que me aproximei.

Nicke abraçou-me com força, e retribui.

- Belulita é seu novo apelido. – rolei os olhos.

Olhei de volta mais uma vez atrás de Esme, mas não a vi em nenhum lugar.

- Procurando quem? – perguntou-me Nicke.

- Uma senhora que conheci no vôo, sabe. Quero agradecê-la. – dei de ombros, enquanto pegava as bagagens na esteira junto com Nicke.

- Você sabe o nome dela?

- Esme, Esme Platt. – depois de esta com as malas nas mãos, fomos em direção a saída para pega um taxi ate minha ‘nova casa’.

- Esme Platt? Você tem certeza do sobrenome? – perguntou minha amiga incrédula.

- Tenho, eu acho, por quê?

- Esme Platt era umas das mulheres mais bem vestidas da “elite” – ela fez aspas com as mãos – seu marido, era um grande engenheiro. E os dois estavam voltando de Porto Alegre, quando o avião se chocou contra o prédio da Tam e pegou fogo.. – parei de caminhar para lhe encarar.

- Então, Esme sobreviveu? – perguntei.

- Todos os 187 passageiros que estavam a bordo mas outros que estavam no solo, não sobreviveram e Esme estava no voo. – arfei.

Oh meu pai! Eu conversei com uma morta? OMG OMG OMG! Eu devo estar ficando doida, talvez seja Esme seu nome, mas o sobrenome, talvez eu tenha ouvido errado. OMG.

- Você pode ter ouvido errado amiga – continuou Nicke enquanto caminhávamos.

- É verdade – porque será que eu não conseguia acreditar nisso?

Havia acontecido quatro coisas ao mesmo tempo, primeira: Esme poderia ser uma pessoa não real, e isso estava me assustando; Segunda: por incrível que pareça ela tinha o primeiro nome idêntico a mãe de Edward ; Terceira: eu estava morrendo de calor e Quatro: eu seria eternamente grata a Esme, por ter aberto meus olhos. Por mais que isso soe estranho, ela foi uma anja para mim. [N/B: ISSO É MQP OU GHOST; DO OUTRO LADO DA VIDA?]

Seria interessante morar aqui. Sorri com o pensamento.

Pegamos um táxi em direção a minha “nova casa”.

- Animada para recomeçar? – perguntou-me Nicke.

- Estou – sorri automaticamente – mas antes tenho que entrar em uma aula de Português –ri e ela me acompanhou.

O taxista nos encarava pelo o retrovisor do carro, com uma careta no rosto. Dei de ombros, e voltei a conversar com minha amiga.

Dentro de poucos minutos o carro foi estacionado em frente a uma casa branca, de dois andares – pequena -, na frente havia duas arvores fazendo sombra em uma parte da grama verde que ia até a porta de entrada.

Com a ajuda do taxista e de Nicke, consegui levar minhas coisas em uma única viagem até a porta, minha amiga o pagou e ele se foi.

A casa na parte de dentro era bastante acolhedora, os móveis modernos em cores neutras, transmitindo calma.

- Minha tia não fala inglês, mas com o tempo vocês duas se acostumaram – sorriu para mim.

Sorri de volta, como resposta.

Ajudei Nicke a colocar minhas malas no começo da escada larga, quando uma mulher vinha descendo pelas as escadas, com um vestido florido em cores fortes que combinou com o tom de sua pele branca, a mulher aparentava ter na faixa de trinta e poucos anos ou até na casa dos quarentas; mas ao mesmo tempo parecia uma jovem mulher de vinte e tantos. Seus cabelos pretos estavam amarrados no alto de sua cabeça em um clássico rabo de cavalo e no rosto um sorriso acolhedor.

Seu primeiro ato a descer foi me abraçar, e eu entendi isso como um: bem vinda.

- Belulita, essa é Cláudia minha tia. – Nicke apontou a mulher.

— “Tia, essa é a garota que lhe falei. Isabella, mas pode chamá-la de Bella ” – Nicke disse algo a mulher que supus ser meu nome, eu nunca tinha ouvido Nicke falar em Português e soou engraçado e complicado.

Mas eu aprenderia com o tempo!

Dona Claudia foi muito gentil comigo, e por mais que nós não conversássemos diretamente – Nicke traduzia tudo que ela dizia, ou o que eu dizia a ela – eu sabia que ela era uma pessoa amigável. As duas me amostraram o quarto onde eu ficaria, assim como o resto da casa, o quarto era maravilhoso, em cor de creme nas paredes que me lembrou das paredes da casa de Edward, meu coração apertou-se só de pensar.


Havia uma cama de solteiro bem arrumada próximo a uma parede, e uma pequena tevê de frente a ela, no chão um tapete redondo nas cores vermelhas, azuis e amarelas. E em outro canto um guarda roupa marrom pequeno, respirei fundo. Meu quarto era simples, mas estava perfeito para mim.

- Só há dois banheiros na casa – disse minha amiga quando sua tia nos deixou sozinha em meu novo quarto — Um no quarto da titia e outro nesse andar, então teremos que dividir – Nicke encolheu os ombros.

- Tá perfeito – sorri – muito obrigada novamente, mesmo amiga – a abracei com força.

- Amigas são para essas coisas – disse ela – você quer ajuda com suas coisas?

- Não precisa, arrumarei tudo depois. Eu só queria saber onde fica o banheiro.

- Por aqui – respondeu me puxando e colocando-me para fora do meu quarto. No corredor onde ficava meu quarto só havia três portas, a primeira a direita era o quarto de Nicke e depois vinha o meu e por ultimo...

- Aqui é o banheiro – respondeu, apontando para a última porta do corredor depois do meu quarto.

Gargalhei.

- Muito longe – ironizei.

- Cuidado para não se perder – rolei os olhos. – lhe deixarei sozinha para você tomar um bom banho, enquanto vejo o almoço. Qualquer coisa não me chame – piscou, saindo da minha frente.

Ri.

Fui ao meu quarto e peguei minha nécessaire e uma toalha de minha mala, voltei ao banheiro, ele era simples. Com somente um chuveiro, uma pia e um vaso sanitário, me despi. Mudando a temperatura do chuveiro para frio, já que aqui estava um calor, pelo menos um banho frio refrescaria minha pele.

Entrei em baixo da água fria, a deixando molhar meu rosto e escorregar pelo meu corpo nú, a vontade que tive de chorar veio com tudo, era uma necessidade agora. Eu precisava colocar para fora todas as lágrimas que havia guardado para mim, era quase uma obrigação minha limpar meu corpo e minha alma e fazer a água levá-la para longe, levar para longe todo o sofrimento que passei, toda angustia e toda dor que havia suportado desde o começo.

As lágrimas rolavam pelo meu rosto rapidamente, e logo mais apareciam outras, a água as tirava do meu rosto, mas parecia que isso não era o suficiente para fazê-las parar. Encostei-me na parede fria do banheiro, fechando os olhos com o resto de forças que me sobrava. Tentei respirar fundo, e me fazer parar de derramar as teimosas lágrimas, mas era uma quase utopia, elas não paravam. Desisti de lutar, e as deixeis rolar... Quando tivesse que parar elas parariam.

Fiquei mais alguns minutos no banho, quando tive a certeza que elas haviam terminado. Continuei meu banho e desliguei o chuveiro, saindo enrolada na toalha. Voltei ao meu quarto, escolhi uma roupa leve e me vesti. Enquanto eu atirava todas as roupas da mala e as colocava no guarda-roupa minha mente trabalhava com o que eu deveria seguir agora. O ano letivo aqui já havia começado, enquanto nos EUA eu ainda estava de férias... Era estranho, aqui o ano se iniciava em Janeiro e terminara em Dezembro e em meu antigo país iniciara e terminava em Julho. Nem comemorado a virada do ano eu havia. [n/a: pelo menos é o que me lembro :x]

Seria complicado fazer o segundo ano, em um lugar que você desconhece totalmente.

Quando eu estava quase finalizando de arrumar minhas roupas, um papel amassado sobre a cama me chama a atenção.

Abri e reconheci o garrancho da letra, que muitas vezes já tinha visto. Eu tentava decifrá-la sempre em meu trabalho, uma letra altamente bagunçada de um cara perfeito.

“ Perdoe-me, mas tudo que estou fazendo é para o seu bem.

Edward.”

Eu me lembrava desse papel, mas jurava ter jogado-o fora.

- “Perdoe-me, mas tudo que estou fazendo é para o seu bem” – repeti.

Para meu bem? Realmente ele achava que era, mas de que adiantou? Se de um jeito ou de outro fui expulsa de casa? De nada havia adiantado.

Fiz bolinha com o papel, e o deixei sobre a cama enquanto eu terminava de arrumar as malas, eu o jogaria fora assim que possível. Em minha vida não haveria mais nenhum Edward Cullen, ele seria alguém totalmente do meu passado e eu estava disposta a lutar para esquecê-lo.

Notas finais
Feliz dia Internacional da Mulher para todas nós. ♥
Tem algum homem que quer me dar um buquê de tulipas aqui? Ah... Ok, não né? Tá bem ): KKKKKKKKKKKK
Uma dica: Não percam as esperanças com Beward! Huhauahuauha.
Um grande beijo e bom resto de madrugada.