Meu Querido Padrasto.
49 Capítulo 33 - Parte 2.
Olhei para trás, encarando a pessoa. Ah, mas só deveria ser palhaçada! O circo estava aberto?!
- Olá, Tanya – a cumprimentei.
- Nos reencontramos – disse ela.
Ela sorriu vitoriosa.
- Você não deveria ter feito isso – sorri.
Meu primeiro ato foi empurrá-la com força, o que fez nós duas cair no chão. Fiquei sobre ela, estapeando enquanto ela tentava acertar meu rosto. Oh menina mal de mira!
Foi quando Tania segurou em meu cabelo, e eu prendi minhas mãos no dela o que fez nós duas rolarmos pelo chão do supermercado, vi rapidamente uma roda se formar entre nós.
- Porra Bella, briga direito. Dá um soco logo na cara dela – gritaram, supus ser a Nicke.
E era verdade, aquilo estava sendo muito infantil. Consegui – com dificuldade – tirar sua mão do meu cabelo e a joguei de volta no piso, fazendo-a bater a cabeça com força.
Foi a minha deixa para levantar e ela ficar em pé em seguida. Tania queria vir para cima de mim, mas foi no momento que dois seguranças a seguraram. Aproveitei para fechar minha mão e dar-lhe um soco no olho e outro em baixo do queixo o que fez sua boca sangrar.
Tania soltou-se dos seguranças e partiu para mim novamente com a boca toda ensanguentada, só que em vez de tapas também era muros que eu conseguia desviar facilmente.
Era irônico, toda vez que ela não acertava meu rosto, ela vinha para meu cabelo, e ficávamos rodando feito duas galinhas, eu não era de brigar, tão pouco sabia brigar, mas pelo menos ela sairia com um olho roxo.
Vi Nicke entrar no meio da roda que havia se formado entre as pessoas, e pegar uma garrafa de vidro da prateleira, fiz Tania ficar de costas para ela, quando Nicke a bateu com a garrafa na cabeça, fazendo-a rapidamente ir ao chão. Aproveitei, e a chutei com força.
Eu estava sendo uma vadia pirua e eu não deveria estar brigando, por mais que eu não sabia, mas ela estava merecendo.
- Sua vaca – Nicke xingou-me – Vocês pareciam duas adolescentes! Pensei que você fosse deixá-la sem dentes, me decepcionei com você – disse Nicke me puxando rapidamente em direção ao caixa enquanto as pessoas atendiam Tania.
Nicke furou fila para sermos atendidas logo e um rapaz reclamou.
- Pode ir para o final da fila. Estávamos a minutos esperando ser atendidos e você já chega furando? – disse com raiva.
- Cala a boca, antes que eu também lhe dê uma garrafada e você ficará pior do que a Putania.
- Porque a pressa? – perguntei à Nicke quando ela arrancou o carrinho de minhas mãos e foi colocando as compras na esteira.
- Porque eu não quero passar vergonha! Sabe, eles vão nos expulsar daqui, e mais rápido moça – ela dizia a mim e a vendedora.
Logo estávamos fora do supermercado e eu tendo crises de risos.
- Jamais esquecerei esse dia – comentei.
- Nem eu, jamais esquecerei pelo o fato de você não saber brigar – ela bufou.
Ignorei.
Paramos em uma birosque antes de voltar para casa, e comemos algo, minha amiga queria fazer um frango à moda tailandesa e eu não fazia a mínima ideia do como era, aliás, nunca havia nem ouvido falar.
Então deixei tudo em suas mãos, eu só estava receosa. Minha amiga não era muito boa com dotes culinários, mas eu confiaria.
Assim que chegamos em casa, fui direto ao banheiro enquanto Nicke seguiu a cozinha, fiquei alguns minutos em baixo d’água, tentando relaxar os músculos. E pensando no que essa noite me aguardaria.
A NOITE
Ouvi duas batidas na porta enquanto eu estava penteando o cabelo.
- Entra, Nicke.
- Está tudo bem? – perguntou-me entrando.
- Está, estou super calma. Nunca estive nervosa, aliás, não tem porque eu ficar nervosa certo? É apenas um jantar, nada mais e eu não vou agarrá-lo – falei tudo rapidamente.
- Calma menina, respira fundo! – ela riu – só perguntei se você estava bem. – ela continuava a rir. – Ainda acho que isso não foi uma boa ideia, mas se vocês forem se agarrar, usem camisinha.
Rolei os olhos.
- Porque você sempre vê coisas onde não existe?
- Eu não vejo coisas onde não existe, eu só vejo o que é a verdade. Olhe para o espelho, é somente a gente tocar no assunto “Edward” que seus olhos ganham brilho.
Bufei.
- Não exagere.
- Tudo bem, se não quer me ouvi. Estou indo – sorriu.
- Quando ele for embora eu te aviso.
- Não precisa, dormirei por lá. Bom jantar – sorri em resposta, enquanto ela saia do quarto.
Baguncei um pouco o cabelo e joguei minha franja para o lado, encarei-me no espelho pela a décima vez. Eu não sabia se ele me acharia bonita ou... Ou nada, não importa se ele te achará bonita ou não. Briguei comigo mesma.
Eu vestia um vestido preto, em formato de V no pescoço e curto, indo somente ate a metade de minhas coxas com um salto fino também preto.
- Eu sou linda, sexy, gostosa e terminarei com ele para sempre – falei para meu reflexo.
- Eu sou linda, sexy e doida porque estou falando sozinha – falei, antes de a campainha tocar.
Olhei no relógio do criado mudo, e ele havia chegado na hora certa. Respirei fundo, você consegue.
Sai do quarto com os passos firmes e a cabeça erguida. A campainha tocava apressadamente.
- Calma ai – gritei, minha mão já estava na maçaneta.
Ah qual é? Porque estou assim? Já sou uma mulher formada e não uma garotinha de 16 anos apaixonada por ele. Sei o que devo enfrentar e não preciso me sentir tão... Insegura!
Abri a porta, e ali estava ele. Perfeito, com uma mão no bolso e a outra segurando o champagne e os cabelos visivelmente sedosos e bagunçados como sempre.
- Boa noite – cumprimentou-me.
- Boa noite – respondi, Oh Meu Deus cadê o ar dos meus pulmões?
- Não vai me convidar para entrar? – perguntou-me com ar de risos.
Morre Edward Cullen.
- Entre – caramba, o que esta acontecendo comigo? Parecia que eu nunca tinha o visto, era como se ele fosse um estranho conhecido. Senti vontade de pular em seus braços, mas eu não faria isso. Tenho meu orgulho!
Edward entrou sem antes deixar um beijo em minha bochecha e olhou todo o apartamento.
- Legal – sorriu – E eu trouxe champagne o Moet & Chandon.
Tinha tantas bebidas para ele trazer, e porque logo esse? Que é capaz de mexer com os hormônios de qualquer pessoa? E nos leva a fazer loucuras?
- Não pense que vai me embebedar com ele. – Edward rolou os olhos.
- Seja simpática Bella. – bufei.
- Tudo bem Cullen. – ele sorriu, peguei a bebida de sua mão e coloquei sobre a mesa da sala.
- O que está tocando na rádio? – perguntou-me.
Dei de ombros.
- Não sei – ele caminhou em direção ao meu rádio e o ligou, Harry de Mariana Elali começou a encher o ambiente.
Ele olhou-me interrogativo, encolhi os ombros.
- Vou buscar as taças – fui até a cozinha tropeçando em meus próprios pés. Eu não queria nada romântico, mas era isso que parecia.
Peguei duas taças e quando voltei à sala, Edward estava abrindo o champagne, estendi as taças e ele encheu os dois copos, com um sorriso nos lábios.
Porque eu sempre me esqueço de respirar?
- Como anda a vida, então? – perguntou-me.
Caminhei até o estofado e sentei-me cruzando as pernas.
- Boa, na medida do possível e a sua?
- Um tédio – riu sentando ao meu lado – perdi a mulher que amo.
- Sinto muito! Renée vai casar, suponho que você não a terá mais. – dei um gole.
- Não estou falando dela. – ele bebeu um pouco.
- Pensei que fossemos tocar nesse assunto mais tarde. – tudo bem.
A conversa rolou solta, e eu estava me sentindo mais relaxada e solta. Eu já ria a vontade, parecia que não existia mais nenhuma preocupação no mundo e mais bebida descia pela a minha garganta.
- Quer jantar? – perguntei a ele ficando em pé.
- Volte para cá, deixamos a comida para depois – piscou.
Foco Bella, foco.
Sentei-me ao seu lado, e fiquei olhando para minhas unhas.
- Posso lhe pedir um beijo? – perguntou-me levantando meu queixo e obrigando-me a encarar o mar verde.
Nossos rostos estavam se aproximando, e eu queria muito provar de seus lábios novamente, mas minha consciência o fez eu o empurrar para longe.
- Não Edward, isso é errado!
- Porque Bella? Dê-me um motivo.
- Porque eu não quero me iludir novamente! Porque você não sabe o quanto dói ir para um lugar para tentar te esquecer e me lembrar ainda mais de você, pensando como seria melhor se você estivesse presente, você não sabe como dói sentir sua falta, você não sabe o que é passar por cima dos próprios limites pra tentar te esquecer, e se arrepender por ter fracassado nessa tentativa inútil, porque simplesmente não adianta. Eu já cansei de dizer para mim mesma: ’”DESISTO’’, ah se você soubesse quantas vezes eu já desisti de você, já desisti de sofrer por você, já quis encontrar alguém que me fizesse tão feliz quanto você me fez, tentativas sem sucesso. E a verdade é que ninguém vai conseguir suprir a falta que você me faz e por fim, sabe o que me dói ainda mais? Te amar muito mais que antes.
Ele sorriu, enquanto eu levantava do estofado com as dores presas na garganta.
- Eu amo você, você não sabe quanto é bom ouvir isso.
- Você me ama? Eu não acredito! Sabe por quê? Porque me pergunto se de todas às vezes, que você disse que me amava qual delas foi a verdadeira? Talvez uma? Ou talvez nenhuma? Diga uma vez que você foi realmente sincero. Não consigo apenas viver sobre um céu de mentiras, mais eu sobrevivo, apenas por um motivo: você! E esse é o único motivo, eu sei que não devia, e nem poderia! Mas tente entender, você não é tudo pra quem eu posso viver, então, por favor, me diga a verdade, alguma vez você realmente pensou em mim? Alguma vez você segurou minha mão como se nunca fosse me deixar ir? Não, eu acho que não, mas agora tente entender, boas coisas duram pouco... Pra mim não vai ser assim, você estará sempre guardado em mim, só nunca esqueça que um dia eu amei você... Agora eu entendo, o céu e as estrelas nunca mentem, eu quero que você vá embora Edward, mas não se esqueça que você continua aqui em mim, quando precisar pensar em alguém, siga as estrelas, elas sempre mostram o caminho.
As lágrimas já estavam rolando pelo o meu rosto, era doloroso demais tentar dar um ponto final definitivo nisso. Por que isso não doía apenas nele, e sim em mim.
Edward levantou-se do estofado com os olhos molhados, segurou meu rosto entre as duas mãos obrigando-me a lhe encarar.
- Achei que todos mereciam uma segunda chance. — sussurrou.
- Não quero mais sofrer por ti. É doloroso demais, você acha que é fácil eu construir minha vida aqui e depois de quatro anos você aparece querendo colocar tudo em pratos limpos?!
- Eu achei que... — coloquei meu dedo indicador em sua boca, fazendo-o calar.
- Você achou errado Edward. — afastei-me dele, indo em direção a porta do meu apartamento. — Boa Noite — falei, com a porta aberta. Em um silencio mudo de "me deixe sozinha".
Edward sabia que lutar em uma causa perdida não teria mais jeito, ele apenas concordou com a cabeça.
- Sei que você vai ao casamento de Renée, e vou lhe provar que mereço uma segunda chance – ele disse antes de deixar um beijo em minha testa.
- Não perca seu tempo com uma causa perdida! Eu cresci Edward e construí meu futuro e você não está nele. – disse assim que ele saiu.
Fechei a porta com força, e colei minha testa nela.
- Eu não vou chorar, eu não vou chorar. Eu não vou chorar – repetia.
Nicke estava certa, toda essa conversa não ia me fazer bem. Mas eu já tinha dito, ele já sabia de tudo e um pouco mais do que deveria, eu levantaria a cabeça e seguiria em frente.
Prometi não derramar mais nenhuma lagrima por causa dele, e era isso que eu faria.
Notas finais
E não percam as esperanças, ainda falta o casamento da Reneé... Se a Bella for, KKKKK. Ok, parei.
Espero que vocês tenham gostado e até amanhã. Um grande beijo.
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