Meu Querido Padrasto.

48 Capítulo 33 - Parte 1.


- Vou fazer algo para comer, você quer? – perguntei, tentando mudar de assunto e ocupar minha mente com outras coisas, mas Nicke não cooperava.

- Não, Jensen me convidou para ir jantar na casa dele. Provavelmente eu só volte amanhã. – ela sorriu maliciosa.

- Cuidado para não quebrarem a cama – ri e ela rolou os olhos.

- Vou tomar um banho, até amanhã.

- Não se afogue – e a segui em direção ao meu quarto, Nicke entrou no seu que era de frente ao meu no mesmo corredor enquanto eu fui para o meu.

Agora eu tinha que organizar tudo que estava acontecendo.

Primeiro, mamãe me pediu desculpas pelo uma carta e depois disse-me que ia casar com o meu médico. Pura ironia não acha? Enquanto ela tem seu final feliz o meu ainda não chegou. Mas isso não importava, muito pelo contrário, eu sentia sua falta, saudades do tempo que tínhamos uma relação como ela mesma havia dito. Mas eu a perdoaria, aliás, o perdão é uma virtude dos fortes e ela como minha mãe, apesar de tudo ainda continuava sendo minha mãe.

Mas ir ao seu casamento, não seria fácil. Eu não sabia se eu estava pronta o suficiente para encarar tudo novamente, encara meus amigos e talvez até ele; mas eu deveria estar pronta, passaram-se anos e isso não é normal. Ele foi como outro cara qualquer que passou pela minha vida, só muda o modo que ele passou. Mas foi o mesmo com o Leo, Daniel, Jonhan entre outros.

Apesar dele ter sido meu primeiro namorado, e pelo o qual me apaixonei de imediato. Mas é como outro cara qualquer. Um simples cara qualquer!

Duas rápidas batidas na minha porta atrapalharam meus pensamentos. Levantei-me da cama e fui abrir a porta do meu quarto.

- Estou indo amiga, qualquer coisa, estou com o celular – avisou Nicke.

- Ok, eu vou dar uma volta também – avisei, ela concordou e saiu.

Olhei para meu guarda-roupa e me despi, eu precisava beber para esquecer tudo. Pelo menos por hoje, e se eu dormisse, eu ficaria pensando em tudo e eu não queria. Escolhi uma roupa rapidamente, e peguei minha bolsa, colocando a carteira e o celular. Passei a mão na chave em direção a saída, meu rumo seria: Delirios Aplle um bar tranquilo de alta classe, apesar de eu não ter tanto dinheiro assim era bom visitar. O barman me dava de graça as bebidas. Isso que dá ser gata. Ri.


POV EDWARD

Eu não entendo como estava sobrevivendo durante esses quatro anos, eu literalmente havia largado a empresa, estava tudo sobre minha irmã Alice, o que era uma injustiça, mas eu não conseguia trabalhar. Minha mente nunca se concentrava em nada, somente nela e o quão idiota eu fui a deixá-la.

Não importava se ela tinha ficado com o Jacobixa ou não, o que importava era que a amava e acabei a perdendo, eu sabia que merecia sofrer por tudo que eu havia feito. Eu queria poder voltar ao tempo e mudar completamente.

- Edward, vamos? – Alice estalava os dedos ao meu rosto.

Respirei fundo.

- Eu não quero, e, aliás, eu nem queria vir pra cá. Eu preferia ter ficado em Milão – eu havia saído de Forks, por não aguentar mais. Em tudo que olhava era dela que lembrava, que grande ironia. Como se Milão não fosse me recordar sobre tudo que vivemos juntos.

- Edward – minha irmã colocou meu rosto entre suas mãos pequeninas. – Estamos no Brasil, tente se alegrar. Quantas vezes você já veio aqui? Eu lhe respondo nenhuma e é apenas uma rápida reunião, não demorará nada. E eu não o queria vê-lo mofando dentro daquela casa e tão pouco dentro desse quarto de hotel. – ela pausou – E agora você vai levantar desse estofado, porque eu já consegui fazer você fazer a barba e vestir esse terno, não quero também obrigá-lo a sair daqui. – respondeu-me encarando-me profundamente.

- Me dê um bom motivo para eu levantar daqui – eu sabia que ela não tinha, por isso joguei baixo.

- Elizah vai me comer viva, mas ela está aqui no Brasil. – nós não dizemos mais o nome dela, desde o dia que parei de procurá-la.

Bella havia desaparecido completamente, e não deixou pistas. A única que sabia era Elizah – pelo o que eu sabia – nem Alice tinha consciência de nada. Ultimamente eu sentia raiva de Elizah, já que nós quase nos atacamos quando eu fui pedir o endereço de Bella, ela havia me dito coisas estúpidas, fazendo-me perder a cabeça.

“Você acha realmente que ela lhe quer de volta? Já faz duas semanas que ela se foi e você vem atrás dela? Quem mandou a deixá-la livre? Bem feito Edward, e ela não te quer e nunca quis, a deixe viver a vida e vá você viver a sua. Sabe porque Edward? Porque você não a merece, você não merece ninguém, e pior você não merece ser feliz!” foram essas as palavras de Elizah, as que mais me machucaram porque eu sabia que era verdade.

Eu não merecia a Bella e não merecia ser feliz, isso já havia sido comprovado.

- Bella não está aqui, não em São Paulo.

- Bom, aqui em São Paulo eu não sei. Mas está no Brasil, já é uma pista. Edward meu irmão, por favor, vamos? Eu não aguento lhe ver sofrer e não poder fazer nada.

Eu tinha que me manter vivo, pela a minha irmã, ela ainda precisava de mim.

- Vamos – respondi e ela deu seus pulinhos de sempre.

Arrumei forças de lá do fundo para levantar-me do estofado e a segui para fora do hotel. Alice tagarelava sobre o tempo, e sobre outros assuntos dos quais preferi não prestar atenção.

Pegamos um táxi em direção ao Delirio Aplle, que foi a única fala que Alice decorou e disse ao motorista que rapidamente ligou o carro e partimos.

POV BELLA

- O de sempre, por favor. – perdi ao barman, com um charme a mais.

- Aqui está – ele me entregou a taça de vinho, seguida de uma piscadela.

Sorri em resposta.

Segui até uma mesa próxima as paredes de vidros, e de onde eu poderia apreciar a música lenta. Um rosto conhecido entrou em minha vista, e seguiu em direção ao bar comprando uma bebida.

Sorri e levantei, com a taça na mão caminhando em sua direção.

- Thiago? – perguntei ao belo rapaz.

Thiago o carinha que eu havia conhecido algumas horas mais cedo, estava me avaliando. Olhando-me dos pés a cabeça, ele usava uma blusa azul escuro dobrada nos braços e os botões de sua camisa abertos com uma calça jeans preta.

- Olá Bella. Achei que você não frequentasse bares – disse ele.

- Esse eu frequento – ri.

Thiago pegou a garrafa de vinho, e uns tira gostos e o guiei em direção à mesa em que estava.

- Você não é daqui, acertei? – perguntou-me.

- Isso! Como sabe? – será que ele tinha revirado minha ficha escolar completa?

- Seu sotaque misturado com o português, dá para perceber que não é Brasileira de nascença. – ri

- Achei que você tivesse lido toda minha ficha.

- Fiquei tentado a fazer isso – ele deu um gole em seu vinho, sem desviar os olhos do meu rosto.

- Engraçadinho. – foi minha vez agora, molhei meus lábios sem cortar o ponto visual.

- Mas você ainda não me respondeu.

- Sou dos Estados Unidos, Forks conhece? – eu daria minha capa à tapa que ele não conhecia.

POV EDWARD

Quando entrei no Delirio Aplle senti que era ali que eu deveria estar. Um sentimento estranho, que preferi deixar de lado.

- Eles já chegaram, que merda! Estamos atrasados – sussurrou Alice me puxando em direção a uma mesa afastada do bar.

Minha irmã fez as devidas apresentações aos rapazes que estavam na mesa, com quem ela fecharia negócio.

Sentei ao lado de minha irmã de frente a pista, vi dois casais sentados em uma mesa bem afastada de nós. Era um rapaz moreno e uma moça de cabelos castanhos meio cacheados, algo me dizia que eu a conhecia. Mas deveria ser minha mente.

Comecei a prestar atenção no casal, sentido falta de minha criança. Eu tinha a certeza de varias coisas, mas principalmente de que enquanto as folhas caíssem, e uma brisa toca-se levemente meu rosto enxugando minhas lágrimas, ainda conseguiria sentir a dor que esmaga meu coração contra meu peito. Ele grita pedindo socorro, mais é um grito que ninguém jamais há de escutar. Sangrando, partindo, se desfazendo, é assim que ele vai ficar sempre, enquanto seu veneno insistir em permanecer em mim. A melodia da musica, rodeava meus ouvidos deixando visível todas as marcas da noite em que a deixei. Noite após noite sinto o quanto sua ausência me afeta, me destrói ainda mais. Mesmo que eu ainda possa sorrir, nada, NADA, vai esconder as marcas que foram deixadas em mim. Mesmo que eu sobreviva, eu ainda poderia morrer por ela.

Foi quando vi a garota segurar na mão do rapaz e levantar-se, mas não poderia ser. Não era ela, não era uma garota e sim uma MULHER idêntica a minha criança, mas não poderia ser. Era como se eu estivesse vendo o sol nascer novamente depois de tantos anos dentro de uma caixa escura, era como se eu conhecesse a felicidade novamente.

Bella e o rapaz conhecido foram em direção a pista, cutuquei minha irmã rapidamente e apontei com a cabeça para Bella, observei os olhinhos dela brilhar e o sorriso iluminar seu rosto. Eu tinha quase certeza que estava da mesma forma, eu queria levantar dessa cadeira e arrancá-la daquele rapaz com quem ela dançava.


Mas o ciúmes começou a me matar por dentro, quem era aquele rapaz? E o que os dois tinham juntos? Namorados ou ficantes? Eu não suportava pensar que minha criança poderia estar com outro. Mas o que eu queria? Ela veio viver a vida dela, então ela tinha toda a razão de namorar com quem quisesse.

Foi quando Bella apoiou a cabeça no ombro do rapaz, e meu coração parecia ter sido esfaqueado, eu sabia o que vinha a seguir, mas eu não precisava ver. Mas meus olhos não desviavam dos dois, quando Bella levantou a cabeça e eles se beijaram.

Não sei se foram horas, minutos ou apenas segundo. Quando seus olhos de chocolate encontraram-se com os meus, talvez tenha sido meu extinto que me fez levantar da cadeira e caminhar diretamente a ela. Decido.

POV BELLA.

Algo me fez olhar sobre Thiago, alguma coisa atraia a minha atenção. E foi no momento que encarei dois olhos verdes, os mesmos olhos que eu não via há anos, os olhos da pessoa que não deixava minha mente nenhum segundo se quer.

Meu coração bateu em falso, minha respiração ofegante.

Como seria capaz dele se tornar mais lindo do que era antes? Como uma pessoa poderia ter uma beleza surreal?

A música parou no momento que aquele homem levantou-se da mesa e caminhou em minha direção, com passos firmes e totalmente decididos e seus olhos devorando meu rosto e meu companheiro.

- Podemos conversar senhorita? – Perguntou-me Edward, ignorando totalmente o Thiago. [N/B: ED SEU IDIOTA, O PLANO É SIMPLES: CHEGA, ROUBA ELA DOS BRAÇOS DELE E DÁ UM BEIJÃO NELA, ARRASTA ELA PRO CANTO ESCURO E PÁ]

- Estou ocupada, volte mais tarde – lancei toda a frieza que havia em meu corpo em sua direção, e puxei Thiago para longe dele.

Foi no momento em que senti uma mão segurar firme meu braço. Obrigando-me a parar.

- Você está me machucando – reclamei, tentando puxar meu braço de volta.

- Temos que conversar. – rebateu.

- Bella não tem nada para conversar com você e se não for pedir muito, solte-a. – disse Thiago colocando-se a minha frente com sua mão no braço de Edward.

- Tire suas mãos de mim, se ainda quiser ter um braço amanhã – rosnou Edward.

- Está me ameaçando? – Edward soltou-me e cruzou os braços a cima do peito.

- Estou. – respondeu.

Eu sabia muito bem onde isso terminaria, e eu não queria que tudo acabasse em sangue. Fiquei entre os dois, afastando-os.

- Se quiserem se matar, façam isso do lado de fora. Por favor!

- Não machucarei seu amigo, se você me der apenas 10 minutos de sua atenção. – o encarei abismada.

- Vá Bella, não lhe deixará em paz até que você o der atenção.

- Thiago não... – comecei, mas fui interrompida.

- Vá logo, estarei na mesa esperando-a. – concordei com a cabeça.

Edward indicou-me a saída com a cabeça, um convite mudo. Caminhei a sua frente, amaldiçoando-o a cada segundo. Quem era ele para atrapalhar minha dança? Melhor, quem ele pensava que é para chegar na moral, depois de quatro anos desaparecido e do nada querendo “conversar”?! Ah vá.

A movimentação da pista estava pouca, apenas alguns carros estavam pegando essa rota. Cruzei os braços quando ele parou a minha frente.

- O que você quer? – perguntei rudemente.

- Achei que com o passar dos anos você ficaria mais simpática.

- O que você quer? – retornei a perguntar.

- Precisamos conversar. – diga-me algo que eu não saiba. Pensei.

- Não, não precisamos. Agora será que posso voltar à minha mesa?

- Não lhe deixarei ir até que tudo esteja resolvido. — sorriu torto.

- Resolvido o que? Você me manda ir embora e viver minha vida, e é isso que estou fazendo, vivendo minha vida. Depois você retorna dizendo “precisamos conversar”, não sou otária.

- Eu sei que não é, por isso lhe admiro muito. – rolei os olhos. – vamos apenas tentar encaixar tudo ao seu devido lugar.

Não importava, quanto mais eu negasse mais ele insistiria. Eu tinha que retornar ao meu doloroso passado, mesmo sabendo que o passado é uma lição para refletir todos os meus erros, assim fazendo-me não os cometer mais.

- Sei que você quer construir seu futuro Bella. Mas para ficarmos livres, para sabermos o que o futuro nos aguarda, temos que estudar o passado, conhecê-lo e principalmente entendê-lo.

Isso era algo meu, eu não queria concordar com ele mesmo que ele estivesse certo. E eu o conhecia o suficiente para saber que teríamos que conversar.


x.x

- Já se foram quatro anos e lógico que ficarei bem. Ele não me afeta mais... – eu acho. Nicke não acreditava nem um pouco que minha ideia poderia funcionar. Não tinha como eu conversar com Edward sobre um passado que estávamos fugindo naquela boate. Seria aqui em casa, essa noite. O fim.

- Isso é bom, então vou ajudá-la a preparar o frango e depois vou para casa da titia, já que Jensen está no trabalho. – disse Nicke.

- Tudo bem, então mãos à obra! – formos à feira e compramos tudo que era necessário para o jantar.

Eu poderia estar fazendo a maior merda de toda a minha vida, mas eu tinha que fazer, e eu já estava decidida. Eu diria tudo a ele, tudo que estava preso em minha garganta desde o início e o mandaria embora! Seria isso.

- Vou comprar umas frutas – avisou-me Nicke.

- Ok, vou ficar por aqui olhando as coisas – estávamos em um supermercado, enquanto fiquei olhando os ingredientes para comprar, Nicke havia ido atrás das frutas para enfeitar a mesa.

Olhei em minha lista o que faltava:

1ª Manteiga

2ª Coxas de frango

3ª Raiz de gengibre

4ª Capim limão

5ª dedo-de-moça

6ª coentro fresco

7ª Leite de coco.

Faltava apenas o leite de coco, segui os corredores em direção a prateleira onde ficava o tal ingrediente. Fui pesquisando os preços quando o encontrei.

Peguei o de 400ml e coloquei dentro do carinho, riscando o papel em seguida.

- Olha, olha, como esse mundo é pequeno. – ouvi uma voz enjoativa atrás de mim. Mordi o lábio antes de me virar.

Notas finais
OMG, OMG, OMG. EDWAAAAAAAAAAAAAAAAARD CULLEN. ~morrendo~ kkkkkkkkkkkkkk.
Até amanhã, meus lindos, um grande beijo. Espero que gostem. :*