Meu Querido Padrasto.
47 Capítulo 32
04 ANOS DEPOIS.
Mas isso não seria tão fácil quanto parece.
Pode ter se passado quatros anos e eu ainda continuo pensando nele, em como ele está, com quem está ou o que esta fazendo. Mas não o vejo comigo e nem eu com ele, não vejo como nossos destinos podem se cruzar novamente, por que agora estou no outro lado do mundo e ele? Eu não sei.
Mas se eu o encontrasse por acaso, agradeceria. O agradeceria pelo os melhores momentos ao seu lado, por te me ensinado a amar e não menos importante por ensina-me a viver!
- OOOI? Terra para Swan? – Nicke atrapalhou meus pensamentos.
Encarei- a pedindo desculpas e voltando a prestar atenção ao dever de Geometrica de Bia (prima de Nicke que conheci em São Paulo).
— Pensando nele novamente, Bella? – perguntou-me quando nada respondi.
Eu olhava para os cálculos no papel branco não sabendo por onde começar.
- Bella, sai dessa amiga. Já se passaram quatro anos, ele deve estar casado ou... – ela deixou a frase morta no ar.
Ou até tivesse esquecendo-se de mim. Acrescentei em pensamento.
- Eu sei, e eu não estava pensando nele. Eu estava pensando em como resolver os cálculos. – ela levantou uma sobrancelha.
- Então, porque escreveu um monte de E.C seguidos de corações na borda da folha? – perguntou-me com ar de riso.
- Eu não escrevi nada disso – rebati, olhando para a folha que estava sobre a mesa. No começo achei que fosse minha visão pegando-me uma peça, mas não era. Eu mesma havia desenhado corações pequenos e as letras E e C.
Sorri tristonha.
- Cansei, mais tarde eu tento novamente, te encontro em casa? – perguntei a ela.
- Aham, logo mais eu vou indo.
- Tudo bem – falei colocando os livros na bolsa e a jogando-a sobre o ombro.
Estávamos na biblioteca de São Paulo há horas, e faria horas que eu ficava pensando nele. Nicke estava certa, eu tinha que esquecê-lo e viver minha vida. Foi com esses pensamentos que esbarrei em uma pessoa, fazendo meus livros caírem no chão.
- Me desculpe – apressei-me a dizer.
- Está tudo bem, não precisa se desculpar. – Disse o rapaz de olhos azuis escuros, os cabelos encaracolados baixo, musculoso em média com uma altura mediana.
- Desculpe novamente – sorri sem jeito. Abaixando-me para juntar os livros, o moreno me ajudou e me entregou alguns que havia caído – Obrigada, e sou Bella – respondi.
- Thiago Martins – ele sorriu abertamente, mostrando todos seus dentes brancos.
Seu sorriso era acolhedor e me fez sorrir animadamente, coisa que eu não fazia a muito tempo.
— Foi um prazer conhecê-lo – respondi – então vou indo.
- O prazer foi meu, espero encontrá-la por aqui mais vezes.
- Venho todo dia – ele sorriu – até amanhã. – respondi dando-lhe um rápido beijo na bochecha e caminhando.
Eu não sabia o que tinha me levado a fazer tal ato, já que eu não era assim. Mas algo nele me mostrava confiança, animação e... Romance? Mandei o pensamento para longe e segui meu caminho.
Sabe aquela sensação de você estar sendo seguida, mas não pela a pessoa e sim pelo o olhar dela? Foi com essa sensação que eu atravessei os portões da biblioteca. Era tão estranho estar voltando para casa; não, melhor dizendo, era estranho falar “minha casa”, nos últimos anos eu havia conseguido um bom emprego como estagiária de advocacia e estava terminando minha faculdade de direito e Nicke estava como estagiária em uma grande revista de moda e finalizando sua faculdade do mesmo e com sua ajuda compramos uma casa para nós duas, era pequena; apenas com dois quartos, um banheiro, sala, cozinha e área de limpeza. Como nenhuma de nós havia conseguido um bom dinheiro para comprar um carro, então usávamos as motos, de segunda mão, mas pelo menos andava. E sem contar que eu estava aprendendo a falar português, coisa que não era fácil. Mas por sorte, os professores e alunos sabiam falar inglês, então de vez ou outra eu vacilava no português e corria para minha língua. Nicke estava namorando já faria anos e queria casar, eu sempre ria muito quando ela comentava que Jensen tinha medo de casamento, e sua suposição era “ele acha que vou atacá-lo no meio da noite”. Mas o que não passava de ser verdade. Ri de meu pensamento.
Eu apenas achava que ele não se sentira seguro de se casar, apesar de amá-la. Mas homens como são homens, acham que depois de casados eles vão ficar para sempre presos. Uma grande idiotice na minha opinião.
Tirei o capacete do guidom e o coloquei na cabeça, em seguida tirando a chave da bolsa e subindo em cima da moto, em seguida a ligando.
Jacob Black poderia ter me feito muita coisa ruim, e em umas delas terminar com meu namoro-terminado. Mas, pelo menos uma coisa boa ele havia me ensinado. Como por exemplo, dirigir moto.
Cheguei em casa dentro de poucos minutos, estávamos morando em um apartamento pequeno de somente cinco andares e estávamos no segundo. Apertei o botão do elevador e subi, logo que as portas se abriram mostrando meu andar, fui até a porta do meu “apê”, em cada andar só havia três pequenos apartamentos. Abri a porta, entrando e deixando os livros sobre o pequeno estofado.
Tomei rapidamente um banho, quando ouço a porta principal ser aberta.
- BELLA, CHEGUEI – gritou Nicke anunciando sua chegada.
Sai do banho e fui ao meu quarto, vestindo minha roupa de dormir. Um blusão preto e um short branco curto eram ótimos para dormir.
- Bella chegou uma carta para você – disse Nicke, quando fui até seu encontro na sala.
- Carta? – perguntei abismada, eu não recebia cartas. Ao contrário, as meninas ligavam todo dia para mim, desde o dia que sai de Forks. A saudade de revê-las era enorme, mas eu não estava disposta a voltar, não agora quando minha vida estava caminhando para o caminho certo.
- Isso, é... – ela pausou – é da Renée. – disse relutante, estendi a mão para pegar e ela me entregou.
Renée nunca havia me ligado e tão pouco mandado cartas, isso só poderia ser uma brincadeira de muito mau gosto, olhei no remetente e era realmente a letra de minha mãe.
Renée Swan – EUA – Forks.
Olhei para Nicke que estava em pé olhando-me curiosa.
- Abre – mandou.
Rasguei o envelope e abri a carta, meu coração agitado.
Minha filhota. Era o que estava escrito no inicio.
“Sinto saudades suas, agora reconheço o quão estúpida eu fui e sei que você deve estar achando tudo isso uma pura ironia. Sua mãe depois de quatro anos, lhe mandando uma carta, nem ao menos ligou para saber como você estava. Mas, eu estava com medo Bella, medo de ser rejeitada pela a minha própria filha como fiz contigo. E peço perdão por mais que você não vá me perdoar, sei que é muito tempo que ficamos longe. Mas sinto sua falta, eu estava tão cega de raiva de Edward e acabei descontando em você e isso eu não queria, sei que não é coisa que se faça, mas peço perdão... E não brigue com Elizah, apesar de ter sido ela que me passou seu endereço... Mas foi porque eu só faltei ajoelhar aos seus pés.
Ninguém é perfeito, e tão pouco eu. Mas todos merecem uma segunda chance e eu não seria uma exceção a essa regra, fiz tolice no passado e sei que nada vai apagar o que fiz, mas sou sua mãe e quero voltar a ter o relacionamento que um dia eu tive com minha filha.
Você sempre será minha filha, não importa o que eu tenha dito no passado. Nada apagará o sentimento que tenho por ti Bella, você faz parte de mim, do meu futuro, passado e presente e sempre fará. É sangue do meu sangue, e não há mais ninguém na face da terra que lhe ame mais do que eu, e que lhe entenda como sempre entendi. Pensei eu, que poderia se tornar mais jovem namorando um cara que me fizesse voltar ao meu passado, quando eu podia fazer o que quisesse sem me preocupar com o futuro. E foi assim que fiz, mas meu erro foi ter lhe esquecido, eu não me preocupei contigo, achando que você poderia se virar. Eu lhe via como uma colega de casa, alguém para conversar e contar fofocas, eu me via no auge da adolescência quando os hormônios estão à flor da pele, e quando você está feliz pelo seu primeiro namorado que seus pais aprovaram. Mas eu não deveria ter feito isso, coloquei um homem a sua frente e isso não é perdoável, mas conheço minha filha e sei o coração bom que nela existe.
Em meu papel de mãe, eu devia ter levantado a cabeça e ter aceitado o “namoro” de vocês, por mais que antes eu estivesse casada. Edward havia me contado e eu fiz a burrice de dizer que não aceitaria, porque me doía ver o cara que achei amar com minha filha, doeu imaginar o que vocês faziam enquanto eu estava longe e doeu ainda mais perder minha filha para o outro lado do mundo, onde não tenho nem oportunidade de visitá-la. Minha filha agora é uma mulher com 20 anos, e eu não sei se está casada, ou morando sozinha. Se já me deu uma neta ou neto, ou se está com planos para me dar... Mesmo que você não acredite em nada que eu havia dito aqui, entenderei.
E espero que você esteja feliz vivendo onde está e com quem está. Porque, sua felicidade é a minha, sempre foi e sempre será.
P.s: vou me casar com o Dr. Luiz, lembra-se dele? O médico que lhe atendeu depois do acidente? Ficaria grata se viesse, mas se não... Entenderei.
Será dia 15 de Agosto de 2015.
Renée Swan Malfy.”
Eu não acreditava no que tinha acabado de ler, olhei para minha amiga desamparada, mas ela deu um sorriso fraco.
- Você vai? – foi sua primeira pergunta.
- Não sei – respondi, colocando a carta de volta no envelope.
Seria daqui três meses e alguns dias, voltar agora não sei se me faria bem ou mal. Além, de estar sentindo horrores de saudade de minha mãe, e precisava conversar com ela o mais urgente que conseguisse.
Mas eu tinha medo de encontrá-lo por acaso.
Notas finais
Espero que gostem e se gostarem, comentem. Um grande beijo. Até amanhã.
P.S: Porque o ano de 2015? Porque essa história foi escrita no ano de 2011 na virada para o 2012, ok? E é o futuro. KKKK
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