Meu Querido Cupido
40 O início do fim
Notas iniciais
HAYLEY
Stacy me viu na festa. Assim que seus olhos esbarraram em mim, ela pediu licença para o Bruce e se aproximou. Eu não queria falar com ela.
— Olá! — Tentou ser amigável, ocupando a cadeira vazia ao meu lado.
— Oi.
— Não sabia que viria para a festa... — Stacy me encarava, tentando me decifrar.
— Decidi aparecer. O assunto estava correndo lá no Bar. — Respondi, observando os casais dançarem.
— Ah, sim... — Logo após isso ficamos em silêncio. — Você não parecia bem hoje quando chegou, tem algum problema? — Continuou tentando conversar comigo. Acho que percebeu que eu estava chorando há um tempo.
— Nada que importe.
— Hayley? Não vai mesmo me contar? Falei para você que podia confiar em mim naquele dia.
Me virei para ela, sentindo raiva.
— Que gentileza a sua, Stacy! Largar seu lindo namorado para vir até aqui me consolar. Já tentou se colocar em meu lugar? Você sabia o tempo todo que a Cassie e o David tinham alguma coisa, mas escondeu de mim! Vocês... Vocês duas nunca foram minhas amigas.
Stacy me encarou.
— As coisas não acontecem como planejamos, Hayley! Tem muita coisa acontecendo, ninguém escolheu magoar você. Talvez esteja na hora de aceitar que Cassie e David precisam ficar juntos. — Stacy me deu um sermão.
— Fala isso porque já ganhou o que queria... — Virei meu rosto e cruzei meus braços.
— Ha! — Stacy riu. — Você não sabe nem metade da história.
Suspirei.
— Olha, a Cassie gosta mesmo de você. Eu conheci ela e vi que ela é uma boa garota. Eu costumo saber quem é boa pessoa e quem não é. E a Cassie é a garota mais verdadeira que já conheci. Não faz sentido vocês ficarem brigadas!
Naquele momento parei para refletir. Apesar de odiar admitir, Stacy tem razão. Cassie nunca tentou me fazer mal. Mas fez algo pior... Tomou o David para ela.
— Confessei tudo o que sentia para o David, e agora ele deve me achar uma idiota. — Me abri.
— Tenho certeza que não.
Naquele momento me veio à cabeça o Dean, e tudo o que ele me disse. A vontade de chorar voltou, e o medo também. Olhei para a Stacy e me lembrei das vezes em que saímos juntas. Ela está aqui. E se Dean aparecer, as coisas podem complicar para o lado dela, também.
— Eu vi uma coisa. — Falei o que não devia.
— Como?
— Dean. O-o cara que saía com a Cassie. — Me vi contando toda a verdade para a Stacy, e sei que não deveria fazer isso. Mas éramos amigas. Apesar de todas as intrigas e coisas ruins, nós criamos algo bom. Uma amizade, mesmo pequena.
— O que quer dizer? — Pensei que Stacy não se interessaria, mas ela pareceu alerta quando falei do Dean.
— E-eu vi uma coisa. Não vai acreditar em mim, mas eu estava ajudando ele a conquistar a Cassie. Ele me garantiu que tiraria ela de perto do David. No começo pareceu algo legal, mas ele começou a ficar estranho, então... Um dia os olhos dele mudaram de cor, e ele foi tão cruel comigo. — Olhei para baixo e me lembrei da cena, os olhos inundando outra vez.
— Hayley, quer me contar o que está acontecendo? O que o Dean fez? — Stacy segurou meus ombros.
Eu neguei com a cabeça, começando a chorar.
— Ele não é normal, Stacy. Ele vai machucar a Cassie. Acho que vai machucar qualquer um que estiver com ela. — Finalmente voltei a olhar para ela — Apesar de tudo, não quero que ele machuque o David!
— Ele te ameaçou? Ele está aqui? — Stacy gritava em meio a música alta, tentando me fazer falar.
— Ele não é normal... — Repeti. — Tentei contar para o David, mas ele fez eu me sentir um lixo.
— Hayley, me responda! Dean está nesta festa? — Os olhos da Stacy carregavam medo. Espanto.
— Ele está vindo. Eu o ajudei. Eu contei para ele sobre o baile. — Sussurrei, e ela congelou na mesma posição, me olhando, sem reação alguma, tentando acreditar.
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Cassie
Eu e David perdemos o controle. Procuramos pelo quarto às pressas, e assim que empurramos a porta do meu com força, continuamos o beijo que havíamos iniciado no corredor.
Trancamos a porta e continuamos. Minutos de um beijo desesperado foi o bastante para reacender aquele momento que havíamos parado. Agora eu sentia a mesma coisa, o mesmo desejo. Queria me entregar a ele e me esquecer de tudo, de cada regra que nos impedia de ficar juntos.
Quando olhei para ele, tive certeza que agora não iríamos parar. Eu podia ver isso em seus olhos. Agora sim estávamos avançando.
De repente nosso ritmo ficou mais lento. Até mesmo a música alta no andar de baixo não existia mais. Éramos apenas nós dois.
Fiquei imóvel, enquanto ele levava sua mão até o zíper do meu vestido vermelho.
Assim que o vestido se abriu, caiu no chão rapidamente, e naquele momento me senti um pouco menos corajosa, vestida apenas com meu sutiã e a parte de baixo. Rapidamente evitei olhar para ele, dirigindo meu olhar para o chão.
Acho que David percebeu minhas bochechas ruborizando, então ele levantou meu rosto, para encará-lo.
— Você é linda. — Sua voz, cheia de desejo, era deliciosa de ouvir.
Suspirei, sentindo seu olhar por todo meu corpo, de baixo para cima. Era impossível negar, realmente estava me sentindo desejada, seu olhar denunciava o que ele estava sentindo.
Ainda me sentindo extremamente envergonhada, não sabia o que fazer. Foram pouquíssimas as vezes que fiz isso. E foi com um só rapaz, e eu mal sentia algo por ele. Na verdade, não sentia quase nada.
Mas agora é com o David.
E fiquei me perguntando quantas vezes ele já fez isso, e como deve ser experiente. E também a quantidade de garotas que já ficou... Aposto que eram todas ousadas, sabiam como agir em um momento assim...
— É você que eu quero, Cassie, e mais ninguém. — Beijou meu pescoço. — Exatamente porque você é assim — deu outro beijo — desse jeito. A forma como age... — E mais outro. — E como se intimida com um único olhar... Minha ingênua Cassie...
Ele notou que eu mal me movia, então ele mesmo tirou seu smoking, e em seguida a blusa social, bem rápido, seu perfume leve e delicioso se espalhou.
Agora eu tinha a ampla visão de seu corpo sem camisa. Os braços fortes, o peitoral... Aquela mesma visão que tive naquele dia. Fiquei ansiosa para ver suas costas, para encontrar a tatuagem.
Após vê-lo assim, sem camisa, só para mim, minha coragem voltou, e eu voltei a beijá-lo. Ele sabia exatamente o que fazer para tirar o meu pior lado.
Sua pele quente contra a minha, tão macia, o seu beijo, cada toque... Eu queria isso todos os dias, estar assim tão próxima dele. Só para mim, sem mais nenhuma outra garota o desejando.
Foram longos minutos assim, estávamos próximos de intensificar, foi quando bateram em nossa porta. Desesperadamente.
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Stacy
Depois do que a Hayley me disse, ela correu feito louca. Parecia estar fora de si. Nunca a vi nesse estado, mas sabia que ela estava falando a verdade. Assim que ela me deixou sozinha, no meio da festa, eu olhei para cada canto da mansão.
Colin rindo, Louis se divertindo, garotas sorrindo e passando as mãos suavemente no dorso dos cupidos... Aquilo estava prestes a acabar. Alguma coisa ruim iria acontecer.
Quando me recuperei do choque, corri desesperadamente procurando pelo Bruce.
— O que houve? — Perguntou quando eu o abordei, desesperada.
— A festa precisa acabar. Precisamos fazer alguma coisa! — Gritei.
— Espere. — Ele fez um sinal se despedindo do cupido com quem conversava e logo se voltou para mim, completamente preocupado. — O que aconteceu com você?
— Hayley me avisou que o superior sabe sobre a gente. Que ele está a caminho da festa. Talvez até esteja aqui!
Bruce franziu a testa para mim e me envolveu em seus braços. Franzi minhas sobrancelhas e o abracei, suspirando e sentindo seu cheiro e seu abraço.
— Me leve para o quarto. Faça o que precisa ser feito! — Pedi.
— O quê? — Perguntou indignado.
— Apague minha memória, Bruce, antes que seja tarde demais. Faça isso hoje e agora! Não temos muito tempo! — Gritei mais uma vez, olhando para os lados e segurando nele, bem firme.
Pensei que ele fosse dizer alguma coisa, mas ele apenas se calou e consentiu.
— Precisamos avisar o David.
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Cassie
Me vesti às pressas, enquanto ouvia Bruce conversar com David na porta do quarto. Quando meu vestido estava em seu devido lugar, eu me juntei a eles.
— Leve a Cassie para longe daqui. Tente levá-la para algum lugar seguro. Ou talvez não... Droga, já é tarde demais. Eles vão nos encontrar de qualquer jeito.
— O que está acontecendo? — Apareci na porta.
— Dean está vindo. Os superiores sabem que estamos aqui. — Stacy respondeu, estava agarrada em um braço do Bruce.
— Precisamos ir, irmão. — Bruce falou, acompanhado da Stacy. Em seguida os dois entraram no quarto mais próximo. Fiquei sem entender, mas a esse ponto o desespero já havia tomado conta de mim.
David se voltou para mim e tentou me acalmar.
— Faça o que eu disser.
Eu assenti.
Ambos nos vestimos e corremos para descer as escadas. Cogitamos fugir pela janela, mas a esse ponto a mansão está rodeada de superiores nos esperando do lado de fora. Optamos sair pela porta inicial, e enquanto descíamos a escada, a mansão já se encontrava praticamente vazia. Todas as garotas que estavam na mansão foram expulsas, porque corriam o risco de descobrir o que não deviam.
Ficaram alguns cupidos, que já foram avisados que os superiores estavam chegando.
Eu e David passamos pela porta inicial, e assim que paramos do lado de fora, Dean já nos esperava.
Foi um choque.
Ali estava ele, e em seus braços, Hayley, desmaiada, seus olhos fechados, pendurada nos ombros do Dean enquanto ele a segurava.
Ele sorriu quando nos viu, eu abraçada com o David.
— Eu estava esperando por vocês. Olha... — A cada palavra Dean dava um passo até nós. — Foram espertos em expulsar cada garota iludida que estava presente. Já pensou se elas vissem o que vai acontecer aqui? Olha, seria um massacre de garotas bonitas...
David me apertou um pouco mais, me segurando firme contra seu corpo.
— Sabem que acabou. — Dean continuava.
Eu podia sentir a fúria do meu cupido, maxilar tenso, respiração carregada, cheio com ódio.
— Essa brincadeira de esconde-esconde tem que parar. Vocês quebraram as regras. — Dean continuava um pouco longe, quase próximo ao lago. — Se ambos se entregarem, serão poupados de uma luta...
Naquele momento os cupidos da mansão começaram a aparecer. Inclusive Colin e Louis. Estávamos todos observando Dean, agora.
— Por que não me matou quando teve chance? — Gritei, exalando meu ódio e desprezo por ele.
— Sou eu quem faço as perguntas. Eu sou o superior. — Dean riu de mim. — Eu imponho as regras.
— Largue a Hayley. Ela não está envolvida nessa história. — David pediu.
— Ah, ela está sim. — Naquele momento Dean colocou a Hayley cuidadosamente no chão. Parecia uma princesa adormecida. — Vamos resolver isso daqui na forma humana. Um trato. Me dê a Cassandra e eu poupo a vida dessa aqui. Ou então, as duas morrem.
David riu.
— Não vai rir assim quando eu estiver com a linda Cassie em meus braços. — Dean falou.
— Você não é um bom superior, Dean. Não é assim que as coisas se resolvem. — Um cupido da mansão interferiu.
Colin se colocou ao nosso lado naquele momento e perguntou:
— Podemos atacá-lo?
David fez um sinal com a mão, indicando que ainda não.
— Sabe que eu não vou entregá-la. — David respondeu.
Dean se abaixou ao lado da Hayley no chão, e inesperadamente tirou um canivete do bolso.
— Se entregar a Cassandra, vai poupar a vida dessa aqui. Estou sendo paciente, David... Decida. — Dean nos olhou, apontando a faca para a Hayley.

➴ ➵ ➶
Stacy
Estou preparada, deitada na cama neste exato momento, enquanto tenho certeza de que algo ruim acontece nos andares de baixo.
— Pronta? — Bruce me perguntou, se assentando na cama, bem perto de mim.
— Estou. — Engoli a seco, meu coração estava disparado. Já não tenho tanta certeza sobre o que vai acontecer comigo. Talvez essa seja a última vez, afinal. — Vai... Doer?
— Não. Você só vai ficar cansada. Normalmente fazemos isso quando estão dormindo. — Me olhou com carinho, acariciando meus cabelos. Tenho certeza de que ele está tão nervoso e desesperado quanto eu. Sei que ele queria estar lá, ajudando os amigos a enfrentar os malditos superiores.
Mas talvez esse seja o nosso último momento juntos. Precisa ser especial.
Nesse momento, pode parecer errado, mas esse quarto é o nosso refúgio, antes que os superiores nos encontrem. Estamos longe de todo o caos. Somos apenas eu e o Bruce.
— Obrigada por tudo, Bruce. Por me notar quando eu era apenas uma sombra nas esquinas do Brooklyn. Obrigada por me devolver a vontade de tentar. — Olhei para ele, com toda a gratidão do mundo. Meu cupido... Meu Bruce... O que será de nós daqui para frente?
— Feche os olhos. — Ele pediu, e vi lágrimas em seus olhos. Meu Bruce chorando. Aquilo me cortou. Eu o obedeci.
Tentei relaxar, mas minha respiração falhou. Meus lábios tremeram por causa da vontade de chorar. Não quero deixá-lo... Não quero me esquecer dele.
Um leve incomodo surgiu. Senti um sopro, de repente. Fazendo jus ao que ele disse, me senti extremamente cansada, como se tivesse que dormir. Antes de me apagar por completo naquela cama, enquanto os superiores acabavam com tudo, eu ouvi o que esperei por tanto tempo:
— Eu te amo, Stacy.
Só então me permiti esquecer.
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