Meu Querido Cupido
39 O Baile
Notas iniciais
16:57
Stacy está diante de uma penteadeira e juntas contemplamos seu reflexo no espelho. Ela está sentada e eu estou atrás dela, com seus fios de cabelo em minhas mãos. Seu cabelo é cheiroso, um perfume que me lembra... bem, Stacy.
— Ai. — Ela reclama porque passei o pente rápido demais nos fios.
— Desculpe. — Ri, fazendo uma expressão de culpada. — Não sou boa nisso. Talvez seria se o seu cabelo tivesse a forma de um prato ou hambúrguer. Mas estou dando o meu melhor. — Ri.
— Tudo bem. — Após dizer isso ela respirou fundo, demonstrando preocupação. E eu sabia que não tinha nada a ver com a minha péssima habilidade em arrumar cabelos. É sobre o seu destino.
O baile vai começar à noite. Falta pouco tempo para os convidados começaram a aparecer. Vai vir cupido de tudo quanto é lado. Alguns do Bar dos Cupidos foram convidados também. E principalmente as garotas que lá frequentam.
— Algo me diz que a sua festa vai entrar para a história. — Comentei, penteando seu cabelo com mais cuidado.
— Tomara. Acho que mereço isso. Uma festa com o Bruce. No meu caso — ela se virou e olhou para mim maliciosamente — com o meu cupido.
Ri e balancei minha cabeça.
— Devo dizer que estou confiante, Cassie. Acho que vai dar certo. Eu vou me divertir com o Bruce nessa noite e vai tudo acabar bem. — Ela abriu um sorriso para si mesma através do espelho, tentando se convencer.
Não consegui dizer nada. Tive medo de lhe dar esperança e acabar tudo dando errado para ela. Apenas continuei ajeitando seu cabelo.
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19:08, noite do baile
O céu escureceu. Contemplei a mansão do lado de fora, através da janela do meu quarto. Estrelas estão aparecendo e a paisagem do lago fica muito mais bonita à noite.
Pensei no David o dia todo. Em nosso beijo e em suas mãos. Foi difícil me concentrar. Eu o vi apenas de manhã. Ele parece bastante ocupado, planejando algumas coisas com os outros cupidos e decidindo o que fazer e como se manter longe dos superiores. Mal tivemos tempo para conversar.
Estou em meu quarto e pensando em uma boa opção de roupa para participar da festa. O que mais tenho são blusas — algumas com manchas — com estampas e calças jeans. Na minha mala que ainda não toquei, procurei por alguma coisa. Qualquer coisa apresentável.
Foi quando me lembrei dele. O vestido vermelho.
Minha mãe me deu o vestido de presente na época em que namorava um mecânico. Me lembro de vesti-lo quase todos os dias para tirar fotos com poses engraçadas: Fazendo bico, com o boné do namorado da minha mãe na cabeça, batom vermelho, mão na cabeça e fazendo uma careta.
O vestido chega até as cochas, é um pouco agarrado e tem um zíper na frente, que vai do decote até as cochas. Podemos dizer que ele é provocante. Na verdade, bastante.
Apesar de estar nervosa e confusa com tudo o que está acontecendo, quero desconcertar o David nesta noite. Quero mostrar do que posso ser capaz. Há um tempo atrás tudo o que queria era ficar longe de todos os problemas. Cumprir todas as regras impostas pelos superiores e não manter contato com o meu cupido, mas agora, tudo isso já não faz mais sentido. Uma rebeldia tomou conta de mim logo após sentir os lábios e a pele do meu cupido tocando a minha.
Preciso me controlar.
Após tomar um banho demorado, subi o zíper do vestido, confiante, e logo em seguida calcei meu melhor par de calçados. O mesmo que usei no encontro com o... Dean.
Quando estava terminando, Stacy apareceu em meu quarto, para verificar se eu estava pronta.
— Uau! — Exclamou quando me viu. — Não estou acostumada a te ver assim. — Entrou no quarto, sem tirar os olhos de mim.
— E você não está nada mal. — Comentei, observando seu vestido esmeralda, era curto, um pouco largo e de tecido leve.
Enquanto me analisava, Stacy não ficou satisfeita com algo.
— Acho que precisa prender o cabelo. Seu rosto destaca, e você tem traços doces e delicados, Cassie. Precisa ser mostrado. — Stacy veio por trás de mim e logo agarrou meus fios, começando um coque. — Senta aqui, você é mais alta que eu daí complica. — Ela me fez sentar em uma das cadeiras do quarto.
— Não precisa, eu estou...
— Precisa sim. Estou retribuindo o que fez por mim. Mas não esquenta, não vou arrancar seu cabelo assim como fez comigo. — Continuou o penteado, enquanto eu ri e escondi meu rosto com as duas mãos.
Quando terminou, me encarei no espelho. Estava diferente, realmente. E me sentia diferente por dentro. Ao menos uma vez, mais confiante.
E o penteado que fez em mim estava muito mais glamousoro do que o que fiz nela.
— Essa será a nossa noite, Cassie! — Stacy se colocou ao meu lado e sua voz saiu serena e cheia de certeza.
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Stacy acabou de descer. Continuo em meu quarto, encarando o lado de fora pela grande janela. Posso ver alguns cupidos chegando. Peguei no flagra um deles pousando e vi suas asas. Mas não havia nenhuma garota na casa, ainda. Minutos depois outros cupidos chegaram de carro, acompanhados de belíssimas garotas muito bem vestidas. Todos entraram na mansão. Mas ainda havia muita gente prestes a chegar, tive certeza.
Respirei fundo mais uma vez e me preparei para descer.
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20:27
Enquanto eu descia a grande escadaria da mansão, todos levaram seus olhares até mim. Estavam todos ali na sala principal, cupidos e garotas. Não posso negar, me senti incrível com todos aqueles olhares em mim, apesar de ser um pouco desconfortável, também. Enquanto pisava nos últimos degraus, David apareceu ali, junto com Bruce e Stacy. Me lembrei do dia em que ele fez a mesma expressão que fez neste momento, quando eu estava me preparando para ir ao encontro duplo.
Agora estávamos aqui, e ele estava me olhando da mesma forma. Um sorriso se abriu em seus lábios quando me viu, e eu não pude evitar a mesma expressão. Ele estava incrível e seguindo o mesmo traje dos outros cupidos: Smoking preto.
Aquele visual destacava a beleza de cada um deles. Aposto que todas as garotas presentes estavam sem fôlego.
Antes mesmo que eu me aproximasse, David veio até mim, enquanto nos misturávamos entre os casais. A mansão estava bem iluminada e os lustres davam ainda mais beleza e vida ao lugar.
Assim que ficamos de frente um para o outro, David parou de frente comigo e ficou imóvel por alguns segundos, me olhando daquela forma indescritível, colocou as mãos no bolso da calça, cerrou os olhos para mim e abriu um sorriso brincalhão e malicioso.
— Cassandra Drayton... — Meu nome soou como um elogio em sua boca, e ainda me olhando daquela forma. Quando terminou de me apreciar, tirou a mão do bolso e carinhosamente pegou a minha.
Quando nossas mãos se tocaram senti um arrepio percorrer por todo o corpo. Então ele levou o dorso da minha mão até seus lábios e beijou suavemente, sem tirar os olhos de mim.
Retribuí com um sorriso.
— Não sei como te descrever. — Se aproximou mais — eu normalmente esperaria mais tempo, mas antes que algum cupido faça isso, eu quero ser o primeiro a perguntar.
— Como? — Pergunto.
— Quer ser meu par nesta noite? — Perguntou, estendendo um braço para mim.
Sem hesitar aceitei, encaixando o meu braço com o seu. Até mesmo sentir o tecido do seu smoking contra meu braço estava me desconcertando.
Andamos pela mansão de braços entrelaçados, cumprimentando alguns casais que chegaram. Quando caminhamos até a sala de estar, encontramos Stacy e Bruce na mesma posição que nós dois. Stacy segurava uma taça de champanhe e parecia agradecer alguma coisa que um cupido lhe disse. Bruce assentiu para ele. Quando os dois nos viram, rapidamente se dirigiram a nós.
Stacy me lançou seu olhar cúmplice. Estávamos nós duas nos braços dos homens que amávamos. Uma de frente para a outra. Quando trocamos olhares, soube exatamente o que ela estava pensando: Queríamos congelar aquele momento.
Nós quatro começamos a conversar. Bruce já não parecia incomodado em me ver nos braços do meu cupido. Aquela era nossa noite e nada poderia atrapalhar o amor entre todos nós. Era a nossa chance de aproveitar, ao menos uma vez.
Aproveitamos para conversar enquanto o baile não iniciava. Foram longos minutos, até finalmente alguém aparecer. Hayley, vestida em um longo vestido branco e brilhante. Ela também usava um coque glamouroso destacando os fios loiros. Assim que entrou na sala, pude notar o que ela sempre fazia: estava procurando pelo David. O olhar perdido em meio aos cupidos a denunciava.
Fiquei me perguntando quem a convidou. Talvez algum cupido do Bar.
Apressada ela caminhou até nós quatro e se colocou no meio da roda. Ela não parecia muito bem, e ficou ainda pior quando me viu de braços dados com o meu cupido.
— Olá. — Falou, inquieta. — David, podemos ficar a sós por alguns minutos? — Perguntou, tocando o braço dele e excluindo todo o resto. Até mesmo Stacy. Pensei que fossem amigas.
David recusou e em seguida me olhou.
— Vá. Eu espero aqui. — Falei, mesmo detestando a ideia de que os dois ficariam sozinhos. Ainda não consegui me esquecer do beijo e do que fizeram aquela noite na casa dos cupidos. Odeio me lembrar daquela cena.
David hesitou, mas foi. Ambos andaram rapidamente para fora da sala. Hayley exalando glamour, porém o desespero em seu rosto estava visível.
Encarei Stacy e Bruce. Eles também acharam aquilo estranho. Logo desviei o olhar, tentando não demonstrar ciúmes ou preocupação.
— Vamos, Cassie. Vamos pegar uma bebida para você. — Stacy largou o Bruce e me puxou pelo braço.
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21:22 — HAYLEY
Estamos nós dois do lado de fora da mansão. Conversar sozinhos e sentindo o ar puro é bem melhor. Principalmente observando o grande lago. As luzes da mansão estão refletindo na água. Porém, nem a beleza do lugar e da noite conseguem amenizar o meu nervosismo. E para ajudar, David está mais bonito do que costuma ser. O smoking preto caiu muito bem.
Não sei como contar para ele. Não sei como começar. Talvez se eu disser que corro perigo ele pode entender. Se eu contar para o David, quero ter a certeza de que ele vai me proteger daquele cara.
— Eu te chamei aqui porque... — Tentei dizer, olhando para as minhas próprias mãos.
Está na hora. Se eu disser o que eu sinto e tudo o que está acontecendo talvez ele faça alguma coisa. Tenho certeza de que ele é muito forte e pode me proteger de qualquer mal. Não há hora melhor para contar para ele tudo o que sinto e no que eu me meti.
Sei que ele também sente alguma coisa por mim. Ao contrário não teria transado comigo naquela noite. Acredito que a Cassie não será um problema, apesar de ela ser o motivo de tudo estar dando errado para mim.
— Por que não apareceu mais lá no Bar? — Tento parecer segura.
— Não tenho tido tempo. — Respondeu. Notei que ele não está muito confortável, nem mesma eu estou. Só quero que tudo isso acabe.
Estou com medo. Muito medo. E quando estou perto do David sinto que o Dean não vai poder me machucar.
— David. — Paramos de caminhar. Ficamos próximos ao lago, um pouco longe da mansão. — Quero te dizer uma coisa.
Ele esperou que eu falasse. Ficamos de frente um para o outro e eu me aproximei dele.
— Eu gosto de você. — Confessei e esperei uma reação positiva. Se ele sentir o mesmo, vou confessar tudo de errado que fiz.
Ele deu uma risadinha para mim. Dobrei minhas sobrancelhas, suplicando outra reação.
— Gosto de verdade. Estou apaixonada por você há muito tempo. — Falei e senti meu corpo queimar de arrependimento. Olhei em seus olhos, e mesmo sentindo aquela sensação agonizante, o encarei. Preciso saber o que ele sente por mim.
— Hayley... — Falou meu nome com doçura, e suas mãos rapidamente envolveram as minhas. Elas eram grandes e acolhedoras. Ele apertou firme as minhas. — Tem certeza do que está falando?
— Tenho. Nunca tive tanta certeza! Há muito tempo procuro coragem para te dizer isso... Mas agora, quando fiquei sabendo desse baile, vi uma oportunidade. — A cada palavra eu me aproximava dele, suplicando. — E preciso saber o que você sente por mim. Não diga que é amizade, porque nós fizemos amor. Preciso saber o que somos!
Ele olhou para baixo.
— Hayley, não podemos ficar juntos. — Falou o que eu temia, mas ainda estava disposta a lhe dizer tudo. Principalmente sobre o Dean!
— Mas...
— Olha, me prometa que vai tomar cuidado. Não quero te ver perto do Dean. Ele não é bom para você. Ainda precisamos conversar sobre isso. — Como se adivinhasse no que eu estava pensando, David tocou no nome do Dean. Eu engoli a seco.
— Não mude o assunto! Só me diga o que sente por mim!
— Não é o momento. Aproveite o baile e conversamos sobre isso numa outra hora, tudo bem? Escolha um cara para ser seu par. — Ele ainda segurava minhas mãos.
— Por que eu não posso ir com você? — Pergunto, desejando acompanhá-lo na festa. Era tudo o que eu mais queria.

— Cassie é meu par. — Soltou as minhas mãos, e senti um vazio.
Aquilo acabou comigo.
— Então é ela, não é? Vocês têm alguma coisa? Estão juntos? — Minha voz falhou e quase chorei naquele instante.
— Isso não tem relação com ela.
— Tem sim. Ela disse que era minha amiga. — Olhei para baixo e me permiti chorar. — Ela disse que te via como um irmão! Mas eu sabia... Ela sempre quis tirar você de mim. Eu cheguei primeiro, David! Estive apaixonada por você muito antes de ela chegar! — Falei alto.
— Hayley, se acalme.
— Não! — As lágrimas embaçaram minha visão. Tudo o que eu podia ver era a imagem turva da sua beleza viciante e das luzes que vinham da mansão. — Isso está acabando comigo. — Me afastei dele, enquanto meu salto afundava nas pedras.
— Venha, vamos entrar, vou pegar uma bebida para você. — Ele tentou me tocar, e apesar de querer me jogar em seu peito e sentir seu perfume, eu me afastei ainda mais.
Eu iria contar para ele... Iria contar o que eu fiz... Iria dizer o que Dean pretende fazer com a Cassie... Mas David não merece isso.
Enquanto ele me chamava com sua voz grave, que já tirou minha sanidade tantas vezes lá no Bar, eu corri para fora da mansão, aproveitando que os portões estavam abertos e mais caras chegavam acompanhados. Eu era a única garota sem ninguém.
Acabei deixando a raiva e a decepção me dominar, então decidi que vou deixar David resolver tudo por conta própria.
Mal conheço Dean Trent, mas sei que ele está prestes a fazer algo terrível. Depois do que ele fez comigo, tenho certeza.
Veremos se o David será capaz de salvar a Cassandra. Esse casal não vai durar muito tempo.
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Cassie — 21:45
A mansão está lotada. Estou sozinha e me perdendo no meio de tantos olhares intimidantes e garotas beijando cupidos, Stacy me deixou sozinha depois que Bruce a chamou. Algumas músicas calmas estão tocando. Sons serenos de ritmo lento.
Finalmente David apareceu após ter desaparecido com a Hayley. Ele veio até mim, como se estivesse me procurando há um tempo.
Ele não parecia bem. A conversa com a Stacy não foi boa, deduzi.
— O que ela queria? — Perguntei, me encostando na parede gelada contra minhas costas.
— Ela me fez algumas perguntas. Nada importante. — Tentou me confortar.
— Cadê ela?
— Não sei. Nos separamos assim que entramos.
Não acreditei naquilo. Mas estava me sentindo bem demais para me importar com a Hayley e seus ataques de paixão pelo David. Nessa noite ele é meu.
Observei todos ali, se divertindo, cupidos tocando a cintura de garotas bem vestidas, com vestidos brilhantes e apertados, destacando suas silhuetas. Aquele lugar se encheu em pouco tempo e agora exalava sensualidade.
Stacy está tão feliz. Acredito que está sendo a despedida que ela sonhava. Ela e Bruce estão aproveitando muito.
Enquanto eu e David estávamos juntos após pegar uma taça, Colin e Louis apareceram. Encarei os dois entrando e Colin estava acompanhado de uma garota bonita, parecia ser latina. Mas Louis estava sozinho.
Assim que os dois entraram e cumprimentaram todos que viam, vieram até mim e o David.
— Cassie! Está linda. — Colin me viu e beijou minha bochecha. Louis fez o mesmo.
— Obrigada.
— Não vai nos apresentar sua amiga? — David perguntou, olhando maliciosamente para o Colin.
— Ah, é uma amiga. — Ele não disse o nome dela. — Viemos aproveitar a festa.
— Cadê a sua companhia, Louis? — Perguntei.
— Está bem longe daqui, Cassie... — Abriu um sorriso triste. Tive certeza que ele se referiu à sua ex-namorada de quando ainda era um humano.
Só mesmo Louis para me encher de tristeza e empatia em uma noite como essa.
— O Franklin apareceu por aqui? O cara não aparece lá em casa já faz um tempo. — Colin disse, bebendo seu champanhe que acabara de pegar.
Franzi minha testa e David decidiu não responder. Sabemos que tem alguma coisa acontecendo, mas por essa noite, só por esse noite, queremos nos esquecer que todos corremos risco de morte. Queremos apenas aproveitar um pouco, é pedir muito?
— Bom, vou indo nessa. — Colin deu um tapinha no ombro do Louis e saiu todo animado com a garota ao seu lado.
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Depois das dez a mansão estava no seu auge. Estava tão lotada que agora até mesmo o exterior da festa estava cheio. Haviam cupidos contemplando o lago do lado de fora, nos quartos, nas salas, em todos os lados. E apesar de estar tão cheio, o baile não perdeu sua formalidade. Era com certeza o evento mais excitante do qual já participei e nenhum outro superaria.
As conversas deixavam o lugar ainda melhor.
Eu e David estávamos colados um no outro. Qualquer um ali poderia perceber a atração que estávamos sentindo ali no meio. Mas não éramos os únicos.
Enquanto conversávamos, ele me tocava e eu retribuía com sorrisos e risadinhas. E de vez em quando ele sussurrava algumas coisas em meu ouvido que me desmoronavam por inteira.
Bruce chamou a atenção de todos batendo uma colher em sua taça de vidro. Todos olharam e as garotas pararam de rir e sorrir para seus acompanhantes cupidos.
— Ei! Quero agradecer a todos por fazerem parte desse evento tão especial para mim e para a Stacy. Nunca vou me esquecer do que estão fazendo por nós. Então, convido todos a pegar suas acompanhantes e convidá-las para uma dança. — Bruce abraçou Stacy um pouco mais forte e beijou sua testa. — Aproveitem a festa, irmãos!
Todos os cupidos vibraram. Vozes grossas apoiando o Bruce e a Stacy com gritos e assovios. As garotas bateram palmas.
Uma música lenta começou. O salão se encheu com convites e as garotas entregaram as mãos para os cupidos.
As luzes se apagaram e apenas as luzes de festa ficaram acesas, para dar um bom clima ao lugar. Bruce e Stacy foram os primeiros a se colocar no meio do salão e começar a dança. Ela ria enquanto ele lhe dizia algumas coisas. Me senti tão feliz por eles.
— Cassie? — David me chamou, eu o olhei, assustada.
Neguei.
— Não! — Balancei minha cabeça. — Não sei dançar e acho que você sabe disso.
Ele levantou uma sobrancelha para mim e fez uma cara de mau, mas querendo rir.
— Vai me deixar dançar sozinho? — Me estendeu sua mão.
— Isso não é para mim, David... Eu queria, mas...
— Não se preocupe com isso. — Ele me pegou pela cintura com as duas mãos. — Eu conduzo você. — Sussurrou.
Acabei cedendo. Com seu tom de voz, seria difícil resistir a qualquer coisa que ele me pedisse. Qualquer coisa.
Com medo e querendo sair correndo, eu e David caminhamos até a pista, onde todos os casais dançavam lentamente em meio a escuridão. Feito uma estátua eu parei ali no meio.
— Assim. — Ele pegou minhas mãos e colocou em seus ombros.
Nervosa, fiquei olhando para baixo o tempo todo. Ele voltou a colocar as mãos em minha cintura e me puxou para ficarmos mais perto, quase nos encostando.
— Está ouvindo isso? — Perguntou bem baixinho.
— Sim. — Minha voz quase não saiu.
— Tente acompanhar. — Sussurrou outra vez. Oh! O que ele está fazendo? Como consegue ser tão irresistível apenas sussurrando palavras e me instruindo a dançar? Isso não está certo. Não achei que seria capaz de suportar tudo isso, toda essa sensação quando estou com ele... Prometi que iria me afastar, mas agora estamos aqui, assim, um olhando para o outro, tão próximos.
Olhei para o lado rapidamente, e observei todas as garotas dançando com os cupidos. Todas olhando em seus olhos. Algumas desviando o olhar. Elas estão sentindo aquele incômodo viciante que eles carregam nos olhos. Todas ansiando por seus beijos.
— Está vendo a forma como elas olham para eles? — David levou a boca até meu ouvido.
Estremeci e não respondi.
— A forma como mordem os lábios? — Falou em meu ouvido outra vez, e olhei para o lado. Uma acompanhante de um cupido mordia o lábio naquele exato momento enquanto encarava o cupido. — Não estão resistindo.
Continuei calada, apenas acompanhando o ritmo lento que seu corpo conduzia o meu.
— Eles usam todas as duas estratégias para atraí-las... Mas eu nunca precisei fazer isso com você para que sentíssemos isso... — Continuou, e respirei fundo. — Nós já temos isso, Cassie. Não preciso ser um cupido para fazê-la se entregar a mim... Há essa química em nós dois.
Fechei os olhos enquanto ouvia sua voz. Ele está completamente certo... Desde quando eu o via na lanchonete, todos os dias, e evitava olhar em seus olhos... Após alguns dias comecei a sentir algo tão grande por ele, como se devesse ir até ele. Falar com ele. Mas nunca tive coragem... Aquelas garotas estão ali pela beleza dos cupidos. Pela atração. Mas sinto algo pelo meu cupido que vai muito além da sua beleza ou desejo que emana... É muito mais complexo.
E eu quero estar mais próxima dele, cada vez mais, e já cansei de lutar contra isso... Quero senti-lo. Quero passar essa noite com ele. Algo me diz que não teremos tantas oportunidades de ficar assim. Tão perto um do outro.
Continuamos a dança, e eu me encostei nele e apoiei minha cabeça em seu peito. Seu corpo quente, suas mãos em mim... Meu David. Meu rapaz misterioso do Kismet Diner...
Quando a música acabou, Bruce gritou algo parecido com "é farra!" e uma música completamente agitada começou. Eu ri quando olhei em direção dele e o vi fazer uma dança engraçada. Stacy imitou os movimentos dele, e os dois começaram a dançar feito loucos. As garotas da festa fizeram o mesmo, e os cupidos entraram no embalo.
Reprovei, rindo ainda mais. Parece que o baile elegante se tornou uma festa de universitários, de fato.
Foi naquele momento que resolvi tirar proveito da minha coragem e oportunidade. Me lembrei da Hayley, e de como ela gostaria de estar em meu lugar nesse momento. Me senti mal por ela, mas também por mim. Tenho David em meus braços neste momento, e não quero perdê-lo. Não quero acordar amanhã e me arrepender de não ter aproveitado sua companhia. Amanhã tudo começará de novo! Fugir, sentir medo, amnésia, superiores...
— Vamos subir. — Olhei nos olhos do meu cupido e abri o meu sorriso mais sincero para ele, pegando sua mão.
Ele pareceu surpreso com minha proposta, e sei que estava pensando se seria mesmo uma boa ideia, e se isso iria me afetar. Mas ele me disse que ainda iria perder o juízo comigo, e foi naquele exato momento que isso aconteceu.
Rapidamente andamos até a escadaria, à caminho dos quartos. Tenho certeza que a maioria estava ocupado, mas o meu não. David parecia lutar contra si mesmo, e sei o que ele estava pensando: "Droga, Cassie! O que você está me permitindo fazer?"
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23:40
HAYLEY
Quase à meia noite decido entrar na festa. O clima esquentou. Estão todos dançando e bebendo, quase como no Bar. Assim que entrei dei de cara com danças e a música alta.
Com um olhar procuro pelo David, ou pela Cassie. Não os avisto. Posso ver o Bruce e a Stacy dançando juntos. É, parece que ela conseguiu o que queria.
Eu não deveria estar aqui. Depois do que vi naquela noite, deveria estar em casa, trancada. Mas quero ter certeza de que o Dean vai aparecer. Se eu estivesse sã o bastante, correria daqui. Mas David levou boa parte da minha sanidade. Então vou ficar aqui, na festa.
Meu rosto está todo borrado por causa das lágrimas, mas não me importo. Vou me sentar e esperar.
Dean está chegando.
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